Pe. Otacilio F. Lacerda

Artigos, textos e poesias para meditação, reflexão.

28.8.09

Nunca é tarde para Amar o Amado - Jesus

                                        

  

Nunca é tarde para Amar o Amado: Jesus

Há procuras que nos possibilitam verdadeiros encontros…

 

A mais bela e contagiante procura que podemos fazer é a procura por Deus.

 

Procurá-lo, incansavelmente e ininterruptamente, pois por Ele já fomos encontrados e resgatados.

 

Quando o verbo Se encarnou revelou-se a face e a presença amorosa do Pai, alcançou-nos a reconciliação e presenteou-nos com o dom maior: O Espírito.

 

Deste coração pleno de amor que água e sangue jorrou:

Nele pudéssemos nascer (Vida Nova do Batismo),

Nele pudéssemos viver (Corpo e Sangue, Mistério da Eucaristia).

 

Remédio para imortalidade porque nos assegura a vida eterna.

Antídoto para que o pecado não nos domine, nem nos fragilize, roubando-nos a saúde, a vitalidade do Espírito.

 

A procura de Deus não se dá além de nós mesmos; além de nossa interioridade.

Ela se dá na mais profunda intimidade de nosso ser, onde Ele quis fazer-Se o mais belo hóspede.

 

Paradoxalmente, Seu encontro se dá na fragilidade da morada e no esplendor divino Daquele que em nós habita.

 

A procura e o encontro de Deus se dão no exato momento que descobrimos os traços mais marcantes de Seu Ser:

“Hesed” - misericórdia, carinho, amor, ternura, bondade…


Seu encontro leva, inevitavelmente, a fazer da vida entrega incondicional, obediência radical e confiança ilimitada, na Paixão Pelo Reino.

 

Nossa existência adquire matizes diferenciados, ganhando consistência e profundidade.

 

O amor vivido alcança-nos eternidade para o mesmo não seja como a nuvem da manhã que passa ou o orvalho que ao amanhecer logo se evapora, nos primeiros raios do sol.

 

O Amor encontrado faz romper a aurora,

afastando a escuridão da noite.

As trevas cedem lugar à luz.

A noite cede lugar ao dia:

Mistério daqueles que contemplam a Verdadeira Luz!

 

Saboreemos esta Confissão do grande Bispo Santo Agostinho, (séc. V):

 

E que ainda tarde, mas não tão tarde,

entremos na mais perfeita relação com Deus:

relação de Amor que nos alcança a felicidade plena…

 

Tarde te amei…”.

“Onde te encontrei Senhor, para te conhecer”?

Não estavas certamente em minha memória antes que eu

Te conhecesse…


Tarde te amei, ó beleza tão antiga e tão nova, tarde te amei! Estavas dentro e eu fora te procurava.

 

Precipitava-me eu disforme, sobre as coisas formosas que fizeste.

 

Estavas comigo, Contigo eu não estava.

As criaturas retinham-me longe de

Ti, aquelas que não existiriam se não estivessem em Ti.

 

Chamaste e gritaste e rompeste a minha surdez.

Cintilaste, resplandeceste e afugentaste minha cegueira.

 

Exalaste perfume, aspirei-o e anseio por Ti.

Provei, tenho fome e tenho sede.

Tocaste-me e abrasei-me no desejo de Tua paz…

 

Quando me uno a Ti com todo o meu ser,

não há em mim dor nem fadiga.

 

Viva será minha vida, toda repleta de Ti.

Agora ergues o que de Ti está repleto.

Como ainda não estou pleno de Ti, sou um peso para mim.

 

Lutam minhas lamentáveis alegrias com as tristezas deleitáveis.

De que lado estará à vitória, não sei.

 

Ai de mim, Senhor!

Tende piedade de mim.

Lutam minhas tristezas com as boas alegrias

e não sei quem vencerá.

Ai de mim, Senhor!

Tende piedade de mim!

Ai de mim!

Bem vês, que não escondo minhas chagas.

 

És o médico; eu o doente.

És misericordioso; eu o miserável…

Em Tua imensa misericórdia ponho toda minha esperança”

 

Para nossa reflexão:

 

ÚQuais os sentimentos que esta bela confissão me desperta?

 

ÚQuando se deu a minha procura por Deus dentro de mim mesmo?

