Pe. Otacilio F. Lacerda

Artigos, textos e poesias para meditação, reflexão.

24.9.09

Depois daquele silêncio orante…

Depois daquele silêncio orante…

 

Depois daquele silêncio orante…

Deus mais uma vez Se manifestou

Como o Deus de amor nunca bastante.

Em nenhum momento me abandonou.

 

Depois daquele silêncio orante…

Em que o sim para uma nova Paróquia foi dado;

Sua presença, graça e luz sinto em todo instante;

Em comunhão com o Povo de Deus a mim confiado.

 

Depois daquele silêncio orante…

Como indigno servo, pároco nomeado…

Aprofundar a comunhão com o Amor, Amado, Amante:

Trindade Santa a quem tudo deve ser creditado.

 

Depois daquele silêncio orante…

Novos relacionamentos a serem construídos.

No êxito, por Deus prometido, sempre confiante.

Hoje, confesso jamais ter me arrependido.

 

Depois daquele silêncio orante…

Missas, batizados, unções, casamentos…

Aprendizado e adaptação a todo instante;

Presença em eventos e em todos os sacramentos.

 

Depois daquele silêncio orante…

Velórios, almoços, Encontros, amizades, poemas,

Voz Viva, pastorais e tantos momentos marcantes.

Uma voz no coração me diz sempre: “Nada temas!”

 

Depois daquele silêncio orante…

Obra Social, Fé e Cidadania, grupos e movimentos;

Procurando edificar relacionamentos sinceros e edificantes.

Vivendo intensa e apaixonadamente todos momentos.

 

Depois daquele silêncio orante…

Assembléia Paroquial e novos horizontes;

A comunhão diocesana tão importante.

Na Palavra e Eucaristia divinas fontes.

 

Depois daquele silêncio orante…

Com a comunidade crescimento da espiritualidade;

Com mensagens tão atuais e instigantes.

De nossos amigos santos, quanta novidade!

 

Depois daquele silêncio orante…

Pe. Tito, Pe. Frizzo, Pe. Berardo Graz:

Presenças diferenciadas e para mim tão importantes.

A eles uma súplica de graça e paz!

 

Depois daquele silêncio orante…

Um amor novo nasceu no meu coração.

Uma doce, terna, criatura apaixonante:

Nossa Senhora do Sion, minha nova devoção!

 

Depois daquele silêncio orante…

Um caminho foi por muitos percorrido,

Mas há muito mais nos esperando adiante.

Com Deus desafios serão sempre vencidos.

 

Três anos de Paróquia! Deus seja louvado!

Há silêncios que mudam nossa vida.

Aquele mudou, e ainda há muito para ser mudado!

A Trindade Santa toda honra merecida!

 

Bendito seja Deus que vive eternamente!

 

criado por peotacilio    12:01 — Arquivado em: Poesia, Reflexões, atividade pastoral, oração

22.9.09

Pensar na Igreja, rezar por ela. Rezar por ela, pensar nela!

Pensar na Igreja, rezar por ela.

Rezar por ela, pensar nela!

 

 

Quando pensamos sobre a Igreja, muitas vezes somos levados à oração pela mesma.

Mas, quando rezamos, será que pensamos; refletimos sobre o conteúdo daquilo que rezamos?

Quando refletimos sobre a História da Igreja, vemos páginas de pecados, marcas e cicatrizes deixadas.

Talvez, um dia, revisitando esta História, que estamos escrevendo, outros dirão o mesmo de nós.

Condená-la? Execrá-la? Ignorá-la?

Não são as atitudes meritórias de consideração e estima.

 

Amar a Igreja com suas páginas, ora belas, ora nem tanto, mas sempre a Igreja de Cristo!

Sendo Cristo a cabeça e a Igreja o Seu corpo, o amor por Ele torna-se inseparável do amor por ela (Ef 5,21-33).

Amor por Cristo deve ser traduzido em gestos concretos no amor por Sua Igreja…

Apaixonamento por Cristo na mesma intensidade de apaixonamento pela Igreja.

Assumir sofrimentos no mistério da paixão, completando em nossa carne o que falta a Paixão de Cristo, por amor a Sua Igreja: 

“Agora regozijo-me nos meus sofrimentos por vós,

e completo o que falta às tribulações de

Cristo, em minha carne pelo

Seu Corpo, que é a Igreja” (Cl 1,24).

