Pe. Otacilio F. Lacerda

Artigos, textos e poesias para meditação, reflexão.

30.6.09

“E vós, quem dizeis que Eu Sou?” - Uma instigante interrogação!

 

"E vós, quem dizeis que Eu Sou?" 

Uma instigante interrogação!

 

Uma pergunta que Jesus fez aos discípulos e que ressoa, permanentemente, em nosso coração: E vós, quem dizeis que Eu Sou?”.

Pedro deu sua resposta, contando com a revelação divina, como o próprio Senhor o disse:

“Tu és o Messias, o Filho do Deus vivo”.

O Apóstolo Paulo também deu a Cristo incontáveis nomes, como nos falou o Bispo São Gregório de Nissa, no século IV:

Ø    Virtude de Deus

Ø    Sabedoria de Deus

Ø    Paz

Ø    Luz inacessível onde Deus habita

Ø    Expiação

Ø    Redenção

Ø    Máximo Sacerdote e Páscoa

Ø    Propiciação pelas almas

Ø    Esplendor da glória

Ø    Figura de sua substância

Ø    Criador dos séculos

Ø    Alimento e bebidas espirituais

Ø    Pedra

Ø    Água

Ø    Fundamento da fé

Ø    Pedra angular

Ø    Imagem do Deus invisível

Ø    Grande Deus

Ø    Cabeça do Corpo da Igreja

Ø    Primogênito da nova criação

Ø    Primícias dos que adormeceram

Ø    Primogênito entre os mortos

Ø    Primogênito entre muitos irmãos

Ø    Mediador entre Deus e os homens

Ø    Filho Unigênito coroado de glória e de honra

Ø    Senhor da glória

Ø    Princípio das coisas

Ø    Rei da Justiça

Ø    Rei da Paz

Ø    Rei de tudo

Ø    Possuidor do domínio sobre o Reino que não tem limite.

 

O Papa Paulo VI, em memorável Homilia, em Manila (1970), também nos presenteou com estas palavras:

“Jesus é o centro da história e do universo.

Ele nos conhece e ama, o companheiro e

o amigo em nossa vida, o homem das dores e da esperança.

 

Ele é quem de novo virá, para ser o nosso juiz, mas também – como confiamos – a eterna plenitude da vida e nossa felicidade.

 

Jamais cessarei de falar sobre Ele.

Ele é a luz, é a verdade, mais ainda, é o

Caminho, a Verdade e a Vida.

 

É o pão e a fonte de água viva, saciando a nossa fome e a sede.

É o pastor, o guia, o modelo, a nossa força, o nosso irmão.

 

Assim como nós, mais até do que nós,

Ele foi pequenino, pobre, humilhado, trabalhador, oprimido, sofredor.

 

Em nosso favor, falou, fez milagres, fundou

Novo Reino onde os pobres são felizes, onde a paz é a origem da vida em comum, onde são exaltados e consolados os de coração puro e os que choram, onde são saciados os que têm fome de justiça, onde podem os pecadores encontrar perdão e onde todos se

reconhecem como irmão…

 

Cristo Jesus é o princípio e o fim, o alfa e o ômega,

o rei do mundo novo, a misteriosa e suprema razão

da história humana e de nosso destino.

 

É Ele o mediador e como que a ponte entre a terra e o céu.

É Ele, O Filho do Homem, maior e mais perfeito

do que todos por ser o eterno, o infinito,

Filho de Deus e Filho de Maria, bendita entre as mulheres,

Sua mãe segundo a carne, nossa mãe pela comunhão com

O Espírito do Corpo Místico.

 

Jesus Cristo, não vos esqueçais, é a nossa inalterável pregação.

Queremos ouvir Seu nome até os confins da terra e por

todos os séculos dos séculos!”

(cf. Lit. Horas Vol.III – pág. 376-7).

 

Procuremos a resposta que nos fale ao coração…

 

Mais do que respostas que possam ser acrescentadas,

 

Urge que cristãos o sejamos, de fato.

 

Urge conhecer Seu Nome e, muito mais do que isto, amar profundamente sua Pessoa, assumir seu projeto de vida!

Que Sua proposta pela humanidade seja acolhida e testemunhada.

 

Urge, mais do que nunca, um encontro pessoal, íntimo e sincero com o Senhor!

Estabelecer, amadurecer e aprofundar nossas relações sinceras de amor!

 

criado por peotacilio    15:11 — Arquivado em: Homilias, Reflexões, atividade pastoral

29.6.09

Amor, quem o tem, tudo supera!

 

 

 

Amor, quem o tem, tudo supera!

 

Numa Missa Dominical,

A Salmista o Salmo não cantou…

Na hora não entendi,

A melodia por que faltou?

 

Dias mais tarde, soube que

Veio a Missa, apesar de febril,

O Salmo rezou…

Do Pão Eucarístico se alimentou!

 

Então dei conta que a melodia

Veio com seu esforço e dedicação.

Quando todas as coisas fazemos com alma

Por amor simplesmente, chega ao coração.

 

Uma entre tantas e tantos que por amor,

Amor puro por Jesus e o Mistério da fé,

Esforços não medem, superam-se a si mesmos.

Incontáveis pessoas assim encontramos todos os dias!

 

 

Sinal do amor que não cansa nem descansa.

Na lida pastoral, na vida familiar e conjugal,

No zeloso exercício da atividade profissional

Fé não vacilante e nem esmorecida esperança!

 

Amor ativo, com O Espírito em perfeita sintonia,

Prolongando em gestos o que se celebra na Eucaristia!

