Pe. Otacilio F. Lacerda

Artigos, textos e poesias para meditação, reflexão.

31.10.09

Quebrando a rotina! (final)

Quebrando a rotina! (final)

 

Prometi a transcrição do que fui anotando, entre a leitura dos textos, para a homilia da Solenidade de Todos os Santos.

Não é um texto com conjunções, devidamente articulado. Nem precisaria ser.

A reflexão de cada apontamento nos ajudará no processo de santificação que por sinal é contínuo, alcançado degrau por degrau.

Desconfio de santidades prontas, como algo acabado.

Santidade é processo contínuo de lapidação, para que o esplendor da Verdade e da Caridade aconteça em nós, até o encontro com a plenitude da luz que se dá no céu!

Interrompo a introdução (para não escrever mais um texto).

 Fiquemos apenas com as transcrições!

Os santos cantam a Deus no Céu –

É o perfeito louvor intercedendo a Deus por nós!

Os santos são venerados apenas – somente a Deus se adora…

Santos são exemplos que iluminam a nossa caminhada.

“Santo: Um pecador de quem Deus teve misericórdia” (Paulo Tillich).

São exemplos a serem imitados – cada santo tem uma marca forte e apaixonante no seguimento de Jesus – podemos aprender com eles…

A santidade é participar da vida de Deus!

A santidade como dom de Deus e resposta a iniciativa divina:

“A santidade cristã manifesta-se, pois, como uma participação na vida de Deus, que se realiza com os meios que a Igreja nos oferece, particularmente com os sacramentos. A santidade não é o fruto do esforço humano, que procura alcançar a Deus com suas forças, e até com heroísmo; ela é dom do amor de Deus e resposta do homem à iniciativa divina” – (Missal dominical pág. 1367).

 

Com o batismo alcançamos a filiação e com a Ressurreição a imagem perfeita de Cristo.

Nosso futuro é a pertença e a semelhança de Deus – imagem perfeita de Cristo.

No batismo recebemos a semente da imortalidade.

O mais belo desejo dos santos: Ver a face de Deus!

As bem-aventuranças são caminho que leva à santidade.

Eis aqui a grande novidade!

As bem-aventuranças: Ética que renova a pessoa, a comunidade e a sociedade.

As bem-aventuranças: O código da felicidade! Uma felicidade incomparável!

Feliz quem segue o programa das bem-aventuranças…

As bem-aventuranças vividas é mudança radical de vida.

Os pobres em espírito:

Mais do que no sentido econômico e social, são os humildes, pecadores e abertos ao perdão…

Ser pobre é ter o olhar voltado para o futuro, para a eternidade…

Pobre em espírito – confiar totalmente em Deus.

Os que choram – partilham o sofrimento do outro.

Os mansos – manter a serenidade sempre!

A verdadeira pobreza consiste na infância espiritual – confiar plenamente em Deus.

A prática da justiça consiste no fazer a vontade de Deus.

Pureza de coração é sinônimo de retidão…

Mais do que libertar o pobre da pobreza, os pecadores do pecado, os ateus da incredulidade é preciso experimentar esta realidade de libertação…

Sacramentos, a Igreja, a oração, a Palavra de Deus são meios que nos ajudam a sermos santos…

Santidade é participar da alegria de Deus.

Santidade é testemunhar a experiência do que proclamamos e desejamos.

A santidade vem pelo testemunho.

Santidade rima perfeitamente com coerência.

Não basta proclamar é preciso viver.

Santidade se vive muitas vezes em contexto de perseguição, provação com confiança e perseverança…

Os santos alcançaram o triunfo da vida eterna…

Ser da família dos santos é inscrever em nós os traços da santidade.

Ser da família é assimilar seus traços – ser da família dos santos é assimilar seus traços…

Santos da simplicidade e os santos do quotidiano:

Quem são eles?

Quantos santos há no mundo?

Santidade como caminho da coragem, da verdade e da liberdade.

“Quanto mais perto da luz estivermos, mais perceberemos as sombras de nossa existência” – Santo Agostinho.

Acolhamos ao apelo de Deus à santidade…

 

São apontamentos, sem nenhuma pretensão de texto. Creio que ao terminar de ler, o leitor poderá acrescentar o que for oportuno e enriquecedor.

São apenas alguns parcos apontamentos para passos mais corajosos e seguros neste caminho de santidade, que é o caminho da felicidade, apresentando por Jesus no alto da montanha:

Acolhamos as Bem-Aventuranças como caminho da verdadeira e radical felicidade.

A Igreja haverá sempre de nos ensinar que na comunhão dos santos, não caminhamos sós.

Aqueles que lavaram a suas vestes no Sangue do Cordeiro, que hoje contemplam a face do Pai, continuam vivos em nosso coração, como exemplo a serem imitados, com a plena e indiscutível certeza:

A Salvação vem apenas de Deus!

Sejamos santos como Deus é Santo.

Santos deixaram rastros luminosos a serem imitados na fidelidade à Luz da Luz: Jesus!