 

Pensar na Igreja, rezar por ela.

Rezar por ela, pensar nela!

Mais que isto:

Edificá-la, santificá-la, eis a missão de todo batizado!

Amor incondicional para santificá-la, edificá-la!

 

criado por peotacilio    21:41 — Arquivado em: Reflexões, atividade pastoral, oração

“Iluminai, Senhor, as profundezas de nosso coração!”

“Iluminai, Senhor, as profundezas de nosso coração!”

 

Uma oração que se encontra na Liturgia das Horas e merece ser refletida e partilhada.

 

“Acolhei, Senhor, as preces desta manhã, e por Vossa bondade iluminai as profundezas de nosso coração, para que não se prendam por desejos tenebrosos os que foram renovados pela luz de Vossa Graça. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, Vosso Filho, na unidade do Espírito Santo. Amém!”

                                     

Em primeiro lugar colocamos nas mãos divinas as preces da manhã em alegre confiança:

“acolhei”.

Ele que é nosso auxílio e proteção, nosso refúgio, fortaleza e abrigo!

 

“Desta manhã”:

Implica na constância da oração: há de ser quotidiana; ininterrupta.

A cada dia o pão, as preocupações, o bom combate da fé, as súplicas…

A cada dia o Pão da Palavra e o Pão da Eucaristia (tanto quanto possível para os leigos e sempre para nós presbíteros).

 

“Por vossa bondade”:

Indubitavelmente, Deus nos atende não porque sejamos bons, mas porque Ele é sumamente bom e nos atende para que sejamos bons, como Ele O é.

 

“Iluminai as profundezas de nosso coração”: O verbo é denso!

 “iluminai”:

ü     Somente Ele tem a plenitude da luz que pode iluminar nossos caminhos, projetos, obscuridade, dúvidas, temores…

ü     Somente Ele pode penetrar no mais profundo de nós mesmos, nas profundezas de nosso coração, sentimentos, pensamentos…

ü     Somente Ele é capaz de penetrar no mais profundo de nós mesmos, e muito mais do que nós mesmos, como disse Santo Agostinho…

ü     Somente Ele pode manter viva a chama que ainda fumega em nosso coração; mantê-la inflamável, inapagável…

 

“Para que não se prendam por desejos tenebrosos”

“Desejos tenebrosos”:

Pode ser a cobiça, a volúpia, a inveja, a rivalidade, o indiferentismo, os preconceitos velados, a ânsia e busca frenética do poder, a tentação da fama, privilégios.

 

Desejos tenebrosos que afloram no deserto nosso de cada dia que o Senhor venceu, para que também pudéssemos vencer:

As tentações fundamentais do ter, ser e poder…

 

ü     Quem destes desejos está verdadeiramente liberto?

ü     Qual coração se encontra plenamente livre e imune de seduções sem fim?

 

“Por N.S.J.C. na unidade do Espírito Santo”:

Como toda oração, é confiança absoluta na Trindade Santa.

Nela estamos e conosco Ela sempre está em imprescindível relacionamento.

 

Com esta reflexão, terminamos por onde começamos, fazendo a oração acima em bela súplica que, se com fé, trará ao coração:

Luz radiante,

Alegria inebriante,

 Serenidade contagiante…

 

 

criado por peotacilio    21:30 — Arquivado em: Reflexões, oração

Há sinais de luz na escuridão da noite!

                                          

                                                

 Há sinais de luz na escuridão da noite!

 

Esta reflexão foi inspirada no Livro Sabedoria (18,6-9), quando o autor fazia memória da Noite da Libertação em que

Deus interveio, libertando-os da escravidão do Egito.

 

Continuamos resgatando a memória desta noite quando:

 

Celebramos a Eucaristia:

 Memorial da Paixão e Morte de Nosso Senhor Jesus Cristo.

 

Quando cremos na força interventora de Deus na história

Quando cremos num Deus aliado e apaixonado pela vida dos pobres!

Quando cremos em Deus que suscitou e

suscita profetas e profetizas de um novo tempo!

Quando cremos que O Verbo Se fez e

Se faz Carne, não mais no ventre de

Maria, mas no nosso coração e na Carne da História.

O Verbo Se faz Carne na História para resgate da mesma!

