Pe. Otacilio F. Lacerda

Artigos, textos e poesias para meditação, reflexão.

18.1.09

Ela voltou a cantar…

Ela voltou a cantar…

 

 

 

 

 

Já fazia algum tempo que não a via cantar. Já fazia algum tempo que não a via sorrir. Hoje finalmente, ela voltou a sorrir e a cantar. A dor da ausência teve que suplantar, uma nova presença contemplar e o coração re-alegrar…

 

Assim foi com Maria, nas primeiras Eucaristias, Como cantar se a privaram da companhia de Seu Filho? Como ouvir os apóstolos dizerem: “Isto é o meu Corpo, Isto é o meu sangue” sem o coração estremecer?

 

Aquele Pão Eucaristizado é o Corpo do Seu Filho acolhido. Aquele Pão partilhado é O Corpo do Seu Filho tão querido. Aquele Vinho bebido, verdadeira bebida é o Sangue do Seu Filho, o mesmo que vira jorrar do lado trespassado. A certeza de que o mundo foi finalmente redimido e nutrido. Os pecados da humanidade foram lavados, pela água do coração que foi jorrada.

 

Quantas mães tiveram por um tempo o canto sufocado, o sorriso ocultado! Quantas mães que precisaram de longo silêncio para a releitura da morte à luz do mistério pascal, para reencontrar o sentido da vida, para não dar a vida toda como jornada perdida? Quantas ainda que mesclam sorriso com lágrimas vertidas pela dor da precoce morte/partida?

 

Hoje contemplo as mães que choram seus filhos. Recordo aquela mãe que disse que a pior de todas as dores é o enterro de um filho, pois é como enterrar uma parte de si mesma. Hoje contemplo as mães que choram morte de filhos que pela violência tiveram vidas abreviadas. Contemplo as mães que choram a morte das crianças inocentes de Gaza ou em qualquer outro lugar…

 

Hoje contemplo aquela mãe que voltou a cantar fazendo com que o céu ganhasse mais tonalidade azul cor de anil.

 

Hoje contemplo aquela mãe que voltou a cantar e o céu mais uma vez se abriu.

 

Hoje contemplo aquela mãe que voltou a cantar porque sabe para onde seu filho partiu.

 

Simplesmente contemplo aquela mãe, respeitando sua dor, entendendo seu silêncio.

 

Contemplo aquela mãe que me traz presente os traços da Mãe Maria, desde o Anúncio do Anjo Gabriel, passando pela Encarnação, acompanhando os passos que levou a Cruz da Redenção, e que saboreou e testemunhou com sua presença a Vitória da Ressurreição. Por isto reina junto do filho, é soberana e rainha. Vitoriosa, premiada, coroada no Mistério de sua Assunção.

 

 

Salve Rainha, mãe de misericórdia…

 

 

 

 

criado por peotacilio    20:18 — Arquivado em: Sem categoria

3 Comentários »

  1. Comentário por Janaina — 19.1.09 @ 11:46

    acredito saber quem é ela.
    que bom que voltou a cantar!
    Na verdade nunca parou, apenas cantou o silêncio, que a dor humana gera em nós no momento de sofrimento.
    Paz e bem.

  2. Comentário por Maria c. rocha — 20.1.09 @ 11:37

    Quando meu amado filho me deixou pensei que não ia suportar verdade que um parte enorme de mim foi sepultado junto .
    não queria saber de igreja tinha raiva.tive ajuda e consegui buscar Deus no desespero
    só posso esperar que nosso senhor ilumine os dias dessa mãe que serviu nesse texto do senhor como exemplo.
    fiquemos com Deus.

  3. Comentário por Gilda — 20.1.09 @ 22:44

    Quando li o título meu coração se estremeceu de alegria pois já sabia quem era esta Maria.Quando li o texto meu coração se alegrou pois percebi qye a alegria nela voltou. E mais me alegro em poder conhecer esta pessoa que com tanto carinho e carisma transmite sentimentos e momentos tão delicados e belos com lindas e simples palavras.
    Paz e bem.

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