Pe. Otacilio F. Lacerda

Artigos, textos e poesias para meditação, reflexão.

10.11.09

Para gerar Cristo em nós e nos outros…

Para gerar Cristo em nós e nos outros…

 

São Carlos Borromeu, cuja memória celebramos no dia 4 de novembro, foi um verdadeiro pastor da Igreja.

 

Em sua missão visitou várias vezes toda a Diocese de Milão.

Convocou Sínodos e desenvolveu a mais intensa atividade, em todos os setores, para a salvação dos que O Senhor os confiou, promovendo todos os meios para a renovação da vida cristã.

À Luz do seu Sermão, feito no século XVI, por ocasião do encerramento do último Sínodo que participou, apresento algumas lições que são atualíssimas para nós, padres, e todo aquele que se faz discípulo missionário de Jesus Cristo, ontem, hoje e sempre:

 

v     Para que nos fortaleçamos é preciso acolher todos os meios que o Senhor nos oferece;

v     Desejar possuir uma vida íntegra;

v     Ter um comportamento angélico: jejum, oração;

v     Evitar conversar nocivas, vãs;

v     Evitar perigosas familiaridades;

v     Antes do culto não deixar os pensamentos o distrair – preparar-se e fugir às distrações;

v     Não expor a pequena fagulha do amor divino ao vento;

v     Estudar e entregar-se ao necessário;

v     Fazer primeiro o que se prega: pregar com a vida e o    comportamento;

v     Não negligenciar a si mesmo ao cuidar das almas –“não dês com tanta liberalidade aos outros que nada sobre para ti”

v     Colocar-se constantemente em oração mental;

v     Meditar os sacramentos que celebra;

v     Meditar na Missa que ofereces ou participas;

v     Meditar o que se canta (salmos e cânticos);

v     Viver intensamente a caridade.

“Deste modo, as dificuldades que encontramos todos os dias, inúmeras e necessárias (para isto estamos aqui), serão vencidas com facilidade. Teremos assim força de gerar Cristo em nós e nos outros.”

]

Exercício Espiritual:

 

v     Destas lições, à quais estamos mais atentos?

v     Quais mereceriam mais atenção?

v     Quais são as grandes mensagens que ficam em nosso coração?

 

 

 

Depois do exercício uma súplica:

 

Senhor Deus, que a exemplo de São Carlos Borromeu sejamos zelosos no cuidado do rebanho, empenhados em pregar e viver o que pregamos, para que nosso testemunho sendo credível possa irradiar Vossa luz, conduzindo o rebanho à maior fidelidade também a Vós, por meio de Cristo Jesus, na força do Vosso Espírito!

Vinde Espírito Santo, enchei os corações dos

Vossos fiéis e acendei neles o fogo do Vosso amor…”

 

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6.11.09

Indefinibilidade do amor…

REFLEXÕES SOBRE O MANDAMENTO MAIOR: O AMOR

                                            

Indefinibilidade do amor…

 “O amor não se define, vive-se.

Importa amar para ver claro.

E se quisermos que algum outro veja claro, a única estratégia eficiente é amá-lo sem condições, como a nós mesmos.

Deus é aquele que ama primeiro: ama-nos antes de nós mesmos…”

 

Assim conclui a reflexão do Missal quotidiano, quando se proclamou recentemente um trecho da Carta de São Paulo aos Romanos (13,8-10).

Estas palavras me reportaram imediatamente ao próprio Paulo que disse: ”a caridade é a plenitude da lei” (Rm 13,10), e ao incomparável e indizível texto sobre o amor, dele mesmo, que encontramos na Primeira Carta aos Coríntios 13.

Se o leitor não a conhece, ousaria dizer que, nenhum momento há de se perder.

Um texto indiscutivelmente inspirador de tantos outros!

Fonte inspiradora para cristãos e não cristãos!!!

 

Remete-nos a Luiz Vaz de Camões (1524-1580), grande poeta da língua portuguesa e sua ímpar poesia:

                     “Amor é fogo que arde sem se ver;                       
É ferida que dói e não se sente;
É um contentamento descontente;
É dor que desatina sem doer;


É um não querer mais que bem querer;
É solitário andar por entre a gente;
É nunca contentar-se de contente;
É cuidar que se ganha em se perder;
É querer estar preso por vontade;
É servir a quem vence o vencedor;
É ter com quem nos mata lealdade.
Mas como causar pode seu favor
Nos corações humanos amizade,
Se tão contrário a si é o mesmo Amor?”
 

