Pe. Otacilio F. Lacerda

Artigos, textos e poesias para meditação, reflexão.

31.7.09

Imitemos a irmã terra!

Imitemos a irmã terra!

O Bispo São Basílio Magno, (século IV), nos presenteou com esta belíssima homilia, que nos leva a refletir sobre a importância do saber viver para gerar a vida em favor do outro.

 

“Imitai a terra, ó homem! A semelhança dela produza fruto, não te reveles inferior a uma coisa inanimada. Ela nutre frutos não para seu consumo, mas para teu serviço.

 

Tu, no entanto, todo fruto de beneficência que produzisses, colheria para ti mesmo, porque o prêmio das boas obras reverteria a ti.

 

Como o trigo que cai na terra redunda em lucro para o semeador, assim o pão dado ao faminto, grande proveito te trará no futuro.

 

Seja, portanto, o final de tua lavoura o início da sementeira celeste…

 

Ânimo então e reparte de diversos modos as riquezas, sendo liberal e magnânimo nos gastos com os indigentes…

 

Não te alegras, não te regozijas por não teres que ir bater à porta dos outros, mas que eles venham a tua?

 

Agora, no entanto, és rabugento, com dificuldade consegue alguém te falar: evitas encontros; não aconteça teres de abrir mão nem que seja um pouquinho.

 

Conheces só uma frase: ‘Não tenho nem dou; também sou pobre’.

És pobre na verdade, indigente de todo bem; pobre de amor, pobre de bondade, pobre de fé em Deus, pobre de esperança eterna”.

 

ü    Como é pobre quem não sabe partilhar!

ü    Como somos paupérrimos quando dizemos que nada temos, ainda que tendo!

ü    Como fugimos da verdadeira riqueza quando abraçamos os bens que passam, não abraçando os bens que não passam!

 

Finalizo, ao Senhor dos mais altos dos Céus, elevando as súplicas que brotam do mais profundo de mim mesmo, onde Ele habita:

 

Senhor, que meus olhos não sejam seduzidos pelo que não alimenta a alma.

 

Senhor, que meu coração não seja por tantos sentimentos inúteis e estéreis ocupado, Ficando do Teu amor pobremente, miseravelmente esvaziado.

 

Senhor, que minhas mãos não se fechem, em atitude fria e mesquinha

A quem suplica um pedaço de pão e um pouco da atenção minha.

Senhor que eu aprenda com a irmã terra que dá frutos e flores, mas não para si própria.

 

Senhor que eu seja como a irmã terra, dando o melhor de mim não para mim propriamente, mas para o bem do outro.

 

Senhor, que Tu sejas meu Tudo,

Pois sem Ti, nada tenho; nada possuo.

Mas Contigo, nada me falta,

Porque és a fonte de toda graça e bondade,

Contigo aprendemos a viver em permanente solidariedade,

Com olhos voltados para os valores da eternidade.

 

 

 

criado por peotacilio    14:53 — Arquivado em: Reflexões, atividade pastoral

Por que sou cristão?

Por que sou cristão?

 

Missa em memória de Santa Marta. Na Palavra proclamada ouvimos:

I João (4,7-16) e Evangelho Lucas (10, 38-42).

 

Ao começar a homilia, sob o inspirador ruído da chuva que caia copiosamente, acenei para uma pergunta que devemos nos fazer:

 

Por que sou cristão?

 

Enumerei e aprofundei três respostas:

ü    Porque o cristianismo é, por excelência, a religião do amor; fundada na fonte inesgotável de amor;

ü    Porque é a religião da acolhida de Deus na pessoa do outro. Não abstração no relacionamento amoroso com Deus;

ü    Porque se funda na necessária atitude de intimidade com Jesus, e Dele conosco.

 

Notei que as respostas nos remetiam a três “As”:

Amor; Acolhida; Amizade!

 

No término da Missa, ouvindo o canto pós-comunhão “Tarde Te amei”, inspirado nas Confissões de Santo Agostinho, relembrando outra passagem do Evangelho que nos fala de Marta, quando da morte de seu irmão Lázaro (João 11, 1-45), completei minhas respostas, acenando para mais dois “as”:

 

ü   Amor é a essência da fé cristã;

ü   Acolhida de Deus no outro;

ü   Amizade com o Senhor;

ü   Acreditar na força e poder de Deus;

ü   Arder pela paz que só Deus pode nos dar!

