Pe. Otacilio F. Lacerda

Artigos, textos e poesias para meditação, reflexão.

31.1.09

QUE SE REACENDA EM NÓS A CHAMA PROFÉTICA!

 

 

 

QUE SE REACENDA EM NÓS A CHAMA PROFÉTICA!

 

 

                                           

                                              

 

 

A Liturgia da Palavra hoje nos convida a refletir sobre a vocação profética. Vemos que missionariedade e profetismo, na Igreja e no mundo, devem andar de mãos dadas, na vida de todo cristão batizado.

 

Nas páginas da Sagrada Escritura contemplamos Deus que por meio dos profetas forma seu povo na esperança da salvação, na expectativa de uma Nova e Eterna Aliança que se destina a toda a humanidade, e que foi impressa em seus corações.

 

Deus ao longo da história chama-nos a profecia, uma vez que todo batizado torna-se profeta, sacerdote, rei e pastor.

 

A vida e o testemunho do Pe. Berardo ao lado de tantos outros presbíteros e cristãos comprometidos com o Evangelho nos possibilitam algumas respostas para o que é ser de fato um profeta.

 

Que em cada presbítero e em cada cristão batizado possamos encontrar estas marcas do profeta. Marcas carregadas para marcar o mundo com uma nova feição.

 

Ser profeta é:

 

Antes de tudo, ser profeta é um dom de Deus, uma resposta humana. A missão profética não é iniciativa da Igreja, tão pouco nossa, mas do Espírito Santo. Os profetas surgem onde e quando nós menos esperamos.

 

§         É ungido de Deus, unindo o culto e a prática da justiça, constituído por Deus “para arrancar e demolir, para destruir e abater, para edificar e plantar (Jr. 1,10)”.

 

§         Alguém que age a partir de um encontro decidido, marcante e apaixonado por Cristo, portador de uma fé profunda, cultivando profunda intimidade com os mistérios divinos.

 

§         É permanecer na escola do Amor. Aprendizes do Mestre e tantos testemunhos dos mártires/profetas de todos os tempos.

 

§         Alguém que acolheu, antes de anunciar, a Semente do Verbo, falando antes com a vida e depois com as palavras, para que sua profecia não seja um alienante contra testemunho.

 

§         Cultivador da coerência necessária entre a fé e a vida.

 

§         Estar permanentemente e plenamente aberto à vontade de Deus.

 

§         Ser anunciador de uma redenção radical do Povo de Deus, levando-o a purificação de todas suas infidelidades. São sobretudo os pobres e os humildes do Senhor, em constante educação da fé, em atitude de conversão do coração.

 

§         Estar revestido da autoridade divina e jamais se enamorar com o autoritarismo seja de que ordem for.

 

§         Ser portador de inquietude missionária, rezar todos os dias para manter acesa a chama do profetismo em seu ministério, renovando sempre a conduta de outrora, com invejável vigor (cf. Ap. 2,5).

 

§         Ser portador e testemunha da gratuidade do amor divino alimentada pela oração, na escuta da Palavra de Deus, em diálogo aberto e sincero, confiando em Deus suas inquietações, angústias, preocupações, alegrias, certezas, esperanças…

 

§         Ser profeta é irradiar e testemunhar a alegria de ser Igreja, uma Igreja santa e pecadora, tudo fazendo para torná-la mais santa…

 

§         Ser a voz de Deus no aqui e agora (hoje), em constante sintonia, abertura para captar o sopro do Espírito, agindo como mediador e porta voz de Deus.

 

§         Aquele que sabe calar para que a voz de Deus possa ressoar.

 

§         Uma voz intrépida a denunciar o que contraria uma voz incansável e anunciar o mundo querido por Deus.

 

§         Fala com a autoridade Daquele que o envia, portanto é aquele que sabe escutar, aprender e acolher a voz de Deus para que todo o povo tenha vida.

 

§         Ser, num mundo marcado por ruídos e barulhos ensurdecedores, o homem do silêncio que gera o novo.

 

§         Aquele que se nutre do Pão da Vida, no Sacrifício Eucarístico, para ser sinal no mundo da misericórdia divina que se torna visível no cumprimento do amor ao próximo.

 

§         Ser mensageiro de um anúncio que não envelhece, que não perde sua pertinência e atualidade.

 

§         Ser um testemunho de profunda espiritualidade que só pode brotar de um coração sedento de humanidade.

 

§         Agir num lugar concreto e no quotidiano da vida, no chão da realidade.

 

§         Arriscar a vida (contra toda incompreensão, solidão, abandono, perseguição)…

 

§         Não se intimidar na luta incansável contra a idolatria.

 

§         Não se deixar devorar pelas estruturas de morte que devoram a vida.

 

§         Por excelência, homem da esperança divina, contra toda falta de esperança humana.

 

§         Possuir uma sexualidade integrada e integradora, de bem consigo e com todos.

 

§         Aquele que se empenha na luta pela libertação integral da pessoa e de todas as pessoas.

 

§         Estar antenado, plugado, sempre acompanhando a conjuntura atual com renovado compromisso na construção de um projeto social novo, contra toda forma de exclusão e empobrecimento em constante amadurecimento crítico.

 

É buscar respostas para os desafios, não se conformando diante dos mesmos, procurando a libertação de todo mal: pluralismo cultural e trânsito religioso; individualismo; desigualdade social, má distribuição da terra e seus produtos; a lenta asfixia do ambiente natural por conta das indústrias e da poluição; a corrupção, o terror, o tráfico de drogas, o crime organizado; o esvaziamento moral e espiritual pelo mau uso dos meios de comunicação; o aborto ou qualquer forma de eliminação da vida…

 

É não deixar perder o valor sagrado da vida diante dos avanços da biotecnologia, amando e defendendo a vida, desde a concepção até seu declínio natural. É compromisso incansável com a juventude que se degrada e se elimina – “juventude uma opção que não podemos deixar de fazer”.

 

Promover o cortejo da vida (caminho da esperança, ressurreição, transformação do choro de morte na alegria da vida), em contraposição aos cortejos da morte (sem esperança, desespero, fome, analfabetos, excluídos, drogados, vazios de sentido existencial, relativismo etc.).

 

Um poeta que sonha, mas que não sonha só, porque é parte de um povo que a Deus se consagra. Como poeta escreve a poesia e o canto de um mundo novo, onde todos possam viver como irmãos e filhos de um mesmo Pai.

 

É testemunhar o amor de Deus, sobretudo pelos empobrecidos.

 

Peçamos ao Pai que nos envie profetas, pois, quando eles nos faltam, o povo perde o rumo de sua caminhada.  Perde seus horizontes e mergulham num abismo de mediocridade, num deserto de esterilidade, num oceano de desumanidade, num lamaçal de atrocidades…

 

o       Quando se calam as suas vozes campeia a força dos interesses falsos e impuros, chegando ao absurdo de não se ter vergonha da imoralidade e absoluta perda da sanidade mental, espiritual, intelectual, psicológica etc…

 

o       Quando se calam suas vozes, inaugura o permissivismo, o relativismo em que tudo é permitido até mesmo a eliminação da vida. Anuncia-se a morte de Deus para a proliferação de deuses. E a humanidade não pode ter futuro prescindindo de Deus.

 

o       Quando se calam suas vozes irrompe a escuridão, instaura-se o caos.

 

o       Quando se calam as suas vozes robustece multiplica a infidelidade e idolatria.

 

É tempo da missão profética da Igreja, através da Palavra e dos sinais ser homens e mulheres no coração do mundo e ao mesmo tempo serem homens e mulheres no coração da Igreja.

 

Vozes proféticas são e serão sempre luminares, portadores da luz divina para um mundo novo, e por isto rezamos:

 

“O Senhor é minha luz e Salvação, a quem temerei?”

 

Finalizo lembrando nosso padroeiro em Um de seus memoráveis sermões

 

Quem está repleto do Espírito Santo fala várias línguas.

As várias línguas são os vários testemunhos sobre Cristo, a saber:

A humildade, a pobreza, a paciência e a obediência;

Falamos estas línguas quando são as obras que falam.

Cessem, portanto, os discursos e falem as obras.

Estamos saturados de palavras, mas vazios de obras.

Por este motivo o Senhor nos amaldiçoa, como amaldiçoou a figueira em que não encontrara frutos, mas apenas folhas.

Diz São Gregório: ‘Há uma Lei para o pregador: que faça o que prega.