 

 

Como o amor é possuidor de indefinibilidade nenhuma palavra é preciso acrescentar…

Imediatamente ouvirei “Monte Castelo”, do grupo Legião Urbana, que fez uma bela releitura musical dos textos acima, e que também há de ficar para sempre!

Bíblia, poesia e música:

Que nossa alma se eleve para amar, sem procura de definições conceituais.

Amar na bela e plena medida como Cristo amou e nos ama…

Amor não se define, vive-se!!!

 

Contemplemos o amor que se concretiza

Em múltiplas expressões e relações.

Contemplemos o amor que se eterniza

Em versos, sonetos e belas canções.

Contemplemos o amor que nos eterniza

Porque condição e meta do existir.

Contemplemos o amor, que nos nutre

E fortalece para tudo que há de vir!

Ah! indefinibilidade do amor!

Ah! inesgotabilidade do amor!

Sobretudo o amor de Nosso Senhor!

Possuidor do mais belo esplendor!

 

criado por peotacilio    16:33 — Arquivado em: Sem categoria

Vivenciar a caridade como plenitude da lei…

REFLEXÕES SOBRE O MANDAMENTO MAIOR: O AMOR

Vivenciar a caridade como plenitude da lei!

 

Para Paulo a morte não teve sua última palavra.

O Amor que nos amou até o fim venceu.

A vida venceu a morte, a fim de que a humanidade nunca mais fique mergulhada na escuridão.

O abismo da morte recebeu a visita do Redentor, para que fizesse triunfar a Sua missão.

Celebra-se o mais belo triunfo:

A vitória do amor.

A partir da Páscoa a Lei se condensa no amor.

No amor aprendido com O Amor que nos amou até o fim: Jesus.

Ele que fez dom de Si mesmo, num amor incondicional até o extremo.

Amor misericordioso, vivido intensamente na fidelidade ao Pai, sob a ação do Espírito na defesa e promoção da vida, portadora da sacralidade divina.

Paulo nos exorta a

“Viver a Caridade, que é a plenitude da Lei”,

a plenitude do Amor (Rm 13,8-10):

Quem ama cumpre plenamente a Lei.

E, como disse Santo Agostinho:

“Ame e faça o que quiseres”.

O próprio Jesus nos disse:

“ninguém tem amor maior do que

Aquele que dá a vida pelos Seus amigos”

(Jo 15,13).

Quanto mais progredirmos no amor de Deus, mais humanos nos tornaremos.

O caminho da humanização passa pela prática do amor, concretizada no Amor a Deus e no amor ao próximo:

“Quando encontrei Cristo, me descobri homem!”:

Exclamou um autor do início do cristianismo.

Santo Irineu disse:

“Deus Se fez humano para que nos tornássemos divinos…”

A cruz teve aparência de derrota, na perspectiva da fé é vitória:

Jesus morrendo, matou em Si a morte e nós por Sua morte somos libertados da morte.

Assumir a cruz de cada dia é contemplar e testemunhar o Amor da Trindade ali presente:

Um Deus (Pai) que é eterno amante, fiel ao eterno amado (Jesus) em comunhão com o eterno amor (Espírito Santo), como também nos falou Santo Agostinho.

Somente trilhando O Caminho, acolhendo A Verdade, teremos Vida:

Vida plena e abundante, nutrida e movida pela caridade.

Expressão madura da liberdade.

Verdade, caridade e liberdade devem nos acompanhar em todo tempo, para que a Alegria da Ressurreição celebrada no altar possa o mundo contagiar.

Eis a Boa Nova a anunciar, testemunhar…

“Naqueles dias, Jesus foi à montanha para orar e passou a noite inteira em oração a Deus.

Depois que amanheceu, chamou os discípulos e dentre eles escolheu doze, aos quais deu o nome de apóstolos” (Lucas 6,12-13).

O Verbo, na montanha, passou a noite inteira em oração…

Ao amanhecer chama os Seus…

Contemplemos esta noite memorável.

Quais teriam sido as Palavras do Filho dirigidas ao Pai?

Quais teriam sido as Palavras do Pai dirigidas ao Filho?

Lá estava também O Espírito, como elo de amor, comunicação do Pai e do Filho.

Montanha, lugar da manifestação do Deus

que é diálogo, discernimento, intimidade, recolhimento…

Montanha, lugar da comunicação, da abertura, da proximidade, Palavra de Luz para todo momento.