 

Indubitavelmente, há outras respostas, mas as que me falaram ao coração, porque creio, inspiradas por Deus, foram estas.

 

A instigante pergunta não se esgota em cinco respostas.

 

Coloquemo-nos em busca de outras tantas possíveis, para que sejamos cristãos, de fato, vivendo o que de essencial e irrenunciável: amor, acolhida, amizade, o acreditar e o arder pela paz divina, para que no mundo sejamos sal, fermento e luz.

 

Coloquemo-nos, sem medo, em tal atitude.  

 

As respostas encontradas nos pedem vivência;

A vivência nos levará, necessariamente, ao testemunho;

O testemunho, enfim, tornar-se-á semente de novos cristãos, aurora de um mundo novo. 

 

O Cristianismo carrega em si o germe de um mundo novo: O Reino!

 

criado por peotacilio    9:34 — Arquivado em: Homilias, Reflexões, atividade pastoral

30.7.09

CONTEMPLEMOS A SAGRADA FAMÍLIA

 

 

 

Contemplemos a Sagrada Família!
(Um poema e prece pela família)

Numa família nem tão distante daqui…

Lágrimas de dor verteram…
Mais uma Igreja doméstica edificada sobre a areia,
Cuja tempestade e ventos desmoronaram.
Um lar desfeito à estatística se somou.
Mais uma vez, o que era para sempre, tão provisório ficou.

Numa Família…
Uma criança a luz do sol não contemplou,
Porque a crueldade humana ao aborto condenou.

Uma vida que poderia alegria ao mundo trazer,
Indefesa, frágil, à morte tão cedo e mais que cedo teve que ceder.

Numa família…
Novo oratório se criou,
Não mais santos, Palavra, velas e contas,
Mas o computador, o play station, videogames…
O silêncio de morte e isolamento se instalou.

Numa família…
Em nome do pós-moderno, valores, virtudes, princípios exilou.
A um museu de raridades a alegria, a acolhida, o diálogo,
A fidelidade, a compreensão, a brincadeira, a pureza,
O silêncio orante, o encontro; numa redoma se colocou.

Mas, numa família bem perto daqui; 

bem mais perto do aqui…

O brilho dos olhos voltou, algo novo ao mundo anunciou!
Ao mundo grandes lições deixou:
O silêncio orante, diálogo terno e amoroso com Deus
Mistérios e projetos de Deus são acolhidos,
Graça e ternura pelos três são vividos.

Mas, numa família bem perto daqui; 

bem mais perto do aqui…

O brilho dos olhos voltou, algo novo ao mundo anunciou!
Na tenda que na terra o Verbo armou,
A família, como berço da vida e vocação, edificou e santificou.
E ao mundo belas lições a todos nos deixou.
Feliz a família que na Sagrada Família sempre se espelhou!

Mas, numa família bem perto daqui; 

bem mais perto do aqui…

O brilho dos olhos voltou, algo novo ao mundo anunciou!

Da gruta à casa de Nazaré, a Igreja doméstica viveu;
Da Casa de Nazaré à Cruz de Jerusalém.
Do Seu lado aberto a Igreja militante nasceu,
Padecente e triunfante entoa conosco seu amém.

Mas, numa família bem perto daqui; 

bem mais perto do aqui…

Que a família então seja intima comunidade de vida e amor,
Resplandecendo as virtudes mais belas do Evangelho,
Lugar do recolhimento e oração novamente se tornou.
Compreensão mútua; respeito como norma se firmou.

Mas, numa família bem perto daqui; 

bem mais perto do aqui…

O zelo pela prática religiosa novamente ressuscitou,
A fuga dos males, como critério de existência se tornou.
Morte aos vícios, nódoas do pecado que tantas almas manchou;
Pela fidelidade e amor vivido, a pureza e candura reencontrou.

 Mas, numa família bem perto daqui; 

bem mais perto do aqui…
Individualismo e egoísmo à vida comunitária lugar cedeu,
Sacrifício e trabalho, solidariedade enfim floresceu,
Para o mundo reencantar e reinventar,
E o paraíso que perdido fora, novamente se reencontrar.

