31.1.09
QUE SE REACENDA EM NÓS A CHAMA PROFÉTICA!
QUE SE REACENDA EM NÓS A CHAMA PROFÉTICA!
A Liturgia da Palavra hoje nos convida a refletir sobre a vocação profética. Vemos que missionariedade e profetismo, na Igreja e no mundo, devem andar de mãos dadas, na vida de todo cristão batizado.
Nas páginas da Sagrada Escritura contemplamos Deus que por meio dos profetas forma seu povo na esperança da salvação, na expectativa de uma Nova e Eterna Aliança que se destina a toda a humanidade, e que foi impressa em seus corações.
Deus ao longo da história chama-nos a profecia, uma vez que todo batizado torna-se profeta, sacerdote, rei e pastor.
A vida e o testemunho do Pe. Berardo ao lado de tantos outros presbíteros e cristãos comprometidos com o Evangelho nos possibilitam algumas respostas para o que é ser de fato um profeta.
Que em cada presbítero e em cada cristão batizado possamos encontrar estas marcas do profeta. Marcas carregadas para marcar o mundo com uma nova feição.
Ser profeta é:
Antes de tudo, ser profeta é um dom de Deus, uma resposta humana. A missão profética não é iniciativa da Igreja, tão pouco nossa, mas do Espírito Santo. Os profetas surgem onde e quando nós menos esperamos.
§ É ungido de Deus, unindo o culto e a prática da justiça, constituído por Deus “para arrancar e demolir, para destruir e abater, para edificar e plantar (Jr. 1,10)”.
§ Alguém que age a partir de um encontro decidido, marcante e apaixonado por Cristo, portador de uma fé profunda, cultivando profunda intimidade com os mistérios divinos.
§ É permanecer na escola do Amor. Aprendizes do Mestre e tantos testemunhos dos mártires/profetas de todos os tempos.
§ Alguém que acolheu, antes de anunciar, a Semente do Verbo, falando antes com a vida e depois com as palavras, para que sua profecia não seja um alienante contra testemunho.
§ Cultivador da coerência necessária entre a fé e a vida.
§ Estar permanentemente e plenamente aberto à vontade de Deus.
§ Ser anunciador de uma redenção radical do Povo de Deus, levando-o a purificação de todas suas infidelidades. São sobretudo os pobres e os humildes do Senhor, em constante educação da fé, em atitude de conversão do coração.
§ Estar revestido da autoridade divina e jamais se enamorar com o autoritarismo seja de que ordem for.
§ Ser portador de inquietude missionária, rezar todos os dias para manter acesa a chama do profetismo em seu ministério, renovando sempre a conduta de outrora, com invejável vigor (cf. Ap. 2,5).
§ Ser portador e testemunha da gratuidade do amor divino alimentada pela oração, na escuta da Palavra de Deus, em diálogo aberto e sincero, confiando em Deus suas inquietações, angústias, preocupações, alegrias, certezas, esperanças…
§ Ser profeta é irradiar e testemunhar a alegria de ser Igreja, uma Igreja santa e pecadora, tudo fazendo para torná-la mais santa…
§ Ser a voz de Deus no aqui e agora (hoje), em constante sintonia, abertura para captar o sopro do Espírito, agindo como mediador e porta voz de Deus.
§ Aquele que sabe calar para que a voz de Deus possa ressoar.
§ Uma voz intrépida a denunciar o que contraria uma voz incansável e anunciar o mundo querido por Deus.
§ Fala com a autoridade Daquele que o envia, portanto é aquele que sabe escutar, aprender e acolher a voz de Deus para que todo o povo tenha vida.
§ Ser, num mundo marcado por ruídos e barulhos ensurdecedores, o homem do silêncio que gera o novo.
§ Aquele que se nutre do Pão da Vida, no Sacrifício Eucarístico, para ser sinal no mundo da misericórdia divina que se torna visível no cumprimento do amor ao próximo.
§ Ser mensageiro de um anúncio que não envelhece, que não perde sua pertinência e atualidade.
§ Ser um testemunho de profunda espiritualidade que só pode brotar de um coração sedento de humanidade.