 

Planície para qual Jesus e os Seus escolhidos desceram,

para levar a Palavra, cura, libertação, paz, vida nova e alegria,

Sinais do Reino que se anuncia! Que a tudo se renuncia!

No fiel seguimento, inaugurando novo dia…

 

Planície para qual Jesus e os Seus escolhidos desceram, para proclamar ao mundo o Projeto das Bem Aventuranças.

Caminho da plena felicidade, que se contrapõe aos planos de uma velha humanidade…

Na Escola do Grande Mestre temos, com alguns, muito a aprender: Aprendamos com aqueles que fizeram da oração o alimento indispensável da existência; lâmpada para a escuridão da noite… Estrela que se vislumbra em cada amanhecer até o escurecer.

Aprendamos com aqueles que descobriram a vitalidade da oração, não como evasão do tempo presente, mas como inserção no mesmo.

No amor aprendido com O Amor que nos amou até o fim: Jesus.

Mais uma vez repetimos:

O Amor aprendido com O amor que nos amou até o fim, intrepidamente, possamos viver!

Para o Amor que se renova na fonte Do Amor,

Renovemos testemunho mais intenso, ardoroso e com vigor!

Amor que cura, salva e liberta.

Amor que se vivido, é verdadeiramente, o cumprimento

alegre e rejuvenescedor de toda Lei,

porque nutre-se da Fonte do Amor

que Se  nos revela em todo o Seu esplendor.

Amém!

PS: Reeditado e repostado. 

 

criado por peotacilio    15:50 — Arquivado em: Sem categoria

13.10.09

A Oração: diálogo no aparente silêncio de Deus

A Oração:

Diálogo no aparente silêncio de Deus

 

Entre a ação humana e a ação divina, a oração se interpõe como diálogo amoroso em que a criatura perscruta os desígnios de Deus e Ele manifesta no mais profundo do coração humano os Seus sonhos e projetos.

 

A Oração é uma forma que Deus encontrou para manter um diálogo constante, com aqueles a quem formou desde o princípio.

Feliz quem na vida descobriu tão belo meio de avançar no caminho da felicidade pessoal, familiar, comunitária, social e em todos os níveis…

 

Pela oração mantém-se estreita e íntima relação dialogal de Deus com Sua criatura, e que há de ser contínua e perseverante em todos os momentos:

Alegria e tristezas, angústias e esperanças, fracassos e vitórias.

Oramos louvando, agradecendo, suplicando, disponibilizando-nos

em abertura à vontade de Deus para toda humanidade.

 

O padre diante da comunidade é, por excelência, uma pessoa de oração.

Desafiado pelas inúmeras atividades e solicitações do dia a dia, deve cultivar a oração pessoal e comunitária, vivenciada no ápice da Celebração Eucarística, que é ao mesmo tempo fonte e manancial inesgotável de forças, sabedoria, graça e luz.

Vencer o perigo do ativismo que resultaria no estresse, esvaziamento e inquietação diante dos resultados…

 

A oração não é uma fuga da realidade, tão pouco delegar a Deus responsabilidades que são próprias de cada criatura. É antes de tudo compromisso.

Oração no trabalho como se tudo dependesse de nós e nada de Deus, mas, ao mesmo tempo, esperar tudo de Deus como se nada fosse fruto de nossas atividades, como dizia Maurice Blondeu, grande filósofo cristão e de sólida fé.

 

A Palavra de Deus, por sua vez, é a grande fonte para nossa oração.

No aparente silêncio Deus, na verdade, Ele nos fala ao íntimo.

Alguns santos e místicos fizeram esta grande descoberta:

Santo Ambrósio, no século IV, assim definiu a oração:

“A Deus falamos quando rezamos; a

Ele ouvimos quando lemos os divinos oráculos”.

Os Santos padres nos ensinavam que:

Procurando pela

Leitura Sagrada nos encontraríamos meditando,

batendo a porta em oração

nos seria aberta pela contemplação.

 

O grande bispo Santo Agostinho disse:

“Jesus Cristo ora por nós como nosso sacerdote,

ora em nós como nossa cabeça, e a

Ele sobe nossa oração como ao nosso Deus.

Reconheçamos, pois,

Nele os nossos clamores e em nós os Seus clamores”.

 

No século VIII, São João Damasceno via na oração uma elevação da alma até Deus, em que fazemos o pedido dos bens convenientes.

