Pe. Otacilio F. Lacerda

Artigos, textos e poesias para meditação, reflexão.

3.11.09

A morte e o Cálice do Senhor…

REFLEXÕES SOBRE A MORTE E A VIDA ETERNA

                                            

 

 

A morte e o Cálice do Senhor…

 


Sinto ressoar o Dia de Finados…

Ressoa a Liturgia da Palavra na Missa Proclamada, a homilia que fiz.

Não faço homilia para os outros apenas, também a faço para mim.

A morte inexoravelmente nos acompanha.

Há algumas palavras do Missal dominical que são imperdíveis:

– “… no fundo dessa nossa dinâmica de vida e esperança se oculta, sempre à espreita, o pensamento da morte; um pensamento ao qual não nos habituamos e que queríamos expulsar. No entanto, a morte é a companheira de toda nossa existência, despedidas e doenças,

dores e desilusões são dela sinais a nos advertir.

A morte permanece para o homem um mistério profundo.

Mistério cercado de respeito também pelos que não crêem…

Para o cristão, a morte não é o resultado de uma luta trágica

que se deva afrontar com frieza e cinismo.

A morte do cristão segue as pegadas da morte de Cristo:    

Um cálice amargo, porque fruto do pecado, a beber até o fim,

porque é a vontade do Pai,

que nos espera de braços abertos do outro lado do limiar;

morte que é uma vitória com aparência de derrota:

Morte que é essencialmente não morte:

Vida, glória e ressurreição.

A despedida dos fiéis é acompanhada da celebração

Eucaristia, memória da morte

de Jesus na cruz e penhor da sua ressurreição…

Cristo espera eternamente com os braços abertos;

o homem que optou contra

Cristo, será queimado eternamente por aquele amor que repeliu.

O homem que se decide por Cristo

encontrará no mesmo amor a plena e infinita alegria…”

(cf p. 1373-4).

Morte! Morte!! Morte!!!

Ressurreição! Ressurreição!! Ressurreição!!!

Última palavra para os que crêem!

Palavra que nos alegra o coração, ainda que de vez em quando se encontre estilhaçado, mas ancorado no porto seguro da Ressurreição.

Não existimos ao sabor dos ventos fúnebres, mas pelo vento suave,

brisa que nos traz a terna mensagem da eternidade:

A vida venceu a morte!

Viver e celebrar a vida no cálice da morte e Ressurreição do Senhor, para que do mesmo cálice alcancemos o inebriamento da alegria da eternidade.

Êxtase que nos renova e encoraja no inadiável e instransferível bom combate da fé, até que tenhamos de nos apresentar para receber a coroa da glória.

Façamos tudo por merecê-la…

Agora deixemos o grande Bispo Santo Agostinho falar…

Dispensa maiores comentários:

“A morte não é nada.
Apenas passei ao outro mundo.
Eu sou eu.
Tu és tu.
O que fomos um para o outro ainda o somos.
Dá-me o nome que sempre me deste.
Fala-me como sempre me falaste.
Não mudes o tom a um triste ou solene.
Continua rindo com aquilo que nos fazia rir juntos.

Reza, sorri, pensa em mim, reza comigo.
Que o meu nome se pronuncie em casa
como sempre se pronunciou.
Sem nenhuma ênfase, sem rosto de sombra.
A vida continua significando o que significou,
continua sendo o que era.
O cordão da união não se quebrou.
Por que eu estaria fora de teus pensamentos,
apenas porque estou fora de tua vista?
Não estou longe,
somente estou do outro lado do caminho.
Já verás, tudo está bem…
Redescobrirás meu coração.
E nele redescobrirás a ternura mais pura.
Seca tuas lágrimas e,
Se me amas,

não chores mais”

No Cálice do Senhor celebramos o mistério de Seu amor:

Mistério de Sua paixão e morte, mas no mesmo Cálice saboreamos e nos inebriamos, incomensuravelmente, de alegria, porque é o Cálice da eternidade.

Beber do Cálice é beber o amor de Deus, para que possamos vivenciá-Lo e saboreá-Lo plena e eternamente no Céu.

Com a Palavra, o Próprio Senhor nas páginas dos Evangelhos:

“Quem comer Minha carne e beber Meu sangue,

permanece em Mim e Eu nele.

Eu Sou o Pão Vivo, que desceu do céu:

Se alguém comer deste Pão, viverá eternamente, por isto

somos felizes, uma vez convidados e partícipes do

Banquete Nupcial do Cordeiro”

Como palavra última uma súplica:

Senhor, que participando do Teu Sagrado Cálice, saibamos comungar do Teu sacrifício, transformando os sinais de morte em sinais de vida.

Que bebendo do Teu Cálice, nossa morte em Tua morte vitoriosa, seja destruída.

Que os estilhaços, por ela provocados, como um vulcão em erupção,

Bebendo do Teu Cálice, fale bem mais forte do que morte,

O amor que conduz à Ressurreição!

Amém!

criado por peotacilio    15:52 — Arquivado em: Homilias, Reflexões, atividade pastoral

2 Comentários »

  1. Comentário por Adriana Sipriano — 4.11.09 @ 10:15

    Li esse texto ontem, depois que recebi um e-mail, que me deixou triste e não gostaria de ter lido;
    Meu pensamento foi: Meu Deus! Como dói, morrer parte do amor com que eu escrevia;
    E logo em seguida li esse texto;
    Falar de morte é um paradoxo; Somos “forçados” a ver um lado “bom” quando todo nosso ser, esta despedaçado, em migalhas;
    Morte carrega em si um peso, que nos deixa fracos ao carregar; mesmo sabendo que quem amamos esta junto ao pai, o fato é que quem ama, não quer perder seu amado, a presença física, os sorrisos, os olhares, o som da voz… Tantas coisas…, Tantos tipos de morte a morte trás…;
    Como Maria aos pés da cruz, ela sabia que Jesus voltaria…, mas ela não queria “perde-lo”
    Certa vez, uma amiga, insistiu a semana toda para que fosse em sua casa comer o doce que fizera, disse que só iria no sabado…, mas o sabado para ela, nunca chegou…; por muito tempo, pude sentir o gosto de seu doce, que jamais comi, nem mais poderei…;
    Perdas assim, implicam que quem fica deve aprender também a ressuscitar, ressuscitar a vida que segue; entender que o amor não morreu não se foi junto com o ente querido;
    Quem partiu está na gloria, com o pai, quem por aqui, por hora fica, precisa seguir amando…;
    Pior morte é a que acontece em vida, se isso acontecer, temos que urgentemente tentar ressuscitar, por aqui mesmo, para que um dia, inteiros e plenos de amor, possamos ressuscitar junto ao Pai, para sempre, na eternidade celeste;
    Ressurreição e Amor…, eis o mistério e o segredo da Vida…;
    Desculpe se o texto foi longo, às vezes não é possível, se expressar em 2 linhas;
    Em despedida pode;

  2. Comentário por Vanda J. da Costa Vital — 4.11.09 @ 18:45

    Se você me ama, não chore… como é dificil não chorar quando se perde um grande amor mesmo que seja para Deus. Fica apenas a certeza que um dia essas lágrimas serão de saudade somente e não de tristeza. E a esperança de que um dia nos encontraremos lá no Céu, juntinho de Jesus e de Nossa Senhora.

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