 

Quando amarmos Cristo em nossa vida e o imitarmos em

Sua morte como fez e faz nossos mártires de ontem e de hoje!

 

Quando sacrários vivos do Senhor se dobram silenciosamente e em adoração diante do Sacrário do Senhor.

Silêncio não como ausência de sons, mas com o ressoar do

Verbo-Palavra que habitou entre nós!

 

Quando passamos de uma devoção estéril à

Maria a uma prática e imitação de suas virtudes:

Confiança, disponibilidade, serviço, alegria, profetismo, esperança…

 

Quando o povo simples calcula suas dívidas e contas

e se refaz nas contas de um terço!

 

Quando acreditamos na missão da Igreja que é Evangelizar,

 ajudando a construir comunidades mais perseverantes na

Doutrinas dos Apóstolos, na fração do pão,

na comunhão fraterna e na oração!

 

Quando juntos homens e mulheres numa autêntica e madura relação de gêneros sabem viver a complementaridade e subsidiariedade!

 

Quando somamos e multiplicamos nossas forças para que nossas lutas, sonhos e compromissos saiam da tinta da

caneta para a prática expressiva e concreta!

 

Quando sabemos romper toda barreira de preconceitos raciais, sexuais e sociais que ainda nos dividem e nos empobrecem;

muitas vezes dentro da própria Igreja!

Porque há aqueles que se organizam para defender o espaço, a ecologia, o kosmos, o homem e a mulher, a criação num compromisso com O Criador…

 

Quando vivemos a necessária intervenção de

Deus na vida de nosso povo, conduzindo-o à

Terra Prometida, da partilha, da saciedade de toda e qualquer fome e sede de amor, vida em abundância e paz;

sobretudo se considerarmos a realidade

de fome e miséria crescente que estamos vivendo.

 

Quando percebemos a intervenção de Deus, a luz aparece na escuridão da noite de nosso tempo.

O “Kairós” anseia pela Luz Divina.

Há sinais de luz na escuridão da noite!

 

Há sinais de luz na escuridão da noite porque sinto que disse muito, mas ainda não disse nada! Porque como disse São Francisco:

 “Deus é o nunca bastante”,

ou

Santo Agostinho: “Deus é um mistério tão

inextinguível que uma vez encontrado

 ainda falta tudo para encontrá-Lo”.

 

Há sinais de luz na escuridão da noite

 de nosso tempo porque acredito que você, irmão e irmã, poderão me ajudar a completar e enriquecer esta reflexão…

 

 “A nós descei divina luz…

Em nossas almas acendei o amor de Jesus”

criado por peotacilio    13:08 — Arquivado em: Reflexões, atividade pastoral

17.9.09

Pequenas grandes palavras… Nosso sim de cada dia

Pequenas grandes palavras…

Nosso SIM de cada dia

Há pequenas grandes palavras em nossa vida:

mãe, pai, amor, fé,

sim e não

Sagrada Escritura: Como é importante em nossa vida!

Numa Missa, à luz da Palavra proclamada, escrevi a presente reflexão sobre: O SIM E O NÃO (Cf.: Ezequiel 18,25-28; Salmo 24, Filipenses 2,1-11 e Mateus 21,28-32).

 

Sim palavra tão pequena, mas tão densa de conteúdo.

Palavra tão dita, mas muitas vezes desdita.

Palavra tão sonora, mas às vezes transformada em desagradável ruído.

Palavra sagrada, tantas vezes pronunciada, mas muitas vezes esquecida…

 

É preciso repensar nossos sins.

Tantos sins que viraram nãos, tantos nãos que viraram sins.

Sins que não foram dados, que foram adiados, covardemente calados, e que não poderiam ter sido omitidos.

Sins de imperativos revigoramentos!

 

Nãos que deveriam ser dados e para sempre confirmados.

Nãos que deveriam ser revogados e nunca existidos…

Não a Deus dado no Paraíso, pecado introduzido,

arrogância, afastamento, onipotência, dialogo rompido,

presunção assumida, amizade perdida…

 

Mas o sim do amor de Deus falou mais alto que o não da humanidade, de nossos primeiros pais: ontem, hoje e sempre.

 

O Sim do Amor de Deus, anunciado e cantado pelos profetas, rezado pelos salmistas, visibilizado em Jesus, pleno e indefectível sim a Deus:

Amor que ama até o fim!

