Pe. Otacilio F. Lacerda

Artigos, textos e poesias para meditação, reflexão.

30.3.09

A CRUDELÍSSIMA MORTE OU A PLENÍSSIMA VIDA?

 

 

A CRUDELÍSSIMA MORTE OU A PLENÍSSIMA VIDA?

 

 

 

Aproxima-se a Semana Santa. Na Liturgia da Palavra do 5.º Domingo da Quaresma, refletimos sobre a Hora na qual Jesus Se prepara para ser glorificado, não fugindo da cruz, onde testemunhará, com Sua entrega, a expressão máxima do amor de Deus.

 

Chegando a Hora, como ainda não o era nas Bodas de Cana, com Seu Sangue derramado, sela a Nova e Eterna Aliança de Amor, de Deus com a humanidade… Do coração trespassado jorra a tinta do amor: Seu Sangue, para escrever no coração da humanidade esta aliança irrevogável, esta reconciliação tão desejada.

 

A Hora de Jesus possibilita-nos eternizar nossa vida. Concede-nos força para a hora presente, leva-nos a alcançar a Hora da eternidade do amor divino…

 

Ressoa em nosso coração Suas próprias palavras, em que transborda toda Sua humanidade dizendo – “Agora sinto-Me angustiado..” (João 12,27), e a Carta aos Hebreus – “Cristo, nos dias de Sua vida terrestre, dirigiu preces e súplicas, com forte clamor e lágrimas Àquele que era capaz de salvá-Lo da morte. E foi atendido, por causa de Sua entrega a Deus. Mesmo sendo Filho, aprendeu o que significa a obediência a Deus, por aquilo que sofreu” (Hb 5, 7-8).

 

CONTEMPLEMOS JESUS:

VERDADEIRAMENTE HOMEM, VERDADEIRAMENTE DEUS!

 

O Papa Leão Magno (séc V), assim se referiu a Jesus:

 

§        “Como poderá ficar fora da comunhão com Cristo, quem recebe Aquele que assumiu a sua própria natureza e é regenerado pelo mesmo Espírito, por obra do qual nasceu JESUS?

 

§        Quem não reconhece Nele as fraquezas próprias da condição humana?

 

§        Quem não vê que alimentar-se, buscar o repouso do sono, sofrer angustia e tristeza, derramar lágrimas de compaixão, eram próprios da condição de servo?” (L.Horas p.281 – Vol.II).

 

§        Contemplar Seu amor, Sua humanidade, Sua divindade, Sua entrega por amor na Cruz, Sua crudelíssima Morte na cruz por causa de nossa infidelidade, crueldade, pecado…

 

Há uma breve e questionadora afirmação do Papa Bento XVI, quando ainda Cardeal Joseph Ratzinger, de nossa responsabilidade diante da morte de Jesus, do Deus Homem, Homem Deus:

 

“Deus morreu e nós O trespassamos. Nós O matamos encerrando-O invólucro deteriorado das idéias rotineiras, exilando-O em forma de piedade sem conteúdo ou em preciosismos arqueológicos; matamo-Lo pela ambigüidade da nossa vida que lançou um véu obscuro sobre Ele”

 

Dito de outra forma, assim o interpreto, Deus morreu e nós O matamos.

 

         QUANDO?

 

§        Quando O fechamos no revestimento apodrecido das idéias superficiais, nos pensamentos sem densidade de conteúdo evangélico, desacompanhado do germe do novo, mas de braços dados com a falta de sinceros e vitais compromissos éticos… Assim como disse o Papa, “O encerramos no invólucro deteriorado das idéias rotineiras”

 

§        Quando não nos deixamos transformar por Sua Palavra, tão lida, ouvida e conhecida e tão pouco vivida… Para além do conhecimento e acesso, a Palavra deve ser vivida… “O exilamos em forma de piedade sem conteúdo”.

 

§        Quando lançamos Deus para fora de nossa existência, quando nossa vida de oração fica a desejar, ou ainda, quando expressa é em tantas horas e momentos, mas sem conteúdo de vida, sem testemunho. Belas liturgias, como há de ser sempre, mas sem belas ressonâncias na vida, para que se tornem mais belas, mais bonitas também…

 

§        Matamos Deus pelos preciosismos arqueológicos, sofisticados estudos que não levam a novos renascimentos, ao compromisso com o Reino. Quando se procura conhecer o Homem Jesus no Seu tempo, sem a acolhida da Boa Nova de Seu Evangelho que transcende todo tempo – Jesus Cristo é o mesmo ontem, hoje e sempre!

 

§        Matamos Jesus pela ambigüidade de nossa vida! Ambigüidade percebida tristemente na incoerência do que se crê e do que se vive; incoerência entre propósitos e atitudes; divórcio e distanciamento da fé professada e da fé vivida.

 

§        Matamos Jesus quando perdemos a característica própria do fermento que somos na massa. Não mais levedamos o mundo com o fermento do amor.

 

§        Quando deixamos de ser sal, deixamos de dar o sabor de Deus à vida, porque somos muitas vezes seduzidos por outros sabores que a vida nos oferece.

 

§        Quando nos empanturramos do pão que passa, empanzinados pelo consumo materialista que não nos satisfaz, porque preterimos O Pão da Vida, desprezando-O ou menosprezando Sua força que nutre toda a nossa vida.

 

§        Quando lançamos véu obscuro sobre Ele. Pode ser que não vejam em nós, Cristo e Sua luz, porque deixamos morrer a luz que no batismo foi acesa. Apaga-se a luz quando perdemos a esperança, quando não revitalizamos a fé, não mantemos acesa a chama da caridade…

 

Mais uma Semana Santa. Não entremos no cortejo dos que promovem a crudelíssima morte de Jesus. Sejamos, portanto, atraídos por Ele, tenhamos a coragem de ser como grão de trigo que morre ao cair na terra, para não ficar só e produzir muitos frutos.

 

Procuremos dar nossa resposta de amor ao Deus de Amor, assumindo nossa cruz, diremos um sim ao amor autêntico.