Em vão pregará o conhecimento da lei quem destrói a doutrina por suas obras.”

 

 

 

                                                        

 

 

 

 

 

 

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O último olhar é o que conta…

 

 

O último olhar é o que conta…

 

 

Depois de olhares condenatórios

Frutos de diálogos assaz calorosos

Vemos que há outros vãos, ilusórios,

Quando de fato somos amorosos.

 

O último olhar da mãe para um filho

Que por ânsia de liberdade ousou partir

O último olhar da mãe para um filho

Sempre pronta ao seu retorno se abrir.

 

O último olhar do barco que partiu

Levando para outra margem quem amávamos

O último olhar que contempla seu retorno

Há de retornar quem sempre esperávamos.

 

O último olhar para o horizonte

Da derrota eminente e evidente.

Que cede lugar para outro último

Porque contamos com O Onipotente.

 

O último olhar para o céu que se fechou

Não será o último olhar a se cristalizar.

A fé no Deus que faz nascer todos os dias

Abre as portas dos céus para nos eternizar.

 

O último olhar para os números preocupantes

Não devem ser a finalização de sonhos e metas 

Pães e peixes partilhados,  números insuficientes

Para quem tem fé, abundancia e partilhas certas.

 

 

O último olhar para o pão e o vinho sobre o altar

É verdadeiramente o que nos alimenta e conta.

O que num primeiro olhar é apenas matéria

Quando Eucaristizados, algo novo o olhar aponta.

 

A Eucaristia que olhamos e contemplamos

É o ainda não último olhar que esgota e  conta.

O último olhar que de fato nos encanta,

É o olhar do Banquete da Eternidade que aponta.

 

Olhar para o Banquete da Eternidade é que conta,

Mas por enquanto os olhares se multiplicam.

Olhares que destroem, olhares que edificam.

Olhares que matam, mas há olhares que ressuscitam!

 

Olhares que passam como nuvem passageira

Olhares que secam como erva ao entardecer

Olhares que marcam como perene tatuagem

A alma e o corpo e todo o nosso ser.

 

Quando Pedro por Jesus foi apresentado e chamado,

Resposta pronta e imediata nele despontou

Pois foi fruto de um olhar para além das aparências,

Olhar diferenciado que sua vida encantou.

 

Reflitamos sobre nossos olhares de cada dia

E na súplica do Pai Nosso que rezamos,

O pão de cada dia seja também um novo olhar

dos mais que vencedores,  porque Nele acreditamos!

 

 

 

 

 

 

 

criado por peotacilio    20:43 — Arquivado em: Sem categoria

25.1.09

Santas Inês de todos os tempos: paixão incondicional por Cristo!

Santas Inês de todos os tempos: paixão incondicional por Cristo!

 

                                                     

 

Há testemunhos da Igreja que nos levam à reflexão e um revigoramento indispensável da fé. Um deles é Santa Inês, que foi martirizada e é venerada pela Igreja como Virgem e Mártir, no dia 21 de janeiro.

“O nome “Agnes”, para nós Inês, em grego significa pura e casta, enquanto em latim significa cordeiro. Para a Igreja, Santa Inês é o próprio símbolo da inocência e da castidade, que ela defendeu com a própria vida. A idéia da virgindade casta foi estabelecida na Igreja justamente para se contrapor à devassidão e aos costumes imorais dos pagãos. Inês levou às últimas conseqüências a escolha que fez à esses valores. É uma das Santas mais antigas do cristianismo. Sua existência transcorreu entre os séculos três e quatro, sendo martirizada durante a décima perseguição ordenada contra os cristãos, desta vez imposta pelo terrível imperador Diocleciano, em 304.

Inês pertencia a uma rica, nobre e cristã família romana. Isso lhe possibilitou receber uma educação dentro dos mais exatos preceitos religiosos, o que a fez tomar a decisão precoce de se tornar “esposa de Cristo”…”  (vale à pena conferir mais informações no site: www.cot.org.br).

O texto que o Bispo Santo Ambrósio escreveu no séc. IV sobre Inês é de uma beleza espiritual impressionante. Confira na íntegra, pois não consigo fazer menção parcial.

 Celebramos o natalício de uma virgem: imitemos sua integridade; é o natalício de uma mártir: ofereçamos sacrifícios. É o aniversario de Santa Inês. Conta-se que sofreu o martírio com a idade dos doze anos. Quanto mais detestável foi a crueldade que não poupou sequer tão tenra idade, tanto maior é a força da fé que até naquela idade encontrou testemunho.

Haveria naquele corpo tão pequeno lugar para uma ferida? Mas aquela que quase não tinha tamanho para receber o golpe da espada, teve força para vencer a espada. E isto numa idade em que as meninas não suportam sequer ver o rosto zangado dos pais e choram como se uma picada de alfinete fosse uma ferida!

Mas ela permaneceu impávida entre as mãos ensangüentadas dos carrascos, imóvel perante o arrastar estridente dos pesados grilhões. Oferece o corpo à espada do soldado enfurecido, sem saber o que é a morte, mas pronta para ela. Levada a força até os altares dos ídolos, estende as mãos para Cristo no meio do fogo, e nestas chamas sacrílegas mostra o troféu do Senhor vitorioso. Finalmente, tendo que introduzir o pescoço e ambas as mãos nas algemas de ferro, nenhum elo era suficientemente apertado para segurar membros tão pequeninos.

Novo gênero de martírio? Ainda não preparada para o sofrimento e já moldura para a vitória! Mal sabia lutar e facilmente triunfa! Dá uma lição de firmeza apesar de tão pouca idade! Uma recém-casada não se apressaria para leito nupcial com aquela alegria com que esta virgem corre para o lugar do suplício, levando a cabeça enfeitada não de belas tranças mas de Cristo, e coroada não de flores mas de virtudes.

Todos choram, menos ela. Muitos se admiram de vê-la entregar tão generosamente a vida que ainda não começara a gozar, como se já tivesse vivido plenamente. Todos ficam espantados que já se levante como testemunha de Deus quem, por causa da idade, não podia ainda dar testemunho de si. Afinal, aquela que não mereceria crédito se testemunhasse a respeito de um homem, conseguiu que lhe dessem credito ao testemunhar acerca de Deus. Pois o que está acima da natureza, pode fazê-lo o Autor da natureza.

Quantas ameaças não terá feito o carrasco para incutir-lhe o terror! Quantas seduções para persuadi-la! Quantas propostas para casar com algum deles! Mas sua resposta foi esta: É uma injúria ao Esposo esperar por outro que me agrade. Aquele que primeiro me escolheu para si, esse é que me receberá. Por que demoras, carrasco? Pereça este corpo que pode ser amado por quem não quero!’ Ficou de pé, rezou, inclinou a cabeça.

Terias podido ver o carrasco perturbar-se, como se fosse ele o condenado, tremer a mão que desfecharia o golpe, e empalidecerem os rostos temerosos do perigo alheio, enquanto a menina não temia o próprio perigo. Tendes, pois numa única vitima um duplo martírio: o da castidade e o da fé. Inês permaneceu virgem e alcançou o martírio”.

 

Falar da vida desta que bebeu na Fonte da Vida, que fez resplandecer sem medida a Luz Divina é falar de alguém:

·     Que foi decididamente e profundamente apaixonada por Cristo, como o devemos também ser;

 ·     Alguém que traz a todo tempo mensagem de inocência, pureza e castidade, sobretudo num mundo marcado pela permissividade e devassidão;

 ·     Alguém que vive o que professa, professa o que vive, dissipando toda possibilidade de incoerência – lição de firmeza e convicção;

 ·     Quem fez das coisas divinas valores absolutos, anunciando a relatividade de todas as coisas temporais;

  ·     Aquela que encontro o gozo nas delicias divinas e eternas e não naquilo que oferece prazeres parciais e temporais;

 ·     Modelo de confiança no poder de Deus para além de toda aparência de fraqueza. Releitura humana da onipotência divina, releitura divina da fraqueza humana…

A vida de Inês também nos ensina que a vida vale muito mais pela quantidade de anos vividos. Vale pela intensidade com que foram vividos.

Além de tudo isto nos leva a refletir nas tantas Inês que morrem precocemente, vítimas das violências de cada tempo. Bem perto de nós mais uma Inês está sendo violentada, agredida em sua dignidade. Talvez não exatamente como o martírio desta grande menina, mas de outras tantas formas cruéis.

Inês inocentes de Gaza. Inês martirizadas pelo não amor.

