Pe. Otacilio F. Lacerda

Artigos, textos e poesias para meditação, reflexão.

31.12.08

Feliz Ano Novo: O retrovisor e o farol de milha

Feliz ano Novo:

O  retrovisor e o farol de milha

 

 

                                             

 

Terminar bem um ano para recomeçar um outro melhor. Eis o desejo que cada um carrega dentro de si hoje, quando nos cumprimentamos e desejamos: “Feliz Ano Novo!

 

Mas como terminar bem um ano?

 

É olhar pelo retrovisor de nossa história escrita ao longo de um ano que finda.  

 

Já poder terminar é terminar bem, quando tantos não o puderam… Terminar bem é ter a certeza de que é possível recomeçar melhor. Quando um ano finda e outro começa, mais que mudança de algarismos, deve ser mudança de atitudes.

É revisão de caminhos, projetos, reorientação dos passos…

 

É poder olhar pelo retrovisor e contemplar o que de bom fizemos para a santificação de nossa família, pelo bem dos filhos, pela alegria de nossos pais…

 

É olhar contemplar no  mesmo retrovisor  o crescimento da comunidade que fazemos parte, e saber que nela fomos apenas servos inúteis e fizemos o que devíamos fazer, embora ainda pudéssemos fazer muito mais. Há sempre muito mais a fazer. Os apelos da Boa Nova são intermináveis. Como pobre sempre haveremos de ter, Boa Nova sempre haveremos de anunciar, e à messe operários, discípulos missionários  jamais poderão faltar…

 

É ver a Igreja realizando Assembléias para os apelos da modernidade responder… e quantos apelos, quantos desafios!  No retrovisor contemplo pessoas que acreditam que o Verbo se fez de fato morada em nosso meio, conosco veio caminhar. Se os apelos e desafios são grandes, bem maior é o nosso Deus e sua força, sua sabedoria e sua luz…

 

É saber que cada dia foi dom, graça para construir verdadeiras amizades, porque afinal são elas que contam e que devem ser multiplicar em nossos retrovisores. Feliz quem puder contemplar alguns poucos e bons amigos em seus retrovisores.

 

É contemplar no retrovisor do mundo passos dados para a construção da democracia, ainda que se insista em perpetuar o vírus do poder que mata, viola a beleza e a sacralidade da vida.

 

É acreditar que os conflitos que ainda teimam aparecer em nosso retrovisor um dia serão coisas do passado. Bombas lançadas contra pessoas, atrocidades abomináveis e práticas odiáveis, serão apenas lembranças amargas de páginas viradas.

 

É ver que todo esforço em defesa da vida, da concepção ao seu declínio natural não foi apenas um jargão de uma campanha, mas princípio que nos acompanha e nos orienta em todo existir na luta contra toda prática conivente com o aborto e a interrupção da vida…

 

É ver que apesar da insanidade e nervosismo do mercado, crise mundial repetida incontáveis vezes, em páginas e telas multiplicadas não dilacerou a esperança daqueles que tem outra métrica, outro parâmetro, outros sonhos outro modo de ver a economia, o mercado… Contemplar pessoas que não se curvam ao capital e ao deus do mercado, que sobrevive a custa do sofrimento e miséria dos pobres…

 

É poder ver. É não ter medo de ver. É ter a ousadia de ver…

 

 Quem não for capaz de assumir seu passado, vive um presente de instabilidade e um futuro de incertezas sepulcrais, em que serão enterrados sonhos, alegrias, esperanças e utopias…

 

O que você pode ver no teu retrovisor?

 

 

 

Recomeçar um ano melhor! É possível? Sim, é possível. É possível para quem não temeu contemplar seu retrovisor existencial. Não temeu rever seus passos. Não temeu rever seus conceitos, parâmetros, passos às vezes sem rumo, outras vezes de rumo certo.

 

Mas como recomeçar melhor o ano?

 

É acender nosso farol de milha. Apontar para os dias do novo ano e iluminar alguns sinais que nos permitirão recomeçar um ano melhor.

Permita-me falar em falar de um farol de milha existencial, que nos acompanha em toda a vida.

 

É preciso saber apontar o farol para acertar o caminho. Não enveredar por caminhos escuros sem a Luz necessária: Deus e seu Espírito.

 

É lembrar que temos origem e meta, é nunca esquecer que de Deus viemos, nos movemos e somos, e para Ele haveremos de um dia voltar… O nascimento aponta para o crescimento / morte / eternidade… para além da contagem de segundos, horas, dias, semanas, meses e anos…  

 

É acreditar que um outro mundo é possível, não como teimosia inconseqüente, mas como sonho e paixão pelo horizonte do inédito ainda não vislumbrado.

 

É alargar os horizontes e nossos sonhos, projetos, para que não apenas caibam nossas ambições desmedidas, mas possam contemplar a humanidade de que somos parte, uma pequenina e necessária parte…

 

É saber que não somos o mar, apenas uma gota nele, mas que faz o mar se não a somatória das gotas?

