Pe. Otacilio F. Lacerda

Artigos, textos e poesias para meditação, reflexão.

28.2.09

QUARESMA: TEMPO FORTE DE ORAÇÃO

QUARESMA: TEMPO FORTE DE ORAÇÃO

 

 

 

 

 

 

A oração, acompanhada do jejum e da esmola são os três exercícios quaresmais que devem ser mais intensificados na quaresma. Reflitamos sobre o primeiro: a oração.

 

Evidentemente que não é só na quaresma que se deve orar. Orar sempre, em todas as situações e em todos os tempos: adversos e favoráveis; fracassos anunciados, vitórias pré-anunciadas; na agitação e na tranqüilidade; na alegria e na tristeza; na angústia e esperança; no tempo dos sonhos para que não cedam lugar a pesadelos; tempo da presença mais percebida para percepção mais aguçada quando tudo parece desolação…

 

É sempre tempo de orar… Orar? Mas o que é oração? Já escrevi algo anteriormente, mas acredito que esta homilia do século IV, de Pseudo-Crisóstomo, não pode ficar nas mãos de alguns poucos, tão pouco permanecer no século que foi escrita. Ela transcende seu tempo. Poderia ter sido escrita exatamente agora, sobretudo por alguém que descobriu que a amizade com Deus é sempre ocasião propícia e frutuosa para a oração.

 

Ø     Tentarei apresentar alguns trechos, não sei se conseguirei. Se não conseguir é porque foi impossível, mas terá sido possível ter oferecido ao leitor mais uma bela dose, e que dose, de água cristalina!

 

A oração, o diálogo com Deus, é um bem incomparável, porque nos põe em comunhão íntima com Deus. Assim como os olhos do corpo são iluminados quando recebem a luz, a alma que se eleva para Deus é iluminada por sua luz inefável. Falo da oração que não é só uma atitude exterior, mas que provém do coração e não se limita a ocasiões ou horas determinadas, prolongando-se dia e noite, sem interrupção.

 

Com efeito, não devemos orientar o pensamento para Deus apenas quando nos aplicamos à oração; também no meio das mais variadas tarefas – como o cuidado dos pobres, as obras úteis de misericórdia ou quaisquer outros serviços do próximo – é preciso conservar sempre vivos o desejo e a lembrança de Deus. E assim, todas as nossas obras, temperadas com o sal do amor de Deus, se tornarão um alimento dulcíssimo para o Senhor do Universo. Podemos, entretanto, gozar continuamente em nossa vida do bem que resulta da oração, se lhe dedicarmos todo o tempo que nos for possível.

 

A oração é a luz da alma, o verdadeiro conhecimento de Deus, a mediadora entre Deus e os homens. Pela oração a alma se eleva até os céus e une-se ao Senhor num abraço inefável; como uma criança que. Chorando, chama sua mãe, a alma deseja o leite divino, exprime seus próprios desejos e recebe dons superiores a tudo que é natural e visível.

 

A oração é venerável mensageira que nos leva à presença de Deus, alegra a alma e tranqüiliza o coração. Não penses que nessa oração se reduza as palavras. Ela é desejo de Deus, amor inexprimível que não provém dos homens, mas é efeito da graça divina, como diz o apóstolo: Nós não sabemos o que devemos pedir, nem como pedir; é o próprio espírito que intercede em nosso favor, com gemidos inefáveis (Rm. 8,26).

 

Semelhante oração, quando o Senhor a concede a alguém, é uma riqueza que não lhe pode ser tirada e um alimento celeste que sacia a alma. Quem a experimentou inflama-se do desejo eterno de Deus, como que de um fogo devorador que abrasa o coração.

 

Praticando-a em sua pureza original, adorna tua casa de modéstia e humildade, torna-a resplandecente com a luz da justiça. Enfeita-se com boas obras, quais plaquetas de ouro, ornamenta-se de fé e de magnanimidade em vez de paredes e mosaicos. Como cúpula e coroamento de todo o edifício, coloca a oração. Assim prepararás para o Senhor uma digna morada, assim terás um esplendido palácio real para o receber, e poderás tê-lo contigo na tua alma, transformada, pela graça, em imagem e templo de sua presença” (Lit.Horas. Vol II p.58-9 – os grifos foram feitos por mim).

 

 

 

Concluindo: A oração como diálogo implica abertura, recolhimento, silêncio, escuta, confiança, intimidade…

 

Vivendo intensamente a oração nossas atitudes serão portadoras de um tempero novo: O sal do amor de Deus. Somente assim nossas obras a Ele tornar-se-ão agradáveis. A oração contínua, confiante, persistente, acompanhada da atitude de humildade permitirá que nossas obras se tornem agradáveis ao Senhor. Não basta fazer algo, é preciso fazer com amor nutrido pela oração, que é a expressão de nossa amizade sincera com Deus.

 

Sendo a ela luz da alma, se nos pusermos em constante atitude de oração não saberemos o que venha a ser escuridão, porque por Deus iluminados seremos. Sendo Ele a luz do mundo prometeu que todo aquele que o seguir não caminhará nas trevas, mas terá a luz da vida…

 

A alma nos eleva até os céus e nos une perfeitamente ao Senhor, em perfeita comunhão. Ser elevado aos céus diante do Senhor, num encontro de amor e ternura. Sentir-se por Ele acolhido, amparado, acariciado, protegido… Saborear sua divina amorosa companhia, e creio não haver outro jeito de sentir a presença de Deus…

 

A oração como mensageira, uma venerável mensageira que nos coloca na presença de Deus. Sentir-se-á distante de Deus, ou sentirá sua ausência quem não se puser em atitude de oração. Deus nos deixou a oração como forma de estarmos em perfeita sintonia e comunicação com Ele. As páginas bíblicas têm inumeráveis passagens em que Ele se revela sempre pronto, solicito aos nossos clamores, quer no Antigo Testamento como no Novo…

 

Se quisermos falar com Deus…. Sempre haveremos de querer, se a descobrimos como o autor da homilia acima o disse… Se descobrirmos que a oração não é mera repetição de palavras, tão pouco um monólogo em que tão apenas nós falamos, não deixando nem dando tempo para que Deus possa falar.