O amor quando presente fala mais alto que vozes.

Amor que ama amantes e próprios algozes.

 

Alcança o aparentemente inatingível

Realiza o que diriam inviável, impossível.

Amor, quem o tem, tudo supera!

Amor, quem o tem, em tudo se esmera!

 

Estas palavras dedico a quem, por amor,

Nas diversas pastorais com ardor se dedica .

A quem, apesar das dificuldades,

Não se omite em suas atividades.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

criado por peotacilio    14:47 — Arquivado em: Poesia, Reflexões, atividade pastoral

De Natã para Davi: “Ó Davi que fizeste?”

 

 

De Natã para Davi:

“Ó Davi que fizeste?”

 

 

Ó Davi que fizeste?

 

Tu que a Deus serviste?

Tu que a Deus desapontaste?

Reencontre o caminho…

Reoriente teus passos.

 

Ó Davi que fizeste?

 

Liberte-se dos laços que te afastam

Do laço eterno e indispensável.

Dos laços de ternura divina te reenvolvas,

De Deus goze inesgotável carinho.

 

Ó Davi que fizeste?

 

Tu que por Deus foste escolhido,

Desobedeceste A quem deve ser temido!

Tua humana fragilidade existencial

Afastou-se do bem, inclinou-se ao mal…

 

Ó Davi que fizeste?

 

Abra teus lábios e a Deus cante.

Ele que nos perdoa a cada instante.

Reconheça teu humano nosso pecado.

O Salmo que também por nós será cantado!

 

“Tende piedade, ó meu Deus, misericórdia!

Na imensidão de Vosso amor, purificai-me!

Lavai-me todo inteiro do pecado

E apagai completamente a minha culpa!”

(Salmo 50, 3-4)

 

PS: Para melhor compreensão e aprofundamento conferir:

2 Samuel 11-12  ou apenas 2 Samuel 2, 1-12…

 

 

criado por peotacilio    11:05 — Arquivado em: Poesia, Reflexões, atividade pastoral, oração

27.6.09

Pedro e Paulo: Colunas Mestras da Igreja

Pedro e Paulo:

Colunas Mestras da Igreja

 

 

 

 

Celebramos numa só Festa duas colunas mestras da Igreja:

São Pedro e São Paulo.

 

Assim falou Santo Agostinho, no século V, sobre eles:

 

“O martírio dos santos apóstolos Pedro e Paulo consagrou para nós este dia…

 

Estes mártires viram o que pregaram, seguiram a justiça, proclamaram a verdade, morreram pela verdade…

 

Num só dia celebramos o martírio dos dois apóstolos. Na realidade, os dois eram como um só.

 

Embora tenham sido martirizados em dias diferentes, deram o mesmo testemunho. Pedro foi à frente; Paulo o seguiu.

 

Celebramos o dia festivo consagrado para nós pelo sangue dos apóstolos.

 

Amemos a fé, a vida, os trabalhos, os sofrimentos, os testemunhos e as pregações dos dois apóstolos”

            

A complementaridade dos dois ”carismas” continua atual:

 

ü  Pedro: a responsabilidade institucional;

ü  Paulo: a criatividade missionária.

 

Quando falamos de Pedro nos lembramos da instituição e o exercício do poder; da responsabilidade, hierarquia…

 

Quando falamos de Paulo nos lembramos da pregação, do carisma, missão, evangelização, fundação de novas comunidades…

       

Evidentemente, não podemos deixar de fazer um convite de rezarmos pelo Papa Bento XVI, que continua a missão a Pedro confiada pelo Senhor.

 

O Catecismo da Igreja Católica (n.882) assim diz:

 

“O Papa, Bispo de Roma e sucessor de São Pedro é princípio perpétuo e visível, e fundamento da unidade que liga, entre si, todos os bispos com a multidão dos fiéis”.

 

Que O Espírito de Deus o conduza e ilumine, pois, como Vigário de Cristo e Pastor de toda a Igreja, o Pontífice Romano tem sobre a mesma Igreja um poder pleno, supremo e universal; que pode exercê-lo livremente.

 

criado por peotacilio    15:05 — Arquivado em: Homilias, Reflexões, atividade pastoral

Jônatas, modelo de amigo verdadeiro! Existirá ele em minha vida?

 

 Jônatas, modelo de amigo verdadeiro!

Existirá ele em minha vida?

          


             Amizade, onde encontrá-la?

Amizade, como nela acreditar?

Amizade, bem maior encontrado,

Tesouro para não ser desprezado…

 

Amizades inquestionáveis:

Como calculá-las? Como medi-las?

Missão inglória, pois, possuem valor incalculável, imensurável!

 

Quem de nós seria capaz de quantificar, avaliar uma verdadeira amizade? 

 

Amizade que não pode ser palavra esvaziada de conteúdo, amarelada pelos desencantos, esvaecida pela incredulidade, inexistente como realidade.

 

Amizades inautênticas evaporam como orvalho da manhã; são como nuvem que passa; cristal fino e belo que se quebra ao cair no chão; uma planta bela e viçosa ao amanhecer, murcha e seca no próximo ou mais breve crepúsculo de um dia!

 

Amizades autênticas não podem ser ditas como quimeras, fantasias impossíveis, inexequíveis, porque elas são, desde sempre, o desejo mais profundo de todos nós.