Inês mortas precocemente por causa do egoísmo que condenam a fome, a doença pelo mundo à fora.

Hoje faço memória de todos os inocentes de todos os tempos!

Hoje aprendo com Inês: tão pequenina, tão inocente, tão frágil; mas tão grande, tão sábia, tão forte!!!

Mais uma vez Deus escolheu os fracos para confundir os fortes, os “loucos” para confundir os “sábios”… Loucura da Cruz!!!

 

 

 

 

criado por peotacilio    14:28 — Arquivado em: Sem categoria

Paulo: um apaixonado por Cristo - também o sejamos!

Paulo: um apaixonado por Cristo – também o sejamos!

 

 

                                                                  

 

Celebramos hoje a conversão de São Paulo, ou dito de outra forma, sua vocação. Entre aqueles que nos falam de Cristo e nos leva ao apaixonamento por Cristo, Paulo ocupa, para mim, o primeiro lugar.

 

Suas Cartas, sua vida, sua trajetória, sua conversão, sua vocação nos provocam a fidelidade ao Reino e ao Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo.

 

Há uma Homilia memorável do São João Crisóstomo (séc IV) que expressa tudo isto (cf  LH p.1208 – vol.III).

 

Meditá-la é sempre gratificante pois nos provoca a maior fidelidade, mais coragem, maior ardor e empenho com a causa do Evangelho…

 

Meditá-la é dar conta de que ainda temos um longo caminho para alcançar a meta, para a qual corremos, importa não desistir.

 

Mais uma vez, com alegria,  disponibilizo estas riquezas de nossa Igreja para que mais pessoas possam se enriquecer delas, bebendo desta fonte de água cristalina, que é sabedoria daqueles que nos antecederam na caminhada da fé.

 

Matemos nossa sede de Deus… Meditemos…

 

 

Por amor de Cristo, Paulo tudo suportou

 

“O que é o homem, quão grande é a dignidade da nossa natureza e de quanta virtude é capaz a criatura humana, Paulo o demonstrou mais do que qualquer outro. Cada dia ele subia mais alto e se tornava mais ardente, cada dia lutava com energia sempre nova contra os perigos que o ameaçavam. É o que depreendemos de suas próprias palavras: Esquecendo o que fica para trás, eu me lanço para o que está na frente (cf. Fl 3,13)

 

Percebendo a morte iminente, convidava os outros a comungarem da sua alegria, dizendo: Alegrai-vos e congratulai-vos comigo (Fl 2,18). Diante dos perigos, injúrias e opróbrios, igualmente se alegra e escreve aos Coríntios: Eu me comprazo nas fraquezas, nas injúrias, nas necessidades, nas perseguições (2Cor 12,10); porque sendo estas, conforme declarava, as armas da justiça, mostrava que delas lhe vinha um grande proveito

 

Realmente, no meio das insídias dos inimigos, conquistava contínuas vitórias triunfando de todos os seus assaltos. E em toda parte, flagelado, coberto de injúrias e maldições, como se desfilasse num cortejo triunfal, erguendo numerosos troféus, gloriava-se e dava graças a Deus, dizendo: Graças sejam dadas a Deus que nos fez sempre triunfar (2Cor 2,14).

 

Por isso, corria ao encontro das humilhações e das ofensas que suportava por causa da pregação, com mais entusiasmo do que nós quando nos apressamos para alcançar o prazer das honrarias; aspirava mais pela morte do que nós pelas riquezas; e desejava muito mais o trabalho sem descanso do que nós o descanso depois do trabalho. Uma  só coisa o amedrontava e fazia temer: ofender a Deus. E uma única coisa desejava: agradar a Deus.

 

Só se alegrava no amor de Cristo, que era para ele o maior de todos os bens; com isto julgava-se o mais feliz dos homens; sem isto, de nada lhe valia ser amigo dos senhores e poderosos. Com este amor preferia ser o último de todos, isto é, ser contado entre os réprobos, do que se encontrar no meio de homens famosos pela consideração  e pela honra, mas privados do amor de Cristo.

 

Para ele, o maior e único tormento consistia em separar-se de semelhante amor; esta era a sua geena, o seu único castigo, o infinito e intolerável suplício.

 

Em compensação, gozar do amor de Cristo era para ela a vida, o mundo, o anjo, o presente, o futuro, o reino, a promessa, enfim, todos os bens. Afora isto, nada tinha por triste ou alegre. De tudo o que existe no mundo, nada lhe era agradável ou desagradável.

 

Não se importa com as coisas que admiramos, como se costuma desprezar a erva apodrecida. Para ele, tanto os tiranos como as multidões enfurecidas eram como mosquitos.

 

Considerava como brinquedo de crianças os mil suplícios, os tormentos e a própria morte, desde que pudesse sofrer alguma coisa por Cristo”.

 

 

criado por peotacilio    9:42 — Arquivado em: Sem categoria

18.1.09

Ela voltou a cantar…

Ela voltou a cantar…

 

 

 

 

 

Já fazia algum tempo que não a via cantar. Já fazia algum tempo que não a via sorrir. Hoje finalmente, ela voltou a sorrir e a cantar. A dor da ausência teve que suplantar, uma nova presença contemplar e o coração re-alegrar…

 

Assim foi com Maria, nas primeiras Eucaristias, Como cantar se a privaram da companhia de Seu Filho? Como ouvir os apóstolos dizerem: “Isto é o meu Corpo, Isto é o meu sangue” sem o coração estremecer?

 

Aquele Pão Eucaristizado é o Corpo do Seu Filho acolhido. Aquele Pão partilhado é O Corpo do Seu Filho tão querido. Aquele Vinho bebido, verdadeira bebida é o Sangue do Seu Filho, o mesmo que vira jorrar do lado trespassado. A certeza de que o mundo foi finalmente redimido e nutrido. Os pecados da humanidade foram lavados, pela água do coração que foi jorrada.

 

Quantas mães tiveram por um tempo o canto sufocado, o sorriso ocultado! Quantas mães que precisaram de longo silêncio para a releitura da morte à luz do mistério pascal, para reencontrar o sentido da vida, para não dar a vida toda como jornada perdida? Quantas ainda que mesclam sorriso com lágrimas vertidas pela dor da precoce morte/partida?

 

Hoje contemplo as mães que choram seus filhos. Recordo aquela mãe que disse que a pior de todas as dores é o enterro de um filho, pois é como enterrar uma parte de si mesma. Hoje contemplo as mães que choram morte de filhos que pela violência tiveram vidas abreviadas. Contemplo as mães que choram a morte das crianças inocentes de Gaza ou em qualquer outro lugar…

 

Hoje contemplo aquela mãe que voltou a cantar fazendo com que o céu ganhasse mais tonalidade azul cor de anil.

 

Hoje contemplo aquela mãe que voltou a cantar e o céu mais uma vez se abriu.

 

Hoje contemplo aquela mãe que voltou a cantar porque sabe para onde seu filho partiu.

 

Simplesmente contemplo aquela mãe, respeitando sua dor, entendendo seu silêncio.

 

Contemplo aquela mãe que me traz presente os traços da Mãe Maria, desde o Anúncio do Anjo Gabriel, passando pela Encarnação, acompanhando os passos que levou a Cruz da Redenção, e que saboreou e testemunhou com sua presença a Vitória da Ressurreição. Por isto reina junto do filho, é soberana e rainha. Vitoriosa, premiada, coroada no Mistério de sua Assunção.

 

 

Salve Rainha, mãe de misericórdia…

 

 

 

 

criado por peotacilio    20:18 — Arquivado em: Sem categoria

16.1.09

Com Maria aprendamos a acolher…

Vou fazer algo diferente hoje. Vou disponibilizar aqui a Palestra da Sra. Angélica, na Missa do dia 14 de janeiro, na primeira noite do Tríduo em preparação da Festa em louvor a Nossa Senhora do Sion.

Texto simples, mas não deixa ser por isto um belo texto. A beleza transparece na simplicidade das palavras, e no testemunho de vida que ela dá junto a comunidade. Quem a conhece sabe de sua luta contra a enfermidade grave porque passou, e a fé viva e inabalável que sempre manteve…

Boa reflexão….