 

Nossas horas terão densidade de vida, sentido, esplendor… se assumirmos a grande Hora de Jesus, na radicalidade da proposta, de tomar nossa cruz de cada dia para segui-Lo;

 

Vivendo cada hora até a hora de nossa morte, quando pelo mérito da Hora de Jesus, poderemos adentrar na eternidade, vivendo intensamente e eternamente a Hora de Deus, contemplando-O, ao lado da Rainha dos céus, dos seus santos, santas, e anjos!

 

Concluindo, digo que viver é não promover a crudelíssima morte de Jesus, ainda hoje. É tudo fazer, tudo empenhar para que Ele não mais morra em cada criança famélica, abandonada, desassistida, vítima da prática abortista…

 

É empenho sincero com a vida, com a realização do Reino, superando todo e qualquer sinal de morte que nos cerque: analfabetismo, fome, nudez, violência, conflitos étnicos, gastos com armas, exploração de toda forma, nome, conteúdo e gênero, destruição do meio ambiente…

 

Chorar a crudelíssima morte de Jesus ou fazer da mesma, compromisso com a sacralidade da Vida, em sinais e gestos pascais, como grão de trigo que morreu para produzir frutos?

 

Depende de cada um de nós!

A crudelíssima morte ou a pleníssima vida como Ele nos propôs!

 

criado por peotacilio    20:31 — Arquivado em: Reflexões, atividade pastoral

26.3.09

Um pouco mais sobre a oração é sempre bem-vindo!

                                     

 

UM POUCO MAIS SOBRE ORAÇÃO

É SEMPRE BEM – VINDO!

 

 

Quando pensei que não mais falaria sobre este tema, nesta quaresma, achei melhor reconsiderar. É enriquecedor, para tantos quantos possam ler, parte do Tratado da Oração, do Presbítero Tertuliano, do século III.

 

Apesar dos séculos que nos separam, a atualidade e a profundidade do Tratado, nos convida ao terminar a leitura, a colocarmo-nos mais intensamente e incansavelmente em oração.

 

§        Apresenta-nos a oração como sacrifício espiritual que nos acompanha em toda a vida.

 

§        Ela, a oração, nos coloca em comunhão com Deus e não nos dispensa de compromissos, muito pelo contrário.

 

§        A oração não é a evasão do tempo presente, mas o fortalecimento necessário para transformá-lo…

 

Em tempo quaresmal, sobretudo, coloquemo-nos na leitura do Tratado e redescobriremos a força da oração que vence a Deus, que sempre solícito está aos nossos gemidos, clamores e súplica, louvores e agradecimentos…

 

 

§        “A oração é o sacrifício espiritual que aboliu os antigos sacrifícios. Que importa a abundância de vossos sacrifícios? – diz o Senhor. Estou farto de holocaustos de carneiros e de gordura de animais cevados; do sangue de touros, de cordeiros e de bodes, não me agrado. Quem vos pediu estas coisas? (Isaías 1,11).

 

§        Nós somos verdadeiros adoradores e verdadeiros sacerdotes, quando, orando em espírito oferecemos o sacrifício espiritual da oração, como oferenda digna e agradável a Deus, aquela que Ele mesmo pediu e preparou.

 

§        Esta oferenda, apresentada de coração sincero, alimentada pela fé, preparada pela verdade, íntegra e inocente, casta e sem mancha, coroada pelo amor, é a que devemos levar ao altar de Deus, acompanhada pelo solene cortejo das boas obras, entre salmos e hinos; ela alcançará de Deus tudo o que pedimos.

 

§        Que poderia Deus negar à oração que procede do espírito e da verdade, se foi Ele mesmo quem assim exigiu? (…)

 

§        Nos tempos passados, a oração livrava do fogo, das feras e da fome; e, no entanto, ainda não havia recebido de Cristo toda a sua eficácia.

 

Quanto maior não será, portanto, a eficácia da oração cristã!

 

Talvez não faça descer sobre as chamas o orvalho do Anjo, não feche a boca dos leões, não leve à refeição os camponeses famintos, não impeça milagrosamente o sofrimento, mas vem em auxilio dos que suportam a dor com paciência, aumenta a graça aos que sofrem com fortaleza, para que vejam com os olhos da fé a recompensa do Senhor, reservada aos que sofrem pelo nome de Deus.

 

Outrora a oração fazia vir as pragas, derrotava os exércitos inimigos, impedia a chuva necessária. Agora, porém, a oração autêntica afasta a ira de Deus, vela pelo bem dos inimigos e roga pelos perseguidores.

 

Será para admirar, que faça cair do céu às águas, se conseguiu que de lá descessem línguas de fogo?

 

 Só a oração vence a Deus. Mas Cristo não quis que ela servisse para fazer mal algum; quis, antes, que toda a eficácia que lhe deu fosse apenas para servir o bem.

 

Conseqüentemente, ela não tem outra finalidade senão tirar do caminho da morte as almas dos defuntos, robustecer os fracos, curar os enfermos, libertar os possessos, abrir as portas das prisões, romper os grilhões dos inocentes.

 

Ela perdoa os pecados, afasta as tentações, faz cessar as perseguições, reconforta os peregrinos, acalma as tempestades, detém os ladrões, dá alimento aos pobres, ensina os ricos, levanta os que caíram, sustenta os que vacilam, confirma os que estão de pé.

 

Oram todos os anjos, ora toda criatura. Oram à sua maneira os animais domésticos e as feras, que dobram os joelhos. Saindo de seus estábulos ou de suas tocas, levantam os olhos para o céu e não abrem a boca em vão, fazendo vibrar o ar com seus gritos.

 

Mesmo as aves quando levantam vôo, elevam-se para o céu e, em lugar de mãos, estendem as asas em forma de cruz, dizendo algo semelhante a uma prece.

 

Que dizer ainda a respeito da oração? O próprio Senhor, também, orou.

 A Ele honra e poder, pelos séculos dos séculos”.