 

ÚComo sinto e aprofundo a relação de proximidade de Deus para comigo?

 

ÚO que posso fazer para aprofundar esta relação de amor com O Mistério Divino que em mim fez morada?

 

Há pessoas, que a exemplo de Santo Agostinho, depois de inquietante procura, a Deus encontra, ainda que tarde.

 

Outras, bem cedo O encontraram!

Cada um tem sua história, cada um tem seu encontro…

 

Cedo ou tarde, seja-nos permitido repetir as palavras de

Santo Agostinho que, incansavelmente, lemos e relemos.

 

Ele captou e expressa o mais profundo de nós diante do

Mistério do Amor Divino:

 

“…Tarde Te amei,

Ó beleza tão antiga e tão nova, tarde Te amei!

Estavas dentro e eu fora Te procurava.

Precipitava-me eu disforme,

sobre as coisas formosas que fizeste.

Estavas comigo, Contigo eu não estava.

As criaturas retinham-me longe de Ti,

aquelas que não existiriam se não estivessem em Ti”.

 

PS; Reeditado e repostado para esta data em que celebramos a memória de Santo Agostinho.

 

 

 

 

 

criado por peotacilio    8:06 — Arquivado em: Homilias, Reflexões, atividade pastoral

26.8.09

O memorável testamento de São Luis de França (parte 1)

                                          

O memorável testamento de São Luis de França (parte 1)

Luis IX de França, ou São Luis de França (1214 - 1270).                                          No seu reinado a França viveu um excepcional momento político, econômico, militar e cultural, conhecido como o “o século de ouro de São Luis“.

Houve um grande desenvolvimento da justiça real, passando o monarca a representar o juiz supremo.

Participou também da Sétima Cruzada e da Oitava Cruzada, tendo morrido no decurso desta última, o que influenciou em grande medida a sua posterior canonização no reinado do seu neto Filipe, o Belo. De seu matrimônio nasceram onze filhos.

Há parte do Testamento Espiritual a seu filho que nos leva a reflexões oportunas, para a família, a vida eclesial e também para o cenário político e social pelo qual passamos.

 

Apesar dos séculos e contexto que nos separam, tem sua pertinência incontestável!

 

Com esta breve introdução ponhamo-nos em frutuosa leitura:

 

“Filho dileto, começo por querer ensinar-te a amar o Senhor, teu Deus, com todo o teu coração, com todas as tuas forças; pois sem isto não há salvação.

                                         

Filho, deves evitar tudo quanto sabes desagradar a Deus, quer dizer, todo pecado mortal, de tal forma que prefiras ser atormentado por toda sorte de martírios a cometer um pecado mortal.

 

Ademais, se o Senhor permitir que te advenha alguma tribulação, deves suportá-la com serenidade e ação de graças.


Considera suceder tal coisa em teu proveito e que talvez a tenhas merecido. Além disto, se o Senhor te conceder a prosperidade, tens de agradecer-Lhe humildemente, tomando cuidado para que nesta circunstância não te tornes pior, por vanglória ou outro modo qualquer, porque não deves ir contra Deus ou ofende-Lo valendo-te dos seus dons.

 

Ouve com boa disposição e piedade o ofício da Igreja e enquanto estiveres no templo, cuides de não vagueares os olhos ao redor, de não falar sem necessidade; mas roga ao Senhor devotamente, quer pelos lábios, quer pela meditação do coração.

Guarda o coração compassivo para com os pobres, infelizes e aflitos, e quando puderes, auxiliá-los e consolá-los.


Por todos os benefícios que te foram dados por Deus, rende-Lhe graças para te tornares digno de receber maiores.

 

Em relação a teus súditos, sê justo até o extremo da justiça, sem te desviares nem para a direita nem para a esquerda; põe-te sempre de preferência da parte do pobre mais do que do rico, até estares bem certo da verdade.

 

Procura com empenho que todos os teus súditos sejam protegidos pela justiça e pela paz, principalmente as pessoas eclesiásticas e religiosas.


Sê dedicado e obediente à nossa mãe, a Igreja Romana, ao Sumo Pontífice como pai espiritual. Esforça-te por remover de teu país todo pecado, sobretudo o de blasfêmia e a heresia.

 

Ó filho muito amado, dou-te enfim toda a bênção que um pai pode dar ao filho; e toda a Trindade e todos os santos te guardem do mal.