 

                                                   

“Com Maria aprendamos a acolher…

Ao dar graças a Deus que nos deu o seu Filho, devemos dar graças também à virgem Maria. Com seu “Sim” às palavras do Arcanjo, por obra do Espírito Santo, tornou-se a Mãe de Deus e Mãe nossa, e na noite de Belém “irradiou sobre o mundo a luz eterna, Jesus Cristo nosso Senhor”. Demos graças a Santa Maria porque Ela deu tudo por nossa reconciliação e peçamos-lhe para que nossos corações estejam sempre dispostos a acolhê-la e, com Ela, o seu Divino Filho.

Tenho certeza que, quando Deus foi escolher a mulher para ser do seu filho Ele teria que escolher uma pessoa que Ele confiaria o “VERBO VIVO”, a vida em nome e proveito de todos.

Creio que ele pensou num meio de falar com aquela menina que Ele escolheu amá-la, pois Ele já A admirava. Quero abrir um parêntese aqui para cada um pense como é ser escolhida (o) por Deus, aquela menina que poderia ficar orgulhosa e se sentir a maior mulher do mundo; mas não, Ela foi humilde em tudo inclusive no seu sim.

O consentimento de Maria, na anunciação de sua maternidade através de Espírito Santo, situa-se na própria fonte do mistério daquela vida, que Cristo veio dar aos homens. Através do acolhimento e carinho que Ela apresentou à vida do verbo feito a carne, a vida do homem foi salva da condenação à morte definitiva e eterna, ela humildemente faz o bem e sai de cena, modelo incomparável de acolhimento e cuidado da vida.

Ao completar a maternidade de Maria, a Igreja descobre o sentido de sua própria maternidade ao mesmo tempo, a experiência materna da igreja entreabre uma perspectiva mais profunda para compreender a experiência de Maria, Modelo de acolhimento e cuidado da vida. Ela se torna discípula, pois esta sempre pronta a nos ouvir, acolher, é mãe e mestra, orientadora, pois antes de tudo foi discípula e fiel a Deus sobre tudo. Ela acreditou e por isso é cheia de graça, está sempre pronta a servir sem se queixar, sem constrangimento, é servidora, pois quando sua prima Isabel mais precisou estava ela disponível pronta e companheira.

E quando ela perdeu seu filho no templo… Já pensou? Foi ai que ela compreendeu que ele também estava lá para servir, alegre sempre radiante com seu olhar que transmite amor, alegria, paz, esperança, principalmente aos pobres, sempre junto de cada um, amenizando seus sentimentos em comunhão com todos, não dispensa compromissos é responsável, solidária como nas Bodas de Caná, aos pés da cruz, não abandonou seu filho. Seguia-o numa multidão bem como mulheres que choraram por ele. Que dor suportou, que tristeza incomparável, mas nada temeu; enfrentou todos os preconceitos, por isso é mãe da glória e leva aos céus de corpo e alma (ela puxa a fila de quem desejava entrar no céu).

Por isso “como igreja” de que é a figura Maria a mãe do todos os que renascem para a vida. Ela é verdadeiramente a mãe da vida. Geraram, de certo modo, todos aqueles que haviam de viver dessa vida.

 

Sendo assim, agradeço-te por haver-te aberto à graça, e à escuta da palavra, desde sempre; por ter acolhido em teu ventre puríssimo àquele que é a Vida e o Amor; por ter mantido teu “Faça-se” através de todos os acontecimentos de tua vida; por teus exemplos dignos de serem acolhidos e vividos; por tua humildade, por tua docilidade, por essa magnífica sobriedade, por tua capacidade de escuta, por tua reverência, por tua fidelidade, por tua magnanimidade, e por todas aquelas virtudes que rivalizam em beleza entre si e que Deus nos permite vislumbrar em Ti; por teu olhar maternal, por tuas intercessões, tua ternura, teus auxílios e orientações; por tantas bondades. Enfim, agradeço-te por ser Santa Maria, Mãe do Senhor Jesus e nossa.

 

 

REZAR… ACOLHER NA FÉ O FUTURO, como nos ensinou o Papa João Paulo II

 

 

 

Ó MARIA

AURORA DO MUNDO

MÃE DOS VIVENTES,

A VÓS CONFIAMOS A CAUSA DE VIDA:

OLHAI, MÃE,

PARA O NÚMERO SEM FIM

DE CRIANÇAS IMPEDIDAS DE NASCER,

DE POBRES PARA QUEM SE TORNA DIFÍCIL VIVER,

DE HOMENS E MULHERES

VÍTIMAS DE IMUNANA VIOLÊNCIA,

DE IDOSOS E DONTES ASSASINADOS

PELA INDIFERENÇA

OU POR UMA PRESUMIDA COMPAIXÃO.

 

FAZEI COM QUE TODOS AQUELES QUE CREEM

NO VOSSO FILHO

SAIBAM ANUNCIAR COM CORAGEM E AMOR

AOS HOMENS DO NOSSO TEMPO

O EVANGELHO DA VIDA

 ALCANÇAI-LHES A GRAÇA DE O ACOLHER

COMO UM DOM SEMPRE NOVO,

A ALEGRIA DE O CELEBRAR COM GRATIDÃO

 EM TODA SUA EXISTÊNCIA 

E A CORAGEM PARA O TESTEMUNHAR

 COM LABORIOSA TENACIDADE

PRA CONTRUIREM,

JUNTAMENTE COM TODOS OS HOMENS DE BOA VONTADE,

A CIVILIZAÇÃO DA VERDADE E DO AMOR,

 PARA LOUVAR A GLÓRIA DO DEUS CRIADOR

E AMANTE DA VIDA

 

AMÉM

criado por peotacilio    11:27 — Arquivado em: Sem categoria

Com Maria aprendamos a celebrar… (2)

O texto abaixo é o que mencionei no post anterior. Veja como ficou depois da necessária e enriquecedora revisão feita pelo Peterson. Quem não puder ler o primeiro, leia este com toda atenção. Tenho certeza de que fará muito bem!!!

 

“Tema:Aprender a celebrar com Maria

 

Agradecimentos (confiança em mim, alegria por falar na Sion)

 

1 – O que é celebrar?

                                   

1.1 - Celebrar é fazer de novo e de novo algo de muito bom que fizemos antes, é como repetir um prato de comida muito gostoso! Sejam grandes momentos da vida pessoal, comunitária ou até mesmo histórica. (enfatizar a questão da memória e dar o exemplo da pizza)

 

 

2 – Celebrar pressupõe verdade

 

2.1 - Costumamos ter uma tendência tão grande para tornar formal tudo que fazemos que, muitas vezes, acabamos estragando o que é melhor na vida. Uma das coisas que acabam ficando mais artificiais é o que chamamos de louvor, que, na realidade, consiste no estouro do celebrar, o espocar de alguma coisa que vem lá de dentro. E celebrar, se o soubermos fazer de verdade, é uma dessas realidades que tornam mais gostosa a vida. (orações, missas, procissões, etc)

 

Maria celebrou com muita alegria o Senhor em sua vida, como podemos vislumbrar em sua explosão de louvor ao cantar o Magnificat enquanto visitava sua prima Santa Isabel: “Minha alma proclama a grandeza do Senhor, meu espírito se alegra em Deus, meu salvador, porque olhou para humilhação de sua serva.” (Maria acredita firmemente que Deus vem ao socorro dos pobres, que está do lado deles, por isso proclama sua grandeza e se alegra nele – SERÁ QUE CONSEGUIMOS ENXERGAR DEUS AO NOSSO LADO EM NOSSOS MOMENTOS DE POBREZA E ANGÚSTIA?)

“sua misericórdia chega aos que o temem, de geração em geração” (Maria tem pleno conhecimento de tudo o que Deus já havia feito para salvar e dar vida plena ao seu povo – SERÁ QUE TEMOS CONSCIÊNCIA DE TUDO QUE DEUS JÁ FEZ POR NÓS, PELA NOSSA FAMÍLIA, PELA NOSSA COMUNIDADE, POR TODA A HUMANIDADE?)

“Socorre Israel seu servo, lembrando-se de sua misericórdia, - conforme prometera aos nossos pais” (Maria tem sólida esperança de que Deus sempre cumpre o que promete e que, dessa forma, não deixará nunca seu povo morrer – SERÁ QUE DEPOSITAMOS TODA NOSSA CONFIANÇA EM DEUS?)

