Pe. Otacilio F. Lacerda

Artigos, textos e poesias para meditação, reflexão.

2.11.09

A fé na Ressurreição: Da finitude à plenitude

REFLEXÕES SOBRE A MORTE E A VIDA ETERNA

A fé na Ressurreição:

Da finitude à plenitude


Dedico esta reflexão a todos que choram  a partida de seus entes queridos.

Dedico àqueles que procuram juntar os pedaços, estilhaços de seu coração, em meio à dor e lágrimas.

Dedico àqueles que conseguem ver além da morte, com olhar pascal; que conseguem vislumbrar as fronteiras da eternidade pela fé, ultrapassando os limites da existência.

Morte, mistério que nos acompanha inexoravelmente.

Ressurreição que nos acompanha, muito mais que inexoravelmente!

Há algum tempo escrevi esta reflexão que me parece muito oportuna para esta semana em que rezamos e fazemos memória de todos aqueles que nos antecederam na glória dos céus.

A fé e a esperança na Ressurreição apontam para uma vida/existência no amor.

Quando enraizados no amor de Deus somos eternos.

A Ressurreição não é uma mera e pensada repetição da vida, ao contrário, é plenitude.

O que aqui começa lá se desabrocha na perfeição.

Entraremos numa novidade de vida.

Segundo o grande teólogo Tertuliano, (séc.II):

“A esperança cristã é a ressurreição dos mortos:

Tudo o que nós somos, o somos na medida em que acreditamos na Ressurreição”.

O horizonte da Ressurreição deve influenciar as nossas atitudes no tempo presente:

Não vivê-lo como evasão e nem tão pouco como simplesmente um fim em si mesmo…

Deve influenciar nossa oração, valores e atitudes…

A vida que não se acaba – Deus é o Deus dos vivos…

Um Deus que inaugura e eterniza uma relação conosco!

A fé cristã não tem dúvida quanto à incompatibilidade entre a fé na Ressurreição e na Reencarnação.

A fé na Ressurreição implica em estabelecer valores e verdades pelas quais pautamos nossa vida, porque neles acreditamos e nos consumimos; pelos quais somos capazes de morrer.

Não se perder entre verdades que passam e

Verdades que são eternas…

A eternidade deve ser alcançada na fidelidade e vigilância ativa, fazendo da oração expressão da ajuda divina e, ao mesmo tempo, fonte da solidariedade humana.

Na oração somos, por Deus, ajudados, assistidos, fortalecidos, para o mesmo fazer em relação ao próximo.

Numa palavra:

A oração é expressão da força de

Deus e da solidariedade humana.

Para finalizar reflitamos a beleza das palavras de Dostoievski, grande escritor russo do século XIX:

“Minha imortalidade é indispensável, porque

Deus não iria cometer iniquidade e apagar completamente o fogo do amor depois que este se acendeu para Ele em meu coração…

Comecei a amá-Lo e me alegrei com Seu amor.

Será possível que Ele me apague e minha alegria se transforme em nada.

Se Deus existe, também sou imortal”.

A inevitabilidade da morte pode ser para quem crê o mergulho na plenitude do amor de Deus.

A existência momentânea no amor (vida terrena) é existência eterna na plenitude do amor (céu).

Lá, na eternidade, enfim, contemplaremos Deus face a face.

Lá veremos o que aqui cremos de mente e coração.

Ressurreição:

O rompimento de nossa finitude para um mergulho na plenitude.

 

 

 

criado por peotacilio    17:16 — Arquivado em: Homilias, Reflexões, atividade pastoral

2 Comentários »

  1. Comentário por Maria de Fatima Alves da Costa — 3.11.09 @ 12:40

    “Se Deus existe ,também sou imortal’ Fico com esta reflexão. Sua irmã em Cristo!

  2. Comentário por Vanda J. da Costa Vital — 4.11.09 @ 18:54

    Disse Jesus: Eu sou o caminho a verdade e a vida quem crê em mim viverá eternamente. É nessa verdade que encontro forças para seguir em frente. Saudade.

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