Amém!

 

 

 

 

 

criado por peotacilio    21:09 — Arquivado em: Homilias, Reflexões

30.10.09

Quebrando a rotina!

Quebrando a rotina!

 

Hoje, após a esteira habitual e oração matinal, fui levar o carro ao lava-rápido. Num tempo em que tempo não se perde, administra-se, porque se não corre rapidamente pelos olhos e pelas mãos, consome-se em inúmeras atividades e compromissos quotidianos, levei comigo textos para preparar a homilia de Todos os Santos.

 

Enquanto esperava, um café na padaria, que há muito não tomava. No mercado duas pilhas para o controle remoto, que favorece o sedentarismo aliado à comodidade mórbida quotidiana.

 

Assentado a mesa, numa pretensa praça, caneta e textos. Entre um parágrafo e outro… interrupções para a bênção conceder a alguns que passam, se bem que, outros tantos passam e desconheço totalmente: Assim é a cidade, esta realidade urbana marcada pelo anonimato…

 

Enquanto preparo uma homilia sobre os que adentraram na glória e os que ainda não lá chegaram, descrevo em palavras brevíssimas algumas conversas que retratam que a santidade não é algo abstrato, a ser vivido longe do aqui e do momento em que respiramos, do espaço que circulamos.

 

Santidade é a vivência da transcendência na imanência quotidiana!

 

A primeira pessoa que me dirige a palavra vai ao hospital visitar um parente com oitenta anos com gravíssima enfermidade. A segunda, diferentemente, me apresenta a filha que batizei domingo passado – Aysha é seu nome. Leitura iniciada sou gratificantemente interrompido por uma mãe, cuja filha foi nesta manhã assaltada, e que se encontra na delegacia para o “B.O.” de praxe: A cidade e sua violência velada que nos faz reféns de nosso medo, revelando uma sociedade da insegurança, às vezes do medo, outras vezes ainda da síndrome do pânico, como em alguns casos que conhecemos…

 

A outra mãe me fala da alegria de um filho, que através de um “bico” sustenta seu filho num casamento, que longe se encontra de sacramento ser… como tantos casamentos o são e também muito longe estão… Mas, feliz porque ao menos ganha o pão de cada dia, há dois meses abstendo-se da droga… Será um único caso?

 

Uma avó alegra-me o coração dizendo que suas netinhas sentiram a minha falta na Missa. Crianças são sinceras: quando amam, amam… Domingo estarei com elas, prometi! 

Também sinto falta da comunidade quando não celebro um dos horários… Isto é bom!

 

Finalmente uma agente de pastoral, diarista com alegria, fala com a mesma alegria da filha em trabalho temporário, acompanhado da esperança de que um dia se torne efetivo. Volta correndo para o trabalho, porque a panela ficou no fogo…

 

Agora que descrevi os encontros transcreverei o que fui anotando nas folhas dos textos em preparação da homilia.

Que sirvam para nos ajudar a amadurecer na santidade.

Santidade é isto:

Correr para lá e para cá, em meio às alegrias e tristezas, pequenas conquistas, esperanças que se renovam, labuta incansável, vida que se consome aos poucos, às vezes em verdadeiros martírios prolongados, banhando-se no Sangue do Cordeiro Amado.

 

Mas, fazendo jus ao título, não vou transcrever… Vou quebrar a rotina! Já acabaram de lavar o carro, bem como acabei de ler os dois textos…

Quebrar a rotina é possível?

Às vezes sim, por isto não vou transcrever.

Prometo escrever oportunamente…

Você também acabou de quebrar a sua rotina ao ler algo, pretensamente e propositalmente, diferente!

A rotina que me edifica, me chama…

Santidade é viver bem cada pequeno gesto quotidiano!

 

 

criado por peotacilio    16:06 — Arquivado em: Reflexões

SENHOR, QUE EU NÃO SEJA…

SENHOR, QUE EU NÃO SEJA…

 

Brincar com as palavras leva-nos a oração.

Diante de Deus também podemos nos colocar na atitude pura e sincera de quem gosta de brincar.

Parece estranho dizer que Deus gosta de brincar!

 

Aliás, ter um coração de criança para entrar no Reino dos Céus, não seria redescobrir a alegria de brincar com seriedade e responsabilidade com a vida e com o próprio Autor da vida?

Brincar com Deus podemos!

Brincar de sermos Deus, jamais!

Quando brincamos de “ser Deus”, incorremos em atitudes que se voltam contra a própria humanidade.

A multiplicação dos deuses é a destruição da própria humanidade.

Deus é único, absoluto, soberano e quer se relacionar conosco: Amando, brincando, indo ao nosso encontro.

Quando nos perdemos vai a nossa procura.

Quando nos enfraquecemos nos fortalece.

 

Não vejo Deus sisudo, triste e distante, fechado, mal humorado.

Deus é Amor, e conosco se relaciona no Amor, portanto, só quem ama conhece a Deus. 