A jovem Teresinha do Menino Jesus assim falou sobre a oração:

“Ela é para mim é um impulso do coração, é um simples olhar lançado ao céu,

um grito de reconhecimento e amor

no meio da provação ou no meio da alegria”.

 

Em nossos dias, o Papa Bento XVI falou-nos da oração como a força motriz para o amor ao próximo; amor que por sua vez é a fonte de oração.

 

Diante de um mundo globalizado, marcado por inúmeros e crescentes desafios, urge que padre e todos (as) da comunidade redescubram a força, a beleza e a vitalidade da oração, como sopro revitalizador do Espírito de Deus, que incansavelmente nos renova e reorienta nossos passos, conduz a Sua Igreja na participação da construção do Reino.

 

Como Deus nos fala em Seu aparente silêncio…

Aprendamos a fazer silêncio para podermos escutá-Lo, e com

Ele possamos dialogar numa conversa que nunca termina…

É sempre tempo de oração!

 

PS: Texto publicado no Jornal “Folha Diocesana” - Guarulhos – edição nº139.

criado por peotacilio    23:26 — Arquivado em: Sem categoria

29.4.09

Sábias mulheres que nos revelam Deus!

Sábias Mulheres que nos revelam Deus!

 

 

Ressoa em nosso coração a grande afirmação do Papa Bento XVI no ano passado, quando esteve em nosso meio:

 

“Somente enamorados por Cristo é que

poderemos ser Seus discípulos”.

 

Como esquecê-la?

 

 

Catarina de Sena é uma página memorável de enamoramento e apaixonamento por Cristo.

 

Contemplemos seu testemunho e revigoremos nossos passos na fidelidade ao Senhor, O Caminho e Verdade que nos conduz a vida!

 

Santa Catarina de Sena viveu no século XIV. Deixou numerosos escritos de profunda espiritualidade e cartas de alto valor histórico e religioso. O Papa Paulo VI, em 1970, a declarou Doutora da Igreja e Padroeira da Itália.

 

Viveu num tempo de grandes desafios, dentre eles a peste e o cisma da Igreja. Vida simples, de origem pobre e humilde (última de uma família de 25 filhos), morreu jovem, aos 33 anos.

 

Mulher de grande mística, espiritualidade e oração, que acolheu o sopro do Espírito e enriqueceu a Igreja de seu tempo e de todo tempo: os santos transcendem seu tempo… testemunhou grande amor e cuidado aos doentes, foi incansável e reveladora do amor de Deus…

 

Catarina de Sena nos leva a refletir quantas sábias mulheres de Deus, ontem, hoje e sempre, são a manifestação da acolhida e da comunicação da sabedoria de Deus no mundo.

 

Contemplemos parte de seu Diálogo sobre a divina Providência:

 

“Ó Divindade eterna, ó eterna Trindade, que pela união da natureza divina tanto fizeste valer o sangue de Teu Filho Unigênito!

 

Tu, Trindade eterna, és como um mar profundo, onde quanto mais procuro mais encontro; e quanto mais encontro,

mais cresce a sede de Te procurar.

 

Tu sacias a alma, mas de um modo insaciável.

Porque saciando-se no Teu abismo, a alma permanece

sempre sedenta e faminta de Ti, ó Trindade eterna,

cobiçando e desejando ver-Te à luz de Tua luz…

 

Provei e vi em Tua luz com a luz da inteligência, o teu insondável abismo, ó Trindade eterna, e a beleza de Tua criatura…

 

Ó abismo, ó Trindade eterna, ó Divindade, ó mar profundo! Que mais poderias dar-me do que a Ti mesmo?

 

Tu és um fogo que arde sempre e não se consome.

Tu és que consomes por Teu calor todo amor profundo da alma.

Tu és de novo o fogo que faz desaparecer toda frieza e iluminas as mentes com a Tua luz. Com esta luz me fizeste conhecer a verdade.

 

Espelhando-me nesta luz, conheço-Te como Sumo Bem, o Bem que está acima de todo bem, o Bem feliz, o Bem incompreensível, o Bem inestimável, a Beleza que ultrapassa toda beleza,

 a Sabedoria superior a toda sabedoria.

 

Porque Tu és a própria Sabedoria, Tu, o pão dos anjos, que no fogo da caridade Te deste aos homens.

 

Tu és a veste que cobre minha nudez; alimenta nossa fome com a Tua doçura, porque és doce sem amargura alguma. Ó Trindade eterna!”

