28.8.09
Nunca é tarde para Amar o Amado - Jesus
Nunca é tarde para Amar o Amado: Jesus
Há procuras que nos possibilitam verdadeiros encontros…
A mais bela e contagiante procura que podemos fazer é a procura por Deus.
Procurá-lo, incansavelmente e ininterruptamente, pois por Ele já fomos encontrados e resgatados.
Quando o verbo Se encarnou revelou-se a face e a presença amorosa do Pai, alcançou-nos a reconciliação e presenteou-nos com o dom maior: O Espírito.
Deste coração pleno de amor que água e sangue jorrou:
Nele pudéssemos nascer (Vida Nova do Batismo),
Nele pudéssemos viver (Corpo e Sangue, Mistério da Eucaristia).
Remédio para imortalidade porque nos assegura a vida eterna.
Antídoto para que o pecado não nos domine, nem nos fragilize, roubando-nos a saúde, a vitalidade do Espírito.
A procura de Deus não se dá além de nós mesmos; além de nossa interioridade.
Ela se dá na mais profunda intimidade de nosso ser, onde Ele quis fazer-Se o mais belo hóspede.
Paradoxalmente, Seu encontro se dá na fragilidade da morada e no esplendor divino Daquele que em nós habita.
A procura e o encontro de Deus se dão no exato momento que descobrimos os traços mais marcantes de Seu Ser:
“Hesed” - misericórdia, carinho, amor, ternura, bondade…
Seu encontro leva, inevitavelmente, a fazer da vida entrega incondicional, obediência radical e confiança ilimitada, na Paixão Pelo Reino.
Nossa existência adquire matizes diferenciados, ganhando consistência e profundidade.
O amor vivido alcança-nos eternidade para o mesmo não seja como a nuvem da manhã que passa ou o orvalho que ao amanhecer logo se evapora, nos primeiros raios do sol.
O Amor encontrado faz romper a aurora,
afastando a escuridão da noite.
As trevas cedem lugar à luz.
A noite cede lugar ao dia:
Mistério daqueles que contemplam a Verdadeira Luz!
Saboreemos esta Confissão do grande Bispo Santo Agostinho, (séc. V):
E que ainda tarde, mas não tão tarde,
entremos na mais perfeita relação com Deus:
relação de Amor que nos alcança a felicidade plena…
“Tarde te amei…”.
“Onde te encontrei Senhor, para te conhecer”?
Não estavas certamente em minha memória antes que eu
Te conhecesse…
Tarde te amei, ó beleza tão antiga e tão nova, tarde te amei! Estavas dentro e eu fora te procurava.
Precipitava-me eu disforme, sobre as coisas formosas que fizeste.
Estavas comigo, Contigo eu não estava.
As criaturas retinham-me longe de
Ti, aquelas que não existiriam se não estivessem em Ti.
Chamaste e gritaste e rompeste a minha surdez.
Cintilaste, resplandeceste e afugentaste minha cegueira.
Exalaste perfume, aspirei-o e anseio por Ti.
Provei, tenho fome e tenho sede.
Tocaste-me e abrasei-me no desejo de Tua paz…
Quando me uno a Ti com todo o meu ser,
não há em mim dor nem fadiga.
Viva será minha vida, toda repleta de Ti.
Agora ergues o que de Ti está repleto.
Como ainda não estou pleno de Ti, sou um peso para mim.
Lutam minhas lamentáveis alegrias com as tristezas deleitáveis.
De que lado estará à vitória, não sei.
Ai de mim, Senhor!
Tende piedade de mim.
Lutam minhas tristezas com as boas alegrias
e não sei quem vencerá.
Ai de mim, Senhor!
Tende piedade de mim!
Ai de mim!
Bem vês, que não escondo minhas chagas.
És o médico; eu o doente.
És misericordioso; eu o miserável…
Em Tua imensa misericórdia ponho toda minha esperança”
Para nossa reflexão:
ÚQuais os sentimentos que esta bela confissão me desperta?
ÚQuando se deu a minha procura por Deus dentro de mim mesmo?
ÚComo sinto e aprofundo a relação de proximidade de Deus para comigo?
ÚO que posso fazer para aprofundar esta relação de amor com O Mistério Divino que em mim fez morada?
Há pessoas, que a exemplo de Santo Agostinho, depois de inquietante procura, a Deus encontra, ainda que tarde.
Outras, bem cedo O encontraram!
Cada um tem sua história, cada um tem seu encontro…
Cedo ou tarde, seja-nos permitido repetir as palavras de
Santo Agostinho que, incansavelmente, lemos e relemos.
Ele captou e expressa o mais profundo de nós diante do
Mistério do Amor Divino:
“…Tarde Te amei,
Ó beleza tão antiga e tão nova, tarde Te amei!
Estavas dentro e eu fora Te procurava.
Precipitava-me eu disforme,
sobre as coisas formosas que fizeste.
Estavas comigo, Contigo eu não estava.
As criaturas retinham-me longe de Ti,
aquelas que não existiriam se não estivessem em Ti”.
PS; Reeditado e repostado para esta data em que celebramos a memória de Santo Agostinho.

criado por peotacilio
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