 

 

Diante da beleza do Tratado, perguntamo-nos;

 

§        Quais são os pontos que mais chamam atenção no Tratado da Oração de São Tertuliano?

 

§        Qual o tempo que dedicamos para a oração?

 

§        Oração para que e por quê?

 

§        Qual a importância da oração em nossa vida?

 

§        Qual o modo de oração que mais nos ajuda a intimidade com Deus?

 

§        Acredito na eficácia, na força da oração?

 

 

São algumas questões preliminares que apresentamos para nosso aprofundamento…

 

 

 

§        Façamos da oração uma elevação de nossa alma ao mistério absoluto.

 

§         Façamos da oração uma expressão, resposta e encontro com Deus que sempre pronto está a nos ouvir, conosco dialogar…

 

§        Façamos da oração um encontro provisório com o Eterno, um sentir-se constantemente, por sua ternura abraçado, para que na eternidade possamos para sempre contemplá-Lo, na certeza de que jamais nos sentimos e nunca seremos: abandonados, desamparados, não amados…

 

Oração, provisório abraço do Eterno, para um dia,

mergulho definitivo na eternidade de Seu Amor!

 

 

 

 

 

 

 

criado por peotacilio    12:53 — Arquivado em: Reflexões, atividade pastoral

O PADRE E O ITINERÁRIO QUARESMAL PARA A PÁSCOA

 

 

 

O PADRE E O ITINERÁRIO QUARESMAL PARA A PÁSCOA

  

 

 

  

Com a comunidade o presbítero está percorrendo um longo caminho quaresmal,

 para celebrar com exultação a ALEGRIA PASCAL.

 

v    Na quarta-feira de cinzas, iniciando o tempo quaresmal, fomos introduzidos neste itinerário, na prática de exercícios quaresmais: oração, jejum e esmola, com atitudes de renúncia, penitência, reconciliação, purificação, santificação, acolhida da misericórdia divina… E assim foi a cada domingo…

 

v    No primeiro domingo fomos, com Jesus, ao deserto para aprender que a vida cristã é permanente combate contra Satanás e suas atuais e matriciais tentações: ter, poder e ser. Tentações que nos afastam da graça e nos mergulham na escuridão do pecado, porque teríamos a vida marcada pela abundância excludente, dominação tolhedora da liberdade alheia e da própria, sucesso e privilégios fugazes…

 

v    No alto da montanha, com a transfiguração, contemplamos a glória do Ressuscitado que não dispensa o MISTÉRIO DA CRUZ, DA PAIXÃO E MORTE DE CRUZ. Ouvimos o que o Filho amado tem a dizer, sem fixar tendas na montanha… Ainda que maravilhoso, é preciso descer constantemente à planície para colocar em prática o Ensinamento Divino, no inadiável compromisso de transformar o mundo, acorrendo aos “Cristos” de tantos rostos desfigurados.

 

v    Com a purificação do templo, o resgate de seu verdadeiro sentido, do culto e da Lei. Não podemos viver uma religião marcada por interesses que nos distanciam da realidade dos pobres. Assim como o zelo pela casa consumiu o Senhor, também nós, devemos ter o mesmo zelo pelo verdadeiro templo do Corpo do Ressuscitado, como pedras vivas de sua Igreja, reconhecendo em cada criatura uma pequena e privilegiada morada divina – SOMOS TEMPLOS DO ESPÍRITO SANTO…

 

v    Contemplamos também o imenso amor de Deus por todos nós, sempre pronto a manifestar Sua misericórdia, bondade, ternura e compaixão nos dando o que Ele tem de melhor: Seu próprio Filho. Exclamemos sempre: “COMO É GRANDE Ó PAI A VOSSA MISERICÓRDIA”.

 

v    Finalmente não fugir da Hora, a hora do compromisso, do testemunho, da doação, da evangelização, da consumação da vontade divina. Viver intensamente à Hora de Deus, o momento de Deus e Sua vontade aceitando ser como grão de trigo que morre para não ficar só. Entregar-se silenciosamente em favor da Igreja, da comunidade, dos mais necessitados. Consumir-se em respostas silenciosas aos clamores do povo sofrido, carregando A CRUZ, QUE É LOUCURA PARA OS GREGOS E ESCÂNDALO PARA OS JUDEUS, com coragem, alegria, fidelidade e confiança…

 

 

PRESBÍTERO é diante da comunidade e com ela o…

 

v    Homem da oração, como sinônimo da intimidade com Deus;

 

v    Homem do jejum, da renúncia livre em favor dos que jejuam forçadamente;

 

v    Homem da esmola, da partilha, da solidariedade;

 

v    Homem do deserto, em constante luta contra as forças diabólicas;

 

v    Homem da montanha enquanto escuta da vontade do Filho, fidelidade ao Pai e abertura ao Espírito;

 

v    Homem da planície, do compromisso inadiável com a justiça e a paz;

 

v    Homem do culto que favoreça a vida plena;

 

v    Homem que experimentou e testemunha a misericórdia e amor divino;

 

v     Homem da Hora de Deus e não escravo de si mesmo e de seus caprichos.

 

Itinerário, com a comunidade, percorrido permite celebrar a Páscoa do Senhor, vislumbrar, ainda que em pequenos sinais, as ALEGRIAS PASCAIS.

 

O Presbítero é o homem que semeia em jardins quaresmais, para que haja fartura e colheita das flores pascais na  Igreja e para além dela.

 

 

 

 

 

PS: artigo que escrevi para o Jornal Folha Diocesana, edição Abril de 2009.

 

criado por peotacilio    10:59 — Arquivado em: Reflexões, atividade pastoral

Glorifiquemos a Deus pelo Jubileu Sacerdotal!

Pe. Frizzo em dez palavras…

 

 

Pe. Frizzo, um luminar de Deus que celebra 25 anos, em plena Festa da Anunciação de Nossa Senhora.

 

Pe. Frizzo, companheiro de caminhada, de luta, de partilha, de continua abertura ao novo e à solidariedade.