 

Amizade verdadeira,

possuidora da semente da eternidade,

              no tempo presente uma plausível realidade…

 

Amizades são aventuras incansáveis porque, do contrário, viver não teria razão de ser…

 

Viver é criar é como bela aventura da criação de laços indestrutíveis de amizades, vínculos incorruptíveis que asseguram, amenizam e fundamentam a existência.  

 

Amizades que se edificam, acrisolam, reluzem na mútua ajuda, na compreensão, correção e perdão, em respeito à liberdade absoluta do outro, do contrário seria indesejável possessão, egoísmo.

 

Amizades verdadeiras ampliam a liberdade do outro, numa reciprocidade inexaurível!

 

Amizades que possibilitam os desafios enfrentar,

Com mais alegria e encantamento lutar.

Não há nada mais tristonho e extenuante que lutar sozinho,

Não há nada mais amargo do que a solidão,

O abandono, o desencontro, o sentimento da não comunhão.

Da mão que não se alcançou,

Da mão que não se vislumbrou,

Porque um amigo de verdade não se encontrou.

 

Há na Bíblia uma amizade que encanta os olhos e alegra o coração, pois, ela, embora alguns não acreditem, é possível!

 

Contemplemos a amizade de Jônatas e Davi, muito bem retratada no belíssimo Tratado sobre a amizade espiritual, pelo Beato Abade Elredo (século XII), que nos levará a desejar a verdadeira, perfeita e eterna amizade:

 

 “Jônatas, jovem de grande nobreza, sem olhar para a coroa régia nem para o futuro reinado fez um pacto com Davi, igualando assim, pela amizade, o súdito ao senhor.

 

Deu preferência a Davi, mesmo quando este foi expulso por seu pai o rei Saul, tendo de se esconder no deserto, como condenado à morte, destinado à espada. Jônatas então se humilhou para exaltar o amigo perseguido.

 

Que espelho estupendo da verdadeira amizade! (…)
Quando Saul pronunciou sentença de morte contra Davi, Jônatas não abandonou o amigo.

 

Por que deve morrer Davi?

Que culpa tem?

Que fez ele?

Tomou sua vida em suas mãos e feriu o filisteu e tu te alegraste.

Por que então irá morrer?

 

A tais palavras, louco de cólera, o rei tentou transpassar Jônatas, com a lança contra a parede, ameaçando aos gritos: Filho de mãe indigna, bem sei que gostas dele para vergonha tua, confusão e infâmia de tua mãe.

 

 Depois vomitou todo o veneno sobre o coração do jovem, acrescentando incentivo à sua ambição, alimento a inveja, estímulo à rivalidade e a amargura…

 

Jônatas, o moço cheio de afeição, guardou o pacto da amizade, forte contra as ameaças, paciente contra o furor, desprezou o reino por causa da amizade, esquecido das glórias, bem lembrado da graça. Tu serás rei e eu serei o segundo depois de ti.

 

Esta é a verdadeira, perfeita, estável e eterna amizade, aquela que a inveja não corrompe, suspeita alguma diminui não se desfaz pela ambição.

 

Assim provada, não cede; assim batida não cai; assim sacudida por tantas censuras, mostra-se inabalável e, provocada por tantas injúrias, permanece imóvel.

‘Vai, então, e faze tu o mesmo’ ”.

 

Jônatas amou Davi como a sua própria alma!

 

Amizade Verdadeira firma-se e funda-se no Sincero Amor.

 

Foi o amor que moveu Jônatas a por sua vida em risco em favor de seu amigo Davi.

 

Preferiu a sua amizade a posse do Reino…

Que bela e invejável amizade…

Foi o amor que moveu Jônatas a deixar interesses pessoais para cuidar dos interesses do objeto de seu amor.

 

O Apóstolo Paulo na Carta aos Coríntios diz: 

“O amor não procura os seus interesses…” (13,4-5).

 

Como não se sensibilizar com a declaração de amizade de Davi para com Jônatas:

 

“Que sofrimento tenho por ti, meu irmão Jônatas, tu tinhas para mim tanto encanto, a tua amizade me era mais cara do que o amor das mulheres” (2 Sm 1,26).

 

Diante de tão bela amizade, conclui-se que toda comunidade deve ser espaço do aprendizado do amor fraternal com a promoção da paz, respeito, sinceridade, transparência…

 

Comunidade como espaço de verdadeiras amizades

que sorriem na alegria;

amizades que são suaves alívios na dor,

eternizando-se em Deus.

 

Jesus mais do que ninguém Se relacionou como Amigo, como nosso Verdadeiro e mais Autêntico Amigo:

“Já não vos chamo servos, porque o servo não sabe o que seu senhor faz; mas vos chamo amigos, porque tudo o que ouvi de meu

Pai vos dei a conhecer” (João 15,15).

 

Para que continuemos a refletir:

Queremos tanto um Jônatas em nossa vida!

 

Mas não basta querer a amizade de Jônatas.

Antes, é preciso empenhar-se em ser

Jônatas na vida de alguém!

 

W   Quem é Jônatas em minha vida?

W   Há mais de um Jônatas em minha vida?

W   Sinto-me Jônatas na vida de alguém?

W   Caso não tenha e não o seja o que há de errado?

W   Caso haja e seja, rezemos por eles…

                                                 

Concluindo:    

           

W   Amizades não são como pacotes belos e enfeitados, tampouco são plantas que já deram seus frutos e nada mais se espera, ou um solo extenuado e exaurido condenado à esterilidade…

 

W   Amizades renascem sempre num mistério pascal de morte e ressurreição.