 

A oração como diálogo com Deus, luz de nossa alma, abraço divino, sal que dá gosto a tudo que fazemos há que ser e é tão necessário quanto o ar que respiramos.

Respiramos para a não morte biológica. Oramos para além da não morte biológica, oramos para a vida espiritual acompanhada da alegria e da vida em plenitude! Oramos para oxigenar a alma e reencantar a vida!

 

 

 

 

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27.2.09

Jejum Quaresmal? O que? Para que? Como?

Jejum Quaresmal? O que? Para que? Como?

 

 

 

 

 

Ao lado da oração e da esmola, o jejum é uma das três práticas Quaresmais. O que é de fato o jejum? Para que o jejum? Como deve ser o jejum? Qual o sentido de falar em jejum hoje?

 

Breves respostas para nossa reflexão sobre este tema tão importante que nos ajuda no itinerário quaresmal em preparação da grande festa da Páscoa do Senhor, para que o jejum seja muito mais do que abster-se de carne na quarta-feira de cinzas e Sexta-feira Santa, como nos orienta a Igreja. Ela nos pede muito mais!

 

Na quarta-feira de cinzas lemos– “Agora, diz o Senhor, voltai para mim com todo o vosso coração, com jejuns, lágrimas e gemidos, rasgai o coração e não as vossas vestes; e voltai para o Senhor, vosso Deus; ele é benigno é compassivo, paciente e cheio de misericórdia, inclinado a perdoar o castigo” (Joel 2,12).

 

Ø      Por sua vez o Profeta Isaías nos diz claramente como deve ser o jejum que agrada ao Senhor – “Acaso o jejum que prefiro não é outro – quebrar as cadeias injustas, desligar as amarras do jugo, tornar livres os que estão detidos, enfim, romper todo tipo de sujeição? Não é repartir o pão com o faminto, acolher em casa os pobres e peregrinos? Quando encontrares um nu, cobre-o, e não desprezes a tua carne. Então trilhará tua luz como a aurora e tua saúde há de recuperar-se mais depressa; à frente caminhará tua justiça e a glória do Senhor te seguirá. Então invocarás o Senhor e Ele te atenderá, pedirás socorro, e ele dirá – Eis me aqui”( Is. 58,6-9a )..

 

O profeta Isaías diz claramente que o jejum praticado pelo povo de Deus não agradava ao Senhor porque não vinha acompanhado de atitudes coerentes. Pelo contrário, praticavam litígios, brigas, agressões, negociatas…

 

Jejum, penitência e oração não tem valor algum se não forem vivificados e acompanhados pelas obras da caridade. Não agrada ao Senhor a prática do jejum sem a prática da justiça. Logo este jejum não alcança o coração de Deus e não edifica a Paz!O jejum agradável ao Senhor consiste em libertar-se do egoísmo e prestar alívio e ajuda ao próximo. O jejum deve ser acompanhado sempre da prática da conversão e solidariedade.

 

Enquanto Jesus caminhava com os discípulos não era preciso o jejum, pois Ele era o Esposo da humanidade. Após sua morte e ressurreição inaugura o tempo da Igreja, logo a necessidade do jejum até que ele venha! É, portanto, tempo do nosso jejum, na perspectiva dos profetas Joel e Isaías.

 

ü      Há um texto do século IV, do Bispo São Pedro Crisólogo que diz claramente: O que a oração pede, o jejum o alcança e a misericórdia o recebe (Lit. Horas – Vol.II p.204/5). Embora seja longo, vale a pena meditá-lo.

 

“Há três coisas, meus irmãos, três coisas que mantém a fé, dão firmeza a devoção e perseverança a virtude. São elas a oração, o jejum e a misericórdia. O que a oração pede, o jejum alcança e a misericórdia recebe. Oração, misericórdia, jejum: três coisas que são uma só e se vivificam reciprocamente.

 

O jejum é a alma da oração e a misericórdia dá vida ao jejum. Ninguém queira separar estas três coisas, pois são inseparáveis. Quem pratica somente uma delas ou não pratica todas simultaneamente, é como se nada fizesse… Quem ora também jejue; e quem jejua, pratique a misericórdia. Quem deseja ser atendido nas suas orações atenda as súplicas de quem lhe pede; pois aquele que não fecha seus ouvidos às suplicas alheias, abre os ouvidos de Deus às suas próprias súplicas.

 

Quem jejua, pense no sentido do jejum; seja sensível à fome dos outros, quem deseja que Deus seja sensível à sua; seja misericordioso quem espera alcançar misericórdia; quem pede compaixão, também se compadeça; quem quer ser ajudado, ajude os outros. Muito mal suplica quem nega aos outros aquilo que pede para si.

Homem sê para ti mesmo a medida da misericórdia; deste modo alcançarás misericórdia como quiseres, quanto quiseres e com a rapidez que quiseres; basta que te compadeças dos outros com generosidade e presteza.

 

Peçamos, portanto, destas três virtudes – Oração, jejum, misericórdia – uma única força mediadora junto de Deus em nosso favor; seja para nós uma única defesa, uma única oração, sob três formas distintas.

 

Reconquistemos pelo jejum o que perdemos por não saber apreciá-lo; imolemos nossas almas pelo jejum, pois nada melhor podemos oferecer a Deus como ensina o Profeta: Sacrifício agradável a Deus é um espírito penitente; Deus não despreza um coração arrependido e humilhado – Salmo 50,19).

 

(…) Mas, para que a oferta seja aceita por Deus, a misericórdia deve acompanhá-la: O jejum só dá frutos se for regado pela misericórdia, pois a aridez da misericórdia faz secar o jejum. O que a chuva é para a terra, é a misericórdia para o jejum. Por mais que cultive o coração, purifique o corpo, extirpe os maus costumes e semeia as virtudes, o que jejua não colherá frutos se não abrir as torrentes da misericórdia.