Fidelidade vivida, comprovada,

testemunhada com o sangue derramado,

jamais contemplado!

 

Sim pelo Pai acolhido e para sempre confirmado,

quando a Sua direita o Filho foi exaltado, glorificado.

Sim de Deus Encarnado,

para que para sempre fosse amado,

adorado, obedecido:

“Tenhamos em nós os mesmos sentimentos que existem em

Cristo Jesus” (Fl 2,5).

Sim que venceu as correntes do inferno e do pecado; Satanás vencido.

Vida nova, plena de graça de mais belo e suave sentido.

 

Sim! Palavra tão pequena e tão importante!

 

Seja para o forte, seja para o fraco; seja para o hesitante, seja para o decidido; seja para o tímido, seja para o extrovertido; temerosos e corajosos; batizados ou não batizados, mas de boa vontade e de bons propósitos movidos!!!

 

Continuemos refletindo sobre outros tantos sins:

O sim de Maria no mistério da Encarnação de Jesus e sua participação da obra da Redenção da Humanidade.

No sim dado no dia de nosso batismo; no dia da primeira Eucaristia; no dia da Crisma; de um casamento celebrado diante do Altar Sagrado;

O sim dado num dia de Ordenação Diaconal e Presbiteral…

Sim que foi dado a um amigo em promessa de lealdade, fidelidade, solidariedade.

Sim que se assumiu em compromissos éticos e profissionais.

Sim dado por tantos políticos em promessas que hão de se cumprir. Sim nas pequeninas coisas para que o sejamos fiéis nas grandes.

Sim a compromissos firmados, promessas e juras feitas…

 

A Eternidade não se alcança pelas tantas promessas que se faz, mas pelo sim amorosamente, esforçado e dedicado, intensamente vivido.

Vasos sem flores, mas sinceramente oferecidos

(refiro-me a uma lenda das sementes estéreis e o príncipe na escolha de sua amada – em que a sinceridade e honestidade de uma pretendente a tornou apta para tal).

 

Disse Jesus que os céus serão abertos para quem a

Ele se voltou e Seu projeto aceitou.

Quem antes era um não a Deus,

Nele encontrou nova possibilidade,

um sim para o serviço da vinha ressoou…

 

Sumos sacerdotes, anciãos no povo, pretensamente justos, sim a Lei, O Verbo recusou, a Ele se fechou.

Ainda mais: Na cruz O crucificou…

Quem deveria ser sim a Deus em nosso meio,

um cruento não se tornou.

Tentaram calar o Sim do Amor de Deus,

mas o não da maldade foi vencido, o veneno foi expelido.

Da Árvore da Vida, o sim da vida mais forte

do que o não da morte falou:

Cristo, Verbo de Deus, na

Força e Vida do Espírito,

O Pai Ressuscitou…


Sim! Palavra tão pequena…

Continuemos refletindo sobre esta pequenina grande palavra…

 

PS: Reeditado e repostado, neste mês em que nossas comunidades estão aprofundando a carta de São Paulo aos Filipenses.

 

criado por peotacilio    14:13 — Arquivado em: Homilias, Reflexões, atividade pastoral

Desculpas demais, amor de menos!

Desculpas demais, amor de menos!

Mais uma reflexão à luz da Palavra proclamada na Missa.

Para maior aproveitamento faço o convite a ler Filipenses 2,1-4 e  

Lc 14,15-24, que inspiraram o título da presente reflexão.

 

Deus, por meio de Seu Filho, nos chama e nos convida para assentar a Sua mesa, na comunhão do Espírito.

Mas, assentar-se à Mesa Sagrada implica em sagrados compromissos que dela brotam; que nela se nutrem:

Eucaristia fonte e ápice da vida cristã.

Ao convite feito por Jesus para participar do Banquete do Reino e para comer de Seu Pão, muitas são as desculpas que encontramos com a maior facilidade.

Sem muita dificuldade justificamos compromissos inadiáveis; desviamos olhares e caminhos, e até fugimos de maiores responsabilidades:

“não tenho tempo”; “não sou capaz”;“estou sobrecarregado”;

“quem sou eu?” (falsa modéstia); “um dia eu vou assumir um compromisso, mas agora não dá, é que…” etc.

 

Resposta positiva ao convite implica em diversas atitudes.