 

Do Mestre discípulo, eterno aprendiz. Alegria, mesclada com inquietações e sombras de tristeza, que acampam coração de poetas e profetas, sedentos por  ver  o realizar da esperança, num amor revigorado que jamais se cansa.

 

Pe. Frizzo, como um precioso luminar de Cristo, também têm suas sombras.

 

Mas deixemos que suas sombras nos façam rever as nossas próprias. Perfeição! Quem a tem?

 

             I.      Amor a ciência, de modo especial a ciência bíblica, ao saber inquietante, que alarga horizontes para superação da mediocridade.

 

          II.      Comunicação fácil e dinâmica com criatividade e lampejos, inesperados.

 

       III.      Despojamento material, sinalizando a pobreza evangélica, para enriquecimento do outro.

 

        IV.      Destituído da sede de títulos, e se títulos tiver é para se colocar, evangelicamente, a serviço.

 

           V.      Companheiro de conversas, de pautas múltiplas, num leque descortinado, para as questões do tempo presente.

 

        VI.      Antenado, plugado, conectado com os avanços da pós modernidade, sem a perda dos princípios cristãos que transcendem toda época de mudança e mudança de época.

 

     VII.      Proximidade com a elite, para o bem do povo simples, sem perda da inserção popular e suas causas inadiáveis: de vida, alegria, lazer, cultura, educação, moradia…

 

  VIII.      Grávido na mente e no coração: de idéias e projetos, para que a novidade do Evangelho encontre acolhida e enraizamento, e o cristão jamais deixe de ser luz e sal, na massa fermento

 

        IX.      Esforço notável e testemunhável da articulação da fé e da vida, procurando fazer o mistério celebrado ressonante na vida; fazendo da vida consoante, ou seja, de acordo com o mistério celebrado, superando divórcios comuns entre a fé e a vida, a ciência e a fé…

 

           X.      Sedento das utopias, sem fixar-se em modelos e regimes políticos, com inclinação para a política, mas a verdadeira política com P maiúsculo, que vise tão apenas o bem comum.

 

Pe. Frizzo continue sendo, como a quaresma tem nos proposto:

 

Homem do deserto, que experimenta a presença e onipotência divina contra as forças diabólicas;

 

Homem da Montanha Sagrada. Homem do Tabor, com afinada escuta da voz do Filho Amado, mas Homem da Planície em compromisso irrenunciável com O Verbo na transformação do mundo, num evangélico compromisso com os desfigurados;

 

Homem do Templo, do culto, da Lei, da Religião que liberta, promove, edifica, a vida santifica… e, de alegria, amor e paz com Jesus, a plenificação;

 

Homem da Cruz, pela loucura da cruz, seduzido, com os pobres comprometido. Incansável no ministério, pelo Pão da Palavra e da Eucaristia sempre nutrido;

 

Homem Pascal; que acolhe na vida o Mistério da Paixão, Morte e Ressurreição, como grão de trigo que morre para não ficar só, para se transformar em espigas, em grãos de justiça e paz multiplicados, grãos de amor e liberdade partilhados.

 

 

Um Grande Abraço!

 

Seu Irmão mais novo e em nome do Presbitério de Guarulhos: Pe. Otacílio F. Lacerda

Guarulhos, 25 de Março de 2009.

Festa da Anunciação de Nossa Senhora.

 PS: Homenagem feita por mim, no final da Missa,  ao querido Pe. Frizzo, pelo aniversário de 25 anos de Sacerdócio na Missa  ontem concelebrada…

criado por peotacilio    9:24 — Arquivado em: Sem categoria

Em defesa da sacralidade da vida e da pessoa humana

Em defesa da sacralidade da vida e da pessoa humana

 

 

 

As últimas Campanhas da Fraternidade tem insistido na defesa da vida, desde sua concepção até seu declínio natural. Também tem insistido na sacralidade da qual toda a vida é portadora. Vida como dom divino, portanto, não submetida à manipulação de toda ordem.

Coincidentemente estamos acompanhando a intensa discussão sobre o lamentável fato acontecido em Alagoinhas – PE, o abuso sexual sofrido pela menina de nove anos, que ficou grávida de gêmeos, cujos pais foram forçados à prática do aborto como não foi divulgado na mídia, conforme texto disponível em nosso site.

Retomamos a palavra do Secretário-geral da CNBB, D. Dimas Lara Barbosa - “Mais lamentável ainda é o fato de que não se trata de um caso isolado. Infelizmente, temos no Brasil inúmeras denúncias de exploração sexual e até de tráfico de crianças. Alguns dos nossos bispos estão sendo ameaçados no Pará por denunciar esse tipo de prática de exploração contra crianças e adolescentes”, em entrevista coletiva à imprensa realizada na sede da CNBB, em Brasília.

Nesta mesma entrevista, D. Geraldo Lyrio Rocha, Presidente da CNBB reiterou que  não se pode reduzir a violência ocorrida com a menina de Alagoinha à questão da excomunhão. Ele lembrou que a recente nota da CNBB manifesta, em primeiro lugar, solidariedade à família da criança que está passando por um constrangimento enorme e condena o estuprador que deve pagar pelo crime segundo a justiça. Há que se pensar na situação da mãe desta criança e nos demais familiares. É um enorme sofrimento, uma coisa repugnante, uma humilhação ter uma criança sendo explorada sexualmente pelo padrasto desde os seis anos de idade.

A imprensa enfatizou exaustivamente a excomunhão e procurou tirar os dividendos em clara prática pró-abortista que paira em tantos programas, artigos, jornais, como política internacional planejada e neste Jornal amplamente divulgada.

Quanto à excomunhão, ao contrário do que queiram deixar transparecer  não é sinônimo de condenação ao inferno, mas trata-se de um ato disciplinar da Igreja. "A excomunhão existe para chamar atenção para a gravidade do ato. O aborto traz consigo essa pena porque está se diluindo a gravidade do aborto até mesmo entre os cristãos. Quem viola isto, se coloca fora da comunidade eclesial, conforme cânone n.º 1398 do Código de Direito Canônico:

“Quem provoca aborto, seguindo-se o efeito, incorre em excomunhão late sententiae” (=automaticamente).