 

Tu que jejuas, não esqueças que fica em jejum o teu campo se jejua a tua misericórdia: pelo contrário, a liberalidade da tua misericórdia encherá de bens os teus celeiros. “Portanto, ó homem, para que não venhas a perder por ter guardado para ti, distribui aos outros para que venhas a recolher; dá a ti mesmo, dando aos pobres; porque o que deixares de dar aos outros, também tu não o possuirás”.

 

Finalizando, o Catecismo da Igreja apresenta o jejum como seu quarto mandamento: “Jejuar e abster-se de carne, conforme manda a Santa Mãe Igreja” – determina que os tempos de ascese e penitência que nos preparam para as festas litúrgicas; contribuem para nos fazer adquirir o domínio sobre nossos instintos e a liberdade de coração (n.2043).

 

E há outro parágrafo muito interessante sobre o jejum evangélico necessário para a participação no banquete nupcial: “A fim de se prepararem convenientemente para receber este sacramento (Eucaristia), os fiéis observarão o jejum prescrito em sua Igreja. A atitude corporal (gestos, roupa) há de traduzir o respeito, a solenidade, a alegria deste momento em que Cristo se torna nosso hóspede” (n.1387).

 

Como vemos o jejum é mais do que atual: É bíblico, é necessário. Jejum bem feito é certeza de que a Paz brotará como fruto da justiça acompanhada da prática do jejum verdadeiro.

 

 

 

 

JEJUEMOS LIVREMENTE PARA QUE SEJAMOS SOLIDÁRIOS COM AQUELES QUE JEJUAM FORÇADOS!!!!!!!!

 

 

 

 

 

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O AMOR É A FONTE DA ORAÇÃO

 

 O AMOR É A FONTE DA ORAÇÃO

Quaresma: tempo favorável de oração. Faço a reedição deste artigo que poderá nos ajudar e motivar a intensificar nossos momentos de oração e intimidade com O Senhor, em que nossa alma se eleva até Deus, e somos acolhidos num grande abraço, expressão da ternura, amor e carinho de Deus por nós…


“Naqueles dias, Jesus foi à montanha para orar e passou a noite inteira em oração a Deus. Depois que amanheceu, chamou os discípulos e dentre eles escolheu doze, aos quais deu o nome de apóstolos” (Lucas 6,12-13).

O Verbo, na montanha, passou a noite inteira em oração… Ao amanhecer chama os seus… Contemplemos esta noite memorável. Quais teriam sido as Palavras do Filho dirigidas ao Pai? Quais teriam sido as Palavras do Pai dirigida ao Filho, e lá estava também O Espírito, como elo de amor, comunicação do Pai e do Filho.

Montanha, lugar da manifestação do Deus que é diálogo, discernimento, intimidade, recolhimento…


Montanha, lugar da comunicação, da abertura, da proximidade, Palavra Luz para todo momento.


Planície para qual Jesus e os seus escolhidos desceram, para levar a Palavra, cura, libertação, paz, vida nova e alegria, sinais do Reino que se anuncia, que a tudo se renuncia, no fiel seguimento, inaugurando novo dia…


Planície para qual Jesus e os seus escolhidos desceram, para proclamar ao mundo o Projeto das Bem Aventuranças. caminho da plena felicidade, que se contrapõe aos planos de uma velha humanidade…

Na Escola do Grande mestre temos com alguns muito a aprender: aprendamos com aqueles que fizeram da oração o alimento indispensável da existência; lâmpada para a escuridão da noite…Estrela que se vislumbra em cada amanhecer até o escurecer.

Aprendamos com aqueles que descobriram a vitalidade da oração, não como evasão do tempo presente, mas como inserção no mesmo.

Em Escola de tantos posteriores seguidores do Mestre, fiquemos com estes ensinamentos que rompem um pouco nossa surdez; fazem recuperar a visibilidade de caminhos e horizontes às vezes perdidos; que refazem nossa imperativa escuta da voz Divina, que fala aos ouvidos, mas sobretudo no coração de quem crê e ama.

No silêncio da oração, mais que multiplicação das palavras, é a exata ausência das mesmas, para que A Palavra possa ser ouvida e a Palavra é Ele mesmo: Jesus!

Na aparente ausência da sua presença, reconhecê-Lo, ouvi-Lo; falar-Lhe; dialogar… Diálogo que se começa e não há desejo de findar: isto é oração.

Tão mais necessária é a oração, quanto maior for o nosso Amor pelo Amor.

“Procurai pela leitura e encontrareis meditando;
batei orando e vos será aberto pela contemplação”
Santos Padres

“A Deus falamos quando rezamos;
a Ele ouvimos quando lemos os divinos oráculos”
Santo Ambrósio

“A oração é a elevação da alma a Deus ou o pedido a Deus dos bens convenientes”
São João Damasceno

“Ele ora por nós como nosso sacerdote, ora em nós como nossa cabeça, e a Ele sobe nossa oração como ao nosso Deus.
Reconheçamos pois, Nele os nossos clamores e em nós os seus clamores”
Santo Agostinho

“Para mim, a oração é um impulso do coração, é um simples olhar lançado ao céu,
um grito de reconhecimento e amor no meio da provação ou no meio da alegria”
Santa Teresa do Menino Jesus