 

W   Amizades são sempre sementes plantadas e cultivadas com a oração, paciência, mansidão, caridade… para que possam germinar sempre frutos novos como  manifestação do Espírito Santo de Deus!

 

Encerro com um versículo do Livro dos Provérbios:

“Em todo tempo ama o amigo, e na angústia se faz o irmão”

(Pv 17.17).

Em todo tempo, ponhamo-nos sempre em riquíssima aventura divina de construir amizades verdadeiras, que são laços indestrutíveis e criam vínculos incorruptíveis, que se eternizam nos céus!

 

criado por peotacilio    14:11 — Arquivado em: Homilias, Reflexões, atividade pastoral

24.6.09

Morte, ó morte! Onde está tua vitória?

 

Morte, ó morte!

Onde está tua vitória?

 

É possível não nos atemorizarmos diante da morte?

Como ver a morte a partir da fé?

Que a morte não nos atemorize!

 

Mas se ela nos inquietar, esta carta, de São Luiz Gonzaga, densa de conteúdo e expressando uma fé verdadeiramente pascal, é uma luz que se acende no mais profundo de nosso coração, iluminando as noites escuras que acompanham a morte de um ente querido.

                        

São Luiz Gonzaga, um luminar da Igreja.

Um jovem religioso que viveu no século XVI, na Itália, suas palavras ultrapassam o tempo porque emanam da fonte da luz divina.

 

A fé explícita e implícita na carta refaz, amplia e eterniza horizontes transcendentes, aparentemente limitados pela morte!

 

A morte, para quem crê, não possui a última palavra,

tampouco é o limite, e atos últimos.

 

Num mundo em que as cartas parecem ter se tornado algo obsoleto, porque cederam lugar aos emails, torpedos, telefonemas, eis uma carta, mais que uma carta, uma página a mais no Evangelho…

 

Uma Carta, escrita por um filho, certamente, com próprio punho e dores, levando alívio e consolo para sua mãe.

 

Durante seus estudos de teologia, ocupando-se com o serviço dos doentes nos hospitais, contraiu uma doença que o levou à morte.

A morte ceifou muito cedo sua vida.

Morreu aos 23 anos, apenas!

 

Coloquemo-nos diante de uma Carta.

Uma Carta?

Muito mais que uma Carta!

Um testamento, que nos concede novo olhar sobre a morte…sem que mereçamos!

 

Qual mãe não estremeceria ao lê-la?

A bem da verdade, não precisa ser uma mãe.

Pode ser lida por qualquer pessoa que tenha de recuperar o olhar pascal, para refazer-se das feridas que uma morte provoca.

Lacunas a serem preenchidas com fé na Ressurreição.

 

Que encanto!

Que fé!

Que esperança pascal!

 

Ao invés de ser consolado por sua mãe,

ele, é que, moribundo, encontra forças divinas para consolá-la!

Que filho! Que jovem!

 

Dedico esta carta a tantas mães com quem converso dia a dia, e que não tiveram a graça de receber uma carta com tamanha beleza, com tão expressivo teor, tão cheia de fé e amor!    

 

Dedico às mães que choram seus filhos em túmulos frios de pedra, e mais ainda, choram seus filhos no vácuo que possam ter deixado em seu coração.

                                 

Que se reacenda em nós a fé na ressurreição!

            

Detenhamo-nos na Carta, imediatamente:

                                             

“Ilustríssima senhora, peço que recebas a graça do

Espírito Santo e a Sua perpétua consolação.

 

Quando recebi tua carta, ainda me encontrava nesta região dos mortos. Mas agora, espero ir em breve louvar a

Deus para sempre na terra dos vivos.

Pensava mesmo que a esta hora já teria dado esse passo.

 

Se é caridade, como diz São Paulo,

chorar com os que choram e alegrar-se com os que se alegram

(Rm 12,15), é preciso, mãe ilustríssima,

que te alegres profundamente porque, por teus méritos,

Deus me chama à verdadeira felicidade e me dá

a certeza de jamais me afastar do Seu temor.

 

Na verdade, ilustríssima senhora,

confesso-te que me perco e arrebato

quando considero, na Sua profundeza a bondade divina.

 

Ela é semelhante a um mar sem fundo nem limites,

que me chama ao descanso eterno por um tão breve e pequeno trabalho; que me convida e chama ao céu para aí me dar àquele

bem supremo que tão negligentemente procurei, e me promete o fruto daquelas lágrimas que tão parcamente derramei.

 

Por conseguinte, ilustríssima senhora, considera bem e toma cuidado em não ofender a infinita bondade de Deus.

Isto aconteceria se chorasses como morto aquele que vai viver perante a face de Deus e que, com Sua intercessão, poderá auxiliar-te incomparavelmente mais do que nesta vida.

 

Esta separação não será longa; no céu nos tornaremos a ver.

Lá, unidos ao autor da nossa salvação seremos repletos das alegrias imortais, louvando-O com todas as forças da nossa alma e cantando eternamente as Suas misericórdias.

 

Se Deus toma de nós aquilo que havia emprestado, assim procede com a única intenção de colocá-lo em lugar mais seguro e fora de perigo, e nos dar aqueles bens que desejamos Dele receber.

 

Disse tudo isto, ilustríssima senhora, para ceder ao desejo que tenho de que tu e toda a minha família considereis minha

partida como um feliz benefício.

 

Que tua bênção materna me acompanhe na travessia deste mar,

até alcançar a margem onde estão todas as minhas esperanças.