Apresento pelo menos cinco:

v     PRONTIDÃO:

Quando Deus chama devemos ser prontos; alegremente disponíveis para o trabalho da messe.

Evidentemente, prontidão não significa imediatismos inconsequentes e inconstantes.

Prontidão consciente e perseverante.

O seguimento a Jesus não pode ser fruto de uma emoção momentânea, circunstancial e sem enraizamento, mas fruto de um constante enamoramento e apaixonamento, que compromete toda a vida e a vida toda.

 

v     GRATUIDADE:

Seguir Jesus e anunciar Sua Boa Nova não tem sentido, se não for movido pelo mais sincero e puro sentimento de gratuidade.

É este sentimento que deve estar impregnado em toda a nossa vida.

O menor gesto feito com gratuidade é infinitamente superior ao maior dos gestos que não esteja acompanhado da mesma.

Há grandes gestos inumeráveis que não são a expressão da gratuidade, mas expressão de segundas, terceiras intenções.

A Boa Nova do Evangelho prima pela gratuidade vivida a cada instante e em todo tempo.

 

v     IMITADORES DOS SENTIMENTOS DE JESUS:

Sim ao Seu convite implica em nos configurarmos a Ele.

Como Paulo disse, a ponto de dizermos:

“eu vivo, mas é Cristo que vive em mim…”

Imitar Seus sentimentos, rever pensamentos, atitudes, critérios:

Mente e coração moldados e iluminados pelos Seus ensinamentos.

 

Com muita facilidade podemos misturar dentro de nós sentimentos que são contraditórios e incompatíveis.

Configurar-se a Jesus, para que vejam Cristo em nós.

É possível? Passos a passo, e não como quem já tenha ao ponto máximo chegado.

Primeiros passos dados no batismo e que, somente, na eternidade encontram seu ponto de chegada; culminância; desejada perfeição.

 

v     OBEDIÊNCIA:

Jesus: A maior expressão de obediência aos desígnios de Deus.

Obediência que implica em esvaziamento, aniquilamento, sofrimento, doação de Si mesmo, entrega da própria vida.

Sangue por amor derramado, amor ao extremo.

Vida pela vida sacrificada.

Amor por amor, puro amor.

Obediência que não mede sacrifícios, motivada por uma causa maior, que faz tudo se tornar pequeno.

A obediência deve ser nossa marca.

Ser Igreja é o aprendizado constante da obediência que, num primeiro momento, nem sempre compreendida e agradável, mas com maturidade assumida, renuncias assumidas, alegrias realizadas

 

A Igreja prima pela obediência, não como míope servilismo, mas como certeza de que ela nos desafia ao amadurecimento daqueles que sabem até mesmo seus ideais renunciar, seus desejos sacrificar.

A obediência pede o desinstalar, o rever, o recomeçar, o reconsiderar.

A obediência muitas vezes assusta porque nos coloca frente ao novo; e o novo, via de regra, nos incomoda.

A obediência por amor a Igreja vivida é caminho de santificação, que não dispensa diálogos, carinho e compreensão, mas abertura ao sopro do Espírito.

A obediência pode ser a morte da vaidade, da mediocridade, acerto de aparas.

A obediência carrega em si a luminosidade pascal.

 

v     HUMILDADE:

Somos pó, verdade que jamais podemos esquecer:

Do pó viemos e ao pó retornaremos.

Conscientes de nossa pequenez, fragilidade, haveremos de nos colocar nas mãos de Deus.

É a humildade no coração de Maria que a levou a participar da obra da redenção. É a sua humildade uma das fontes do Magnificat.

Não cantará a glória de Deus, não reconhecerá as maravilhas de Deus, quem não reconhecer sua pequenez, seus limites.

Humildade jamais será sinal de fraqueza, pois quando somos fracos, então que nos tornamos fortes.

A humildade nos coloca como criaturas diante do Criador, e assim nossa vida somente tem sentido quando colocada em constante atitude amical e dialogal com Ele.

A atitude de humildade nos pede constante vigilância, para que não tenhamos conceito maior de nós mesmos, mas que, na exata medida, saibamos nos colocar nas mãos divinas; e, fortalecidas possam ser as milhões de mãos humanas estendidas.

 

Muitos são os chamados, poucos os escolhidos.

Estaremos incluídos entre os escolhidos?