 

 

3 – Celebrar com todo o corpo

 

3.1 - É importante destacar dois aspectos da celebração: primeiro, ela faz reviver uma memória, alimentando de passado o presente e o futuro. Segundo: ela tem que envolver todo o corpo, porque nós não somos mente ou puros espíritos. Pois é, celebrar é rezar transbordando alguma coisa boa lá de dentro. É rezar em atos vivos, repetindo o que foi bom com o corpo, com todo o corpo. Não bastam conceitos e nem mesmo sentimentos. É preciso agir, fazer entrar em ação um corpo atuante. Na celebração tomam parte todos os movimentos conscientes do corpo e mesmo um abraço ou um simples aperto de mãos devem ser vistos como celebração. Em nossa liturgia, ajoelhar-se, sentar-se, levantar-se, erguer as mãos, caminhar em procissão são grandes gestos celebrativos. Mas a vida do povo e mesmo as liturgias africanas, indígenas e orientais não se esquecem de um conjunto de gestos que é toda uma atitude de celebração: a dança.

 

Maria também nós dá um grande exemplo de que celebrar não é só ficar parado e rezando, mas colocar todo o corpo a serviço de Deus. Dirigiu-se às pressas para uma região montanhosa para ir ajudar sua prima Isabel, mesmo estando grávida. Ou seja, mesmo sabendo que estava grávida do próprio Filho de Deus feito homem, Maria não ficou pasmada e estática, mas transformou seu louvor em prática concreta, porque sabia que havia alguém que precisava de ajuda mais do que ela! (QUEM DIZ LOUVAR A DEUS MAS NÃO TEM CORAGEM DE IR AO ENCONTRO DO IRMÃO QUE MAIS PRECISA, NA VERDADE NUNCA LOUVOU A DEUS – exemplos: abraço da paz, jovens mais rejeitados no grupo de amigos, pessoas que nos magoaram, nossa mãe, irmão ou avó que não toleramos)

Como nos diz a 1ª Carta de São João: “Se alguém diz: ‘Eu amo a Deus’, e no entanto odeia o seu irmão, esse tal é mentiroso; pois quem não ama seu irmão, a quem vê, não poderá amar a Deus, a quem não vê. E este é justamente o mandamento  que dele recebemos: quem ama a Deus, ame também o seu irmão.”

Maria não condenou aqueles que mataram seu Filho Jesus, mas assim como Ele, também os perdoou.

 

 

4 – Celebrar em comunidade

 

4.1 - Um dos aspectos mais interessantes da celebração está justamente na companhia para festejar. Porque um coração que transborda sente necessidade de outro coração para se comunicar. E, muitas vezes, quanto mais numerosos os parceiros, melhor. Nas celebrações em comum temos a oportunidade de incluir os sonhos dos outros em nosso corpo e em nossa alma, deixando que eles façam o mesmo com os nossos sonhos. É desse jeito que o cruzamento desses sonhos vai se transformando em vida da comunidade.

 

E Maria esteve sempre ali, fielmente acompanhando a caminhada dos apóstolos, celebrando com eles a promessa da vinda do Espírito Santo de seu Filho:“Todos eles tinham os mesmos sentimentos e eram assíduos na oração, junto com algumas mulheres, entre as quais Maria, mãe de Jesus” (Atos dos Apóstolos 1,14) (SERÁQUE TEMOS CORAGEM DE ABRIR NOSSO CORAÇÃO JUNTO AOS IRMÃOS – numa coração comunitária, expondo nossos sonhos e nossas angústias – Alegria compartilhada se multiplica; tristeza compartilhada, se diminui (Pe. Otacílio))

 

 

5 – Celebrar constrói povo

 

5.1 - Assim como o Êxodo foi celebrado por muito tempo pelos hebreus a fim de conduzirem-se com sucesso em todos os êxodos seguintes, a Páscoa dos cristãos, o êxodo da morte para a vida, é que tem que dar sentido a tudo o que vai acontecendo em nossa vida como povo. Caminhando com Jesus, que através de Sua vida, morte, ressurreição e ascensão, nos ensinou e deu forças para que fôssemos capazes de construir um mundo melhor, uma sociedade de irmãos no amor!

 

5.2 - É uma pena que, em geral, não saibamos enxergar como a liturgia eucarística, liturgia da cruz, celebração do amor fraterno, constrói o nosso povo como cristão. Ou, mal usada, deixa de construir. Nós temos que festejar como povo cristão a ação de graças, as dores, as alegrias, as transformações que nos estão conduzindo para Reino de Deus na plenitude dos tempos. Por isso, também é muito importante que celebremos, como pessoas e como grupos, tudo que nos parece “diferente” e que tantas vezes deixamos de aceitar.

 

E quem melhor que Maria para nos ensinar a acolher o “diferente” em nossas vidas? Ela, que por diversas vezes não compreendeu perfeitamente os caminhos que Deus lhe havia preparado, mas meditava tudo no santo silencio de seu Imaculado Coração: “Maria, porém, conservava todos esses fatos, e meditava sobre eles em seu coração.”  (Lucas 2,19) (SERÁ QUE SABEMOS ACOLHER O PLANO DE DEUS PARA NOSSAS VIDAS – nosso modo de vida, as opiniões alheias, os pedidos dos pais)

 

 

7 – Celebrar é rezar

 

7.1 - Também as festas de aniversário, Natal ou de outros acontecimentos, são celebrações comunitárias de um fato passado que todo o grupo valoriza. Aliás, toda oração e toda intercessão são memórias, isto é, celebrações. Talvez seja bom recordar que São Francisco deu imenso valor aos pedidos de prece de intercessão e seus biógrafos lembram até um episódio em que ele apeou da montaria embaixo de chuva quando lembrou que alguém lhe havia pedido para rezar por uma sua intenção.

 

 

6 – Celebrar a vida plena

 

6.1 - Na celebração da vida plena festejamos a alegria de viver, por mais singela que ela seja. Esta atinge seu ponto máximo quando descobrimos que nos foi dada uma vida repleta de bens, uma vida em plenitude. Para os cristãos, a celebração da vida em plenitude chama-se Eucaristia. Essa celebração nunca vai ser completa enquanto não aprendermos a celebrar as falhas da vida plena. Assim, temos que aprender a celebrar não só a alegria, mas também todas as fases da dor que está sendo vencida, que está virando alegria aos pouquinhos. Não basta celebrar a abundância, é preciso celebrar também a carência: uma ajuda a entender a outra e é a carência que dá o verdadeiro valor à abundância.

 

Enquanto todos os discípulos e amigos de Jesus o abandonaram no momento de seu maior sofrimento, Maria esteve lá, muito fielmente junto a seu Filho, acompanhando-o em toda sua dor! “’Quanto a você, uma espada há de atravessar-lhe a alma’” (Lucas 2, 35a) (SERÁ QUE PERMANECEMOS FIRMES EM NOSSO AMOR A DEUS MESMO NOS MOMENTOS DIFÍCEIS? – quermesse ou bingo que deu só prejuízo (não desanimemos, tentemos outra estratégia), falta de dinheiro (o que não pode faltar é amor dentro de casa), etc.

 

 6.5 - A celebração da vida plena se realiza sobretudo no nosso dia-a-dia vivido no amor pelos outros e na doação de si próprio. Assim toda a nossa existência tornar-se-á acolhimento autêntico e responsável do dom da vida e louvor sincero e agradecido a Deus que nos fez esse dom. Existem verdadeiros atos heróicos, de pessoas que, como Cristo, deram sua vida pelos outros. Há atos heróicos clamorosos, mas também há o heroísmo do cotidiano, como o testemunho silencioso, mas tão fecundo e comovente, de “todas as mães corajosas, que se dedicam sem reservas à própria família, que sofrem ao dar à luz os próprios filhos, e depois estão prontas a abraçar qualquer fadiga e a enfrentar todos os sacrifícios, para lhes transmitir o que de melhor elas conservam em si.” (João Paulo II, Homilia na beatificação de Isidoro Bakanja, Isabel Canori Mora e Joana Beretta Molla). No cumprimento de sua missão, “nem sempre estas mães heróicas encontram apoio no seu ambiente. Antes, os modelos de civilização, com freqüência promovidos e propagados pelos meios de comunicação, não favorecem a maternidade. Em nome do progresso e da modernidade, são apresentados como já superados os valores da fidelidade, da castidade e do sacrifício, que são, porém, ainda seguidos por multidões de esposas e mães cristãs. (…) Nós vos agradecemos, mães heróicas, o vosso amor invencível! Nós vos agradecemos a intrépida confiança em Deus e no seu amor. Nós vos agradecemos o sacrifício da vossa vida. (…) Cristo, no Mistério Pascal, (…) tem o poder de vos restituir a vida, que lhe levastes em oferenda.” (Ibid., n. 5: o,c., 2)

 

6.6 - Celebrar a vida plena é também redescobrir o prazer de brincar, de viver o lazer, de preparar-se para o Banquete eterno na companhia de Deus e dos irmãos. Jesus mesmo disse que só tomaria vinho outra vez nessa festa eterna que ia preparar.