 

Escrevo com alegria para dar-te a conhecer que nada me é bastante para manifestar com mais evidência o amor e a reverência que te devo, como um filho à sua mãe”.

(Cf. Lit. Horas – vol. III - pp.1361-2)

 

          Para quem desejar refletir:

Ø   O que mais me encanta nesta carta?

Ø   Como enfrento a morte de uma pessoa querida?

Ø   Quais os textos bíblicos que me inspiram e que me dão seguras respostas para a realidade da morte?

Ø   A quem eu poderia dedicar esta carta, como um sopro de Deus?

 

E, para quem ainda precisar de uma palavra…

“Ó morte que separas os casados e, tão dura e cruelmente, separas também os amigos!”, outro luminar da Igreja, Bispo São Bráulio de Saragoça, exclamou, expressando nossa fragilidade e impotência diante da morte.

 

Seu domínio impiedoso foi aniquilado por

Aquele que te ameaçou com o brado de Oséias:

“Ó morte, eu serei a tua morte” (Os 13,14).

Nós também podemos desafiar-te com as palavras do

Apóstolo Paulo:

“Ó morte, onde está tua vitória?

      Onde está o teu aguilhão?”

            (1 Cor 15,55);

 

A fé na Ressurreição moveu São Luiz Gonzaga e tantos outros no consumir-se da vida momentânea, transitória, que traz em si o germe de eternidade.

                        

A vida é a possibilidade de um alvorecer na eternidade!

                          

A semelhança que possa haver entre a morte e a noite,

É a mesma encontrada entre a vida e a

luz da aurora da Ressurreição!

 

Além da noite, no auge da mesma, inicia-se um novo dia.

Além da morte, no transpor da mesma, irrompe a

Vida eterna, a plenitude da luz!

          

Uma vida que se consome como vela sobre o altar,

só pode continuar a brilhar no esplendor da luz eterna,

na plenitude do amor e  luz divina: céu!

Amém.

 

 

 

 

 

criado por peotacilio    13:19 — Arquivado em: Homilias, Reflexões, atividade pastoral, oração

22.6.09

Uma oração que eleva pensamentos e refrigera a nossa alma!

 

 

 

Uma oração que eleva pensamentos e refrigera a nossa alma!

                      

 

A oração do Bispo São Boaventura (século XIII) é aquela que uma vez feita, queremos fazê-la novamente por causa de sua beleza, esplendor e suavidade.

 

É impressionante o fato de que cada vez que a fazemos somos agraciados por uma leve brisa divina, expressão do sopro do Espírito.

 

É oportuno rezá-la diante da imagem do

Sagrado Coração de Jesus, na qual contemplamos

O Mistério do Amor de Deus por nós, do qual jorra uma torrente que tudo depura e arrasta!

 

Coloquemo-nos, portanto, em imediata oração.

Tenhamos elevados nossos pensamentos e

nossa alma refrigerada,

com o sopro que vem do

Espírito, cujas palavras são portadoras.

 

“Ó inefável beleza do Deus altíssimo e puríssimo esplendor da luz eterna,

Vida que vivifica toda vida,

Luz que ilumina toda luz,

 

E conserva em perpétuo esplendor a multidão dos astros,

Que desde a primeira aurora resplandecem

diante do trono da Vossa divindade.

 

Ó eterno e inacessível,

Brilhante e suave manancial

Daquela fonte oculta aos olhos de todos os mortais!

 

Sois profundidade infinita,

Altura sem limite,

Amplidão sem medida,

Pureza sem mancha!

 

De Ti procede o rio que vem trazer alegria à cidade de Deus,

Para que entre vozes de júbilo e contentamento

                                               possamos cantar hinos de louvor ao

Vosso nome, sabendo, por experiência que em

 Vós está a fonte da vida, e em

 Vossa Luz contemplamos a luz”.

 

Inevitavelmente nos perguntamos:

W    O que a oração, de São Boaventura, desperta no mais profundo de mim?

W    O que significa o amor de Deus em minha vida?

W    Qual a profundidade e intensidade do amor de Deus que sinto em minha vida?

W    Como percebem em mim a presença do amor vital de Deus?

W    Tenho correspondido e agradecido o amor de Deus por mim?

W    Com que palavras posso agradecer o amor de Deus por mim?

 

Depois disto podemos concluir diante de Deus:

 

Se palavras não vierem nos lábios,

Que transbordem no silêncio Seu inefável amor,

Jorrado por nós quando Seu coração foi trespassado.

 

Se pensamentos na mente vierem sem muita precisão,

Que multipliquem na sua capacidade desconhecida,

Os mais puros pensamentos que Deus tem ao nosso respeito.

 

Na verdade o que importa é, silenciosamente,

No mais profundo de si mesmo,

Contemplar, sem palavra alguma,

A Palavra de todas as Palavras.

 

Na verdade o que importa é:

No mais sincero gesto para consigo mesmo,

Dizer tão apenas:

 

Deus como Te amo!

E por mais que Te ame

É nada, absolutamente nada,

Diante do Teu amor, mas Te amo!

 

 

 

                   

 

 

criado por peotacilio    20:51 — Arquivado em: Reflexões, atividade pastoral, oração

18.6.09

Salmo! Salmo! Que suavidade! Que beleza incomensurável!

 

Salmo! Salmo!

Que suavidade! Que beleza incomensurável!

O Livro dos Salmos é, por excelência, um

Livro da Oração do Povo de Deus.

 

Quanta suavidade, quanta beleza sem medida!

 

Rezar ou cantar?