 

 

Catarina de Sena possuidora de grande amor e preocupação pelas dificuldades da Igreja, deixou-nos tão belo e grande testemunho de amor pela mesma.

 

Repetia em sua vida agitada e sofrida:

 

“SE MORRER, SABEIS QUE MORRO

DE PAIXÃO PELA IGREJA”

 

 

Para que reflitamos:

 

v    Com que profundidade mergulhamos no mistério de amor da Santíssima Trindade?

v    Qual a profundidade de nossa paixão pela Igreja de Cristo?

v    Sentimo-nos, como Catarina, enamorados por Cristo?

v    Quais são as Sábias Mulheres de Deus em nossas vidas?

v    Qual a nossa solicitude para com os pobres, presença de Cristo em nossa vida?

 

Santa Catarina de Sena, rogai por nós!

 

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13.4.09

“Se permanecerdes em Mim…”

“Se permanecerdes em Mim…”

 

 

 

 

 

A Palavra de Jesus se cumpriu nestes dias:

“Eu Sou a videira e vós os ramos. Aquele que permanece em Mim, e Eu nele, produz muito fruto, porque sem Mim nada podeis fazer”

(João 15,5).

 

Ao longo de toda a Quaresma, notáveis e saborosos frutos se multiplicaram aos nossos olhos. Adentramos o itinerário espiritual, que recolocou nossa vida nos trilhos da salvação, a partir da prática dos exercícios quaresmais: oração, jejum e esmola.

 

Como não lembrar, das Missas neste tempo Quaresmal e da riqueza litúrgica que nos foi oferecida, quer da semana, quer dos domingos, as confissões, os grupos de reflexão, as vias sacras, a Semana Santa…

 

A Semana Santa, bem participada em todos os seus momentos, indubitavelmente, sempre produzirá incontáveis frutos, porque nela se sobressai a Palavra de Deus e o convite para que Nela permaneçamos, adentrando um novo caminho das alegrias pascais, na presença do Ressuscitado.

 

Com a Igreja do Brasil, em diversos momentos e modos, aprofundamos um assunto que a todos envolve: “Fraternidade e Segurança Pública”, com o lema – “A Paz é fruto da Justiça”.

 

Inspirados na Palavra de Deus, diversos gestos se multiplicaram para concretização da Campanha da Fraternidade.  A questão da justiça e da paz não se resolve com uma Campanha, mas é um valioso começo…

 

A utopia cristã se revela na esperança de que a paz é possível, pois é fruto da prática da justiça de todos os cristãos e pessoas de boa vontade.

 

Aproveitando a oportunidade, convido a todos para participarem

 Dia 21 de abril, no Santuário de Aparecida, da Missa às 12 horas.

Será um memorável acontecimento de nossa Diocese:

A Ordenação de quatro padres e um diácono e, também, a celebração do Jubileu Sacerdotal de nosso Bispo.

Dois padres são vocações nascidas em nossa Paróquia, por isto estamos

em grande clima de festa.

 

Nós os vimos, nós os conhecemos e temos em nosso coração a esperança de vê-los permanecer na Palavra, para que como trabalhadores da vinha, como homens da Palavra e da Eucaristia, na vida doada e consagrada à Igreja, exerçam ministério frutuoso, produzindo frutos que permaneçam para a vida eterna.

 

É Páscoa, muito já frutificou, e muito há para frutificar,

Há, também, muitas sementes do amor, verdade, justiça e liberdade a semear,

Sem jamais, delas se cansar de cuidar,

Com intenso amor e zelo, regar…  

Eis a nossa missão!

 

 

 

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26.3.09

Glorifiquemos a Deus pelo Jubileu Sacerdotal!

Pe. Frizzo em dez palavras…

 

 

Pe. Frizzo, um luminar de Deus que celebra 25 anos, em plena Festa da Anunciação de Nossa Senhora.

 

Pe. Frizzo, companheiro de caminhada, de luta, de partilha, de continua abertura ao novo e à solidariedade.

 

Do Mestre discípulo, eterno aprendiz. Alegria, mesclada com inquietações e sombras de tristeza, que acampam coração de poetas e profetas, sedentos por  ver  o realizar da esperança, num amor revigorado que jamais se cansa.

 

Pe. Frizzo, como um precioso luminar de Cristo, também têm suas sombras.

 

Mas deixemos que suas sombras nos façam rever as nossas próprias. Perfeição! Quem a tem?

 

             I.      Amor a ciência, de modo especial a ciência bíblica, ao saber inquietante, que alarga horizontes para superação da mediocridade.