Mas, numa família bem perto daqui; 

bem mais perto do aqui…

Uma verdade se confirmou,
E o mundo jamais disso se esqueceu:
 “O futuro da humanidade passa pela família”.
Nela não crer nem investir; com o mundo enlouqueceu.

Mas, numa família bem perto daqui; 

bem mais perto do aqui… 

Contemplemos a Sagrada Família,
Fixemos nossos olhos nesta perfeita harmonia,
Imploremos ao Espírito que sobre Eles agia,
Reinará em nosso lar a mais bela e tão sonhada paz e alegria!

 

 

PS: Reeditado e repostado. Subsídio com vistas à “Vigília pela Santificação das Famílias”, em 31 de julho, na Paróquia Santo Antonio de Gopoúva – Diocese de Guarulhos. 

 

 

criado por peotacilio    12:14 — Arquivado em: Homilias, Reflexões, atividade pastoral

28.7.09

A esposa é o sol da família

                                         

“A esposa é o sol da família”

 

Hoje, mais do que nunca, a mulher desempenha papel fundamental na edificação e santificação do lar, sobretudo o lar cristão, pequenina Igreja Doméstica, onde se vive e se aprofunda a caridade conjugal.

 

Caridade conjugal vivida como memória do amor fiel e indissolúvel de Deus para com a humanidade e de Cristo pela Sua Igreja; celebrada em cada Eucaristia, no mistério do Sacrifício de Sua  Morte e Ressurreição.

 

Caridade conjugal implica em renúncias, serviço generoso movido pelo amor; como profecia, enquanto sinalização do convívio na eternidade, na família celestial = céu

 

O Papa Pio XII, na metade do século passado, dirigiu, a um grupo de recém-casados, palavras que guardam sua atualidade.

 

Faz sempre bem ao coração de quem as lê; mais ainda se as meditar; imensamente se as vir concretizadas.

 

Façamos deleitoso mergulho nesta página memorável!

 

 “A família tem o brilho de um sol que lhe é próprio; a esposa.

Ouvi o que a Sagrada Escritura afirma e sente a respeito dela:

 

A graça da mulher dedicada é a delícia do marido.

Mulher santa e virtuosa é graça primorosa.

Como o sol que se levanta nas alturas do Senhor, assim o encanto da boa esposa na casa bem-ordenada (Eclo 6,19-21).

 

             Realmente, a esposa e mãe é o sol da família.            

 

É sol por sua generosidade e dedicação, pela disponibilidade constante e pela delicadeza e atenção em relação a tudo quanto possa tornar agradável a vida do marido e dos filhos. Irradia luz e calor do espírito.

 

Costuma-se dizer que a vida de um casal será harmoniosa quando cada cônjuge, desde o começo, procurar não a sua felicidade, mas a do outro…

 

Embora este nobre sentimento e propósito pertençam a ambos, constitui principalmente uma virtude da mulher.

 

Por natureza, ela é dotada de sentimentos maternos, de  sabedoria, prudência e coração que a faz responder com alegria as contrariedades; quando ofendida, inspira dignidade e respeito, à semelhança do sol que ao raiar alegra a manhã coberta pelo nevoeiro e, quando se põe, tinge as nuvens com seus raios dourados.

 

A esposa é o sol da família pela limpidez do seu olhar e o calor de sua palavra. Com seu olhar e sua palavra penetra suavemente nas almas, acalmando-as e conseguindo afastá-las do tumulto das paixões…

 

A esposa é o sol da família por sua natural e serena sinceridade; sua digna simplicidade; seu distinto porte Cristão;  pela retidão do espírito sem esgotamento, e pela fina compostura com que se apresenta, veste e adorna; mostrando-se ao mesmo tempo reservada e amável.

 

Sentimentos delicados, agradáveis expressões do rosto, silêncio e sorriso sem malicia e um condescendente sinal de cabeça; tudo isso lhe dá a beleza de uma flor rara, mas simples, que ao desabrochar se abre para receber e refletir as cores do sol.

 

Ah, se pudésseis compreender como são profundos os sentimentos de amor e de gratidão que desperta e grava no coração do pai e dos filhos semelhante perfil de esposa e de mãe!”