Para nós que professamos a fé no Ressuscitado, há alguns traços que não podemos ter vestígio algum em nosso ser!

Para que não sejamos deuses, é inconcebível que sejamos ou tenhamos algumas características. 

Tê-las subtrair-nos-ia a maravilha de sermos criados a imagem e semelhança de Deus (Gn 1).

Esta reflexão/oração, filosoficamente falando é:

“o não ser do não ser!”

Dialeticamente falando: Tese, antítese e síntese.

Dito de forma mais simples: Deus nos chamou a ser criatura, obra de Suas mãos.

O não ser é a negação deste Projeto Divino.

Logo: é preciso abolir, superar, negar tudo aquilo que nega o querer de Deus a nosso respeito.

A título de exemplo: Deus nos chamou a ter sensibilidade para com nosso próximo. A insensibilidade é a negação do querer de Deus. Negar, superar e abandonar toda insensibilidade nos devolveria a condição querida por Deus a nosso respeito!

 

Ponhamo-nos em reflexão e vejamos o que precisa ser mudado em cada um de nós e, se necessário for, uma súplica seja feita ao Senhor: “Senhor, que eu não seja…”                                                              

Senhor, que eu não seja INCOLOR, mas transpareçam em mim as cores da felicidade de viver e ser cristão, batizado…

Que eu possa colorir o mundo com as cores do fogo do Teu Espírito que, insistentemente, pousa sobre mim.

 

Senhor que não seja INODORO, mas exale o odor do amor por toda a extensão da terra, com aqueles com quem convivo!

Que eu possa, a cada dia, exalar o odor de santidade, pois foi para isto que me criaste!           

 

Senhor, que eu não seja INSOSSO, mas seja como o sal que dá sabor a vida.

Que eu tenha gosto! Gosto de amor, gosto de Deus, gosto da vida… Que eu dê gosto ao mundo e não desgosto.

 

Senhor, que eu não seja IMPACIENTE diante dos Teus desígnios e projetos.
Senhor, que eu não seja IMPENETRÁVEL a Tua entrada e morada.
Senhor, que eu não seja IMPERMEÁVEL a Tua graça e luz.
Senhor, que eu não seja IMPIEDOSO diante dos pequenos e aflitos.
Senhor, que eu não seja IMPLACÁVEL com aquele que me ofendeu.
Senhor, que eu não seja IMPLICANTE com tudo e com todos.
Senhor, que eu não seja IMPOLIDO com aqueles que me cercam, mas afável e leal.

Senhor, que eu não seja IMPONENTE. Afasta de mim toda arrogância e prepotência.

Senhor, que eu não seja IMPRESTÁVEL quando o mundo pede minha colaboração.
Senhor, que eu não seja IMPRUDENTE para não ser surpreendido pela Tua eminente chegada.

Senhor, que eu não seja INCAPAZ de compreender e aceitar os Teus Mistérios.
Senhor, que eu não seja INCRÉDULO da Tua onipresença, onipotência, onisciência.

Senhor, que eu não seja INDIFERENTE aos clamores que a Ti sobem todos os dias.

Senhor, que eu não seja INSÍPIDO, sem graça, mas canal da mesma, para quem perdeu a alegria de viver.

Senhor, que eu não seja INSUPORTÁVEL. Afaste de mim todo mal humor e amargura.

Senhor, que eu não seja INSIGNIFICANTE, ou que não me sinta assim, sobretudo para ajudar as pessoas com quem convivo a perceberem seu valor, sua importância que às vezes parecem estar obscurecidas.

Senhor, que eu não seja INTOLERANTE com aqueles que ainda não Te descobriram.

Senhor, que eu não seja INTRAGÁVEL para com quem me relaciono no dia a dia.

 

Senhor, que eu seja exatamente o que queres de mim!

Por isto invoco o Teu Espírito:

Vinde Espírito Santo…

Pai Nosso que estais no céu…

 

PS:Reeditado e repostado para orarmos, buscando a santidade querida por Deus!

criado por peotacilio    14:36 — Arquivado em: Reflexões

29.10.09

Dos estilhaços da morte à âncora da Ressurreição!

 

 

Dos estilhaços da morte à âncora da Ressurreição!

 

A Diocese de Guarulhos está em luto pela morte do

Pe. Limderman:

Pároco da Paróquia Nossa Senhora Aparecida – Cocaia.

 

Em abril rezamos o Salmo 115,15 quando o Pe. João Roque partiu para o céu.

Pouco tempo depois tivemos de rezá-lo novamente:

“É sentida por demais pelo Senhor, a morte de

Seus santos, Seus amigos”.

E, mais uma vez, lembramos as palavras do Bispo São Bráulio de Saragoça, (séc.VII), que assim exclamou:

 “Ó morte que separas os casados e, tão dura e cruelmente, separas também os amigos”.

 

A morte levou para junto de Deus um amigo meu; um amigo nosso…

Unimo-nos aos seus familiares; a todos que choram a partida de seus entes queridos.