 

          II.      Comunicação fácil e dinâmica com criatividade e lampejos, inesperados.

 

       III.      Despojamento material, sinalizando a pobreza evangélica, para enriquecimento do outro.

 

        IV.      Destituído da sede de títulos, e se títulos tiver é para se colocar, evangelicamente, a serviço.

 

           V.      Companheiro de conversas, de pautas múltiplas, num leque descortinado, para as questões do tempo presente.

 

        VI.      Antenado, plugado, conectado com os avanços da pós modernidade, sem a perda dos princípios cristãos que transcendem toda época de mudança e mudança de época.

 

     VII.      Proximidade com a elite, para o bem do povo simples, sem perda da inserção popular e suas causas inadiáveis: de vida, alegria, lazer, cultura, educação, moradia…

 

  VIII.      Grávido na mente e no coração: de idéias e projetos, para que a novidade do Evangelho encontre acolhida e enraizamento, e o cristão jamais deixe de ser luz e sal, na massa fermento

 

        IX.      Esforço notável e testemunhável da articulação da fé e da vida, procurando fazer o mistério celebrado ressonante na vida; fazendo da vida consoante, ou seja, de acordo com o mistério celebrado, superando divórcios comuns entre a fé e a vida, a ciência e a fé…

 

           X.      Sedento das utopias, sem fixar-se em modelos e regimes políticos, com inclinação para a política, mas a verdadeira política com P maiúsculo, que vise tão apenas o bem comum.

 

Pe. Frizzo continue sendo, como a quaresma tem nos proposto:

 

Homem do deserto, que experimenta a presença e onipotência divina contra as forças diabólicas;

 

Homem da Montanha Sagrada. Homem do Tabor, com afinada escuta da voz do Filho Amado, mas Homem da Planície em compromisso irrenunciável com O Verbo na transformação do mundo, num evangélico compromisso com os desfigurados;

 

Homem do Templo, do culto, da Lei, da Religião que liberta, promove, edifica, a vida santifica… e, de alegria, amor e paz com Jesus, a plenificação;

 

Homem da Cruz, pela loucura da cruz, seduzido, com os pobres comprometido. Incansável no ministério, pelo Pão da Palavra e da Eucaristia sempre nutrido;

 

Homem Pascal; que acolhe na vida o Mistério da Paixão, Morte e Ressurreição, como grão de trigo que morre para não ficar só, para se transformar em espigas, em grãos de justiça e paz multiplicados, grãos de amor e liberdade partilhados.

 

 

Um Grande Abraço!

 

Seu Irmão mais novo e em nome do Presbitério de Guarulhos: Pe. Otacílio F. Lacerda

Guarulhos, 25 de Março de 2009.

Festa da Anunciação de Nossa Senhora.

 PS: Homenagem feita por mim, no final da Missa,  ao querido Pe. Frizzo, pelo aniversário de 25 anos de Sacerdócio na Missa  ontem concelebrada…

criado por peotacilio    9:24 — Arquivado em: Sem categoria

24.3.09

O SURPREENDENTE AMOR DE DEUS

 

O SURPREENDENTE AMOR DE DEUS

 

 

   Quaresma: Um longo e rico itinerário espiritual a toda igreja proposto

 

¨     1.º Domingo – Começamos com Jesus a caminhada pelo deserto para aprendermos com Ele a vencer as tentações de Satanás (ter, ser e poder);

¨     2.º Domingo – Subimos com Jesus ao alto da montanha para escutá-Lo, como Filho Amado de Deus, e imediatamente descer à planície no compromisso com a paz;

¨     3.º DomingoEntramos, com Jesus, no templo para purificá-lo e resgatar o verdadeiro sentido da religião, do culto, na acolhida e na prática do Decálogo, da Lei Divina.

 

Celebramos, domingo passado, o 4.º Domingo da Quaresma, chamado de Domingo Laetare, em razão da alegria pela proximidade da Páscoa.

 

Embora ainda seja quaresma, há o tom da alegria pascal anunciado, fazendo da vida uma constante passagem: do desalento para a confiança; da angústia para o gozo; do abandono para o encontro; das trevas para a luz; da mentira para a verdade. Numa palavra: da morte para a vida.

 

 

A liturgia da Palavra nos apresenta DEUS, que em sua infinita misericórdia,

 sempre nos surpreende.