A gravidade do estupro é de consciência de todos, e dispensa a advertência. A excomunhão para a prática do aborto e quem dele participa não tira o peso da gravidade do pecado do estupro. A excomunhão não é tão apenas para punição mas como advertência para que se tome consciência de sua gravidade e se busque a reconciliação.

Fatos como este, ao lado de tantos outros que se repetem todos os dias nos obriga: a  enfatizar a importância de uma sadia educação; intensificar absoluta reprovação de toda e qualquer prática de exploração sexual como mencionado acima; criar possibilidades para que as crianças possam crescer num clima familiar sadio, impregnando-se de valores irrenunciáveis: valor da vida, respeito ao corpo como templo de Deus, educação para uma sexualidade sadia e amadurecida.

 

Quanto ao fato do aborto, antes deveria ser feito todo esforço, investido todos recursos para que a gravidez pudesse chegar ao seu sexto mês, para que o parto ocorresse, pois também carece de veracidade a ameaça de morte da vida da menina. O caminho mais fácil abre a porta para sua repetição sem maiores empenhos e constrangimentos..

 

E agora, quem vai acompanhar esta criança? Como está? Haverá da mídia e de tantos quantos tenham defendido a prática do aborto o mesmo acompanhamento, a mesma “solidariedade”. Como praxe, a mesma Igreja que se opôs ao aborto é que carregará com compaixão a cruz, tendo passado todo alarde, toda exploração midiática…

 

As vozes que se levantaram contra a Igreja neste lamentável fato são, de modo geral,  as mesmas vozes que promovem a banalização da vida; a exploração do corpo do homem e da mulher; a erotização precoce das crianças; “o sexo livre bom e sadio desde que se use a camisinha”,; a pornografia nos diversos meios de comunicação; a prostituição.

 

“Estas vozes são daqueles que demonstram lamentavelmente egoísmo, egocentrismo e falta de respeito  com a vida em detrimento da dignidade do homem, o ser mais importante do universo e ao qual todos os valores devem ser submetidos. Estas atitudes procedem inversamente submetendo o homem à falácias e afirmações maldosas e mentirosas em favor da vida”, diz o nosso Bispo, Dom Luiz.

 

A Igreja, para além de seus pecados que amplamente explorados, não deixa de ter sua autonomia como voz em defesa da vida, contra todo tipo de violação da vida: estupro, aborto, extermínios, tráfico de droga, corrupção, extorsão, práticas espúrias que desviam os recursos do povo não promovendo o bem comum etc…

 

 

Dentro dela e fora dela mesma a Igreja não revogará jamais a Palavra de Deus que diz: “Não matarás!”, como encontramos no Livro do Êxodo (20,13).

 

 

 

 

PS: Texto, por nós escrito,  para a Redação do Jornal Folha Diocesana -  publicado na  Edição de Abril de 2009 -

 

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24.3.09

O SURPREENDENTE AMOR DE DEUS

 

O SURPREENDENTE AMOR DE DEUS

 

 

   Quaresma: Um longo e rico itinerário espiritual a toda igreja proposto

 

¨     1.º Domingo – Começamos com Jesus a caminhada pelo deserto para aprendermos com Ele a vencer as tentações de Satanás (ter, ser e poder);

¨     2.º Domingo – Subimos com Jesus ao alto da montanha para escutá-Lo, como Filho Amado de Deus, e imediatamente descer à planície no compromisso com a paz;

¨     3.º DomingoEntramos, com Jesus, no templo para purificá-lo e resgatar o verdadeiro sentido da religião, do culto, na acolhida e na prática do Decálogo, da Lei Divina.

 

Celebramos, domingo passado, o 4.º Domingo da Quaresma, chamado de Domingo Laetare, em razão da alegria pela proximidade da Páscoa.

 

Embora ainda seja quaresma, há o tom da alegria pascal anunciado, fazendo da vida uma constante passagem: do desalento para a confiança; da angústia para o gozo; do abandono para o encontro; das trevas para a luz; da mentira para a verdade. Numa palavra: da morte para a vida.

 

 

A liturgia da Palavra nos apresenta DEUS, que em sua infinita misericórdia,

 sempre nos surpreende.

 

Quando atravessava o deserto, saindo da escravidão do Egito, em busca da terra prometida, quando o povo murmurava e era mordido pela cobra, Deus os curava através da serpente de bronze, por Moisés erguida.

 

Quando no exílio, a misericórdia de Deus suportando toda infidelidade de seu povo, faz de Ciro, Rei da Persa, instrumento do retorno e da edificação do templo em Jerusalém. A desolação pelo exílio, a saudade de Jerusalém não ficaram sem a resposta amorosa de Deus. Ele jamais se distancia daqueles que ama… (2 Crônicas 36,14-23) – é o surpreendente amor de Deus ricamente narrado.

 

No Evangelho de João (3,1-21) Jesus propõe a Nicodemos, nascer do alto.  Nascer para a novidade do Reino de Deus, a partir da água e do Seu sangue que jorra do lado que lhe foi, pela crueldade humana, aberto para nos purificar de todo pecado - o perdão dado testemunhou que o amor é mais forte do que a maldade humana.

 

Quando O Filho amado foi elevado na CRUZ, não somente Ele foi elevado, mas com Ele, foi elevada a humanidade decaída pela desobediência e pelo pecado, desde gênesis, quando nossos primeiros pais quiseram comer da árvore proibida, querendo ser como deuses.

¨     Na CRUZ contemplamos o amor de Deus por tantos autores dos Textos Sagrados narrado.

¨     Na MESMA, contemplamos o amor de Deus pelos profetas por longos séculos anunciado.

¨     Na CRUZ, que é fonte de vida e expressão máxima do amor de Deus, insistimos, o Amor de Deus é definitivamente revelado.

O surpreendente amor de Deus participando da morte de Seu Filho amado, nos possibilitou a vida nova, a eternidade.