“A mais bela realidade do homem: rezar e amar.
Se rezais e amais, eis aí a felicidade do homem sobre a terra.
A oração nada mais é do que a união com Deus.
Quando alguém tem o coração puro e unido a Deus, sente em si mesmo uma suavidade e doçura que inebria, e uma luz maravilhosa que o envolve…
Nós nos havíamos tornado indignos de rezar. Deus, porém, na sua bondade, permitiu-nos falar com Ele. Nossa oração é o incenso que mais lhe agrada.
Meus filhinhos, o vosso coração é por demais pequeno, mas a oração o dilata e torna capaz de amar a Deus.
A Oração faz saborear antecipadamente a felicidade do céu; é como mel que se derrama sobre a alma e faz com que tudo nos seja doce.
Na oração bem feita, os sofrimentos desaparecem, como a neve que se derrete sob os raios do sol.
Outro benefício que nos é dado pela oração: o tempo passa tão depressa e com tanta satisfação para o homem , que nem se percebe sua duração…”
S. João Maria Vianney – Presbítero – século XIX

Com a oração, apesar da aridez de nosso coração, Deus poderá fazer nascer a teimosa flor que traz consigo um anúncio: a vida vence a morte… A oração é o regar de toda semente para floresça e dê seus frutos…

 

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26.2.09

QUARESMA: RECOLOCAR A VIDA NOS TRILHOS DA SALVAÇÃO

QUARESMA: TEMPO DE RECOLOCAR A VIDA NOS TRILHOS DA SALVAÇÃO

 

 

 

 

 

Quando penso que escrevi tudo sobre a Quaresma, nas leituras espirituais que se colocam a minha frente, multiplicam abundantes definições.

 

Não poderia guardá-las todas em minha memória, e tão pouco não compartilhá-las, para que todos façamos da quaresma, um tempo de recolocação de nossa vida nos trilhos da salvação. Esta foi uma das que mais gostei, por isto inspirou o título.

 

No projeto Nacional de Evangelização, Roteiros Homiléticos da Quaresma 2009 há uma riqueza de definições.

 

Quaresma jamais foi e jamais será tempo de luto ou de tristeza!

 

Quaresma vem do latim quadragésima e lembra sobretudo os quarenta anos do povo de Deus no deserto e os quarenta dias do Senhor no deserto sofrendo as tentações do maligno. É um tempo de quarenta dias vivido na proximidade do Senhor, na entrega a Ele.

 

Quaresma:

 

Ø      É um tempo abençoado e privilegiado na vida da Igreja de conversão, purificação e glorificação do Senhor;

Ø      É mergulhar corajosamente no infinito mar de misericórdia de Deus;

Ø      Tempo de conversão e entrada na prática e na solidariedade de Jesus.

Ø      É um tempo em que caminhamos para a festa, preparada no coração através da oração, jejum e esmola;

Ø      Tempo de volta confiante ao Senhor, carregando com fidelidade e coragem nossa cruz de cada dia;

Ø      Tempo de aprofundarmos nosso desejo de santidade em esforço incansável de conversão, renuncia ao pecado, de tudo aquilo que nos afasta de Deus; esforçar-se por uma vida mais intensamente santa;

Ø      Tempo de intensa expectativa e inteligente concentração para viver gostosa e intensamente as alegrias da Ressurreição do Senhor;

Ø      É um tempo de abrir o coração para a novidade do Evangelho, tendo como centro a cruz de Cristo, sinal de salvação e reconciliação com a humanidade;

Ø      Tempo de renovação da Aliança,

Ø      Tempo da revitalização das promessas do batismo para uma inserção mais consciente na vida da comunidade;

Ø      Tempo de envolver-se de corpo e alma na libertação das pessoas excluídas e oprimidas, vitimas de tanta corrupção, violência e descasos com a vida;

Ø      Tempo de buscar caminhos para valorização da vida que muitas vezes é banalizada; violada; instrumentalizada…

Ø      Tempo de abandonar os ídolos e renovar nossa fidelidade ao Deus de Jesus Cristo por meio da escuta da Palavra, intensificando momentos de profunda Oração;

Ø      Tempo de deixar-se conduzir ao deserto, para que o Senhor nos fale ao coração;

Ø      Tempo de rever as linhas de conduta, corrigir os erros de trajetória, aprofundar a unidade entre nós;

Ø      É tempo de reconhecer o negativo, a morte, o sofrimento, para vencê-los e superá-los, na Páscoa que se anuncia;

Ø      Tempo único e precioso de subir com Jesus ao monte Tabor e viver na intimidade com Ele, de conhecer seus desígnios para vivê-los na planície;

Ø      Tempo de ressuscitarmos com Cristo e nos colocarmos a serviço do sei reino;

Ø      Tempo de compromisso com a Paz bíblica: Plenitude de vida; condições dignas para se viver.

Continuemos nossa caminhada Quaresmal. Há um longo itinerário espiritual a ser percorrido. Estamos apenas no começo, e tenho certeza de que podemos fazer desta a melhor de todas as quaresmas já vivida.

 

Reflexões não nos faltam. Urge colocá-las em prática.

 

A Campanha da Fraternidade nos desafia ao compromisso com a justiça para que floresça a paz. Há uma reflexão de Marcelo Barros que começa assim: “Paz, palavra sagrada, que meus lábios não te pronunciem em vão. Quero neste ano, plantar tua semente no terreno fecundo da justiça…”.

 

Se a semente da Paz deve ser plantada no terreno fecundo da justiça, deverá ser regada com o amor mais intenso que devemos viver na Quaresma e em todo tempo, para que cultivemos na esperança um novo tempo, sinal da Páscoa, anunciada na madrugada da Ressurreição, no mais profundo do coração daqueles que crêem, que fazem da fé um teimoso compromisso com a Vida e a Vida plena!

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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25.2.09

QUARESMA–TEMPO FAVORÁVEL DA NOSSA SALVAÇÃO

QUARESMA – TEMPO FAVORÁVEL DA NOSSA SALVAÇÃO

 

 

 

 

I – O TEMPO DA QUARESMA: É UM TEMPO EM QUE SE VISA PREPARAR A CELEBRAÇÃO DA PÁSCOA.