 

Que o Senhor te conceda a graça de fazer Sua vontade de forma a ser servido e honrado por ti.


E assim, depois desta vida, iremos juntos vê-Lo, amá-Lo e louva-Lo sem fim.

Amém”.

 

Quantos séculos nos separam?

Mas não nos separam das belas lições que São Luis nos deixou, como veremos no próximo post.

 

criado por peotacilio    7:45 — Arquivado em: Reflexões, atividade pastoral

O memorável testamento de São Luis de França (parte II)

O memorável testamento de São Luis de França (parte II)

O que aprender com o Rei Luis IX?

 

Ensinamento intransferível de um pai e uma mãe que jamais pode ser omitido:

ü     “Filho dileto, começo por querer ensinar-te a amar o Senhor, teu Deus, com todo o teu coração, com todas as tuas forças; pois sem isto não há salvação”

 

Favorecer o crescimento em acolhida da graça divina:

ü    “Filho, deves evitar tudo quanto sabes desagradar a Deus, quer dizer, todo pecado mortal, de tal forma que prefiras ser atormentado por toda sorte de martírios a cometer um pecado mortal”

 

Suportar as adversidades; agradecer a prosperidade:

ü    “Ademais, se o Senhor permitir que te advenha alguma tribulação, deves suportá-la com serenidade e ação de graças… se o Senhor te conceder a prosperidade, tens de agradecer-lhe humildemente, tomando cuidado para que nesta circunstância não te tornes pior, por vanglória ou outro modo qualquer, porque não deves ir contra Deus ou ofende-Lo valendo-te dos seus dons”.

 

A todos nós que frequentamos templos e cultos, para participação ativa, piedosa e consciente:

ü    “Ouve com boa disposição e piedade o ofício da Igreja e enquanto estiveres no templo, cuides de não vagueares os olhos ao redor, de não falar sem necessidade; mas roga ao Senhor devotamente, quer pelos lábios, quer pela meditação do coração”

 

A solidariedade e compromisso com os pobres e os sofredores, compromisso evangélico que ultrapassa os séculos, culturas e povos. Muito pode ser discutido, menos a solicitude para com os pobres: os preferidos e presença de Deus:

ü    “Guarda o coração compassivo para com os pobres, infelizes e aflitos, e quando puderes auxiliá-los e consolá-los”.


Atitude para com os súditos, marcada pela prática da justiça. Para ser proclamado em todas instâncias do poder público, além do próprio espaço eclesial:

ü    “Em relação a teus súditos, sê justo até o extremo da justiça, sem te desviares nem para a direita nem para a esquerda; põe-te sempre de preferência da parte do pobre mais do que do rico, até estares bem certo da verdade”

 

Amor a Igreja, santa e pecadora:

ü    “Sê dedicado e obediente à nossa mãe, a Igreja Romana, ao Sumo Pontífice como pai espiritual”

 

Amor pela verdade e respeito à liberdade sem ferir a caridade:

ü    “Esforça-te por remover de teu país todo pecado, sobretudo o de blasfêmia e a heresia”.

 

Quem disse que abençoar os filhos não tem mais sentido? Engana-se quem pensa positivamente:

ü    “Ó filho muito amado, dou-te enfim toda a bênção que um pai pode dar ao filho; e toda a Trindade e todos os santos te guardem do mal”


Há muito que aprender com o passado, para que estes luminares iluminem o presente e algo novo se possa esperar do futuro

criado por peotacilio    7:40 — Arquivado em: Reflexões, atividade pastoral

25.8.09

Adesão incondicional ao Senhor

Adesão incondicional ao Senhor

 

A fidelidade ao Senhor, quer dos presbíteros, quer de todo cristão leigo (a) só é possível se acompanhada de três verbos inseparáveis;

 

Acreditar na Sua pessoa e Projeto;

Aceitar a concretização do mesmo;

Aderir a Ele com todo empenho, com toda alma…

 

Aderir a Ele?

De que modo?

 

ü    Incondicionalmente

ü     Radicalmente

ü     Totalmente

ü     Para sempre 

 

Assim tornamo-nos verdadeiramente cristãos.

Ser cristão é escolher a Cristo, optar pela Sua Pessoa e Projeto e segui-Lo…

 

Na decisão fundamental por Jesus Cristo estão contidas e plenificadas todas as exigências de conhecimento e de ação da fé.