 

Crer em Seu nome, Sua Palavra, Seu Projeto de Vida, leva-nos a eternidade.

 

Nascer do alto será então viver na luz, como filhos da luz que o somos.

 

¨     Viver na liberdade, para a qual Deus nos criou e nos resgatou. Vida no Espírito…

¨     Viver na verdade, porque como Verdade Ele ao mundo e a nós se apresentou.

¨     Viver na fidelidade do amor que ama até o fim…

¨     Viver o amor até as últimas conseqüências. Assim é o surpreendente amor de Deus…

 

A nós cabe acolher Jesus, a expressão máxima do amor de Deus, participando ativamente da incrível história do amor de Deus que desde o princípio, desde os primeiros dias do Éden se colocou em constante busca da amizade de suas criaturas, Sua imagem e semelhança – “Adão onde estás?”.

 

O surpreendente e incrível amor de Deus vai sempre ao encontro para resgatar a todos.

A vontade de Deus é que nenhum dos seus se perca. Desde então Ele, incansável em seu amor, adentra a floresta da história para resgatar a humanidade, numa relação querida de amizade, relacional e profícua…

 

A intensidade, profundidade, altura, largura e cumprimento do amor de Deus são incomensuráveis, sem medida.

 

Deus que tanto nos ama, espera apenas uma coisa: que saibamos corresponder ao seu amor, para que alcancemos a alegria e a paz.

 

Diante Deste Deus, que tanto nos ama, que não poupou o próprio Filho… haveremos de nos perguntar:

 

¨     Como correspondemos ao amor de Deus, que tanto nos ama?

 

¨     Amamos a Deus para além dos limites de nossas forças?

 

¨     Amamos a Deus até as últimas conseqüências?

 

¨     Amamos a Deus até o fim, suportando adversidades, provações, inquietações, abandonos, traições, etc…?

 

¨     Empenhamo-nos em amar a Deus, na exata medida de Seu amor, ainda que jamais seja possível?

 

¨     O que podemos fazer nesta quaresma para aumentá-lo, intensificá-lo… numa necessária e sincera relação de amor.

 

 

Deus está sempre nos surpreendendo com seu amor. Surpreendente como sinônimo de magnífico, maravilhoso, excepcional… assim é o amor Deus.

 

Assim também seja nosso amor para com Ele e para com nosso próximo…

 

O amor sempre nos leva a surpreender com gestos de carinho, acolhida, atenção, solidariedade, acalento, esperança, consolo…

 

QUEM AMA SE REGOZIJA EM SURPREENDER O AMADO!

 

 

 

 

 

 

criado por peotacilio    21:56 — Arquivado em: Sem categoria

23.3.09

Bendito seja Deus pela água…

ORAÇÃO DA CAMPANHA DA FRATERNIDADE 2004

É sempre tempo de rezarmos e de nos convertermos sobre a preocupante realidade da água de nosso planeta.

Bendito seja Deus pela água e que ela não falte para milhões de irmãs e irmãos nossos.

Bendito seja Deus pela água!

 

 

 

 

"Bendito sejais, ó Deus Criador, pela água, criatura Vossa,

Fonte de vida para a Terra e os seres que a povoam.

Bendito sejais, ó Pai Providente, pelos rios e mares imensos,

pela bênção das chuvas, pelas fontes refrescantes

e pelas águas secretas do seio da terra.

Bendito sejais, ó Deus Salvador, pela água feita vinho em Caná,

pela bacia do lava-pés e pela fonte regeneradora do Batismo.

Perdoai-nos, Senhor Misericordioso, pela contaminação das águas,

pelo desperdício e pelo egoísmo

que privam os irmãos desse bem tão necessário à vida.

Dai-nos, ó Espírito de Deus, um coração fraterno e solidário,

para usarmos a água com sabedoria e prudência

e para não deixar que ela falte a nenhuma de Vossas criaturas.

Ó Cristo, Vós que também tivestes sede,

ensinai-nos a dar de beber a quem tem sede.

E concedei-nos com fartura a água viva

que brota de Vosso coração

e jorra para a vida eterna.

AMÉM".

 

 

criado por peotacilio    16:59 — Arquivado em: Reflexões, atividade pastoral

21.3.09

ÁGUA: O OURO AZUL DO MILÊNIO

ÁGUA: O OURO AZUL DO MILÊNIO

 

 

 

Escrevi este artigo em 2004, quando aconteceu em todo o Brasil a Campanha da Fraternidade sobre esta temática: “Fraternidade e Água”, com o Lema “Água: Fonte de Vida”.

 

Como dia 22 de março é o dia mundial da água, resgato este artigo pela sua atualidade. Os desafios permanecem na obtenção deste ouro azul do milênio como é chamada.

 

Retomar o conteúdo desta Campanha, bem como a discussão em todos os âmbitos, é sempre necessário…

 

 

Água: fonte de vida? Depende de nós!

 

Água, recurso escasso e precioso. Assunto pertinente, que traz implícitas questões fundamentais: biológicas, ecológicas, social, artística, econômica, política e de gênero (pois crianças e mulheres imediatamente são os que mais sofrem pela falta da mesma em todo o mundo).

 

Não tomar consciência desta questão é colocar em risco a nossa própria existência. Se ao criar, Deus viu que tudo era muito bom, olhando os fatos, a realidade, veremos que a realidade atual é um forte apelo à conversão.

 

Portanto, cabe a nós, sem nenhuma possibilidade de omissão, por uma espiritualidade bíblica e ecológica resgatar a beleza da criação, onde a água é elemento vital e perpassa toda a Sagrada Escritura.