Procuramos um olhar além da morte: O olhar pascal. Buscando vislumbrar as fronteiras da eternidade pela fé, ultrapassando os limites da existência.

 

Morte: Mistério que nos acompanha inexoravelmente!

Ressurreição: Mistério que nos acompanha, muito mais que inexoravelmente! 

“Ó morte onde está tua vitória?

onde está o teu aguilhão?” (1Cor.15,55).

 

Nosso amigo, Pe. Limderman Carlos Bezerra (24/06/58 e +18/10/09), filho de Tibúrcio e Dolores, que conheci pessoalmente, já se encontra com seu pai na glória de Deus!

 

Padre Limderman estudou Filosofia (1989 - 1991) e Teologia (1992 - 1995), em São Paulo. Foi ordenado Diácono em 10/12/95 e Presbítero em 28/04/96. As duas ordenações aconteceram na Catedral de nossa Cidade.

 

Foi Pároco da Paróquia Nossa Sra. do Bonsucesso (29/04/1996 - 10/09/2001), e da Paróquia Nossa Sra. Aparecida - Cocaia (2001 - 2009). Durante algum tempo atuou como Assessor diocesano da Campanha da Fraternidade.

 

Lembrar-nos-emos do Pe. Limderman como um padre de pouco alarde, mas de muito trabalho, zelo e dedicação, frente ao rebanho pelo Senhor confiado. Muitas outras virtudes o leitor poderá acrescentar, e tenho certeza de que dificuldade alguma terá.

 

Como amigo lembrarei também das canções da MPB que tanto apreciava, por isto uma única FM ouvia; das músicas que cantava; do time que torcia; das conversas sinceras e da fina ironia que lhe acompanhava – fina porque jamais destruidora ou ofensiva.

 

Um padre, um amigo, um companheiro, um irmão entre tantos irmãos, e para muitos a presença de um pai.

 

Sua súbita partida deixou-nos um vazio; estilhaçados; em profunda comunhão e oração. Mas, firmados na âncora da Ressurreição, temos a esperança de que um dia nos encontraremos, e toda lágrima será enxugada, todo pranto será removido, porque a vida não termina para quem pelo Amor foi nutrido:

“Eu sou O Pão da Vida, quem comer da

Minha carne e beber do Meu sangue viverá para sempre!”

 

Tendo nosso amigo combatido o bom combate da fé, apresentou-se diante de Deus para receber a

“Coroa da Glória”!

 

PS: Artigo para o jornal “Folha Diocesana” – Guarulhos – Ed. nº161 – novembro de 2009.

 

 

 

criado por peotacilio    17:41 — Arquivado em: Reflexões, artigos Folha Diocesana de Guarulhos, atividade pastoral

Os caminhos da solidariedade e o Plano Pastoral!

 

Os caminhos da solidariedade e o Plano Pastoral!

 

A 9.ª Assembléia Diocesana apresentou dentre os seis objetivos,

“a evangélica opção preferencial pelos pobres”.

Na última edição falávamos na “urgência em ouvir os clamores dos empobrecidos e a necessidade de buscar caminhos de solidariedade para com os mesmos”, inspirados e fundamentados na Doutrina Social da Igreja (DSI).

                                                        

Concluindo, apresentamos alguns passos que já foram dados, e outros que precisam ser encaminhados, conforme o Plano de Pastoral  2008-2012:

 

·        Propor e vivenciar uma mística capaz de sustentar leigos (as) em suas atividades nos mais diversos setores da sociedade, a partir da pessoa de Jesus e do Seu Evangelho;

·         Dar continuidade e reforçar a Coordenação das Pastorais Sociais, numa autêntica Pastoral de Conjunto, onde a promoção da vida seja missão de todos;

·         Aprimorar o Fórum bimestral das Pastorais Sociais para que seja, cada vez mais, um espaço de debate e reflexão sobre os desafios sociais em nossa cidade, bem como espaço de diálogo com as comunidades, com a sociedade e com o poder público da Cidade;

·        Oferecer Curso de Doutrina Social nas quatro Regiões Pastorais, como já aconteceu e ainda poderá acontecer, estimulando o anúncio e o testemunho do Evangelho da vida e da solidariedade em toda a ação evangelizadora;

·        Formar núcleos de fé e Cidadania nas paróquias, inspirados e fundamentados na DSI;

·        Promover a luta contra o consumo e tráfico de drogas, insistindo no valor da ação preventiva. Urge a implantação da Pastoral da Sobriedade em mais paróquias; cobrança junto à Prefeitura de políticas públicas de prevenção e resgate dos dependentes químicos, e de outras práticas em defesa da vida;

·        Celebrar ativa, piedosa e conscientemente, levando ao maior compromisso com a transformação da realidade, tornando esta mesma realidade sinal do Reino de Deus, e que a Liturgia seja, de fato, a celebração do Mistério Pascal: da Morte e Ressurreição do Cristo, e de toda a História da Salvação;

·        Retomar a reflexão sobre o Diaconato Permanente, favorecendo e dinamizando o serviço da caridade, em nível paroquial e diocesano;

·        Implantar e fortalecer a Pastoral da Criança onde já atua. Urge seu revigoramento, como foi percebido em recente reunião diocesana com líderes, padres e outras lideranças;

·        Acompanhar os adolescentes infratores na Fundação C.A.S.A.