Quando não puder ser cantado com as devidas notas musicais, coloquemos as notas musicais e as infinitas melodias que a vida nos apresenta…

 

ü   O que importa é o Salmo tornar-se presente em nossas orações: quer rezado, quer cantado.

                                        

ü   Quando a garganta não produzir as notas, a alma e a vida as produzirão!

 

ü   Quem aprendeu a rezar com os Salmos, indubitavelmente, reza uma das mais belas orações.

 

Há salmos que expressam alegria, gratidão, confiança, súplica, louvores, angústia, sentimento de perda e ausência divina ou Sua sublime presença.

 

Há Salmos que fazem parte da vida do Povo de Deus,

Salmo 23, 91…

Mas, há mais, muito mais…

 

É sempre tempo de beber desta água cristalina

que saciou sede de muitos e a muitos haverá de saciar,

porque é fonte inesgotável da graça, ternura e fortaleza divina.

 

O Bispo Santo Ambrósio (século IV), referiu-se a este Livro como o mais suave Livro da Divina Escritura.

 

ü   Salmos, quer rezados, quer cantados, expressam nossa pequenez diante dos mistérios divinos.

 

ü   Salmos, bem rezados e saboreados, trazem à alma do orante alívio e força, graça e luz…

 

Refazem sonhos, fortalecem passos,

reorientam caminhos, iluminam olhares…

 

A esperança renasce teimosamente;

a confiança se solidifica; a  temperança é,

no mais profundo de nós,restabelecida.

 

Enfim, nosso coração fica purificado e cristalino como o coração de uma criança.

 

Imediatamente, ponhamo-nos em acolhida a Meditação de Santo Ambrósio sobre os Salmos:

 

“Embora toda a Divina Escritura exale a graça de Deus, o mais suave é o Livro dos Salmos…

 

A história instrui, a lei ensina, a profecia anuncia,

a correção castiga, a moral persuade.

 

Ora, no Livro dos Salmos há proveito para todos e remédio para a salvação do homem.

Quem o lê, tem remédio especial para as chagas das paixões.

 

Quem quiser luta como em ginásio de almas e estádio de virtudes,

onde estão preparados diversos gêneros de luta,

escolha para si aquele que julgar adequado

para mais facilmente alcançar a coroa.

 

Se alguém quiser recordar e imitar

os feitos gloriosos dos antepassados,

encontrará compendiada num Salmo toda a história de nossos pais,

podendo assim enriquecer o tesouro da memória

numa  breve leitura.

 

Se alguém perscruta a força da lei que está toda no vínculo da caridade (quem ama o próximo, cumpriu a lei),

leia então, nos Salmos, com quanto amor um só se expôs

aos mais graves perigos para repelir o opróbrio de todo o povo.

 

Donde se reconhece não ser a glória da caridade menor do que o triunfo da virtude.

 

Que direi sobre o dom da profecia?

Aquilo que outros anunciaram por enigmas,

só a este, aparece clara e abertamente a promessa de que

 

O Senhor Jesus nasceria de sua linhagem, conforme lhe falou.

Porei sobre teu trono o fruto de tuas entranhas.

Por conseguinte, nos salmos não apenas nasce Jesus para nós,

mas ainda aceita a salvífica paixão de Seu corpo,

adormece, ressurge, sobe aos céus, assenta-Se à direita do Pai.

 

O que homem algum ousaria dizer,

só este profeta anunciou e depois

O próprio Senhor o manifestou no Seu Evangelho”.

(L. Horas. Vol. III - pág. 306-7)

 

Para reflexão e oração:

 

ü   Quais os Livros que tenho usado para minha oração?

ü   Já descobri o Livro dos Salmos como o Livro de Oração dos pobres?

ü   Quais os Salmos que mais gosto e me são familiares?

ü   De que modo posso valorizar o Livro dos Salmos?

ü   Valorizo os Salmos quando rezados ou cantados na Missa?

ü   Já tive alguma experiência forte rezando algum Salmo da Bíblia?

ü   O que posso fazer para ajudar as pessoas a descobrirem a beleza e a riqueza dos Salmos?

 

Não poderia encerrar diferente:

Abra a Bíblia! 

Comece a saborear a suavidade dos Salmos.

Deleite-se com sua beleza e esplendor!

 

 

 

 

criado por peotacilio    12:30 — Arquivado em: Homilias, Reflexões, atividade pastoral

13.6.09

Quando a cruz parecer pesada demais… Sejamos cristãos de fato!

Quando a cruz parecer pesada demais…

Sejamos cristãos de fato! 

Parte I

 

 

O Bispo e Mártir Santo Inácio de Antioquia é uma ressonante voz de quem se enamorou, irrenunciavelmente e irrevogavelmente, por Jesus Cristo.

 

O mundo Pós-Moderno precisa de “Inácios de Antioquia”.

A cada tempo a Igreja tem seus “Inácios”, corajosos e confiantes no Senhor!

 

A Comunhão dos Santos, verdade de nossa fé, nos coloca em plena comunhão com uma voz que nunca mais calou:

Porque morto, por amor a Jesus, por

Deus foi Ressuscitado. 

 

Santo Inácio está junto daqueles que continuam falando conosco, pela memória, pela palavra anunciada e testemunhada.

 

Suas palavras ganharam eternidade e ressoam no mais profundo de cada um de nós!

 

Pois, não falaram apenas com palavras, com os lábios, mas com a vida, e, no ato máximo da doação, com o martírio.