 

Alguns dados que nos fazem perceber a gravidade da questão:

 

ü      Segundo a ONU, até 2.025 cerca de um terço da humanidade terá difícil acesso à água potável. Em alguns países a água já é mais cara que o petróleo. Dois terços do planeta é água; desses dois terços 97% é água salgada (mar oceano) e apenas 3% de toda água do planeta é doce, servindo para consumo, e destes 3%, grande parte é gelo (2,4%);

 

ü      70% da água utilizada é para produção de grãos e alimentos (para cada tonelada de grãos, são necessárias 1000 toneladas de água);  20% para o uso industrial e apenas 10% para o consumo humano;

 

ü      A escassez da água é de ordem quantitativa, qualitativa e social (privatizada e fonte de lucro);

 

ü      O Brasil tem 20% de toda água potável do planeta, sendo que 80% está localizada na Amazônia. Á água será, em breve, o bem mais precioso da terra – por isto é que a chamam de “Gold Blue” = ouro azul.

 

ü      Há no Brasil a maior riqueza de água subterrânea; não por acaso, há investimentos internacionais para descobrimento e apropriação destes recursos, para responder ao desafiador aumento acelerado da demanda e a diminuição dos lençóis freáticos em todos os continentes. Pode-se falar, sem exagero, de calamidade mundial, segundo especialistas;

 

Amar e cuidar da natureza - é amar, cuidar e preservar o futuro da humanidade, o futuro de nós mesmos! Precisamos despertar uma nova consciência frente à problemática da água: usá-la, não abusá-la; estabelecer uma relação de carinho, de cuidado em relação à mesma, a terra e todo ser vivo…

 

Tomar consciência da problemática é o primeiro passo para mudar situações adversas. Depende de cada um, e de todos nós! Há muitas ações que poderemos desenvolver, mas todas elas dependem desta tomada de consciência…

 

Que a Campanha da Fraternidade não tenha sido  apenas mais uma Campanha. Que nossas comunidades continuem o aprofundamento desta temática, a fim de que a água seja fonte de vida, não uma fonte de miséria, enriquecimento e conflitos mundiais.

 

Está em jogo à sobrevivência do planeta e de todos nós!

 

 

 

 

 

 

criado por peotacilio    10:44 — Arquivado em: Reflexões, atividade pastoral

Quis Deus… Quer Deus…

 

 

 

 

 

Quis Deus… Quer Deus…

 

 

 

 

SOLENIDADE EM LOUVOR A SÃO JOSÉ,

ESPOSO DE MARIA, PAI ADOTIVO DE JESUS.

 

Hoje, Maria acolhe nos céus a nossa veneração pelo seu amado esposo, companheiro de momentos bons e momentos difíceis; de certezas e dúvidas; medos e enfrentamentos; fugas e defesa do Menino Deus…

 

Hoje Maria se cala e se alegra silenciosamente com nosso carinho e veneração por José que jamais a desapontou e a abandonou. Maria sorri com seu sorriso meigo e sereno, e por mais que falemos de José, ela com certeza, muito mais poderia acrescentar… Mas ela se cala e dá espaço para que possamos falar. Maria sabe fazer silêncio. Ela sabe o lugar que ocupa em nosso coração…

 

Contemplando o Mistério do amor de Deus e Seu projeto hoje dizemos:

 

        Quis Deus:

 

v    Quis Deus, conceder a Abraão uma descendência incontável, como os grãos da areia do mar;

v    Quis Deus, que o Verbo se encarnasse em nosso meio, para que se tornasse visível, palpável;

v    Quis Deus, que a humanidade não ficasse mergulhada nas trevas do pecado;

v    Quis Deus, que a humanidade não ficasse mergulhada na escravidão;

v    Quis Deus, que a humanidade participasse da recriação;

v    Quis Deus, oferecer ao mundo a Salvação;

v    Quis Deus, que Seu Filho tivesse uma mãe especialíssima;

v    Quis Deus, que cumpre e promete a expectativa messiânica realizar;

v    Quis Deus, que Seu Filho tivesse um pai adotivo, inserido na história do povo amado e escolhido, por isto José;

v    Quis Deus, que José encerrasse o tempo dos patriarcas como o último, para inaugurar o tempo da Redenção;

v    Quis Deus, para seu Filho, pai especialíssimo também;

v    Quis Deus, que alguém, de seu Filho fosse guarda fiel e providente;

v    Quis Deus, que fosse um homem justo e fiel, a Ele temente;

v    Quis Deus, que seu Pai adotivo não conhecesse a omissão, a covardia, que fosse forte com temor e ousadia, suportando enroscadas e perseguições – José;

v    Quis Deus, que ao lado do Seu Filho, estivesse o homem do silêncio para que Deus seja todo escuta;

v    Quis Deus, que seu guardião não fugisse na hora das dificuldades e inquietações;

v    Quis Deus, um homem que aos poucos fosse os mistérios de Deus descobrindo;

v    Quis Deus, alguém que não fosse o homem misterioso, mas o homem que não teme nos Mistérios mergulhar;

v    Quis Deus, que o pai adotivo de seu Filho não ficasse em permanente sonho, mas que a partir dele, uma vez acordado, inserido e de frente com a realidade;

v    Quis Deus, que para protetor de Seu Filho houvesse um homem como José, que negasse seus caprichos e vontades, assumindo como protagonista o enredo da História da vontade divina;

v    Quis Deus, que houvesse alguém como José, simplesmente José, grande José. Homem que não fala nos Evangelhos, mas que falou com sua vida.