 

Este tempo vai da Quarta-feira de Cinzas até a Missa da Ceia do Senhor, exclusive,  ou seja, acaba ao começar a Ceia do Senhor na Quinta-Feira Santa.Durante o tempo da Quaresma temos cinco domingos, sendo que o sexto domingo com o qual se inicia a Semana Santa é chamado de “Domingo de Ramos e da Paixão do Senhor”, em que se utiliza paramentos vermelhos.

 

ü     A Quaresma é Tempo de Penitencia, tempo forte de oração, mas uma Oração Fraterna e Transformadora.

 

ü     É tempo privilegiado de Conversão Individual, Familiar, Eclesial, Comunitária e Social.

 

ü     A cor do tempo Quaresmal é o roxo que nos evoca a atitude de penitência, arrependimento, conversão…

 

A Penitência Quaresmal não é apenas Interna e Individual, deve ser também Externa e Social, orientada para as obras de misericórdia, em favor dos irmãos, como nos fala o Documento da Igreja (SC 105.109-110 – Vaticano II).

 

São Paulo na Carta aos Coríntios (2 Cor. 5,20-6,2) nos diz que é momento favorável de nossa Salvação, por meio de Jesus Cristo, convidando-nos a aproveitar este tempo de graça, tempo de reconciliação com Deus e com os irmãos e irmãs.

 

Concluindo, Quaresma é:

 

- Tempo de exercitar as três práticas penitenciais profundamente evangélicas: oração, jejum, esmola;

 

- Tempo de participação mais ativa, intensa e frutuosa (não se trata tão apenas de presença física) nas Liturgias Quaresmais e Celebrações Penitenciais e outros momentos fortes de oração (Via Sacra, Vigília, Grupos de Reflexão….).

 

- É momento de toda a Comunidade se expressar, através de sua conduta nova, através de sinais de conversão – mas não com fins promocionais, de engrandecimento.

 

- É momento de expressar maior partilha dos bens frente às necessidades concretas dos irmãos e irmãs.

 

II – O QUE SIGNIFICA A CELEBRAÇÃO EUCARÍSTICA NO TEMPO DA QUARESMA?

 

- Significa percorrer, juntamente com Cristo, o Caminho da provação, que pertence a Igreja e a cada homem e mulher, a cada cristão;

 

- Assumir mais decididamente a obediência filial ao Pai, fazendo-se dom de si mesmo aos irmãos, em viva solidariedade;

 

- Renovar os compromissos de nosso Batismo, fazendo nossa passagem para a Vida Nova de Jesus, Senhor Ressuscitado, para a glória do Pai, na Unidade do Espírito Santo.

 

III – A ESTREITA LIGAÇÃO ENTRE A QUARESMA E A CAMPANHA DA FRATERNIDADE

 

A Campanha da Fraternidade de 2009 quer ser o grande esforço da Igreja no Brasil para viver intensamente o tempo santo da Quaresma, constituindo-se como um extraordinário instrumento para que todos busquem a conversão e vivam um tempo de graça e de salvação (Texto base n.1).

 

Através da oração, do jejum, da prática da caridade, da escuta da Palavra, da participação nos sacramentos e na vida comunitária e da prática do Amor solidário, nos preparamos para viver, de maneira intensa, o momento mais importante do ano litúrgico e da história da Salvação: A Páscoa; A Campanha da Fraternidade mantém e fortalece o espírito quaresmal. (idem n.2).

 

A Campanha deste ano tem como Objetivo Geral suscitar o debate sobre a segurança pública e contribuir para a promoção da cultura da Paz nas pessoas, na família, na comunidade e na sociedade, a fim de que todos se empenhem efetivamente na construção da justiça social que seja garantia de segurança para todos. (idem n.4)

 

Mais sobre a Campanha veja posts anteriores (A paz é fruto da justiça n.1,2,3,4 – sobretudo 1 e 2)

 

Dentre os objetivos específicos citamos:

 

- Desenvolver nas pessoas a capacidade de reconhecer a violência na sua realidade pessoal e social, a fim de que possam se sensibilizar e se mobilizar, assumindo sua responsabilidade pessoal no que diz respeito ao problema da violência;

 

- Denunciar a gravidade dos crimes contra a ética, a economia e as gestões públicas, assim como a injustiça presente nos institutos da prisão especial, do foro privilegiado e da imunidade parlamentar para crimes comuns;

 

- Favorecer a promoção da cultura da vida e da paz;

 

- Promoção de políticas públicas e redes para superação da violência e suas causas;

 

- Desenvolver ações que visem a superação das causas e dos fatores de insegurança;

 

- Despertar o agir solidário para com as vítimas da violência;

 

- Apoiar as políticas governamentais valorizadoras dos direitos humanos.

 

Que Deus nos conceda a graça de mais uma Quaresma, tempo de graça e de Salvação! Quaresma não é tempo de tristeza, mas de profundo recolhimento, esforço, renúncias, fidelidade no carregar da Cruz para que possamos exultar de alegria na aurora da Ressurreição.

 

O esplendor e alegria da páscoa só será possível para quem carregar com fidelidade e Amor a Cruz, imitar em nossa vida os passos da vida e da paixão de Nosso Senhor, mas com muita, muita Fé, Esperança e Amor…

 

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A QUARTA FEIRA DE CINZAS NO MISTÉRIO DA FÉ

A QUARTA FEIRA DE CINZAS NO MISTÉRIO DA FÉ

 

Neste dia, os fiéis recebem as cinzas, iniciando o tempo favorável da salvação. Por este sinal, já da tradição Bíblica (2 Sm 13,19; Ester 4,1; Jô 42,6; 1 Mc 3,47 e Lamentações 2,10) e se tem mantido até os nossos dias, na tradição da igreja. As cinzas significam a condição da pessoa que é pecadora, confessando a sua culpa diante do Senhor.

 

Exprime a VONTADE DE CONVERSÃO, confiando na bondade do senhor, paciente e cheio de misericórdia.

Por este sinal começamos a percorrer o caminho da conversão, cujo ponto alto se dará da Celebração Penitencial, durante o Tempo Quaresmal.