 

 

Ø   A Leitura da Carta dirigida aos Romanos, quando lida dentro de seu tempo, e em todo tempo, oferece-nos incontáveis questionamentos.

 

Ø   Acolher seu testemunho nos fará mais fortes nas provações, inquietações, incompreensões na família, na comunidade e em todo lugar.

 

Ø   Percebemos o quanto ainda nos falta amadurecer na fé, na fidelidade, na coragem, no seguimento, na missão que o batismo nos confiou.

 

Ø   Recoloca-nos no caminho da fidelidade mais audaciosa e mais corajosa no seguimento de Cristo.

 

Reclamaremos sempre menos, quando o nosso

Amor por Jesus for um pouco mais.

 

Repetindo suas palavras:

 

É preciso que sejamos cristãos, de fato.

Verdadeiramente cristãos!

 

Que seu exemplo seja mais uma luz a acender em nosso caminho e revigore nossa espiritualidade cristã!

 

“A ninguém jamais seduzistes, mas ensinastes a outros.

 

Quanto a mim também quero que continue firme o que ensinais e prescreveis.

 

Pedi apenas para mim as forças interiores e exteriores,

a fim de que não só fale, mas o queira;

para que não só seja chamado de cristão,

mas reconhecido como tal.

 

Se me reconhecerem, então serei chamado cristão

e minha fé será manifesta,

quando não mais aparecer aos olhos do mundo.

 

Nada do que é aparente é bom.

Pois o nosso Deus, Jesus Cristo,

Ele mesmo, de novo vivo no Pai, agora

Se manifesta sempre mais.

 

O Cristianismo não é resultado de persuasão, mas de grandeza, quando é objetivo de ódio para o mundo.

 

Tenho escrito a todas as Igrejas e a todas elas

faço saber que com alegria morro por Deus,

contanto que vós não me impeçais.

 

Suplico-vos:

Não demonstreis por mim uma benevolência intempestiva.

Deixai-me ser alimento das feras,

porque através delas, pode-se alcançar a Deus.

 

Sou trigo de Deus:

Que seja eu triturado pelos dentes das feras

para tornar-me puro pão de Cristo!

 

Instigai, ao contrário, os animais

para que neles encontre o meu sepulcro

e nada reste de meu corpo

para não ser pesado a ninguém, depois de adormecer.

 

Então serei verdadeiramente discípulo de Cristo, quando o mundo não mais vir sequer o meu corpo.

 

Suplicai a Deus por mim,

que por este meio

me torne uma hóstia para Deus.

 

Não vos dou ordens como Pedro e Paulo.

Eles são apóstolos,

eu, um condenado,

eles, livres,

eu, escravo até agora.

 

Mas se eu sofrer, serei um liberto de

Jesus Cristo e Nele ressurgirei livre.

Agora, algemado, aprendo a nada cobiçar.

 

Desde a Síria até Roma venho lutando, com as feras, de dia e de noite, por terra e mar, amarrado a dez leopardos, isto é, ao grupo de soldados.

 

Eles, ao receberem benefício tornam-se ainda piores.

 

Aprendo mais com suas injúrias,

mas só por isso não sou justificado.

 

Quem me dera alegrar-me com as feras

preparadas para mim!

 

Desejo-as bem velozes.

Afagá-las-ei para que me devorem depressa.

 

Não aconteça comigo como a alguns

nos quais nem sequer, medrosas, tocaram.

 

Se elas resistirem e não me quiserem, eu as obrigarei à força.

Perdoai-me!

Eu sei o que me convém.

 

Agora começo a ser discípulo.

Que nada, tanto das coisas visíveis quanto das invisíveis,

segure o meu espírito, a fim de que eu possa

alcançar Jesus Cristo.

 

Que o fogo,

a cruz,

um bando de feras,

os dilaceramentos,

os cortes,

a deslocação dos ossos,

o esquartejamento,

as feridas pelo corpo todo,

os duros tormentos do diabo venham sobre mim

para que eu ganhe unicamente a Jesus Cristo!”

 

(Liturgia das Horas Vol.III pp.289-290)

 

Para Refletir:

 

Ø   Como tenho vivido meu batismo?

Ø   Tenho sido cristão, de fato, em todos os lugares e circunstâncias?

Ø   Quais as provações que já enfrentei por causa de Jesus e Seu Evangelho?

Ø   Quais as que ainda persistem no meu caminho?

Ø   O que este tão belo testemunho desperta em minha reflexão?

Ø   Sou puro trigo de Deus, para ser puro pão de Cristo como Santo Inácio o foi?

 

Creio em Deus Pai todo Poderoso…

 

 

criado por peotacilio    12:38 — Arquivado em: Homilias, Reflexões, atividade pastoral

12.6.09

Quando a cruz parecer pesada demais… Sejamos cristãos de fato!

Quando a cruz parecer pesada demais…

Sejamos cristãos de fato! 

Parte II

 

 

 

Continuemos a leitura da Carta do Bispo Santo Inácio de Antioquia aos Romanos.

Evidentemente que a sua leitura deve ser contextualizada num tempo de perseguição, sofrimentos, martírios.

Como crerão na Ressurreição se não morrermos por Ele?

Como enfrentarmos a morte, sem a esperança da eternidade?

 

O que leva a estes testemunhos e atos heróicos?

É a grande pergunta que emerge e clama por uma resposta.

 

Em procura da resposta, temos certeza de que a notícia mais revolucionária que nossa fé professa é a promessa da imortalidade, a Ressurreição dos Mortos.  