 

É necessário que sempre:

Sejamos educados no pensamento de Cristo,

Vejamos a história como Ele,

Julguemos a vida como Ele,

Escolhamos amar como Ele,

Esperar como Ele ensina,

Viver Nele a comunhão

Com o Pai e o Espírito Santo.

 

ü    Somente na adesão a Ele, é que encontraremos o sentido para nossa vida.

ü    Somente uma adesão incondicional, radical, total e para sempre nos assegurará a realização de nossa vida, sonhos e projetos.

ü    Somente a opção por Cristo é caminho para Salvação.

 

Que cada dia seja um tempo de graça para renovarmos nosso amor e fidelidade ao Senhor, fortalecendo e alcançando a desejada santidade como sinônimo de felicidade.

 

Que cada dia, diante dos desafios inseridos na realidade quotidiana, não percamos a graça de testemunhar esta adesão que nos desafia a manter viva a chamada da caridade e da luz divina!

 

Por Jesus, em cada irmão e irmã,

em pequenos gestos de amor se consumir.

Amém!

 

 

 

 

criado por peotacilio    12:05 — Arquivado em: Homilias, Reflexões, atividade pastoral

24.8.09

Dai-me, Senhor, a perfeita coerência…

                           

Dai-me, Senhor, a perfeita coerência…

 

A coerência cristã é visibilizada pela ação;

Ação que reflete o que se fala;

Fala-se o que se pensa;

Pensa-se o que se reza…

 

A sintonia e a coerência são perceptíveis quando:

Passa-se da oração à vida;

Quando a vida é precedida pela palavra;

A palavra pelo pensamento;

O pensamento pela oração.

 

Urge nos interrogarmos:

Fazemos o que rezamos e rezamos o que fazemos?

 

Só posso concluir suplicando:

 

Dai-me, Senhor, a perfeita coerência,

Vós que sois a Perfeitíssima Coerência!

Amém!

criado por peotacilio    14:19 — Arquivado em: Reflexões, atividade pastoral, oração

“SE…”

                                   

                                             “SE…”

 

Reflitamos sobre Deus à luz do “SE”, conjunção condicional.

 

Com Deus jamais pudemos, podemos ou poderemos usá-la.

Deus, ao contrário, pode dirigir-Se a nós usando-a quantas vezes quiser.

 

Jamais digamos a Deus:

 

“Se o Senhor me conceder tal graça… prometo que…”

“Se Deus não me atendeu, por que continuar a acreditar Nele?”

“Se Deus existe por que tanta fome, miséria, doença e injustiça?”

 

Aqui, poder-se-ia acrescentar inúmeras outras interrogações.

Nenhuma delas teria sentido.

                                                                                           

Não temos de nos relacionar com Deus de forma condicional.

Não podemos amá-Lo sob condição; sob pretexto de algo alcançar.

Como disse São Bernardo: “Amo porque amo, amo para amar”.

 

Nenhuma atividade em relação a Deus devemos fazê-la sob condição.

Há de ser livre e madura expressão de amor…

 

De outro lado, Deus pode dizer:

 

“Se você for fiel a minha Palavra, terá alegria”.

“Se guardardes minha Palavra e minha Palavra permanecer em vós produzireis muitos frutos”.

“Se seguirem meus mandamentos serão um povo feliz”.

“Se prolongarem a Eucaristia em sua vida, tornando-a eucaristizada, vocês tornarão o mundo melhor”.

“Se vocês quiserem caminhar sem a minha presença, nada poderão fazer”.

“Se tiverem fé, poderão remover montanhas”.

“Se Eu não me revelar, vocês não poderão Me encontrar…”.

 

O “SE” de Deus é infinitamente maior do que nossas eventuais interrogações.

 

Importa, concluindo:

Amar a Deus sem nenhuma condição; sem nenhuma imposição.

Amá-Lo por amor, somente.

Amar para amar.

 

Finalizo citando Santo Anselmo, (século XII):

 

“Senhor, ensinai-me a Vos procurar e mostrai-Vos quando Vos procuro; não posso procurar-Vos se não me ensinais nem encontrar-Vos se não Vos mostrais.