A prontidão, gratuidade, imitação de Nosso Senhor, obediência e humildade estão presentes em nossa caminhada de fé?

 

Ainda que incluídos nunca é demais lembrarmos:

Vigilância e oração sempre!

Quando tudo isto se faz presente em nosso coração, e deixamos o amor falar mais alto, as desculpas deixarão de ser demais, não se multiplicarão com tamanha facilidade.

 

Quando aliado a estas atitudes, o amor falar mais alto, serão dadas, enfim, cada vez menos desculpas, ou até nenhuma, porque haverá amor demais.

Amor demais!

Haverá amor demais?

Como Deus é amor, o amor nunca será demais!

Assim, Deus jamais será demais, mas sem

Ele e Seu amor seremos cada vez menos!

 

 Reeditado e repostado, neste mês em que nossas comunidades estão aprofundando a carta de São Paulo aos Filipenses.

 

 

criado por peotacilio    14:06 — Arquivado em: Homilias, Reflexões, atividade pastoral

Orar não é multiplicar palavras…

Orar não é multiplicar palavras… 

 

Bem disse o Senhor!

Orar bem não significa uma verborragia vazia.

Orar tampouco é multiplicar gritos desconcertantes da paz interior.

Orar é mais do que falar; é quase um não falar, para que diante do Senhor, possamos Sua voz ouvir.

Apenas algumas palavras, no Espírito balbuciar.

 

Oração da Liturgia das Horas:

 

“Dai-nos força para resistir à tentação, paciência na tribulação,

e sentimentos de gratidão na prosperidade”

 

Tentação?

Tribulação?

Prosperidade?

Sim, pois, é nossa pura humana realidade.

 

Força!

Paciência!

Gratidão!

É o que pedimos e oferecemos à Santíssima Trindade!

Nada mais a pedir, nada mais a dizer. Amém!

“Fala Senhor, que Teu servo escuta (…). Amém!”

 

 

 

 

 

 

criado por peotacilio    11:53 — Arquivado em: Reflexões, oração

16.9.09

Não vos inquieteis com nada!

Não vos inquieteis com nada!

            

Quantas vezes dores, enfermidades, preocupações, angústias, incertezas nos inquietam, carregam nosso semblante de preocupações, indiscutivelmente testemunhado pelo olhar, com esforços inúteis de disfarces.

 

Quantas vezes nossa vida é como uma barca à deriva em mares agitados. O que fazer?

 

Como enfrentar as turbulências de nosso existir, desafios de nosso quotidiano?

 

Muitas possibilidades há de nossa alegria roubar; nossa paz extirpar.

 

Paulo, melhor do que ninguém, pode nos dizer:

“Alegrai-vos sempre no Senhor” (Fl 4,4).

É sabido por quantas provações o mesmo passou por causa do Evangelho e por causa de Jesus.

É crível sua palavra, pois vem acompanhada

de seu testemunho.

Não são palavras vazias, com ausência de sentido e conteúdo.

 

As alegrias do mundo tendem para a eterna tristeza; mas as que brotam da vontade do Senhor levam os fiéis, que nelas perseveram,

às alegrias duradouras e eternas”, pois

“O Senhor está perto; de nada vos inquieteis” (Fl 4,5-6).

 

Há tantas alegrias que não duram mais que o orvalho da manhã; explodem como bolhas se sabão.

 

Alegrias transitórias, efêmeras, ilusórias, passageiras como nuvens, artificiais… São as que tendem para a eterna tristeza, pois não trazem a alegria em si.

Somente Nele a perfeita alegria!

 

Paulo nos convida em tudo, por orações e súplicas, acompanhadas de ação de graças, apresentar nossos pedidos a Deus (Fl 4,6).

 

A Ele entregar nossas preocupações e necessidades.

Jamais decepção haverá para quem em Deus confiar…

 

Como disse o Pseudo Ambrósio, no século IV:

 

“O Senhor está perto; de nada vos inquieteis (Fl 4,5-6);

O Senhor está sempre perto daqueles que o invocam na verdade, com fé integra, esperança firme, caridade perfeita.

Ele sabe do que precisais, antes mesmo que o peçais.