Que a reflexão acima possa:

 

Ø   Revitalizar no coração de cada mãe e esposa a graça que Deus lhe concedeu, para que não perca seu calor e nem ofusque seu brilho indispensável;

 

Ø   Com a cooperação do esposo e pai, tornar uma bela realidade tão sábias e profundas palavras;

 

Ø   Encontrar eco em cada coração de filho e filha, a fim de que possam desfrutar destes raios de calor e luz; aquecidos e iluminados por raios que não se apagam, mas que nos acompanham por toda a vida.

 
Que a Sagrada Família, que tem

Maria, o “sol por excelência”, abençoe todas as famílias!

 

PS: Reeditado e repostado. Subsídio com vistas à “Vigília pela Santificação das Famílias”, em 31de julho, na Paróquia Santo Antonio de Gopoúva – Diocese de Guarulhos. 

 

criado por peotacilio    20:56 — Arquivado em: Homilias, Reflexões, atividade pastoral

“Fica conosco, Senhor!”

                                

“Fica conosco, Senhor!”

Inspirados no Lema do Ano Catequético: “Partir o pão, reconhecer Jesus e retomar o caminho”, realizamos o tão esperado XVI EJC.

O Lema nos remete a uma tarde memorável, que marcou a história da humanidade, quando dois discípulos caminhavam cabisbaixos, desanimados, desiludidos após o aparente fracasso da morte de Jesus na Cruz. Trata-se daquela inesquecível experiência dos discípulos de Emaús, que pode ser conferida em Lucas 24, 13-35.

Cléofas e o outro discípulo tiveram a graça de caminhar com Jesus, retomar o caminho de compromisso com Ele, iluminados pela Divina Palavra que saia de Sua boca.

O outro discípulo não tem nome. Quem é ele? Sou eu, você e tantos outros…

É o jovem que deu o seu sim para fazer o Encontro, com o desejo de se encontrar com Jesus, reconhecendo-O no repartir do Pão; cujo coração foi aquecido na escuta da Palavra.

São casais e jovens que no milagre da multiplicação do tempo, sem medir esforços, colocaram-se, generosamente, a serviço nas diversas Equipes, para que muitos jovens viessem a ter, também, seu encontro pessoal com o Senhor.

São Assessores das palestras, Padres, Seminaristas, Religiosas, Leigos (as) que nos enriqueceram com sua presença e reflexão, ajudando cada jovem a se encontrar com um Cristo jovem que caminha com seu povo.

 São aqueles que acreditam que o jovem só será o futuro da Igreja, se no presente lhes for feita a evangélica e necessária proposta.

São os que acreditaram na proposta do Encontro e deixaram o amor de Deus falar mais alto que qualquer obstáculo ou pensamento derrotista. Incrível amor: força que tudo supera e tudo alcança!

Como os discípulos de Emaús também suplicamos: “Fica conosco, Senhor, é tarde e o dia já vem. Fica conosco, Senhor, somos teus seguidores também…”. Jesus pode ficar com cada um de nós e isto dependerá da resposta de cada um…

Rogo a Deus para que cada segundo consumido por amor a Jesus seja divinamente recompensado, com infinitas graças por Ele prometida!

Que cada jovem tendo o Senhor, verdadeiramente, encontrado Dele jamais se separe!

É impossível distanciar-se do Amado, Cristo Jesus, quando pelo Supremo Amor sentiu-se amado!

Que Deus abençoe a todos que, de algum modo, colaboraram para a realização deste Encontro, sobretudo os Jovens Encontristas.

PS: Editorial para o XVI EJC – Paróquia Santo Antonio de Gopoúva – Diocese de Guarulhos.

 

 

criado por peotacilio    20:50 — Arquivado em: Reflexões, atividade pastoral

25.7.09

A matemática de Deus

A Matemática de Deus

Aprendamos a Matemática de Deus…

A Boa Nova do Evangelista João (6, 1-15), narra o sinal que Jesus fez no deserto, celebrando com a multidão o Banquete da Vida, em oposição ao Banquete de Herodes que é o banquete da morte: sacrifício voraz de vidas inocentes e justas, como a vida de João Batista.