·        Alguns passos já foram dados, porém há ainda muito por fazer. A missão é de todos nós, como bem enfatizou o Papa Bento XVI em sua última Encíclica “Caritas in veritate”.

 

É absolutamente necessário que ninguém se omita, a fim de que, todos, tenhamos vida digna e participemos da construção de um mundo novo, sonhado e querido por Deus:

“E lhes enxugará dos olhos toda lágrima, e a morte já não existirá, já não haverá luto, nem pranto, nem dor, porque as primeiras coisas passaram” (Apocalipse 21,4).

E que ressoem as palavras do Apóstolo Pedro:

 “Tudo o que esperamos é um novo céu e uma nova terra onde habitará a justiça” (2 Pedro 3,8-14).

 

PS. Artigo para o jornal “Folha Diocesana” – Guarulhos – Ed. nº 161 – novembro de 2009

 

 

criado por peotacilio    17:37 — Arquivado em: artigos Folha Diocesana de Guarulhos, atividade pastoral

“Presbítero: Homem da Palavra e de palavra”

“Presbítero: Homem da Palavra e de palavra”

 

A pós-modernidade coloca para a humanidade inúmeros desafios. Dentre eles, podemos destacar a crise da credibilidade da palavra. Se há algo que entrelaça as pessoas e cria elos de confiança, solidariedade e comunhão é a palavra.

Quando tudo parece efêmero, passageiro e fugaz, torna-se emergente a necessidade de algo que de segurança na grande travessia e aventura da história humana: A força da palavra.

Fomos constituídos ministros do Verbo que Se fez Carne e habitou no meio de nós (João 1).

A própria Palavra viva e eficaz, mais penetrante que qualquer espada (Hebreus 4,12).

Pregamos não a nós mesmos, tão pouco nossas idéias e filosofias que passam, mas Palavra Eterna:

 “Toda Escritura é inspirada por Deus, para instruir, para refutar, para corrigir, para educar na justiça, a fim de que o homem de Deus seja perfeito, qualificado para toda obra” (2 Tm 3,16-17).

 

Já no século VI, o Papa São Gregório Magno, com sábias palavras, dizia-nos:

 “Seja o pastor discreto no silêncio, útil na fala, para não falar o que deve calar, nem calar o que deve dizer.

Pois, da mesma forma que uma palavra inconsiderada arrasta ao erro, o silêncio inoportuno deixa no erro aqueles a quem poderia instruir…”, e ainda dizia com tristeza:

“… embora haja quem escute as boas palavras, falta quem as diga. Eis que o mundo está cheio de sacerdotes. Todavia na messe de Deus é muito raro encontrar-se um operário. Recebemos, é certo, o ofício sacerdotal, mas não o pomos em prática…”.

As comunidades, aos presbíteros confiadas, esperam do mesmo uma palavra, não uma palavra qualquer paliativa, provisória, mas uma Palavra Divina:

Inspiradora e fonte para a busca de novos horizontes, no embate quotidiano.

 

O sopro do Concílio Vaticano II, (1962-1965), nos desafiou a assumir as alegrias e tristezas; angústias e esperanças da humanidade, como Igreja de Cristo.

 

Tudo que diz respeito à vida humana diz respeito, inevitavelmente, à vida da Igreja, consequentemente ao Ministério Presbiteral.

 

A cada instante, as mais diversas situações vividas pelo Povo de Deus nos pedem uma Palavra:

Diante de um nascimento, a gratidão a Deus pelo dom da vida;

No processo educativo das crianças, compartilhamos a missão dos pais;

Na ausência da saúde, a Palavra de bênção e encorajamento;

Na hora da agonia, uma Palavra de carinho e esperança;

Quando tudo parece escuridão, uma Palavra que se faz uma centelha de luz;

Na insegurança que nos acompanha, uma Palavra de confiança Daquele que jamais nos decepciona:

“Provai e vede como o Senhor é bom, feliz quem

Nele encontra o seu refúgio”;

Nas questões emergentes uma Palavra ética que assegure a sacralidade da vida;

Na hora derradeira, na hora da morte, a Palavra que aponta a eternidade; a glória da Ressurreição.

Somos, por excelência, ministros de um Deus vivo e Ressuscitado que quer vida plena para todos, desde o tempo presente culminando na luz da eternidade, manifestação da plenitude do amor de Deus.

O Presbítero é testemunha de que o céu é possível!

Começa agora, aqui, e completa-se na Jerusalém Celeste.

 

Nunca é demais lembrar as palavras pronunciadas pelo Bispo, no dia da Ordenação Diaconal, quando entrega ao candidato o “Livro dos Santos Evangelhos” e diz:

“Recebe o Evangelho de Cristo do qual foste constituído mensageiro; transforma em fé viva o que leres, ensina aquilo que creres e procura realizar o que ensinares”. 