Crer no Mistério da Páscoa, na passagem da morte para a vida, a âncora da esperança da imortalidade, que levou a atos heróicos Santo Inácio e tantos outros, como já o dissemos.

São memoráveis testemunhos a serem lidos com a dimensão pascal, em que a vida venceu a morte.

 

A consciência de que uma vida consumida e entregue por

Cristo, será retomada na glória dos céus.

 

Santo Inácio, como tantos, não desejou a morte pela morte.

Não se trata de um ato masoquista, de desvalorização ou falta de apreço pela vida presente. 

 

Trata-se da fé em Deus e de um amor que transcende as compreensões puramente humanas, concepções gerais da vida e quaisquer categorias de pensamentos filosóficos. Além de todas as explicações lógicas, puramente materiais, existenciais e temporais.

 

Numa palavra: a fé em Deus e o amor por Ele transcendem a tudo que possamos pensar e tentar explicar, porque é de racionalidade transcendente por natureza.

 

A pós-modernidade, que prega o individualismo, o hedonismo, a finitude da vida, o consumismo, o relativismo de todas as coisas, não consegue captar e compreender seu sentido e conteúdo.

Com esta introdução, coloquemo-nos em imediata leitura da Carta.

Deixemos que O Espírito suscite instigantes

pensamentos e questionamentos.

 

“Nem as delícias do mundo

nem os reinos terrestres me interessam.

Mais vale para mim morrer em Cristo

Jesus do que imperar até os confins da terra.

 

Procuro Aquele que morreu por nós:

Quero Aquele que por nós ressuscitou.

Meu nascimento está iminente.

Perdoai-me, irmãos!

 

Não me impeçais de viver,

não desejeis que eu morra, pois desejo ser de Deus.

 

Não me entregueis ao mundo

nem me fascineis com o que é material.

 

Deixai-me contemplar a luz pura,

onde, lá  chegando, serei homem.

 

Concedei-me ser imitador da paixão de meu Deus.

 

Se alguém O possui no coração,

entenderá o que quero e terá compaixão de mim,

sabendo da ânsia que me atormenta.

 

O príncipe deste mundo deseja arrebatar-me

e corromper meu amor para com Deus.

Nenhum de vós, aí presentes, o ajude.

Ponde-vos antes de meu lado, ou melhor, do lado de Deus.

 

Com efeito, não podeis pronunciar o nome de

Jesus Cristo, enquanto cobiçais o mundo.

 

Não more em vós a inveja.

Mesmo que eu em pessoa vos rogasse

algo diferente, não me escuteis.

 

Crede antes no que vos escrevo.

Vivo, vos escrevo, desejando morrer.

Meu amor está crucificado.

Não há em mim fogo que busque alimentar-se da matéria,

apenas uma água viva e murmurante dentro de mim,

dizendo-me em segredo:

Vem para o Pai!

 

Não sinto prazer com o alimento corruptível

nem com as volúpias deste mundo.

 

Quero o pão de Deus, a carne de

Jesus Cristo, que nasceu da linhagem de Davi.

E quero a bebida, O Seu Sangue, que é a caridade incorruptível.

 

Não quero mais viver como os homens.

Isto acontecerá se vós quiserdes.

Querei-o, rogo-vos, para que sejais vós também queridos.

 

Com poucas palavras dirijo-me a vós.

Acreditai-me:

Jesus Cristo vos manifestará que digo a verdade,

Ele que é a boca verdadeira pela qual o

Pai verdadeiramente falou.

 

Pedi vós por mim, para que o consiga.

Não por motivos carnais, mas segundo a vontade de

Deus que foi que vos escrevi.

Se for martirizado, vós me quisestes bem.

Se for rejeitado, vós me odiastes.

 

Lembrai-vos em vossas orações da

Igreja da Síria, que tem Deus em meu lugar.

Em lugar do bispo, Jesus Cristo e a vossa caridade a governarão.

Envergonho-me de ser contado entre seus membros, pois não sou digno disto, já que sou o ultimo deles e como que um aborto.

 

Na verdade, alcançarei a misericórdia

de ser alguém se possuir a Deus.

 

Saúdam-vos o meu espírito e a caridade das Igrejas

que me recebem em nome de Jesus Cristo

e não como um passante qualquer.

 

De fato, as Igrejas, que não se acham no caminho por onde vou passando, antecipam-se a meu encontro em cada cidade”

Cf. Liturgia das Horas vol.III, PP.293/4)

 

Para nossa reflexão:

Ø   Por quantas verdades nos movemos?

Ø   Por quantas verdades somos capazes de morrer?

Ø   Creio na Ressurreição da Carne, na vida eterna?

Ø   Tenho uma fé genuinamente Pascal, a exemplo de Santo Inácio de Antioquia?

 

Conclusão inevitável:

Súplicas que brotam no mais fundo de nosso coração.

 

ü   Que a convicção e o testemunho de Santo Inácio, e de todos que na vida o sangue derramaram por amor de Cristo, sejam semente de novos cristãos e cristãs.

ü   Que a vida por amor sacrificada, de Santo Inácio, nos leve ao esforço de nos tornamos alegre e agradável oferenda a Deus, como hóstias santas e imaculadas!

ü   Que o exemplo de Santo Inácio nos ajude a sermos mais, decididamente, comprometidos e apaixonados por Cristo, na espera de um dia gozarmos as delícias da eternidade. Amém!  

 

 

criado por peotacilio    22:01 — Arquivado em: Homilias, Reflexões, atividade pastoral

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