 

No banquete de Jesus, há credenciais exigidas para autêntica participação:

O amor de compaixão, a solidariedade, a confiança na providência de Deus, a gratidão, a bênção, e a consciência de que os bens de graça, Dele, recebidos devem ser generosamente partilhados.

 

O pão que de Deus, quotidianamente, recebemos por

Ele abençoado, e por nós partilhado ganha um novo sabor.

Nada como o sabor de um pão partilhado!

 

No banquete da vida de Nosso Senhor, não há como se omitir diante da dor, da fome, da miséria da existência humana:

“Dai-lhes vós mesmos de comer”.

 

É possível superar esta brutal realidade que rouba a beleza do Projeto Divino. O Profeta Isaías já anunciara a promessa messiânica, de restauração da vida, em que Deus nos chama a comer e a beber sem paga: vinho e leite, deleite e força, alegria, revigoramento…

O Profeta Eliseu também soube partilhar o pouco para saciar a fome de muitos (2 Reis 4,42-44).

 

Uma última exigência:

Aprender a nova matemática de Deus.

 

Na racionalidade da matemática humana 5+ 2 = 7, indiscutivelmente, logo os 5000 homens, sem contar mulheres e crianças, estariam condenados à fome, ao desalento…

 

Na racionalidade da matemática divina 5 + 2 = plenitude, perfeição, tudo!

 

Sim, tudo!

Temos tudo para saciar a fome da humanidade, pois quando os bens de Deus recebidos, por Ele, abençoados e partilhados são multiplicados.

 

O milagre da multiplicação dos 5 pães e 2 peixes foi um sinal do Banquete Eucarístico que celebramos.

 

Alimentando-nos de um pedaço de pão e um pouco de vinho; Corpo e Sangue do Senhor, prolongamos a celebração na vida, multiplicando gestos de compaixão, partilha, solidariedade, tornamo-nos promotores da justiça, da fraternidade, da vida e da paz.

 

Santo Inácio de Antioquia, Bispo e Mártir, no séc. I, num contexto de dominação e perseguição, nos exortava com sabedoria indiscutível:

 

“Vosso batismo seja a vossa arma;

a fé, o vosso capacete;

a caridade, a vossa lança;

a paciência, a vossa armadura completa.

As vossas obras sejam vosso depósito

para receberdes em justiça o que vos é devido”.

 

Quando aprendizes da matemática divina nada nos separará do Seu amor (Rm 8,35-39): Nem a tribulação, angústia, perseguição, fome, nudez, perigo, espada…

 

Intensificaremos nosso relacionamento com Deus que é misericórdia, piedade, amor, paciência, compaixão, muito bom para com todos e pleno de ternura que abraça toda criatura (Sl 144).


Aprenderemos como disse um autor desconhecido que:


“Somente a água que damos de beber ao próximo poderá saciar nossa sede.
Somente a roupa que doamos poderá vestir nossa nudez.

Somente o doente que visitamos poderá nos curar.

Somente o pão que oferecemos ao irmão poderá nos satisfazer.

Somente a palavra que suaviza a dor poderá nos consolar.

Somente o prisioneiro que libertamos poderá nos libertar”.

 

Somente a partir da matemática de Deus é que teremos o sinal de um novo céu e uma nova terra; pois não é a lógica fria e irracional, mas a lógica da compaixão, amor, solidariedade e partilha que multiplica, abundantemente, em nós, todas as graças divinas.

 

Oh bela lição a aprender: A matemática de Deus!

 

PS: Reeditado e repostado.

 

 

 

criado por peotacilio    20:53 — Arquivado em: Homilias, Reflexões, atividade pastoral

Enamorados por Cristo o sejamos!

                                    

Enamorados por Cristo o sejamos!

 

Assim escreveu o Bispo São João Crisóstomo, séc. IV, sobre o Apóstolo Paulo.

 

“Nosso coração se dilatou. Aquilo que produz calor costuma dilatar. Assim é próprio da caridade dilatar, pois é uma virtude cálida e fervente.

 

Ela abria também a boca de Paulo e lhe dilatava o coração. ‘Não amo só de boca, diz ele, meu coração, em verdade, harmoniza-se com o amor; por isso falo confiante, com toda a voz e toda a mente’.

