1.11.09
Naturalismo horizontal ou angelismo vertical? Sem radicalismo!
Naturalismo horizontal ou angelismo vertical?
Sem radicalismo!
Hã?! Talvez diga novamente.
Não me surpreenderia!
O texto do Missal Cotidiano (pag. 1428), que transcreverei abaixo, li e reli várias vezes para entender, e ainda estou relendo.
Antes dele cito a Carta de Paulo aos Romanos (8,18-25):
Refere-se aquela bela passagem bíblica que fala da criação que também espera a libertação da corrupção:
“Sabemos que toda a criação, até ao tempo presente, está gemendo como que em dores de parto, e não somente ela, mas nós também, que temos os primeiros frutos do Espírito, estamos interiormente gemendo, aguardando a adoção filial e a libertação para o nosso corpo…”.
Vamos ao texto do Missal:
“Os problemas levantados pela ecologia têm chamado a atenção sobre o equilíbrio natural. Também em nosso modo de ver a natureza, devemos encontrar um equilíbrio. Entre um naturalismo todo horizontal, terra-a-terra, e um angelismo todo vertical, para o qual a terra não passa de base para os pés, existem outras posições mais realistas, portanto, mais cristãs. Ciência e técnica inclinam-se a um esforço de busca e transformação da criação. Mas, as energias descobertas são por si ambíguas. Nós é que lhes damos sentido: gloria do Criador ou desfrute da criatura. Num caso tem-se a expansão na liberdade; no outro, a distorção, grávida de consequências arriscadas”.
Naturalismo todo horizontal e angelismo todo vertical.
Termos não muito comuns ao nosso discurso, mas de pertinência incontestável.
Não somente em relação a criação, mas a outros fatos da vida (nascimento, vida, doença, saúde, emprego, relacionamentos amorosos, dimensão profissional, morte etc…) podemos transitar entre as duas atitudes.
Como? Indagará o leitor, e ensaio as primeiras reflexões…
Diante da vida podemos adotar a primeira postura, procurando respostas humanas, técnicas e científicas, prescindindo de toda dimensão espiritual, sobretudo se considerarmos o processo de dilaceramento interior aguçado da fé, da religião, da existência e da necessidade de Deus.
A busca de solução na pura razão científica e técnica e absolutamente desvinculada da fé.
Não há espaço algum para a fé!
A outra postura, prescindir da ciência, da técnica, de seus avanços. Não se utilizar daquilo que o conhecimento humano alcançou, com a inapropriada postura: Deus tudo resolverá!
Segue-se a atitude de passividade e confiança em Deus, pois cabe a Ele tudo resolver, sem fazer uso daquilo que por Ele também foi propiciado, mas que deliberadamente pela atitude pessoal dispensada. A fé que tudo resolve sem mediação alguma!
Nem uma postura, nem outra.
Adotada uma postura unilateral, exclusiva teremos o que se disse acima: “Num caso tem-se a expansão na liberdade; no outro, a distorção, grávida de consequências arriscadas”.
Mais uma vez vem a mente a brilhante Encíclica do Papa João Paulo II – “Fé e Razão”.
Como sacerdote, religioso, bem como cientista que também sou procuro transitar entre um pólo e outro:
As questões econômicas, políticas, sociais, ecológicas etc… Sejam elas quais forem somente encontrarão respostas, que as sustentem, sabendo-se fazer sabiamente este livre trânsito.
Quando a fé e a ciência procuram sincero diálogo:
Deus tem o seu lugar absoluto na vida humana e ela, por sua vez, ganha em expressão, beleza e dignidade!
A negação de Deus, Seu eclipse é a negação e o eclipse da própria humanidade como nos insiste o Papa Bento XVI, em suas Encíclicas e pronunciamentos.
Invoco sempre a sabedoria do Espírito Santo:
“Vinde Espírito Santo, enchei o coração dos Vossos fiéis…”

criado por peotacilio
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