 

Compartilhemos da alegria do encontro entre Maria e sua prima Isabel: “Com um grande grito exclamou: “’Você é bendita entre as mulheres, e bendito é o fruto do seu ventre! Como posso merecer que a mãe do meu Senhor venha me visitar? Logo que a sua saudação chegou aos meus ouvidos, a criança saltou de alegria no meu ventre. Bem-aventurada aquela que acreditou porque vai acontecer o que o Senhor lhe prometeu.’” (SERÁ QUE SOMOS PRESENÇA DE DEUS NA VIDA DAS PESSOAS – pessoas que nos animam, que nos corrigem, que nos divertem)

 

NÃO PERCAMOS A OPORTUNIDADE DE FAZER NOSSO IRMÃO MAIS FELIZ. PORQUE É NA FELICIDADE DO OUTRO QUE ENCONTRAMOS A NOSSA MAIOR FELICIDADE!

 

 

Oração

 

No vosso altar, Senhor, venho trazer toda morte que me atingiu por toda parte onde passei. A violência que abateu o pai de família e a miséria que matou a criança lá na parte mais pobre do meu bairro. A destruição da guerra, que chegou pelo noticiário. Mas também todas as outras mortes mais sutis e disfarçadas que tornam tão reduzida a vida das pessoas. Quero usar a vossa morte redentora e transformar tudo isso em vida.

Venho trazer também as vidas trincadas e as chamas bruxuleantes (que estão quase se apagando). Quero restaurá-las na vossa morte de dois mil anos, que não cessa de transmitir plenitude. Tudo isso são pessoas querendo realizar os seus sonhos.

Trago também todas as dores: para serem aliviadas e curadas. Para serem portadoras de bem-estar, de saúde, e mesmo de prazer, sempre que for possível.

E trago todas as alegrias e todas as festas. Elas são as flores que coloriram o mundo e embalsamaram o ar quando a vossa Cruz nos devolveu a salvação.

Eu vos louvo, Senhor, com todo o meu ser, porque estou assistindo a salvação que nasceu da Cruz e tenho a alegria infinita de poder tomar parte nela, sem cessar.

 

 

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Com Maria aprendamos a celebrar…

Segunda noite do Tríduo em louvor a Nossa Senhora do Sion. A reflexão foi feita pelo jovem Peterson. O tema da Festa é “Óh Maria, aurora de um mundo novo, vem nos ensinar a acolher, a celebrar e a testemunhar”

Aconteceu algo muito interessante. Esta palestra foi a primeira que ele escreveu para apresentar. Fiz algumas considerações sobre a mesma, pedindo para que a revisasse levando em conta o tema acima proposto… Tendo considerado minha solicitação e tendo participado da primeira noite do Triduo, ele veio a reescrever… E como ficou melhor!!!  Faça esta mesma constatação. Vale a pena!

“Com Maria aprendamos a celebrar…

1 – O que é celebrar?

 

1.1 - Celebrar á fazer de novo e de novo algo de muito bom que fizemos antes, é como repetir um prato de comida muito gostoso! Sejam grandes momentos da vida pessoal, comunitária ou até mesmo histórica.

 

 

2 – Celebrar pressupõe verdade

 

2.1 - Costumamos ter uma tendência tão grande para tornar formal tudo que fazemos que, muitas vezes, acabamos estragando o que é melhor na vida. Uma das coisas que acabam ficando mais artificiais é o que chamamos de louvor, que, na realidade, consiste no estouro do celebrar, o espocar de alguma coisa que vem lá de dentro. E celebrar, se o soubermos fazer de verdade, é uma dessas realidades que tornam mais gostosa a vida.

 

 

3 – Celebrar com todo o corpo

 

3.1 - É importante destacar dois aspectos da celebração: primeiro, ela faz reviver uma memória, alimentando de passado o presente e o futuro. Segundo: ela tem que envolver todo o corpo, porque nós não somos mente ou puros espíritos. Pois é, celebrar é rezar transbordando alguma coisa boa lá de dentro. É rezar em atos vivos, repetindo o que foi bom com o corpo, com todo o corpo. Não bastam conceitos e nem mesmo sentimentos. É preciso agir, fazer entrar em ação um corpo atuante. Na celebração tomam parte todos os movimentos conscientes do corpo e mesmo um abraço ou um simples aperto de mãos devem ser vistos como celebração. Em nossa liturgia, ajoelhar-se, sentar-se, levantar-se, erguer as mãos, caminhar em procissão são grandes gestos celebrativos. Mas a vida do povo e mesmo as liturgias africanas, indígenas e orientais não se esquecem de um conjunto de gestos que é toda uma atitude de celebração: a dança.

 

3.2 - Por isso é que devemos zelar pelo nosso corpo, através de exercícios que ajudam-no a viver no Espírito, como o jejum, por exemplo. “Irmãos, pela misericórdia de Deus, peço que vocês ofereçam os próprios corpos como sacrifício vivo, santo e agradável a Deus. Esse é o culto autêntico de vocês.” (Romanos 12,1): A vida cristã é resposta à misericórdia de Deus e abrange toda a existência concreta do homem, representada pelo corpo como centro de vida e ação e de relação com Deus, com os homens e com o mundo.

 

 

4 – Celebrar em comunidade

 

4.1 - Um dos aspectos mais interessantes da celebração está justamente na companhia para festejar. Porque um coração que transborda sente necessidade de outro coração para se comunicar. E, muitas vezes, quanto mais numerosos os parceiros, melhor. Nas celebrações em comum temos a oportunidade de incluir os sonhos dos outros em nosso corpo e em nossa alma, deixando que eles façam o mesmo com os nossos sonhos. É desse jeito que a cruz do entrechoque de sonhos vai se transformando em vida da comunidade.

 

4.2 - É impressionante assistir toda a movimentação simbólica, gestual, corporal, dos ritos africanos e também redescobrir o significado profundo de mil pequenos gestos esquecidos de nossa liturgia católica. Estamos precisando redescobrir como os próprios foguetórios festivos, as salvas de canhão, os repiques de sino e a solenidade das bandas, além das procissões e dos cortejos populares, são celebrações comunitárias. Nossa vida subsiste porque, apesar de tudo, não matamos todos os usos e costumes que estamos repetindo como povo há séculos, talvez há milênios.

 

 

5 – Celebrar constrói povo

 

5.1 - Para sermos e nos sentirmos como povo, precisamos celebrar. É o primeiro passo na construção da utopia, porque sem celebração não há povo. Através da celebração, o povo concretiza a utopia na festa. Pela celebração nós tiramos de dentro do inconsciente coletivo a consciência do povo que nós somos. É uma colaboração pessoal e coletiva na redenção porque, através dela, vamos podendo incluir na própria vida, como pessoa e como povo, o outro. Um outro que são todos os outros, mas que, no fim é o próprio Cristo e, com ele, a Trindade.

 

5.2 - Assim como o Êxodo foi celebrado por muito tempo pelos hebreus a fim de conduzirem-se com sucesso em todos os êxodos seguintes, a Páscoa dos cristãos, o êxodo da morte para a vida, é que tem que dar sentido a tudo o que vai acontecendo em nossa vida como povo.

 

5.3 - É uma pena que, em geral, não saibamos enxergar como a liturgia eucarística, liturgia da cruz, celebração do ágape fraterno, constrói o nosso povo como cristão. Ou, mal usada, deixa de construir. Nós temos que festejar como povo cristão a ação de graças, as dores, as alegrias, as transformações que nos estão conduzindo para ser o povo definitivo na plenitude dos tempos. Por isso, também é muito importante que celebremos, como pessoas e como grupos, tudo que nos parece “diferente” e que tantas vezes deixamos de aceitar.