 

Ø      A Cinza não é vacina, não cura doenças, não afasta os pecados do carnaval. Usar cinzas na cabeça é para significar que a pessoa está disposta a se comprometer com a Quaresma, que ela quer realizar sua própria transformação para a fraternidade; e quer colaborar para a transformação da própria sociedade, sobretudo se pensarmos na Campanha da Fraternidade deste ano, significará renovado compromisso com a Fraternidade e a Justiça e a paz.

 

Na Quarta-Feira de cinzas, a Liturgia da Palavra (Mateus 6,1-18) convoca-nos para os exercícios Quaresmais de conversão e que envolve as relações fundamentais do ser humano:

 

a)                A Oração: trata do relacionamento da criatura com o Criador, através da oração, vive e intensifica a profunda relação filial com Deus;

 

b)                A Esmola: trata-se do relacionamento da criatura com o seu próximo, através da partilha, sobretudo com os mais necessitados;

 

 

c)                 O Jejum: trata-se do relacionamento da criatura com a natureza, com os bens criados por Deus. O homem e mulher são Senhores de todos os bens; através do jejum, sente na pele a necessidade do outro. Sente-se interpelado a fazer com que todos participem dos frutos da criação e do trabalho humano.

 

Iniciemos a Quaresma. Serão quarenta dias que nos lembram o povo de Deus caminhando quarenta anos pelo deserto; os quarenta dias que O Senhor Jesus também ficou no deserto enfrentando as armações e tentações diabólicas do ser, ter, poder. Vencendo o maligno nos mostrou o caminho a percorrer.

 

Quaresma: Um itinerário a ser percorrido que trará a novidade e a alegria da Páscoa em nossos corações!

 

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Na Escola da Sabedoria

Na Escola da Sabedoria

A Sabedoria de Deus é a Loucura da Cruz

 

 

 

 

Ontem pela tarde (após uma chuva muito forte) celebrei a Missa de encerramento do Retiro – Reavivai, promovido pela Renovação Carismática Católica da Diocese de Guarulhos. Havia preparado alguns apontamentos e o título da reflexão, que é o primeiro acima. Mas ao ouvir a Palavra Proclamada, achei que era oportuno pensar no segundo título.

 

Também pude acrescentar outras lições que devemos aprender na Escola da Sabedoria que é a Escola de Santidade e Fidelidade ao Senhor. E agora quando fui reescrever, mais algumas inspirações me vieram.

 

A Palavra de Deus da Liturgia nos presenteava com o Livro do Eclesiástico (2,1-13); Salmo 36 e Evangelho de São Marcos (9,30-37).

As lições abaixo revelam se somos possuidores da sabedoria de Deus e se somos movidos incondicionalmente por Amor a Jesus, assumindo e vivendo a loucura da Cruz.

 

1.      - Constância na fidelidade a Palavra de Deus – Deus nos pede uma constância na prática de fé. A Sabedoria de Deus não nos permite oscilações tão acentuadas.

 

2.      - Fidelidade a Deus e aos compromissos sagrados – fidelidade ao seu Projeto e a sua Palavra; guardar seus mandamentos – fidelidade em tudo em nossa vida…

 

3.      - Paciência para alcançar resultados – a oração deve ser feita sem nada cobrar de Deus. O tempo de Deus não é o nosso tempo. A sabedoria de Deus nos faz manter a paciência até que possamos alcançar o que nos for melhor e o que for, de fato, o querer de Deus – alcançamos a sabedoria quando aprendemos a suportar as demoras de Deus…

 

4 - Confiança no auxílio do Senhor, para além de todas as aparências, para além de tudo e de todos. Somente no Senhor devemos confiar. Ele protege quem o procura com coração sincero…

 

5 Contar sempre com a misericórdia de Deus e por ela ser revestido. A loucura da cruz nos leva ao mergulho no abismo profundo de amor que é o coração transpassado de Jesus – Sagrado coração de Jesus, fazei nosso coração semelhante ao vosso! Suplicamos!

 

6 A sabedoria de Deus é alcançada quando reconhecemos nossos pecados e a Deus voltamos de coração contrito e humilhado…

 

7 A sabedoria de Deus não deixará nossos olhos e coração ofuscado – teremos os corações iluminados…

 

8- Consciência de que somos preciosos aos olhos de Deus – dificuldades, inquietações não podem abaixar nossa alto estima. Jamais podemos nos sentir desamparados e abandonados por Deus. Por que Deus nos deu O Seu Filho único e compartilhou de sua dor e entrega na cruz? Porque somos preciosos demais aos seus olhos… Embora não o mereçamos…

 

9- Determinação em seguir a trilha do bem, afastando-se de tudo aquilo que nos distancie de Deus, conseqüentemente da felicidade por Ele querida para nós.

 

10- Suportar as provações que não são para nos derrotar, mas assimiladas e enfrentadas com fé, leva-nos ao amadurecimento, ao crescimento. Ele também foi provado, tentado e venceu. Nele e com Ele também podemos vencer, como assim o rezamos no Pai Nosso…

 

11- Somos protegidos em todas as aflições – Deus é nosso auxílio, nosso refúgio e salvação…

 

12- Crer que o sofrimento não tem a última palavra, tão pouco a morte.

    

13- Purificação de nossos pensamentos, mentalidade e atitudes para que se conformem aos pensamentos, e atitudes de Deus – aqui reside a verdadeira loucura da Cruz e o alcance da verdadeira sabedoria.

 

14 - Acolher Jesus e sua proposta no carregar da Cruz a cada dia, precedido das renuncias necessárias;

 

15 - Coragem para seguir o Crucificado. Não Cristo sem cruz. Não é possível termos encontrado Jesus Cristo sem cruz. Sabedoria de Deus é para quem assume a inevitabilidade da cruz em Seu seguimento. Completar em nossa carne o que falta a Paixão de Cristo, por amor a sua Igreja.