Que desejando eu Vos procure,

Procurando Vos deseje,

Amando Vos encontre,

E encontrando Vos ame”

 

criado por peotacilio    14:10 — Arquivado em: Reflexões, atividade pastoral

19.8.09

Permita-se…

 

 

   

                                                     Permita-se

Vida: dom e graça de Deus!

 

Viver exige permitir-se ao que é possível tornando-a mais bela e conforme a vontade de Deus, realizando o desígnio divino: a nossa felicidade!

 

Hoje, Pe. Edivaldo faz 50 anos. O que dizer quando meio século se completa, descortinando outra possível metade, além do quanto mais se possa somar?

 

É necessário olhar para o passado que denominamos de História.

Olhar para o futuro é contemplá-lo como mistério.

 

Viver o presente como dádiva de Deus, que não pode ser ignorado, esvaziado de conteúdo e sentido, vilipendiado…

 

Permita-se, hoje, olhar para o passado e reaprender com os mestres que te formaram: pais, professores, amigos companheiros que se tornam verdadeiros mestres.

 

Permita-se, por algum instante, propiciar um vôo sem passagens e passaportes…

                                     

Permita-se reler tua história, verá que ela não se reduz a datas apenas. História é vida, essencialmente.

 

Urge revisar a nossa própria trajetória, dar conta dos erros que todos cometemos; evitá-los tanto quanto possível.

Existirá outro objetivo maior da história, tanto pessoal como universal?

 

Permita-se rever, amigo, teus conhecimentos de aritmética adquiridos.

 

Jamais esqueça de que na relação entre as pessoas é melhor somar do que diminuir. Muito melhor, ainda, é multiplicar do que dividir. Jamais esqueça que as brigas, rupturas, conflitos que surgem são como frações em nossas vidas, e muitas vezes desoladoras e devoradoras…

 

Não esqueça que todas as equações têm incógnitas, e que descobri-las, pacientemente e sabiamente, é imprescindível para a convivência com os outros e consigo mesmo.

 

Permita-se rever os conceitos de geometria, não se esquecendo de como os polígonos têm muitos lados e que todos eles são muito importantes, pois bastaria a ausência de um dos lados para que deixasse de o ser. As pessoas hão de ser muito preciosas em tua vida! Ame-as. Valorize-as.

 

Permita-se, também, valorizar-se, sempre, mas na exata medida, nem empobrecedor narcisismos, ou deprimente falta de autoestima.

 

Permita-se transitar pelos conhecimentos da geografia, sem jamais esquecer que as pessoas, como os países, têm suas fronteiras, e que é preciso respeitar as fronteiras emocionais de cada um, especialmente daqueles com quem convivemos.

 

Permita-se beber do néctar das ciências e não esqueça que na vida familiar, bem como eclesial , o afeto faz o mesmo papel do oxigênio, imprescindível para que respiremos, e suspiros de alegria e emoção multipliquemos, saboreemos…

 

Permita-se retomar os conceitos da língua que aprendeste: a língua portuguesa. Não esqueça a conjugação de verbos que são vitais, e por excelência o verbo amar…

 

Conjugá-lo em voz alta, todos os dias, a qualquer hora, em todos os tempos. Se na forma negativa conjugado, para que seja desaprendido, jamais repetido…

 

Permita-se dizer às pessoas, como você disse no dia de tua ordenação: “Eu vos amo, eu vos abençôo” Esta foi tua marca, este será teu passaporte e de tantos quantos queiram marcar e ser marcado na memória e no coração.

 

Permita-se jamais ser relapso, para que não amargue indesejáveis recuperações, perdas e sofríveis danos.

 

Permita-se não esquecer as mais belas lições que aprendeu até aqui. Revê-las, reciclá-las, enraizá-las, amadurecê-las.

 

Permita-se continuar indo ao encontro da felicidade, acolhendo a vida como dom no presente e mistério no futuro. Mistério não é sinônimo de misterioso.

 

A beleza do viver jamais murcha, ofusca e perde encanto, quem por Deus, o coração em veras de paixão, permite-se deixar seduzir…

 

Permita-se  libertar de todas as amarras e cadeias, para que reencontre a paz, alegria e serenidade…

 

Permita-se  apenas uma coisa: ser prisioneiro do mais belo Amor, Cristo Jesus, então será verdadeiramente livre!

 

Abra-se sempre ao melhor que sempre está por vir!!!