§ Agir num lugar concreto e no quotidiano da vida, no chão da realidade.
§ Arriscar a vida (contra toda incompreensão, solidão, abandono, perseguição)…
§ Não se intimidar na luta incansável contra a idolatria.
§ Não se deixar devorar pelas estruturas de morte que devoram a vida.
§ Por excelência, homem da esperança divina, contra toda falta de esperança humana.
§ Possuir uma sexualidade integrada e integradora, de bem consigo e com todos.
§ Aquele que se empenha na luta pela libertação integral da pessoa e de todas as pessoas.
§ Estar antenado, plugado, sempre acompanhando a conjuntura atual com renovado compromisso na construção de um projeto social novo, contra toda forma de exclusão e empobrecimento em constante amadurecimento crítico.
É buscar respostas para os desafios, não se conformando diante dos mesmos, procurando a libertação de todo mal: pluralismo cultural e trânsito religioso; individualismo; desigualdade social, má distribuição da terra e seus produtos; a lenta asfixia do ambiente natural por conta das indústrias e da poluição; a corrupção, o terror, o tráfico de drogas, o crime organizado; o esvaziamento moral e espiritual pelo mau uso dos meios de comunicação; o aborto ou qualquer forma de eliminação da vida…
É não deixar perder o valor sagrado da vida diante dos avanços da biotecnologia, amando e defendendo a vida, desde a concepção até seu declínio natural. É compromisso incansável com a juventude que se degrada e se elimina – “juventude uma opção que não podemos deixar de fazer”.
Promover o cortejo da vida (caminho da esperança, ressurreição, transformação do choro de morte na alegria da vida), em contraposição aos cortejos da morte (sem esperança, desespero, fome, analfabetos, excluídos, drogados, vazios de sentido existencial, relativismo etc.).
Um poeta que sonha, mas que não sonha só, porque é parte de um povo que a Deus se consagra. Como poeta escreve a poesia e o canto de um mundo novo, onde todos possam viver como irmãos e filhos de um mesmo Pai.
É testemunhar o amor de Deus, sobretudo pelos empobrecidos.
Peçamos ao Pai que nos envie profetas, pois, quando eles nos faltam, o povo perde o rumo de sua caminhada. Perde seus horizontes e mergulham num abismo de mediocridade, num deserto de esterilidade, num oceano de desumanidade, num lamaçal de atrocidades…
o Quando se calam as suas vozes campeia a força dos interesses falsos e impuros, chegando ao absurdo de não se ter vergonha da imoralidade e absoluta perda da sanidade mental, espiritual, intelectual, psicológica etc…
o Quando se calam suas vozes, inaugura o permissivismo, o relativismo em que tudo é permitido até mesmo a eliminação da vida. Anuncia-se a morte de Deus para a proliferação de deuses. E a humanidade não pode ter futuro prescindindo de Deus.
o Quando se calam suas vozes irrompe a escuridão, instaura-se o caos.
o Quando se calam as suas vozes robustece multiplica a infidelidade e idolatria.
É tempo da missão profética da Igreja, através da Palavra e dos sinais ser homens e mulheres no coração do mundo e ao mesmo tempo serem homens e mulheres no coração da Igreja.
Vozes proféticas são e serão sempre luminares, portadores da luz divina para um mundo novo, e por isto rezamos:
“O Senhor é minha luz e Salvação, a quem temerei?”
Finalizo lembrando nosso padroeiro em Um de seus memoráveis sermões
“Quem está repleto do Espírito Santo fala várias línguas.
As várias línguas são os vários testemunhos sobre Cristo, a saber:
A humildade, a pobreza, a paciência e a obediência;
Falamos estas línguas quando são as obras que falam.
Cessem, portanto, os discursos e falem as obras.
Estamos saturados de palavras, mas vazios de obras.
Por este motivo o Senhor nos amaldiçoa, como amaldiçoou a figueira em que não encontrara frutos, mas apenas folhas.
Diz São Gregório: ‘Há uma Lei para o pregador: que faça o que prega.
Em vão pregará o conhecimento da lei quem destrói a doutrina por suas obras.”


criado por peotacilio
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