 

16- Por-se sempre a caminho, numa longa travessia. Seguir Jesus é colocar-se sempre a caminho; cansar talvez – recuar jamais – Ele é o único caminho. Jesus se descobre caminhando. Deus se revela quando nos pomos a caminho, quando nos desinstalamos de nossas comodidades, mesmices…

 

17- Ser último de todos na atitude de serviço.

 

18 - Acolher Jesus leva ao compromisso e solidariedade com os pequeninos, os marginalizados, sinalizando a presença do Reino. A acolhida de Jesus se dá na acolhida do necessitado, do marginalizado…

 

19 - Cultivar a alegria como discípulos missionários – aqui em perfeita sintonia com o tema do Retiro – “A alegria do Senhor é a nossa força” (Neemias);

 

20 - Compromisso com a justiça para que floresça a paz!

 

21 A sabedoria de Deus está naqueles que assumem a loucura da Cruz e se colocam na defesa da vida, desde a concepção até seu declínio natural. Esta inspiração brotou quando Pe. Berardo motivou a todos para participar do ato público na Praça da Sé, dia 28 de março, em defesa da vida, contra a Prática pecaminosa do aborto…

 

 

 

 

Finalizo fazendo um convite para retomarmos sempre as citações bíblicas acima. Eclesiástico (2) é aquela passagem bíblica que quantas vezes lermos e rezarmos, teremos sempre algo de novo sendo escrito por Deus em nosso coração.

 

Afinal, a Palavra Sagrada é fonte inesgotável de Sabedoria, porque a Sabedoria de Deus é inesgotável, não cabe na pequenez de nossas mentes e limites de nosso coração. Importante é buscar a sabedoria sempre. Invocá-la, suplicá-la, vivendo o Amor que leva a glória eterna, o amor que passa pelo caminho (humanamente incompreensível) da cruz (divinamente vivido e testemunhado)!

 

 

 

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24.2.09

A Paz é fruto da justiça (n.4)

 

A PAZ É FRUTO DA JUSTIÇA (N.4)

 

O artigo abaixo eu o escrevi em 2005 e guarda sua atualidade e ligação perfeita com a Campanha da Fraternidade deste ano.  

 

 

 

QUANDO SE PLANTA A JUSTIÇA, COLHE-SE A PAZ!

 

O Fest-Jovem (2005), promovido pela Pastoral da Juventude Diocesana, teve como tema “Solidariedade e Paz” e como lema “Felizes os que promovem a Paz”. É um espaço onde os jovens podem participar com suas músicas de própria autoria. As “vencedoras” pela ordem são: “Maior é o viver” da Paróquia S.Alberto Magno, “Fazer a Paz acontecer” – Santa Cruz/Taboão e “Felizes os que promovem a Paz” – S.Antonio/Pimentas. Vencedores são todos que participam! (…).

 

As letras das músicas apresentadas trazem um desejo de Paz que brota do coração de toda juventude, fecundado e alimentado pela espiritualidade que tem como fonte a Sagrada Escritura. As letras retratam situações difíceis por que passam o mundo: Violência. Corrupção, drogas, crise de valores, fome, desemprego, doenças, vazios de sentido, depressão etc…

 

Junto com a Poeira levantada, subiam súplicas de paz aos céus! Os raios de sol que ardiam em nossas cabeças era o mesmo calor que queríamos sentir em nossos corações para rezar com o salmista:

 

“Amor e verdade se encontram, justiça e paz se abraçam; da terra germinará a Verdade e a Justiça se inclinará do céu. O próprio Iahweh dará a felicidade, e nossa terra dará seu fruto. A Justiça caminhará a sua frente, e com seus passos traçará um caminho” (Sl. 85,11-14).

 

Os jovens através das letras próprias e notas musicais ecoaram seu grito pela paz cantando:

 

“A paz não se faz de palavras, de cartazes ou dizeres. Paz se faz de atitudes, dignidade e ação. Não apenas quando as armas cessarem, mas do direito à educação, sem pessoas que choram por fome. Paz, quem quer a paz respeita a vida. Não importa o seu interesse, maior é o viver. Paz, quem quer a paz, respeita irmão, a paz é uma escolha, é o direito de expressão…”.

 

“Paz não nasce do nada, paz só brota se for semeada; Paz não é canto que cala. Paz é música de todos, é canto de multidão em diferentes línguas. Paz é ação.”

 

O canto foi cantado, o compromisso renovado! Alimentados pela Palavra de Deus, envolvidos pela leve e suave brisa divina. Do canto aos passos a serem dados. Do canto à travessia do mar, acolhendo a palavra do Verbo: “Coragem, sou eu, não tenham medo!” (Mt 15,27). Ele está conosco na travessia do mar, presente em nossa barca Igreja, pastorais, em nossa Pastoral da Juventude… Os ventos contrários, que agitam a barca não têm mais força que sua palavra e presença!

 

A juventude sente e vibra com esta presença, e como o profeta Isaías continua plantando a justiça para colher à paz: “O fruto da justiça será a paz, e a obra da justiça consistirá na tranqüilidade e na segurança para sempre. Meu povo morará em mansões seguras e em lugares tranqüilos. Embora a floresta venha a baixo, embora a cidade humilhada, sereis felizes, semeando junto de águas abundantes, deixando andar livres os bois e os jumentos” (Isaías 32,17-18).

 

 

criado por peotacilio    21:24 — Arquivado em: Reflexões

A Paz é fruto da justiça (n.3)

A PAZ É FRUTO DA JUSTIÇA (n.3)

 

O artigo abaixo eu o escrevi em 2005 e guarda sua atualidade e ligação perfeita com a Campanha da Fraternidade deste ano.  

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

PAZ – UTOPIA E CONQUISTA – FELIZ QUEM A PROMOVE!

