2.11.09
Reflexão sobre a morte e a vida eterna…
O ministério do padre na hora mais difícil:
A hora da morte.
Finados: dia de recolhimento, oração e contemplação de nossa realidade penúltima, a morte; fortalecimento na fé sobre nossa realidade última, a VIDA ETERNA!
Quantas vezes nós, padres, somos chamados para rezar pelos falecidos e familiares. Muitas vezes anônimos e desconhecidos de nossas comunidades; distantes de nossos altares!
Quantas vezes são crianças revelando a dura realidade da dor que a morte provoca! Quantas vezes amigos, parentes, agentes!
Não há hora, dia, cansaço, compromissos, nem chuva ou sol que justifique nossa ausência. Ainda que de modo breve, uma breve mensagem da Palavra de Deus, um refrão, um canto, a água que nos lembra o batismo e comunica a presença divina. O olhar, o abraço, a terna acolhida.
A morte deixa um vazio; um silêncio; uma abertura para que a Palavra naquela hora seja semeada; plantada. Uma ferida, uma chaga a ser curada, com o bálsamo da oração, da esperança anunciada, pela Palavra proclamada.
Nós Presbíteros temos uma importância indescritível na vida daquela família ao redor do caixão, daquele corpo estendido, revelando a limitação da existência humana, levando-nos a reconhecer nossa limitação/finitude.
Padres enamorados por Cristo,
Homens da Palavra e do Pão;
arautos da Páscoa Morte/Ressurreição,
sabem que a solidariedade vivida é caminho de salvação;
que a solidariedade naquele momento é o desabrochar
das forças para a vida continuar e a cruz retomar,
para que um dia possamos com aquele,
e com tantos outros que nos antecederam, novamente nos encontrar;
e a face divina, com os anjos e santos contemplar.
Um paciente terminal assim disse:
“Abraço a morte, ela não é eterna. Quando nos encontramos com Deus, nos tornamos belos”.
Momento privilegiado, de acolhida e fortalecimento, para não deixar o medo do coração conta tomar.
Quem sabe momento para renovação da chama do primeiro amor, retorno à vida da Comunidade, participação perseverante no banquete da Eucaristia?
Nas Exéquias (celebração de encomendação dos fiéis falecidos), ou numa Missa de sétimo dia, nós, padres, temos uma oportunidade imperdível de acolhida, carinho e solidariedade.
É verdade que muitas vezes parecem não compreender nossos ritos, são participantes de “ocasião”. Que sejam!
Eis momento da graça, de favorável acolhida!
Manifestar a beleza de ser Igreja, de não estarmos nunca sós:
Nem na vida, nem na morte.
Também o acompanhamento pela comunidade depois da esperança celebrada é indispensável.
São Paulo disse que não podemos perder nenhuma oportunidade de evangelizar.
Esta é uma entre tantas oportunidades que não podemos perder.
Sou testemunha e admirador de diversos padres e fiéis leigos que jamais se omitem neste momento.
A Igreja tem rituais maravilhosos:
Leituras Bíblicas apropriadas; prefácios profundamente bíblicos e teológicos; bênçãos riquíssimas; textos incontáveis…
Há muitos tesouros a serem, ao povo, oferecidos!
É necessário sermos sinal do Bom Pastor junto ao povo sofrido!
Sinais de amor, solidariedade e compaixão,
Anunciadores da Boa Nova da Ressurreição!
PS: Publicado no jornal “Folha Diocesana” – Guarulhos – Ed. nº150.
Reeditado para o blog.

criado por peotacilio
15:59 — Arquivado em: 

Comentário por LUCIANA — 6.11.08 @ 10:37
O morrer é tão natural como o nascer, o respirar, o conceber, o sentir. Faz parte da vida. Sempre fez. Sempre fará. Basta nascermos e já começamos a morrer.
A aprendizagem do significado e do sentir da morte e do processo de morrer, é feita com distanciamento.
Com isso inibimos a verdadeira aprendizagem, que só pode ser feita de forma experiencial, vivenciada, sentida. E com isso, a vivemos com uma visão deturpada, incompleta, do significado da vida.
Acho que a idéia da experência da MORTE, é algo que deveria fazer parte, constantemente de nossa VIDA.
Morte e Vida, duas faces da mesma moeda…
O tempo é vida e a Vida é eterna…
Tocamos com o pensamento e o coração no divino quando alguém morre, e mais ainda se nos é querido. É como se víssemos uma mensagem “Tu vais morrer …” e começamos a julgar, “mas porquê este? … e não aquele? … porquê eu? …”
A vida e a morte são dons de Deus. E se vivesses o presente da tua vida sem saberes se estás amanhã com vida?
Agradeçamos a Deus o presente da vida, e ofereçamos a ele tudo o que pensamos fazer nesse dia. O teu Obrigado á ele será como uma salva de palmas, até que um dia nasceremos para a manhã eterna..
Abraços… Luciana
psiluciana@hotmail.com
http://viver-reflexoes.blogspot.com
Comentário por Luciana — 2.11.09 @ 17:04
Como é grande o despreparo que muitos de nós temos ao vivenciar ou mesmo falar sobre a morte.
A morte não é tão dolorosa e amedrontadora se tratada com naturalidade e como mais uma etapa da vida. A morte é um acontecimento que ninguém pode evitar, e passar por ela com naturalidade deveria ser essencial para todo ser humano.
Me lembro da época em que trabalhava em um hospital aqui de Guarulhos. As pessoas, sobretudo aquelas acometidas por graves doenças e sob risco de morte sempre me perguntavam: “Como é a morte?” Nessas ocasiões, ás vezes sem saber muito bem como responder, dizia-lhes apenas que a morte é algo sublime. É a coisa mais fácil que terão que fazer. Talvez pensasse que assim aliviaria os medos que aquelas pessoas sentiam diante de algo tão presente e ao mesmo tempo tão estranho. A vida por vezes é dura. A vida é luta. Viver é como ir à escola. Dão a você muitas lições a estudar. Quanto mais você aprende, mais difíceis ficam as lições. Quando aprendemos as lições, a dor se vai.”
“Talvez saibamos muito pouco sobre a vida eterna. Mas existem mistérios da mente, da psiquê, do espírito, que não podem ser examinados em microscópios ou testados com reações químicas. Com o tempo, saberemos mais. Com o tempo, vamos compreender.”
Comentário por Tânia Mara — 2.11.09 @ 21:04
Para mim a morte é segurar na mão de Deus e com Ele seguir, a pergunta que não se aguieta em meu coração diante de tão evangelizadora reflexão é: Se eu morresse hoje, quem é a Tânia Mara para aqueles que aqui ainda iriam aguardar a chamada do recolhimento ao Reino de Deus Pai, Meu Senhor e Meu Deus. Não sabemos nada da Vida Eterna mas eu Creio num Mundo novo!! e na Eternidade do Amor de Deus.
Comentário por Valéria Regina Passaro — 2.11.09 @ 22:52
A morte ainda me assusta, mas não me desespera mais, o dia 16/01/2006, foi um divisor de água na minha vida. Deixei minha mãe tomando café, ela era portadora do Mal de Alzheimer e fui atender o telefone, quando voltei a encontrei em seus momentos finais de vida terrena, mas como Deus é Soberano, a levou consigo, pois como diz sabiamente Pe. Otacílio, não a perdi, pois sei onde ela está, junto com meu pai, na Jerusalém Celeste. Louvado seja Deus em sua infinita sabedoria em seu infinito amor, hoje posso dizer: - Ela ainda me assusta um pouco, mas não me deixo levar pelo desespero, Deus tem sempre a última Palavra, não a morte!!!