 

Quando atravessava o deserto, saindo da escravidão do Egito, em busca da terra prometida, quando o povo murmurava e era mordido pela cobra, Deus os curava através da serpente de bronze, por Moisés erguida.

 

Quando no exílio, a misericórdia de Deus suportando toda infidelidade de seu povo, faz de Ciro, Rei da Persa, instrumento do retorno e da edificação do templo em Jerusalém. A desolação pelo exílio, a saudade de Jerusalém não ficaram sem a resposta amorosa de Deus. Ele jamais se distancia daqueles que ama… (2 Crônicas 36,14-23) – é o surpreendente amor de Deus ricamente narrado.

 

No Evangelho de João (3,1-21) Jesus propõe a Nicodemos, nascer do alto.  Nascer para a novidade do Reino de Deus, a partir da água e do Seu sangue que jorra do lado que lhe foi, pela crueldade humana, aberto para nos purificar de todo pecado - o perdão dado testemunhou que o amor é mais forte do que a maldade humana.

 

Quando O Filho amado foi elevado na CRUZ, não somente Ele foi elevado, mas com Ele, foi elevada a humanidade decaída pela desobediência e pelo pecado, desde gênesis, quando nossos primeiros pais quiseram comer da árvore proibida, querendo ser como deuses.

¨     Na CRUZ contemplamos o amor de Deus por tantos autores dos Textos Sagrados narrado.

¨     Na MESMA, contemplamos o amor de Deus pelos profetas por longos séculos anunciado.

¨     Na CRUZ, que é fonte de vida e expressão máxima do amor de Deus, insistimos, o Amor de Deus é definitivamente revelado.

O surpreendente amor de Deus participando da morte de Seu Filho amado, nos possibilitou a vida nova, a eternidade.

 

Crer em Seu nome, Sua Palavra, Seu Projeto de Vida, leva-nos a eternidade.

 

Nascer do alto será então viver na luz, como filhos da luz que o somos.

 

¨     Viver na liberdade, para a qual Deus nos criou e nos resgatou. Vida no Espírito…

¨     Viver na verdade, porque como Verdade Ele ao mundo e a nós se apresentou.

¨     Viver na fidelidade do amor que ama até o fim…

¨     Viver o amor até as últimas conseqüências. Assim é o surpreendente amor de Deus…

 

A nós cabe acolher Jesus, a expressão máxima do amor de Deus, participando ativamente da incrível história do amor de Deus que desde o princípio, desde os primeiros dias do Éden se colocou em constante busca da amizade de suas criaturas, Sua imagem e semelhança – “Adão onde estás?”.

 

O surpreendente e incrível amor de Deus vai sempre ao encontro para resgatar a todos.

A vontade de Deus é que nenhum dos seus se perca. Desde então Ele, incansável em seu amor, adentra a floresta da história para resgatar a humanidade, numa relação querida de amizade, relacional e profícua…

 

A intensidade, profundidade, altura, largura e cumprimento do amor de Deus são incomensuráveis, sem medida.

 

Deus que tanto nos ama, espera apenas uma coisa: que saibamos corresponder ao seu amor, para que alcancemos a alegria e a paz.

 

Diante Deste Deus, que tanto nos ama, que não poupou o próprio Filho… haveremos de nos perguntar:

 

¨     Como correspondemos ao amor de Deus, que tanto nos ama?

 

¨     Amamos a Deus para além dos limites de nossas forças?

 

¨     Amamos a Deus até as últimas conseqüências?

 

¨     Amamos a Deus até o fim, suportando adversidades, provações, inquietações, abandonos, traições, etc…?

 

¨     Empenhamo-nos em amar a Deus, na exata medida de Seu amor, ainda que jamais seja possível?

 

¨     O que podemos fazer nesta quaresma para aumentá-lo, intensificá-lo… numa necessária e sincera relação de amor.

 

 

Deus está sempre nos surpreendendo com seu amor. Surpreendente como sinônimo de magnífico, maravilhoso, excepcional… assim é o amor Deus.

 

Assim também seja nosso amor para com Ele e para com nosso próximo…

 

O amor sempre nos leva a surpreender com gestos de carinho, acolhida, atenção, solidariedade, acalento, esperança, consolo…

 

QUEM AMA SE REGOZIJA EM SURPREENDER O AMADO!

 

 

 

 

 

 

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16.3.09

Uma súplica diante dos sinais de morte… (versão - texto)

Uma súplica diante dos sinais de morte…   (versão - texto)

 

 

 

                                           

Quaresma, tempo favorável de reconciliação: oração, jejum e esmola. É tempo de maior sensibilidade diante dos sinais de morte, para que os transformemos em sinais de vida, mistério de páscoa, morte e ressurreição.