 

“Solidariedade e paz”, tema da Campanha da Fraternidade (2005) é uma proposta ecumênica da Igreja do Brasil nesta quaresma, tempo favorável de reconciliação e salvação. Evidente que não se pode reduzir a mais uma Campanha da Fraternidade, ressoando em nosso coração a oração do salmista: “A verdade e o amor se encontrarão; a justiça e a paz se abraçarão; da terra brotará a fidelidade, e a justiça olhará dos altos céus” (Salmo 85,11-12).

 

A cultura de morte é visível. A cada 20 corpos de mortos no I.M. L, 15 são de jovens; a cada 7 segundos uma criança morre de fome no mundo; a cada dia 100 mil pessoas morrem de fome ou de suas conseqüências; para cada dólar que a ONU gasta em missões de paz, o mundo investe 2.000 dólares em guerras; no mundo, em 2003, US$ 960 bilhões foram investidos em gastos militares (US$ 100mil dólares por segundo); só o orçamento militar norte americano 2004/5 prevê um gasto de US$ 15 mil dólares por segundo (sic); segundo a Unicef 18 mil crianças e adolescentes são espancados diariamente em nosso país, assim como quase 2,1 milhões de mulheres sofrem espancamento em mãos de maridos, ex-maridos ou namorados (equivalente a 4 mulheres agredidas por minuto) todo ano; na América Latina 174 milhões de crianças não têm perspectiva de futuro; em 2002 tivemos 40 mil pessoas fulminadas com armas de fogo no Brasil (quase um Vietnã por ano); etc…

 

No Evangelho há uma bela passagem do bom samaritano (Lc. 10,29-36) em que nos permite vislumbrar que a paz é possível, quando se viver à solidariedade e a proximidade amorosa aos vitimados pela cultura da morte que se encontram a beira do caminho –“Amor e solidariedade não se manifestam só em ações isoladas, mas geram uma responsabilidade continuada. Ações concretas podem ser gotas de água, é verdade, mas estão a caminho de um rio de solidariedade” (Texto Base CF n.38).

 

Somos todos interpelados a construir a cultura da paz. É preciso nutrir uma esperança em que não nos coloque na atitude de resignação, delegando a Deus a promoção da paz; tão pouco uma atitude demasiadamente otimista, como se ela pudesse vir por um decreto de poderosos. Urge passarmos da cultura de morte e violência para uma cultura de vida e paz!

 

A paz deve ser para nós sempre uma utopia e uma conquista. Utopia porque é impossível realizá-la plenamente; conquista porque ela só é alcançada quando não se medem esforços necessários, das micro às macro ações: atitudes de reconciliação e perdão entre as pessoas; tomada de consciência e colocação em prática da Declaração Universal dos Direitos Humanos; política de desarmamento; solidariedade para com os povos em conflito; convivência e tolerância para com o diferente; vivência de um ecumenismo com propostas concretas para defesa e promoção da vida; consciência e sensibilidade ecológica na preservação do planeta; fortalecimento dos Conselhos Municipais, etc…

 

A Paz como Utopia e conquista nos será sempre um caminho para a felicidade: “Felizes os que promovem a paz” (Mt 5,9).

 

E você, o que está fazendo pela Paz?

 

 

 

 

 

 

criado por peotacilio    21:17 — Arquivado em: Sem categoria

A paz é fruto da justiça (n. 2)

Eis o tempo favorável para a cultura da paz e da vida!

 

 

                                                                   

                                                                                                     

 

 

Acabamos de celebrar o tríduo em louvor Nossa Senhora do Sion, com tema profundamente inspirador e comprometedor: “Ó Maria, aurora de um mundo novo, vem nos ensinar a acolher, a celebrar e a testemunhar”.

 

Noites memoráveis que antecederam à Missa Solene. Está guardado em todos que puderam participar: as reflexões, as luzes que foram acesas para iluminar nossos caminhos, o amadurecimento da espiritualidade mariana, que nos leva incondicionalmente a maior fidelidade a Jesus e à vivência e testemunho de Seu Evangelho.

 

Fomos motivados, a rever nossa atitude de acolhida da vida e do outro com amor, sendo esta por excelência a identidade dos seguidores de Jesus e devotos de Maria. Ao celebrar com alegria nossos encontros eucarísticos, fazendo de toda nossa vida um mistério pascal de Morte e Ressurreição, eucaristizada no altar do Senhor. A conseqüência  é  o testemunho corajoso da fé, não deixando apagar nossa chama profética, sendo sal e luz no coração do mundo.

 

Agora se anuncia uma quaresma, que é para toda a Igreja tempo favorável de conversão (pessoal, familiar, comunitária e social) e salvação.  Seremos interpelados, a não desperdiçar a graça em nós derramada por Deus, por meio de Seu Filho na força e ação do Espírito.

 

Tempo de mudança, de crescimento espiritual, de vivermos intensamente nosso batismo. Serão dias de intensa oração, prática de jejum e esmola. Tempo também de confissão. A compaixão e a solidariedade tornar-se-ão fortes marcas de todos nós. Envolvidos pela misericórdia de Deus caminharemos para a celebração do Mistério de Sua Ressurreição. E como acontece há quatro décadas, será tempo da Campanha da Fraternidade que traz como tema: “Fraternidade e Segurança Pública” e como lema “ A paz é fruto da justiça” (Is. 32,17).

 

A barca da Igreja terá, o sopro do Espírito em suas velas, para ir de encontro a tantas e incontáveis realidades que clamam por justiça, como poderemos ver nos diversos encontros de formação, círculos bíblicos, celebrações, vias-sacras, debates, artigos e inclusive neste Jornal que quer ser uma Voz Viva, em favor da paz que é indiscutivelmente fruto da justiça vivida entre as pessoas.

 

 

Ressoando o tema do tríduo, concluímos: Ó Maria, aurora de um mundo novo, vem nos ensinar a construir a cultura da paz e da vida, que Seu Filho veio inaugurar e não teve medo de a nós confiar. Eis o tempo favorável, não podemos nos omitir…

 

                                                   

criado por peotacilio    13:33 — Arquivado em: Sem categoria

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