Está sempre pronto a vir em auxílio dos que o servem fielmente, em qualquer necessidade sua…

 

Por conseguinte, não temos de preocupar-nos demais com as dificuldades iminentes, porque sabemos estar próximos de Deus, nosso defensor… Se nos esforçarmos por realizar e guardar o que ordenou, Ele não tardará a nos dar o prometido.

                  

Mas em tudo, por orações e súplicas acompanhadas de ação de graças, apresentai vossos pedidos a Deus ( Fl 46): não aconteça que, aflitos suportemos as tribulações com murmuração e tristeza. Isto nunca, mas com paciência e de rosto alegre, dando sempre e por tudo graças a Deus (Ef 5,20)”.

 

Com paciência e rosto alegre somente é possível para quem crê na força da Eucaristia: Remédio de imortalidade; antídoto para não morrer.

Eucaristia que é ação de graças.

Não estamos sós.

 

Que bom saber que Deus conosco está!

Ventos, tempestade, agonias, sofrimentos, morte…

jamais serão e terão a última palavra, pois ela é

sempre de Deus.

 

Que Deus nos dê esta serenidade Paulina, exortada pelo Pseudo Ambrósio, tão indispensável em cada tempo e em todo tempo.

 

Manter viva a esperança contra toda falta de

humana esperança.

Não nos inquietemos com nada!

 

PS: Reeditado e repostado neste mês em que nossas comunidades estão aprofundando a “Carta de São Paulo aos Filipenses”.

 

 

 

 

 

 

criado por peotacilio    19:21 — Arquivado em: Reflexões, atividade pastoral

15.9.09

“Que incrível troca, oh! Maria.”

“Que incrível troca, oh! Maria.”

O Abade São Bernardo, no século XII, deixou-nos uma preciosa reflexão acerca do mistério da paixão vivida por Maria junto de seu Filho em todos os momentos.

É muito mais que um belo sermão, é uma elevação de nossa alma até Deus, assumindo com Maria e Seu Filho, o mistério da Paixão dos que hoje padecem a dor, a fome, a miséria, a injustiça com ânsias eternas de libertação e redenção!

“O martírio da Virgem é mencionado tanto na profecia de Simeão quanto no relato da paixão do Senhor.

Este foi posto, diz o santo ancião sobre o menino, como um sinal de contradição, e a Maria: e uma espada transpassará tua alma (cf. Lc 2,34-35).

Verdadeiramente, ó santa Mãe, uma espada transpassou tua alma. Aliás, somente transpassando-a, penetraria na carne do Filho.

De fato, visto que o teu Jesus – de todos certamente, mas especialmente teu – a lança cruel, abrindo-Lhe o lado sem poupar um morto, não atingiu a alma Dele, mas ela transpassou a tua alma.

A alma Dele já ali não estava, a tua, porém, não podia ser arrancada dali. Por isso a violência da dor penetrou em tua alma e nós te proclamamos, com justiça, mais do que mártir, porque a compaixão ultrapassou a dor da paixão corporal.

E pior que a espada, transpassando a alma, não foi aquela palavra que atingiu até a divisão entre alma e o espírito:

Mulher, eis aí teu filho? (Jo 19,26).

Oh! Que troca incrível!

João, Mãe, te é entregue em vez de Jesus, o servo em lugar do Senhor, o discípulo pelo Mestre, o filho de Zebedeu pelo Filho de Deus, o puro homem, em vez do Deus verdadeiro.

Como ouvir isso deixaria de transpassar tua alma tão afetuosa, se até a sua lembrança nos corta os corações, tão de pedra, tão de ferro?

Não vos admireis, irmãos, que se diga ter Maria sido mártir na alma. Poderia espantar-se quem não se recordasse do que Paulo afirmou que entre os maiores crimes dos gentios estava o de serem sem afeição. Muito longe do coração de Maria tudo isto; esteja também longe de seus servos.

Talvez haja quem pergunte:

“Mas não sabia ela de antemão que iria Ele morrer?”

Sem dúvida alguma.

“E não esperava que logo ressuscitaria?”

Com toda a confiança.

“E mesmo assim sofreu com o crucificado?”

Com toda a veemência.

Aliás, tu quem és ou donde tua sabedoria, para te admirares mais de Maria que compadecia, do que do Filho de Maria a padecer?

 Ele pôde morrer no corpo; não podia ela morrer juntamente no coração?

É obra da caridade: Ninguém a teve maior!