 

Tanto o coração do presbítero, como de toda a comunidade, se alarga e mergulha nas profundezas das entranhas da misericórdia de Deus. Por ser tempo favorável de oração, a presente reflexão é uma oração, que fiz recentemente, e que agora refaço para que seja uma humilde súplica a subir aos céus na espera de uma divina resposta.

                                              

Que Deus me dê um olhar de ternura e compaixão, que se alimenta na força renovadora de sua Ressurreição. Um olhar de partilha e solidariedade, para que fortaleça a corrente inquebrantável da fraternidade. Um olhar de ternura e  confiança que vislumbra alegres  sinais de esperança. Um olhar de ousadia e profecia para não me curvar diante dos temores de cada dia!

 

Que Deus me dê uma escuta sintonizada e atenta, que capta os clamores de realidades cruentas. Uma escuta aliada à sabedoria para promover apenas sinais de vida, paz e alegria…

 

Que Deus me dê  humildade e mansidão de coração, para que se alargue à sensibilidade e compaixão. Que Deus cuide de minhas cordas tênues do coração, para que suporte os espinhos sem choro ou lamentação!

 

Que Deus coloque a palavra certa, em minha boca e que meus lábios sejam possuidores de fagulhas de santos pensamentos sábios. Que proclame palavras com largueza e firmeza, para que restitua a quem as ouve esplendor e beleza!

 

Que Deus firme meus pés nesta árdua caminhada, a fim, de que não esmoreça diante das cruzes pesadas. Que jamais me canse de me colocar a caminho, nutrido Daquele que está presente no Pão e no Vinho.

 

Que Deus me dê mãos fortes, prontas e estendidas e as fortaleça quando mais que aparentemente enfraquecidas. Que jamais se cansem de se abrir a quem delas precisa, oferecendo o que de melhor se possui, pois é isto o que se eterniza!

 

Que Deus me dê… E ele concede…Que eu acolha e agradeça a quem cumpre o que promete, que atende a todo aquele que pede. Obrigado Senhor!!!

 

 

                                                                                

 

 PS; versão para Jornal da Diocese de Guarulhos - edição março de 2009.

criado por peotacilio    20:12 — Arquivado em: Sem categoria

Uma súplica diante dos sinais de morte… (versão poesia)

 

 

Uma súplica diante dos sinais de morte…

 

                                                    

                                                

Que Deus me dê um olhar de ternura e compaixão.

Que se alimenta na força renovadora de sua Ressurreição.

Que Deus me dê um olhar de partilha e solidariedade,

para que fomente a corrente irrompível da fraternidade.

 

Que Deus me dê um olhar de ternura e  confiança

Que vislumbra auspiciosos sinais de esperança.

Que Deus me dê um olhar de ousadia e profecia

para não me curvar diante dos temores de cada dia!

 

Que Deus me dê uma escuta sintonizada e atenta

Que capta os clamores de realidades cruentas.

Que Deus me dê uma escuta aliada com a sabedoria

para promover apenas sinais de vida e alegria.

 

Que Deus me dê  humildade e mansidão de coração

Que se alargue para a sensibilidade e compaixão.

Que Deus cuide de minhas cordas tênues do coração

Para que suporte os espinhos sem choro ou reclamação.

 

Que Deus coloque a palavra certa em minha boca e lábios

Possuidor de  fagulhas de santos pensamentos sábios.

Que proclame palavras  com largueza e firmeza

Que restitua a quem as ouve esplendor e beleza.

 

Que Deus firme meus pés nesta árdua caminhada

Que não esmoreça diante das cruzes pesadas.

Que jamais me canse de me colocar a caminho

Nutrido Daquele presente no Pão e no Vinho.

 

Que Deus me dê mãos fortes, prontas e estendidas

fortaleça minhas mãos quando aparentemente enfraquecidas.

Que jamais se cansem de se abrir a quem dela precisa,

Oferecendo o que de melhor se possuí, é o que se eterniza.

 

Que Deus me dê… E ele concede…

Que eu acolha e agradeça.

A quem cumpre o que promete,

Que atende a todo aquele que pede.

 

 

Obrigado Senhor!!!

 

                                                                        

 

 

 

 

 

criado por peotacilio    19:58 — Arquivado em: Sem categoria

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