Parabéns, Amigo!

 

Permita-me dizer: eu também, em Cristo, te amo!

 

PS: Livre adaptação do texto “Aprendendo com a professora” de Moacyr Scliar – FSP de 17 de agosto de 2009 – caderno cotidiano – C II 

 Homilia em comemoração aos 50 anos de vida do Pe. Edivaldo Medeiros – Diocese de Guarulhos

 

criado por peotacilio    14:39 — Arquivado em: Homilias, Reflexões, atividade pastoral

18.8.09

O Dogma da Assunção de Maria ao céu… (parte II)

O Dogma da Assunção de Maria ao céu… (parte II)

 

Ainda ressoa em nossos corações o esplendor da “Festa em louvor a Nossa Senhora da Assunção”.

 

Quanto mais falo de Maria, mais quero falar.

 

Hoje quem nos fala de Maria é o Abade São Bernardo, numa memorável Homilia em louvor da Virgem-Mãe.

 

Haveremos de concordar que Maria é o mais belo e salubérrimo exemplo das virtudes.

 

Sendo então saudável exemplo, não haja economia em imitarmos suas virtudes, no que consiste a mais bela e saudável devoção a ela e a qualquer santo.

 

Sem qualquer demora, saboreemos esta preciosidade:

 

“A Deus competia nascer de uma virgem unicamente; e era claro que do parto da Virgem somente viesse Deus à luz.

 

Por esse motivo, O Criador dos homens, para Se fazer homem nascido de ser humano, devia dentre todas escolher, ou melhor, criar para Si a mãe tal, como sabia convir a Si e Ser-lhe agradável em tudo.

 

Quis então que fosse uma virgem. Da imaculada nascendo o imaculado, Aquele que purificaria as máculas de todos.

 

Ele a quis também humilde, donde proviesse o manso e humilde de coração, que iria mostrar a todos o necessário e salubérrimo exemplo destas virtudes.

 

Concedeu, pois, à Virgem a fecundidade, a ela a quem já antes inspirara o voto da virgindade e lhe antecipara o mérito da humildade.

 

A não ser assim, como poderia o anjo dizê-la cheia de graça, se algo, por mínimo que fosse, faltasse à graça?

 

Assim, aquela que iria conceber e dar à luz o Santo dos Santos, recebeu o dom da virgindade para que fosse santa no corpo, e, para ser santa no espírito, recebeu o dom da humildade.

 

Esta Virgem régia, ornada com as jóias das virtudes, refulgente pela dupla majestade da alma e do corpo, por sua beleza e formosura conhecida nos céus, atraiu sobre si o olhar dos anjos.

 

Até atraiu sobre si a atenção do Rei, que a desejou e arrebatou das alturas até si o mensageiro celeste.

 

O anjo foi enviado à Virgem (Lc 1,26-27). Virgem na alma, virgem na carne, virgem pelo propósito, virgem enfim tal como a descreve o Apóstolo, santa de espírito e de corpo.

 

Não pouco antes, nem por acaso encontrada, mas eleita desde o princípio dos séculos, conhecida pelo Altíssimo e preparada para Ele, guardada pelos anjos, prefigurada pelos patriarcas, prometida pelos profetas”.

 

Da mesma fora, sem qualquer demora, saboreada a preciosidade, se necessário fosse acrescentar uma palavra, apenas rezaria lentamente, como no tempo da infância, com toda pureza própria que a oração carrega…

 

Ave Maria, cheia de Graça…

 

 

 

criado por peotacilio    15:26 — Arquivado em: Homilias, Reflexões, atividade pastoral

15.8.09

O Dogma da Assunção de Maria ao céu…

 

O Dogma da Assunção de Maria ao céu:

Com Maria, um dia, no céu possamos estar!

                                                                 

Trata-se do Dogma definido pelo Papa Pio XII em 1950:

Maria foi elevada de corpo e alma ao céu.

 

No coração de Maria encontravam-se as maravilhas dos céus.

 

Hoje Maria está inteiramente no céu.

A Festa da Assunção aponta o nosso destino:

 Glorificação, ressurreição, participação na plenitude do amor de Deus.

 

Ela foi sem dúvida a primeira.

Quis Deus tê-la junto de Seu Filho que reina sobre todos e sobre o universo.