Desde então, e para sempre, o presbítero torna-se:

Homem da Palavra.

E, há de ser sempre homem de palavra!

 

PS. Publicado no jornal “Folha Diocesana” – Guarulhos – Ed. nº128.

     Reeditado para o blog.

 

criado por peotacilio    14:58 — Arquivado em: Reflexões, artigos Folha Diocesana de Guarulhos, atividade pastoral

Presbítero: Homem da Mesa da Comunhão e da Comunhão das mesas

Presbítero:

Homem da Mesa da Comunhão e da

Comunhão das mesas

 

Espera-se de cada Presbítero, que seja por excelência, aquele que tem profundo amor a duas Mesas inseparáveis:

Mesa da Palavra e a

Mesa do Sacrifício Eucarístico, que é a

Mesa da Comunhão.

Da Mesa da Palavra anuncia, proclama, exorta, instrui, profetiza, anima, à luz da Palavra de Deus, que é sustento e vigor para a Igreja; assegurando a firmeza na fé, alimentando a alma dos fiéis participantes.

 

Comunica a Palavra que é pura e eterna fonte de vida espiritual para o tempo presente e para toda eternidade.

Na Mesa da Eucaristia, celebra a Nova e Eterna aliança de Deus conosco, no memorial da morte-ressurreição de Jesus, com o pão e o vinho repartido entre todos.

 

Ao participar das duas Mesas o Presbítero deixa-se encontrar com todo o Povo da História da Salvação:

Na Liturgia da Palavra relata a história da

Salvação de Deus com seu povo e na

Liturgia Eucarística, todos nos tornamos participantes desta Salvação, realizando-a de modo sacramental.

 

A participação consciente, piedosa e ativa destas duas Mesas, que para nós é um privilégio, leva-nos imediatamente ao compromisso com outras mesas de nosso quotidiano, do contrário esvaziaríamos a beleza e vitalidade de nossas Missas.

 

A Palavra anunciada na Mesa sagrada deve ser luz:

Critério para decisões, que são tomadas em tantas outras mesas.

Sabedoria nas mesas das escolas, escritórios, e de toda casa. Critério ético em decisões políticas e econômicas que toquem diretamente a vida do povo.

A Palavra divina deve estar sempre em nossa mente e coração quando nos assentamos diante de qualquer mesa. Com certeza a realidade será transformada e se aproximará dos desígnios divinos…

Divorciar a Mesa da Palavra da mesa do quotidiano leva-nos à proliferação do pecado, da dor, tendo como consequência inevitável a morte; quer no sentido espiritual, quer no sentido real…

 

O Pão partilhado, que é o próprio Cristo Jesus, nos interliga com as mesas de tantos lares.

O Banquete Eucarístico aponta para a necessária comunhão das mesas:

 Passar da Mesa da Comunhão à comunhão das mesas.

Assim ninguém mais será condenado à fome, à miséria, à desnutrição…

O leitor certamente está se lembrando do belo canto:

 “Pão em todas as mesas” de Zé Vicente... E, é para lembrar mesmo!

O presbítero é o primeiro diante de toda a comunidade a carregar dentro do seu coração a inquieta preocupação e solidariedade com os que passam fome:

“Dai-lhes vós mesmos de comer” (Mc 6,37).

 

Impõe-se a todos, que destas mesas participam, presbíteros e fiéis, que no dia a dia se tornem hóstias vivas e agradáveis a Deus.

Torna-se indispensável e inadiável o aprofundamento da comunhão com Deus e também a comunhão com o próximo, para que Deus seja tudo em todos!

 

Como será mais bela a vida, a humanidade, a sociedade, no seu todo, quando se estabelecer e fortalecer a mais estreita e perfeita ligação em extasiante sintonia!  

Da Mesa da Palavra com a Mesa da Comunhão em inseparabilidade obrigatória com a mesa de cada dia!

 

PS. Publicado no jornal “Folha Diocesana” – Guarulhos – Ed. n º127.

Reeditado para o blog. 

 

 

 

criado por peotacilio    14:53 — Arquivado em: Reflexões, artigos Folha Diocesana de Guarulhos, atividade pastoral

27.10.09

“Dilaceração interior aguçada?!”

 

“Dilaceração interior aguçada?!”

 

                          

Hã?! Alguém assim disse ao ouvir estas palavras.

Também disse o mesmo, ao ler parte do comentário da Liturgia do 30º Domingo do tempo comum (ano B), no Missal Dominical.                  