 

   Quis Deus… continuemos contemplando à vontade de Deus. Quis Deus…

 

          Mas, quer Deus…

 

v    Quer Deus, hoje, outros tantos “Josés”;

v    Quer Deus, hoje, outros pais “Josés”;

v    Quer Deus, hoje, José Pedro, José Paulo, José João, José de tantos nomes!

v    Quer Deus, hoje, Pedro José, Paulo José, João José, mesmo no nome não tendo José, mas na vida as qualidades de José!

v    Quer Deus, pessoas fiéis como José à Palavra Divina;

v    Quer Deus, que sejamos guardiães da Mesma no coração e na vida;

v    Quer Deus, que sejamos guardiães das coisas sagradas com mais amor e mais carinho;

v    Quer Deus, que cuidemos melhor de nossas pastorais;

v    Quer Deus, que cuidemos melhor de nossa vida de oração;

v    Quer Deus, que sejamos incansáveis em busca de Sua sabedoria e formação;

v    Quer Deus, que não deixemos as coisas divinas para o dia de amanhã;

v    Quer Deus, que cuidemos melhor de nosso batismo;

v    Quer Deus, que por isto sejamos no mundo sal, fermento e luz;

v    Quer Deus, que o adoremos em espírito e verdade;

v    Quer Deus, que o tenhamos como amigo, porque assim Ele nos viu e nos chamou;

v    Quer Deus, que cuidemos de seus filhos no amor, verdade, justiça e liberdade;

v    Quer Deus, que a família se abra e se fortaleça na conversa sincera, em permanente diálogo;

v    Quer Deus, que continuemos a obra de sua criação, como criadores;

v    Quer Deus, que não haja tantos “Josés e Marias” desempregados;

v    Quer Deus, que haja pais, para além de toda dificuldade, pois não é fácil ser pai!

v    Quer Deus, pais amigos dos filhos, companheiros;

v    Quer Deus, pai esposo, participante ativo na edificação e santificação do lar, ao lado de sua esposa;

v    Quer Deus, que cuidemos de nosso planeta, nossa casa comum;

v    Quer Deus, a superação de todo sinal de miséria e dor;

v    Quer Deus, que pela Palavra divina continuemos sendo tocados,   provocados, iluminados;

v    Quer Deus, que saiamos de toda forma de comodismo;

v    Quer Deus, que em suas mãos, sejamos como barro nas mãos do oleiro;

v    Quer Deus, nos confiar mais uma vez em breve, por amor, na Cruz, O Filho muito amado;

v    Quer Deus, que O Seu Filho seja ouvido, amado, adorado;

v    Quer Deus, que o Reino inaugurado por Seu Filho, seja por todos anunciado;

v    Quer Deus, embora não precise, contar contigo e comigo;

v    Quer Deus, conosco cultivar relação de ternura, carinho e amizade;

v    Quer Deus, que a felicidade não seja apenas meta, mas realidade;

v    Quer Deus, estar conosco todos os dias, carregando conosco a nossa cruz de cada dia;

v    Quer Deus, que se promova a justiça para que colhamos frutos de paz;

v    Quer Deus, encontrar-SE conosco no momento ápice e fonte que é o Banquete da Eucaristia;

v    Quer Deus, sempre o melhor para todos nós!

v    Quer Deus, que imitemos Maria, a mãe do Redentor, José, o guardião do Salvador;

v    Quer Deus, uma vez vencidas as barreiras cotidianas, nos acenar o encontro amoroso que se perpetuará na eternidade.

 

Quer Deus… continuemos contemplando o querer de Deus… Quer Deus…

 

Que como Maria e José, ouçamos Deus dizer o que Ele espera de nós, o que Ele quer de nós…

 

Somente a atitude de silêncio, recolhimento e oração é que nos possibilitará as respostas ouvir, mas com os ouvidos do coração.

 

Somente a atitude de quem procura ver, com os olhos da alma e da mente, é que poderá o querer de Deus vislumbrar, contemplar…

 

Felicidade é a plena coincidência do nosso querer e o querer Divino, que é incomparavelmente e infinitamente superior!

 

Quis Deus… Quer Deus… Amém!

 

criado por peotacilio    9:49 — Arquivado em: Reflexões, atividade pastoral

20.3.09

SOLENIDADE EM LOUVOR A SÃO JOSÉ

 

SOLENIDADE EM LOUVOR A SÃO JOSÉ

ESPOSO DE MARIA

 

Resgato a homilia que fiz no ano passado, quando celebramos a bela solenidade de São José, o Esposo de Maria, pai adotivo de Jesus. Disponibilizo a tantos quantos possa, para que seja um raio de luz no fortalecimento da vocação da paternidade e na santificação de nossas famílias…

 

A Família é o primeiro espaço indispensável para:

 

v     O aprendizado do valor Sagrado  da Família;

v     O aprendizado das opções que favorecem a vida;

v     O amadurecimento na fé;

v     O crescimento na esperança;

v     O fortalecimento da caridade.

 

SÃO JOSÉ ESPOSO DE MARIA

 UM EXEMPLO A SER IMITADO PORQUE:

 

v     Foi um homem justo e piedoso;

v     Mestre de santidade;

v     Acolheu os Mistérios de Deus;

v     Renunciou aos próprios projetos

v     Soube ler os segredos de Deus;

v     Viveu intensamente a fidelidade à vontade Deus;

v     Teve coragem de assumir compromissos maiores;

v     Foi guarda fiel do Salvador;

v     Providente da Sagrada Família;

v     Modelo de coragem;

v     Reconheceu na humanidade, a divindade de Jesus;

v     Reconheceu a divindade na humanidade de Deus;

v     Homem dos mistérios gozosos;

v     Homem dos mistérios dolorosos;

v     Homem dos mistérios gloriosos;

v     Homem dos mistérios luminosos.

 

 

São José, o homem que enfrentou as noites escuras e hoje participa do esplendor de Deus. Ao lado de Maria, José acolheu e protegeu a Fonte da Vida e com o Redentor da Vida comprometeu-se.

 

Eis um grande modelo a ser imitado por nós.

 

Com ele podemos contar, pois está, como sempre esteve junto de Deus, na comunhão dos Santos.

 

Querido São José peça ao Pai por todos os Pais e Mães de nosso tempo.

 

Querido São José peça ao Pai por todas nossas famílias.

 

Querido São José, inspirados em teus exemplos, queremos nos comprometer com a promoção da dignidade e a defesa da sacralidade da vida: A vida humana é portadora da mais bela sacralidade – vida humana sagrada porque assim Deus quis.

 

“Escolhe, pois, a vida!” nos convida a Campanha da Fraternidade de 2008.

 

Com São José aprendamos, pois, escolher a vida!

 

 

 

 

criado por peotacilio    12:03 — Arquivado em: Reflexões

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