Obra de caridade também isto:

Depois dela nunca houve igual”.

Sim, verdadeiramente depois dela nunca houve igual.

A nós cabe a mesma fidelidade e compromisso com os crucificados da história, em frutuosa devoção a Nossa Senhora das Dores e a Seu Filho, Redentor de todas as dores, que não nos permite sequer sombra de omissão frente aos incontáveis clamores de

todos os tempos.

“Salve Rainha, Mãe de misericórdia…”

 

criado por peotacilio    12:01 — Arquivado em: Homilias, Reflexões, atividade pastoral

14.9.09

Ah, se não fosse a cruz de Nosso Senhor!

Ah, se não fosse a cruz de Nosso Senhor!

 

Na Cruz, Jesus experimenta a realidade última da condição humana: a morte.

Vive a miséria da condição humana.

O que aparentemente é fraqueza revela a onipotência do amor de Deus:

Loucura para os gregos e escândalo para os judeus.

 

Contemplar a Cruz não é afundar na dor pela dor, mas reconhecer e contemplar o Mistério da Trindade, que por amor, Salva o mundo do desamor.

Na Cruz contemplamos o mistério da presença do

Deus Pai, o amante,

Deus Filho, o amado e

Deus Espírito, o Amor que Os une.

 

Hoje, celebrando a Festa da Santa Cruz, com origem desde os primeiros séculos da Igreja, queremos refletir sobre o Mistério da Cruz. Deixemos ressoar em nossos corações parte da bela reflexão sobre a Cruz feita por Santo André de Creta, bispo do século VIII:

 

“Se não houvesse a cruz, Cristo não seria crucificado.

Se não houvesse a cruz, a vida não seria pregada ao lenho com cravos.

Se a vida não tivesse sido cravada, não brotariam do lado as fontes

da imortalidade, o sangue e a água, que lavam o mundo.

Não teria sido rasgado o documento do pecado,

não teríamos sido declarados livres,

não teríamos provado da árvore da vida, não teria aberto o paraíso.

Se não houvesse a cruz, a morte não teria sido vencida e

não teria sido derrotado inferno…

Preciosa também é a cruz porque ela é paixão e vitória de Deus:

Paixão, pela morte voluntária nesta mesma paixão.

E vitória porque o diabo é ferido e com ele a morte é vencida.

Assim, arrebentadas as prisões dos infernos,

a cruz também se tornou a comum salvação de todo o mundo”.

 

Continuando a reflexão acima:

 

Se não houvesse assumido a cruz, não nos proporia!

Se não testemunhasse um amor que ama até o fim na cruz,

Ausência de credibilidade seria e ao mundo nada diria!

 

Se não fosse caminho da redenção, por que a carregaríamos?

Se não nos comprometesse com os crucificados da história, que sentido teria?

Se não nos fosse inerente a condição humana, evitá-la-íamos!

Se ela não assumíssemos que cristianismo teríamos?

E, que Boa Nova anunciaríamos?

 

 

Cruz pela cruz não faz sentido!

Cruz assumida e associada ao Mistério da Paixão de

Nosso Senhor, como o Apóstolo nos exortou, pela

Igreja testemunho de mais profundo e belo amor!

 

Que as cruz inevitáveis por nós sejam assumidas,

mas aquelas geradas em belas mesas, por decretos e leis inóspitas,

da face da terra sejam para sempre banidas.

 

A cruz de cada dia carreguemos,

O Pão nosso de cada dia supliquemos,

com renúncias necessárias, como o

Senhor um dia nos propôs.

Para que com maior alegria,

fidelidade e autenticidade o testemunhemos.

 

A Cruz sinal de vitória da vida sobre a morte, do amor extremado que superou toda lógica do ódio.

 

Nós Vos adoramos Senhor Jesus e Vos bendizemos,

Porque pela Vossa Santa Cruz remistes o mundo!

 

Nós vos adoramos Senhor Jesus e Vos bendizemos,

Por termos o coração por Vós seduzido, confiante, rejuvenescido…

Liberto pela Verdade do Evangelho.

 

Nós Vos adoramos Senhor Jesus e Vos bendizemos,

Porque o amor infinito de Deus pode muito mais do que possamos sonhar…

 

 

 

criado por peotacilio    15:28 — Arquivado em: Reflexões, atividade pastoral, oração

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