Talvez o leitor pense da mesma forma e diga o mesmo, por isto a transcrevo:

 

“Se no passado, a fé podia constituir uma explicação ou uma interpretação do universo, um lugar de segurança diante dos absurdos da história e do mistério do mundo, hoje não é mais assim. Os movimentos de ideias, o processo tecnológico, a expansão do consumo, os movimentos migratórios e turísticos, a urbanização crescente e caótica com as consequentes dificuldades de integração comunitária, a agressão da publicidade, a instabilidade política, econômica e social, com todos os problemas daí derivados, concorrem para aguçar a dilaceração interior, ainda mais sensível nos homens de cultura. Nesse quadro, a carência de uma fé consciente e robusta favorece a dissolução da religiosidade, até a ruptura com a prática religiosa”

 

Vivemos num mundo secularizado, com fortes marcas de ateísmo, em que o espaço do sagrado muitas vezes é sinônimo de alienação, atraso, anti-história…

 

O Papa João Paulo II, brilhantemente, abordou estas questões na Encíclica Fé e Razão.

Não são inconciliáveis a fé e a razão.

Uma não pode prescindir da outra, do contrário não corroboram para o processo de fraternidade e promoção da vida, da dignidade humana.

 

Evidentemente que podemos cultivar uma fé ingênua, marcada pelo infantilismo, renunciando aos compromissos inerentes a mesma. Delegando a Deus o que é tarefa humana, descomprometendo-nos, lamentavelmente, com aquilo que é próprio e inadiável nosso.

 

Urge o cultivar de uma fé consciente e robusta, procurando resposta aos incontáveis problemas na citação acima mencionada.

 

Sempre vejo a fé como resposta, e não uma fuga dos problemas.

Mais que uma resposta:

Uma proposta transformadora, fundada e nutrida pelo

Pão da Palavra e pelo

Pão da Eucaristia.

Na fé deve consistir a resposta sedenta de sentido de vida.

A fé deve ultrapassar todo pragmatismo evasivo;

Todas as explicações que se encerram em si mesmo.

Há sempre muito mais do que se possa verbalizar, e mais ainda do que se possa racionalizar.

 

Urge uma fé robusta e amadurecida sem aguçar, sem estimular o dilaceramento interior, destruindo a própria pessoa, pois a ausência da fé, leva consigo a morte da esperança que haverá de se traduzir em gestos concretos, afetivos e efetivos de caridade.

 

Urge que as virtudes teologais fé, esperança e caridade amadureçam  inseparavelmente em nosso interior afastando toda estimulação e excitação de dilaceramentos interiores…

 

Urge uma viva!

Uma esperança com âncoras nos céus onde se encontra o Ressuscitado!

E, assim a caridade dará respostas libertadoras para o mundo que precisa ser transformado…

 

 

 

 

 

 

 

 

criado por peotacilio    17:02 — Arquivado em: Homilias, Reflexões, atividade pastoral

25.10.09

O Mistério da Trindade na vida do presbítero

O Mistério da Trindade na vida do presbítero

 

Numa tarde de verão tive o privilégio de sentar-me frente ao mar, sobre o alto de uma pedra, agraciado pelo crepúsculo do sol, envolvido pela brisa suave e podendo ainda me deliciar com o brincar alegre dos golfinhos.

Inevitavelmente pus-me a refletir sobre o mistério da

Santíssima Trindade na vida do Presbítero.

Mistério como algo intransponível e inesgotável para a razão humana. Assim definiu Santo Agostinho:

“Deus é um mistério tão grande,

que uma vez encontrado,

ainda falta tudo para encontrá-Lo”.

Quanto mais profundo for o mergulho na imensidão das águas do mar, maior será a descoberta e o encantamento.

Assim também deve ser em relação à Trindade:

Da mesma forma, quanto mais profundo for nosso mergulho nas delícias imensuráveis do Mistério da Trindade Santa, maior será nosso encantamento diante deste amor que nos envolve e dá sentido à nossa vida.

Três Pessoas, um só Deus.

Comunhão profunda de amor, solidariedade, alegria, ternura.

O ministério presbiteral encontrará sua realização numa profunda e intensa relação com a Trindade.

 

Na Pessoa de Deus Pai, o Presbítero descobre o Mistério de um Deus que Se revela Misericordioso, Criador, ternura e bondade; que Se dá a conhecer nas relações de fraternidade e verdade.

Deus Pai nunca será um Deus distante, será mais íntimo a nós do que nós mesmos.

Esta intimidade com Deus leva o Presbítero a ser o homem da comunhão, do amor à vida, por tudo que foi criado, de modo especial contempla a presença de Deus em cada criatura criada por Deus a Sua imagem e semelhança.

 

Na Pessoa de Deus Filho relaciona-se com Jesus Cristo: Verdadeiramente Homem, verdadeiramente Deus.

Possibilita ao presbítero viver Sua humanidade, redimida e acolhida no mistério de Seu amor por todos nós.

Quem bem definiu esta humanidade/divindade de Jesus foi o Bispo São Pedro Crisólogo (século V):

“Talvez vos perturbe a enormidade de Meus sofrimentos por vós.

Não tenhais medo. Estes cravos não Me provocam dor,

mas cravam mais profundamente em Mim o amor por vós.

Estas chagas não Me fazem soltar gemidos,

mas vos introduzem ainda mais intimamente em Meu coração.