 

 

6 – Celebrar a vida plena

6.1 - Na celebração da vida plena festejamos a alegria de viver, por mais singela que ela seja. Esta atinge seu ponto máximo quando descobrimos que nos foi dada uma vida repleta de bens, uma vida em plenitude. Para os cristãos, a celebração da vida em plenitude chama-se Eucaristia. São Francisco e Santa Clara puseram toda sua vida nas celebrações eucarísticas e ajudaram a dar um espírito renovado ao seu valor: “Ardia com o fervor do mais profundo de todo o seu ser para com o sacramento do Corpo do Senhor… Como tinha toda reverência para com aquilo que se deve reverenciar, oferecia o sacrifício de todos os seus membros e, recebendo o Cordeiro imolado, imolava o seu espírito com aquele fogo que sempre ardia no altar de seu coração.” (Segunda Celano 201. Vozes p. 429).

 

6.2 - Essa celebração nunca vai ser completa enquanto não aprendermos a celebrar as falhas da vida plena. Assim, temos que aprender a celebrar não só a alegria, mas também todas as fases da dor que está sendo vencida, que está virando alegria aos pouquinhos. Não basta celebrar a abundância, é preciso celebrar também a carência: uma ajuda a entender a outra e é a carência que dá o verdadeiro valor à abundância.

 

6.3 - Mas para que tudo isso possa ocorrer é necessário que cultivemos em nós mesmos e nos outros um olhar contemplativo. É um olhar que nasce da fé em Deus, que nos criou como criaturas maravilhosas. Um olhar que consegue observar a vida em profundidade, de quem não pretende se apoderar da realidade, mas a acolhe como um dom, descobrindo em todas as coisas o reflexo do Criador e em cada pessoa Sua imagem viva. Este olhar não se deixa cair em desânimo à vista daquele que se encontra enfermo, atribulado, marginalizado, ou às portas da morte; mas deixa-se questionar por todas estas situações procurando nelas um sentido, sendo nessas circunstâncias que este olhar passa a enxergar nos rostos das pessoas um apelo ao entendimento, ao diálogo e à solidariedade. “É tempo de todos assumirem este olhar, tornando-se novamente capazes de venerar e honrar cada homem, com ânimo repleto de religioso assombro.” (mensagem natalina de Paulo VI). São os olhos da contemplação que nos permitem ver no presente da celebração a força passada e perene da cruz e sua capacidade de construir o futuro. Toda a parte da oração que é feita sem o uso de palavras, sem a reflexão de idéias, simplesmente através dos movimentos do corpo, também pode ser considerada contemplação. Transporta para o inexprimível.

 

6.4 - Somos convidados a exprimir assombro e gratidão pela vida recebida em dom e a acolher, saborear e comunicar o verdadeiro significado e valor da vida, não só através da oração pessoal e comunitária, mas sobretudo com as celebrações do ano litúrgico, de modo especial, os Sacramentos, sinais eficazes da presença e ação salvadora de Jesus na vida cristã: tornam os homens participantes da vida divina, assegurando-lhes a energia  espiritual necessária para realizarem plenamente o verdadeiro significado do viver, do sofrer e do morrer. Quanto mais descobertos os sentidos destas celebrações e seu valor, melhor ajudarão a entender a verdade plena sobre o nascimento, a vida, o sofrimento e a morte, ajudando a viver estas realidades como participação no mistério pascal do Cristo morto e ressuscitado.

 

6.5 - A celebração da vida plena requer a sua concretização sobretudo na existência cotidiana, vivida no amor pelos outros e na doação de si próprio. Assim toda a nossa existência tornar-se-á acolhimento autêntico e responsável do dom da vida e louvor sincero e agradecido a Deus que nos fez esse dom. É neste contexto, rico de humanidade e amor, que nascem também os gestos heróicos. Estes são a celebração mais solene da vida plena, porque a proclamam com o dom total de si. São a participação no mistério da Cruz, na qual Jesus revela quão grande valor tem para Ele a vida de cada homem e como esta se realiza em plenitude no dom sincero de si. Há atos heróicos clamorosos, mas também há o heroísmo do cotidiano, como o testemunho silencioso, mas tão fecundo e comovente, de “todas as mães corajosas, que se dedicam sem reservas à própria família, que sofrem ao dar à luz os próprios filhos, e depois estão prontas a abraçar qualquer fadiga e a enfrentar todos os sacrifícios, para lhes transmitir o que de melhor elas conservam em si.” (João Paulo II, Homilia na beatificação de Isidoro Bakanja, Isabel Canori Mora e Joana Beretta Molla). No cumprimento de sua missão, “nem sempre estas mães heróicas encontram apoio no seu ambiente. Antes, os modelos de civilização, com freqüência promovidos e propagados pelos meios de comunicação, não favorecem a maternidade. Em nome do progresso e da modernidade, são apresentados como já superados os valores da fidelidade, da castidade e do sacrifício, que são, porém, ainda seguidos por multidões de esposas e mães cristãs. (…) Nós vos agradecemos, mães heróicas, o vosso amor invencível! Nós vos agradecemos a intrépida confiança em Deus e no seu amor. Nós vos agradecemos o sacrifício da vossa vida. (…) Cristo, no Mistério Pascal, (…) tem o poder de vos restituir a vida, que lhe levastes em oferenda.” (Ibid., n. 5: o,c., 2)

 

6.6 - Celebrar a vida plena é também redescobrir o prazer de brincar, de viver o lazer, de preparar-se para o Banquete eterno na companhia de Deus e dos irmãos. Jesus mesmo disse que só tomaria vinho outra vez nessa festa eterna que ia preparar.

 

 

7 – Celebrar é rezar

 

7.1 - Também as festas de aniversário, Natal ou de outros acontecimentos, são celebrações comunitárias de um fato passado que todo o grupo valoriza. Aliás, toda oração e toda intercessão são memórias, isto é, celebrações. Talvez seja bom recordar que São Francisco deu imenso valor aos pedidos de prece de intercessão e seus biógrafos lembram até um episódio em que ele apeou da montaria embaixo de chuva quando lembrou que alguém lhe havia pedido para rezar por uma sua intenção.

 

 

8 – Celebrar melhor

 

8.1 - Procure um ambiente calmo e solitário e procure celebrar a Deus pelo dia que você viveu: sem palavras, sem pensamentos, só com movimentos do corpo.

 

8.2 - Lembre que o seu grupo de vida tem que caminhar para ser povo. Que é que você acha que ele deveria celebrar?

 

8.3 - Repense como tem sido a sua participação pessoal nas celebrações do povo: missas, peregrinações, festas, passeatas… tudo o que lembrar.

 

 

Oração

 

No vosso altar, Senhor, venho trazer toda morte que me atingiu por toda parte onde passei. A violência que abateu o pai de família e a miséria que matou a criança lá na parte mais pobre do meu bairro. A destruição da guerra, que chegou pelo noticiário. Mas também todas as outras mortes mais sutis e disfarçadas que tornam tão reduzida a vida das pessoas. Quero usar a vossa morte redentora e transformar tudo isso em vida.

Venho trazer também as vidas trincadas e as chamas bruxuleantes (que estão quase se apagando). Quero restaurá-las na vossa morte de dois mil anos, que não cessa de transmitir plenitude. Tudo isso são pessoas querendo realizar os seus sonhos.

Trago também todas as dores: para serem aliviadas e curadas. Para serem portadoras de bem-estar, de saúde, e mesmo de prazer, sempre que for possível.

E trago todas as alegrias e todas as festas. Elas são as flores que coloriram o mundo e embalsamaram o ar quando a vossa Cruz nos devolveu a salvação.

Eu vos louvo, Senhor, com todo o meu ser, porque estou assistindo a salvação que nasceu da Cruz e tenho a alegria infinita de poder tomar parte nela, sem cessar.”

 

 

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13.1.09

Entre o caos e o êxtase…

Entre o caos e o êxtase…

 

 

É possível pensar e viver o eterno caos? É possível e desejável o eterno êxtase? Nem um, nem outro. A vida consiste entre o caos e o êxtase, em sua exata medida, de modo que o excesso de algo pode ser tão ruim quanto a sua falta.

 

Não suportaríamos um caos absoluto, bem como não haveria possibilidade do eterno êxtase, logo, viver é a busca deste equilíbrio necessário em nossa vida.

 

Há muitas coisas que acontecem que chamamos de caos, que parecem ser intransponíveis. Quantas vezes ouvimos ou mesmo dizemos – “minha vida está um caos”. Mas aqui está a grandeza da vida: uma situação caótica clama sempre por superação, sem a pretensão de chegar ao êxtase, mas simplesmente chegar à superação.