 

Inspirado no artigo de D. Luciano Mendes de Almeida (FSP 20/08/06) faço alguns apontamentos e reflexões acrescidas:

 

A glorificação de Maria nos céus é a sua participação na plenitude da alegria de Deus. E, também nos anuncia que fomos predestinados à santidade e à felicidade, que começa no tempo presente e se consuma na eternidade; na glória de Deus.

 

Quem, a exemplo de Maria, luta pelo bem, pela justiça, solidariedade, concórdia tem como garantia o prêmio da eternidade.

 

Maria no céu, para estar mais próxima e intimamente de nós, é ajuda constante em nossa luta e caminhada.

 

Uma autêntica devoção a Nossa Senhora leva-nos a experimentar a proteção divina; empenho constante de acolher e corresponder à graça divina, que não nos dispensa de compromissos concretos:

 

Ø    Prática do mandamento do amor;

Ø    Rejeição à corrupção e toda forma de pecado;

Ø    Vivência de valores éticos: viver a verdade e conquistar a liberdade

Ø    Conduta fraterna contra toda lógica de exclusão; promovendo a inclusão e a comunhão.

 

Esta mesma devoção nos coloca em atitudes compromissadas:

 

Ø     Enfrentar a luta;

Ø     Perseverar até o fim;

Ø     Acreditar na esperança contra toda falta de esperança;

Ø     Alegrarmo-nos e alegrarmos o mundo como presença caritativa de Deus.

 

Como Maria, sonhamos, queremos e nos comprometemos com um mundo novo:

 

Ø    Livre de toda soberba (Deus é o absoluto);

Ø    Poder como expressão de serviço (poderosos são derrubados);

Ø    A partilha e a solidariedade são nossas marcas (os pobres são saciados).

 

Que o Magnificat, cantado por Maria, este canto de alegria, confiança e esperança dos pobres, seja o nosso canto.

 

Para cantá-lo, imitemos em nossa vida as virtudes de Maria:

 

humildade, disponibilidade,

serviço, alegria, confiança, esperança,

solidariedade, misericórdia

 

Que na Festa da Assunção sejamos libertados de toda esterilidade devocional, para sermos mais filhos de Maria, mais Eucarísticos, portanto, mais fraternos; experimentadores das alegrias do Reino inaugurado por Aquele que nos abre as portas da felicidade e da eternidade!

                                                                                     

Assunção de Maria!

Ela adentrando na glória de Deus, adentrando pela porta da eternidade, espera-nos, como Mãe amantíssima, a cada um de nós de braços abertos.

                                       

 

Na terra, num quase último ato de amor por nós, Jesus nos deu Sua Mãe como nossa Mãe, cremos que Ele no céu também a coloca de braços abertos para nos acolher na hora de nossa morte amém, para que alcancemos a incorruptibilidade; a glória da eternidade.

 

Que um dia possamos ser acolhidos, por

Maria, na porta da eternidade; no céu.

Amém!

O que ora se canta, torne-se uma realidade:

 

“Com minha Mãe estarei na santa glória um dia,

junto a Virgem Maria, no céu triunfarei.

No céu, no céu com minha Mãe estarei…”

 

PS: Reeditado e repostado para a Festa da Assunção de Maria. O original encontra-se em agosto de 2008

 

criado por peotacilio    9:45 — Arquivado em: Homilias, Reflexões, atividade pastoral

14.8.09

As travessias e turbulências pelas quais passamos…

                                               

As travessias e turbulências pelas quais passamos…

 

 

Águas agitadas e a força da Eucaristia

Em permanente travessia

Ah! se não fosse a Eucaristia!

Eucaristia, sempre Eucaristia!

Com Ela o outro lado é o horizonte próximo

 

Venerar assiduamente a Eucaristia,

Far-nos-ia passar a pé enxuto

As águas tumultuosas das lutas espirituais,

Levar-nos-ia à paz!

 

Acreditar piamente na Eucaristia!

Celebrar assiduamente a Eucaristia!

Adorar assiduamente a Eucaristia!

Viver intensamente a Eucaristia!

 

Eucaristia, Eucaristia, Eucaristia…

Sempre a Eucaristia!

Pão, força, vida e luz em toda e

Qualquer travessia!

 

 

criado por peotacilio    7:59 — Arquivado em: Poesia, Reflexões, atividade pastoral, oração

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