 

Nada mais amplo do que o coração de Paulo que, à semelhança de um enamorado, abraçava a todos os fiéis com intenso amor, sem dividir e enfraquecer a amizade, mas conservando-a indivisa.

 

(…) aquele que é amado, sem temor passeia no íntimo do coração do que ama.

 

(…) Em várias passagens, extraindo textos de cada epístola sua, pode-se ver de que amor incrível ardia para com os fiéis.

 

Aos romanos escreve: Desejo ver-vos: e Muitas vezes fiz o propósito de ir até vos; e também: Se de qualquer modo puder ir fazer-vos boa visita.

 

Aos gálatas escreve: Meus filhinhos, aos quais gero de novo;

 

e aos efésios: Por esta razão dobro meus joelhos por vós.

 

e aos tessalonicenses: Qual a minha esperança ou gáudio, ou coroa da glória? Não sois vós? Dizia, também carregá-los em suas cadeias e em seu coração.

 

Igualmente aos colossenses escreve: Desejo que vejais vós e aqueles que ainda não viram meu rosto, a grande luta que sustento por vós, para que vossos corações se fortaleçam.

 

Aos tessalonicenses: À semelhança de uma mãe que acalenta seus filhos, assim amando-vos, desejávamos vos dar não só O Evangelho, mas nossas vidas. Não estais apertados em nós.

 

Não diz apenas que os ama, mas que é amado por eles, para deste modo atraí-los melhor. Pois assim escreve: Tito chegou e contou-nos vosso desejo, vossas lágrimas, vosso zelo”.

            É notável o que o enamoramento por Cristo fez em Paulo.

Fazendo de Cristo a razão de seu viver, sua vida foi transformada; fez deste amor fonte de relacionamento amoroso com as comunidades fundadas e acompanhadas.

 

Somente nutridos da fonte do amor, enamorados por Ele é que chegaremos à maturidade do amor pela Igreja que somos.

 

Sem demora, coloquemo-nos em reflexão:

 

Ø      Sinto-me enamorado por Cristo?

Ø      A caridade dilata meu coração para que nele caibam os irmãos e irmãs da comunidade que faço parte?

Ø      Como vivencio este amor por Cristo em relação a Sua Igreja?

Ø      O que significa para mim a comunidade que participo?

Ø      O que mais toca meu coração ao contemplar o testemunho de Paulo em relação a Cristo e a Sua Igreja?

 

Invoquemos o fogo do Espírito para que aqueça e dilate nosso coração para que “os amados” de Deus, no íntimo dele passeiem sem medo algum, como nos falou São João Crisóstomo.

 

 

No coração onde o amor está presente, alargado,

redimensionado fica, para amar na mesma medida de Deus:

Um amor verdadeiramente imensurável!

 

 

 

 

 

criado por peotacilio    20:24 — Arquivado em: Homilias, Reflexões, atividade pastoral

A magnanimidade e gratuidade necessárias para o trabalho pastoral

                           

A magnanimidade e gratuidade necessárias para o trabalho pastoral

 

Magnanimidade: entende-se por disposição do ânimo para conseguir coisas grandes; generosidade, bondade…

                              

Santo Tomás de Aquino, no século XIII, assim definiu o magnânimo:

 

“O magnânimo atreve-se aos empreendimentos grandes, porque sabe que o dom da graça eleva o homem e as coisas que estão acima da natureza.

 

O magnânimo é audaz na ação apostólica, porque é consciente de que o Espírito Santo Se serve da palavra do homem como de um instrumento. Mas é Ele quem interiormente aperfeiçoa a obra.

 

O magnânimo traz consigo a indestrutível firmeza da esperança em Deus, de uma confiança desmedida, quase temerária.

 

O magnânimo tem um coração desprovido de medo, onde reina uma paz imperecível, porque conta com Deus.

 

O magnânimo não cede à angústia das preocupações nem à ameaça dos homens ou dos acontecimentos, porque só se inclina diante de Deus.

 

O magnânimo não se queixa, porque Deus é o seu consolo e sua fortaleza!”

 

Santo Afonso Maria de Ligório, no séc. XVIII, nos exorta à retidão de intenção naquilo que fazemos.