 

Caos num relacionamento conjugal pede o diálogo, a luz divina, a reconciliação, o perdão – superação, busca da felicidade possível – entre o caos e o êxtase. Relacionamento caótico prolongado e êxtase continuo num casamento é impensável e muitas vezes insuportável.

 

Caos numa relação de amizade pede maior proximidade, maior sinceridade, dedicação, expressão de carinho, avaliação, ponderação, maior atenção com aquele que chamamos amigos – reforçar o laço de amizade – entre o caos e o êxtase.

 

Caos na vivência comunitária pede a proximidade, liberdade, intimidade, solidariedade, amor e verdade – fortalecimento da verdadeira comunhão querida – entre o caos e o êxtase.

 

Caos pela partida abrupta e violenta de uma pessoa pela morte, com suas cicatrizes, que somente com o tempo se tornam suportáveis e superáveis. A morte muitas vezes se apresenta como caos para quem fica. A sensação de nunca mais a felicidade, de nunca mais o sorriso, a alegria… Mas o mistério da vida comporta a superação da morte. Somente o êxtase vivido em alguns momentos daquele relacionamento é que tornar-se-ão fonte para a continuidade do existir. Viver entre o caos da morte e os êxtases que a vida pode proporcionar.

 

Caos na vida profissional pede revisão, aperfeiçoamento, novas janelas, novas portas, novas experiências, novos contatos, a busca daquilo que possa de fato a pessoa, como profissional, realizar - qualificação e realização profissional na exata medida entre o caos e o êxtase.

 

Caos econômico mundial pede a tomada de consciência de que recursos são escassos, economia tem seus limites, há limites para o capital e seu nefasto estrangulamento da vida de pobres e inocentes – uma economia globalizada e solidária – entre o caos e o êxtase.

 

Caos político que multiplica atentados, bombas, vidas destruídas, restos de construções, dores e profundas desolações. Lágrimas de crianças inocentes em capas de jornais estremecem nossos corações. E nos perguntamos: até quando o caos? Não creio que o êxtase do relacionamento entre os povos e nações  seja possível, pois muitos são os interesses em jogo, radicalismos exacerbados… Mas no mundo um clamor: convivência na harmonia possível – entre o caos e êxtase.

 

Caos planetário – agrotóxicos, queimadas, ocupações não planejada, monoculturas de solos destruidoras, camada de ozônio, aquecimento global… super exploração dos recursos finitos pedem – nova mentalidade, nova postura, novos modos de se relacionar com a criação – uma nova mentalidade ecológica há que se fortalecer – entre o caos e o êxtase da primeira criação.

 

E a vida tem seus mistérios, seus encantos e desencantos, encontros e desencontros, buscas e perdas, altos e baixos, luzes e sombras, sonhos e pesadelos, ausências e presenças, ausência de sentido e sua eterna busca, coerências e contradições, enfrentamentos e superações, louvores e lamentações…

 

A vida é, por isto, um livro a ser escrito, página por página, em que o fio condutor é a busca da felicidade, entre o caos e o êxtase, o percorrer de caminhos, às vezes tenebrosos e algumas vezes, ainda que poucas, veredas ensolaradas.

 

 

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6.1.09

Epifania do Senhor: Deus se revelou, nossa vida mudou…

EPIFANIA DO SENHOR: DEUS SE REVELOU, NOSSA VIDA MUDOU…

Neste final de semana estive numa simpática e acolhedora Cidade do Paraná, Jaguapitã – PR. O Pároco da Paróquia, Pe. Constantino, além da amigável acolhida, permitiu que Presidisse a Celebração Eucarística da noite do sábado, quando já podíamos celebrar a Epifania do Senhor.

Lá como em nossa Paróquia, em luto. Em trágico acidente na Rodovia, morreram seis pessoas, que foram veladas no Salão Paroquial ao lado. A comoção e a solidariedade ressaltavam no olhar e em todas as conversas… Entre os corpos velados, duas crianças…

Como celebrar a Epifania neste contexto? Uma Festa carregada de intensa alegria, exultação e jubilo? Na introdução da homilia, acenei para a possibilidade de celebrarmos porque somos antes de tudo uma comunidade pascal, que consegue contemplar o horizonte que ultrapassa a fronteira da morte, cremos que a vida venceu a morte.

Aquele Menino que nasceu e se manifestou ao mundo também passará pela realidade cruenta da morte para vencê-la, abrindo-nos a perspectiva de eternidade – “Senhor, para os que crêem em vós a vida não é tirada, mas transformada, e desfeito nosso corpo mortal, nos é dado nos céus um corpo imperecível”, se por hora habitamos em casebres, nos é dado nos céus mansão celestial, pois Ele nos assegurou no Evangelho de João que na casa do Pai há muitas moradas, e Ele se antecipou para nos prepará-la.

Depois desta pequena introdução comecei a homilia, e que posteriormente completei para chegar até você.

A Igreja nos oferece a cada ano a graça de celebrar a Solenidade da Epifania do Senhor que é a Manifestação de Jesus como Salvador de todos os povos e em todos os tempos… Deus se revela como Sol Nascente que veio nos visitar e a vida redimir, a humanidade com sua Luz resplandecente iluminar.

São Pedro Crisólogo, Bispo do século V, assim nos apresentou esta bela Festa -  Hoje os magos que o procuravam resplandecente nas estrelas, o encontram num berço. Hoje os Magos vêem claramente, envolvido em panos, aquele que há muito tempo procuravam de modo obscuro nos astros. Hoje os Magos contemplam maravilhados, no presépio, o céu na terra, a terra no céu, o homem em Deus, Deus no homem e, incluído no corpo pequenino de uma criança, aquele que o universo não pode conter. Vendo-o, proclamam sua fé e não discutem, oferecendo-lhe místicos presentes: incenso a Deus, ouro ao rei e mirra ao que haveria de morrer. Assim o povo pagão, que era o último, tornou-se o primeiro, porque a fé dos Magos deu início à fé de todos os pagãos”.

 

Enfim acenei para alguns pontos que nos ajudam a acolher e celebrar o mistério da Festa e a nossa vida mudar.

 

Num primeiro momento refleti sobre o medo dos “Herodes” de ontem, hoje e sempre. O medo feriu, cegou e matou o seu coração, como nos falou São Quodvultdeus, em seu Sermão do século V.

Depois refleti que não seguimos mais estrela, mas o próprio Sol Nascente que nos veio visitar. O  menino da manjedoura é a luz do mundo. Quando pregando a Boa Nova do Reino dirá – “Eu sou a luz do mundo, quem me segue não anda nas trevas, mas tem a luz da vida”. Quem se deixa guiar pela luz divina poderá ser um pequeno e valioso sinal de sua luz para tantos quantos precisam.

Outra reflexão que a Festa nos desperta: os magos do Oriente dão ao Menino Deus o que tem de melhor. Reconhece na Criança a realeza (Ouro), Ele é o grande Rei; a divindade (Incenso), porque Ele é o sumo Deus; a humanidade( Mirra), pré-anunciando a sepultura. Jesus é divindade visibilizada na fragilidade de sua humanidade e é Rei e Senhor de toda as nações.

Somos assim interpelados: a quem devemos curvar: A Herodes ou ao Deus vivo e verdadeiro. Os magos nos deram a resposta, façamos o mesmo…

Fomos por Deus presenteados, agraciados com o Verbo que se fez Carne. Como podemos retribuir ao amor de Deus? É dar o melhor de nós mesmos a Deus, a sua Igreja e ao próximo, viver o mandamento do Amor a Deus, tendo-o como primeiro na ordem dos preceitos, amando-o próximo como o primeiro mandamento na ordem da execução (Santo Agostinho).

Assim como fizeram os reis magos que levaram o que tem de melhor para o Menino Deus, em mais um ano que inicia, o que temos de melhor a oferecer?

Como não ser levado à outra necessária reflexão: o verdadeiro encontro com Deus nos leva a rever nossos caminhos e se necessário ter a coragem de mudar. De fato o caminho de Deus e seus pensamentos não são os caminhos e pensamentos humanos.

Finalmente: Aquele que se revelou, há que ser revelado. Logo, Epifania é revelar ao mundo o Deus que desejamos, procuramos, encontramos e amamos, como assim bem expressou Santo Anselmo: “Senhor, que desejando e vos procure, procurando eu vos deseje, amando-vos eu vos encontre e encontrando eu vos ame.” (Santo Anselmo).

 

Férias de janeiro de 2009.

 

 

criado por peotacilio    16:19 — Arquivado em: Sem categoria

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