O Meu corpo, ao ser estirado na cruz, não aumenta o

Meu sofrimento, mas dilata espaços do coração para vos acolher.

Meu sangue não é uma perda para

 Mim, mas é o preço do vosso resgate”.

Na Pessoa de Deus Espírito tem a certeza de não estar só.

No Mistério de Deus Espírito, sente o coração plenificado pelo amor; a mente iluminada pela luz do Espírito, e em sua boca as próprias palavras que Ele prometeu colocar em nossa boca; além de empunhar a espada do Espírito, recitando as palavras do Bispo acima.

Mais ainda, com o Espírito Santo,

Deus Se faz presente em sua vida;

O Evangelho uma letra viva;

A Igreja espaço da comunhão.

A ação do Espírito é demonstração do serviço incansável de dedicação ao povo que lhe foi confiado.

Sua missão é revestida da grandeza confiada por Jesus.

As inúmeras Missas e Celebrações são sinais vivos e eficazes da presença terna de Deus, levando-o, e a toda a comunidade, à realização de ações incontáveis que revelam e testemunham a glória de Deus.

Quanto mais o presbítero mergulhar no

Amor Trinitário, mais feliz será seu

Ministério, possibilitando ao rebanho descobrir e

participar desta mesma alegria.

 

PS. Publicado no jornal “Folha Diocesana” – Guarulhos – Edição nº122.

Reeditado para o blog. 

criado por peotacilio    15:44 — Arquivado em: Reflexões, atividade pastoral

Ser Presbítero: Iluminar e serenar incansavelmente

Ser Presbítero:

 Iluminar e serenar incansavelmente

Quem foi São João de Capistrano?

Ele nasceu em 1386 nos Abruzos (Itália).

Findou sua vida terrena na Áustria, em 1456.

Estudou Direito e exerceu durante algum tempo a profissão de juiz.

Ingressou na Ordem dos Frades Menores (franciscanos), sendo ordenado presbítero, e seu apostolado deu-se em vários países europeus, nele se destacando a reforma dos costumes entre os cristãos e a luta contra as heresias.

É dele um texto que nos leva a refletir sobre a vida do clero.

Embora alguns séculos nos separem, carrega a luz que transcende seu tempo, porque luz divina!

”Quem foi chamado à mesa do Senhor deve brilhar pelo exemplo de uma vida louvável e correta, longe de toda imundície dos vícios. Vivendo dignamente como sal da terra para si mesmo e para o outros; e como luz do mundo, brilhante de discernimento, iluminando a todos.

Aprendam da excelsa doutrina de Cristo Jesus, que diz, não só aos apóstolos e discípulos, mas também a todos os Seus sucessores, presbíteros e clérigos:

Vós sois o sal da terra; se o sal perder o sabor, com que se salgará? Para nada mais presta, senão para ser lançado fora e pisado pelos homens (Mt 5, 13).

É verdadeiramente pisado pelos homens, qual lodo vil, o clero imundo e sórdido, atolado na sujeira dos vícios e preso nas cadeias das ações criminosas, tido como imprestável tanto para si quanto para os outros. Gregório diz:

“Sua vida é desprezível, resta ser rejeitada sua pregação”.

Os presbíteros que presidem bem serão considerados dignos de dupla honra, sobretudo os que trabalham pela Palavra e pela doutrina (1Tm 5,17).

De fato, os bons presbíteros exercem dupla dignidade, quer dizer, material e pessoal, ou temporal e espiritual, ou transitória junto com a eterna.

Porque, embora por natureza habitem na terra sob o mesmo jugo das criaturas mortais, desejam ansiosamente conviver com os anjos nos céus, como aceitos pelo rei, servos inteligentes.

Por esta razão, como o sol, que surge para o mundo nas alturas de Deus, assim brilhe a luz de vós diante dos homens para que, vendo suas boas obras, glorifiquem o Pai que está nos céus (cf. Mt 5,16).

Vós sois a luz do mundo (Mt 5,14).

A luz não se ilumina a si mesma, mas lança seus raios a tudo que a rodeia.

Semelhante a ela, a vida luminosa dos bons e justos clérigos com o fulgor da santidade, ilumina e serena os que a vêem.

Por conseguinte, quem foi reservado para o cuidado dos outros, deve mostrar em si próprio de que modo devem eles viver na casa do Senhor”.

 

Quantas possibilidades de reflexão despertam em nós, quer presbíteros ou não…

A mim despertou o desejo de aprofundar a minha

Missão como presbítero:

Ser sinal da luz divina e serenar vidas com as quais compartilhamos…

 

Iluminar e serenar, mais duas características ontológicas para o presbítero, ou seja, são partes inseparáveis de seu ser porque o identifica no mundo na fidelidade

Àquele que o chamou!

Façamos uma oração por todos os presbíteros…

 

PS: Parte do “Tratado do Espelho dos Clérigos” in Liturgia das Horas Vol. IV - 1.404-1.405.

 

 

 

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