São quatro passos indispensáveis:

ü     Quem age só para Deus não se perturba em caso de fracasso, porque Deus não querendo, ele também não quer.

 

ü     Alegra-se com o bem que os outros fazem, como se ele mesmo o tivesse feito.

 

ü     Sem preferência para trabalhos, aceita de boa vontade o que a obediência lhe pede.

 

ü     Tendo cumprido seu dever, não fica à espera de louvores, nem aprovações dos outros. Por isto não fica triste se o criticam ou o desaprovam, alegrando-se somente em ter contentado a Deus. Se, por acaso, recebe qualquer elogio do mundo, não se envaidece, mas afasta a vanglória dizendo-lhe – Segue o teu caminho; chegaste tarde porque o meu trabalho já está dado todo a Deus.

                                        

Segundo Santo Afonso, um velho religioso que trabalhou muito para Deus e morreu como um santo, um dia olhando para sua vida passada; triste e muito preocupado, disse-lhe: “Pobre de mim! Examinando todas as ações de minha vida não acho nenhuma que tenha feito só para Deus”.

 

Deste modo, precisamos da magnanimidade e da gratuidade em tudo que fazemos; em toda ação pastoral.

 

Estas reflexões são de extrema importância para o bom do êxito do XVI EJC, de nossa Paróquia, assim como de toda e qualquer atividade.

 

Peçamos a Deus magnanimidade e gratuidade em tudo que fizermos:

Que Ele cresça e apareça e nós diminuamos.

 

O Encontro é com Jesus!

Somos servos inúteis que o Senhor escolheu.

Nunca nos esqueçamos de agradecer por esta graça.

 

PS: As menções, aqui feitas, encontram-se no livro “Sacerdotes para o Terceiro Milênio” – Editora Santuário (pág. 165-6; 91-92), que escrevi para o XVI EJC da Paróquia Santo Antonio de Gopoúva - Guarulhos.

   

criado por peotacilio    13:35 — Arquivado em: Homilias, Reflexões, atividade pastoral

20.7.09

Oração de Acolhida

Oração da Acolhida

 

Senhor, que eu seja

disponível para servir com alegria,

acessível a tantos quantos precisar,

interessado pelo bem da comunidade,

dedicado e responsável no que me foi confiado,

perseverante frente às dificuldades e críticas,

anunciador e testemunha do Teu Evangelho!

 

Conceda-me, Senhor,

a humildade necessária em tudo,

a paciência em esperar as mudanças necessárias,

o  entusiasmo em toda atividade pastoral,

o otimismo nas iniciativas evangelizadoras.

a autenticidade em todo o meu agir

 

Senhor, que nossa comunidade seja

espaço de convivência fraterna

onde possamos amadurecer nossa fé,

revigorar a alegre esperança no Ressuscitado

e fortalecer a chama da caridade autêntica.

 

Senhor, Te agradecemos:

pelo Pão da Palavra que nos orienta e ilumina,

pelo Pão Vivo recebido na Santa  Eucaristia

pela graça de ter sido, por Ti, amado e acolhido.

Dá-nos força de repetir este gesto hoje e sempre.

Amém!

 

PS: oração para a Semana Diocesana de Formação - Diocese de Guarulhos

criado por peotacilio    19:46 — Arquivado em: atividade pastoral, oração

18.7.09

Sementes a cuidar, Frutos a colher…

                           

Sementes a cuidar, Frutos a colher…

Ó quão bela e inesquecível semana!

Nela ouvimos algo que nos “encana”:

A acolhida divina não engana!

Sem ela a humanidade é enferma e insana…

 

Semana que tantas coisas abundam.

Abunda a sabedoria e esplendor da luz divina!

Palavra que a caminhada orienta, ilumina.

Ó semana, que tantas maravilhas superabundam!

 

No coração, sementes foram lançadas;

De cultivo e carinho tão necessitadas;

Regadas com a vigilância e oração,

Para ser no mundo sinal de salvação!

 

 

 

PS: Dedico a todos que participaram da “Semana Diocesana de Formação”  - Diocese de Guarulhos - SP

                                               Tema: Acolhida  

criado por peotacilio    15:54 — Arquivado em: Poesia, atividade pastoral

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