 

É não esquecer que o grão de areia ínfimo que somos, se perde na imensidão da areia do mundo. Mas não haveria areias do mar e areias no desertos se não fosse o menor dos menores dos grãos… Consciência de nossa pequenez, não lugar para arrogância e prepotência que assola tantos corações e mentes.

 

É acreditar que a seiva de um pequeno ramo faz a mata, a floresta. Que a seiva do amor que em nosso sangue e coração corre, faz a grande humanidade…

 

É os pilares da casa da paz revigorar: verdade, justiça, amor e liberdade. E em todos os telhados esta Boa Nova anunciar…

 

É decretar a pobreza como mal a ser eliminado, à partir da solidariedade global, é fazer um lema de nossa vida esta grande verdade: “combater a pobreza é construir a paz”…

Não apenas a pobreza material que por si mesma já é abominável e deplorável, mas também a pobreza espiritual e mental que abate ricos e abastados. A riqueza da graça de Deus não combina com um mundo em que a pobreza material e espiritual vítimas ainda multiplicam…

 

É cuidar de nossa casa comum, o planeta com todo carinho. “Dominar a terra” não será destruí-la inescrupulosamente. Somos todos por esta casa responsável: terra, céu, fogo e ar…

 

É fazer da paz, um sonho, uma busca, uma meta, uma conquista, uma utopia: verdadeiramente a paz deve guiar o destino da humanidade: todo dia há que ser o Natal da Paz, da fonte da Paz, de Jesus, Aquele que nos Salva e a vida tece e refaz…

 

É manter acesa e inflamada chama da fé, com o cuidado para que os ventos das contrariedades e dificuldades, enfermidades e mortes não a apague…

 

É cuidar da semente da esperança que no Natal foi plantada, para que regada em nossos corações,  flores e frutos saborosos o mundo possa saborear…

 

É a incansável subida da escada da caridade continuar - “…conjugar o verbo armar sem a letra r…”. O amor é a nossa grande arma. Não deixar de buscar a escada que Jacó contemplou, e que Jesus ao mundo apresentou.

 

Escada da caridade que leva para a cruz, para a morte consumar, para a vida por amor entregar. O amor que por amor até fim nos amou. Escada que aponta para o alto, para a glória dos céus, para a glória da eternidade.

 

É pedir ao Pai: “A escada da caridade de cada dia nos daí hoje e não nos deixeis desanimar, ainda que a cruz tenha que carregar. Que  o amor possamos testemunhar, para a glória dos céus alcançar. Amém!”

 

 

 

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29.12.08

Voltando do Templo

Voltando do templo…

 

 

                                  

 

                                       

 

 

 

 

 

Um dia, cumprindo o preceito da Lei de Moisés, Maria e José foram apresentar no templo o filho primogênito, Jesus. Cumpria-se assim, zelosamente a Lei do Senhor.

 

Sacrifício oferecido, apresentação realizada. A acolhida das palavras de Simeão, justo e piedoso, aquele que portava a esperança da consolação agora a vê realizada. As suas palavras à Maria e José, acompanhadas de bênçãos, lhes causa admiração.

 

A alegria que Ana, aquela mulher viúva, idosa e piedosa, que noite e dia do templo não saia, servindo a Deus com jejuns e orações, que louvava e falava com entusiasmo a todos sobre aquele menino, a tantos quantos esperavam a libertação de Jerusalém.

 

Hora de retornar para Galiléia, para Nazaré, sua Cidade. E aqui um momento para reflexão, meditação…

 

Contemplemos uma possível conversa de Maria com José naquele retorno, com o menino Jesus no colo, viagem difícil, mas religiosamente cumprida, sem adiamentos e displicências…

 

Maria: “José, estou pensando naquelas palavras de Simeão”.

 

José: “Como é que ele falou mesmo Maria?”

 

Maria: Ele disse assim – “Agora, Senhor, conforme a tua promessa, podes deixar teu servo partir em paz, porque meus olhos viram a salvação, que preparastes diante de todos os povos: luz para iluminar as nações e glória do teu povo Israel

 

José: “É verdade, me lembrei. Maria, você entendeu quando ele disse logo depois  este menino vai ser causa tanto de queda como de reerguimento para muitos em Israel; Ele será um sinal de contradição. Assim serão revelados os pensamentos de muitos corações. Quanto a ti Maria, uma espada te trespassará a alma’?”.

 

Maria: “Confesso que estou aqui caminhando em silêncio pensando exatamente nisto. A consolação e esperança de Simeão, é a nossa consolação e esperança. Este menino que Deus nos concedeu pela obra do Espírito Santo é Aquele que tanto esperamos. Meu Deus, quão grande é a nossa responsabilidade!”.

 

José: “É Maria, este menino que Deus nos confiou vai ser causa de queda, como de reerguimento para muitos em Israel, será um sinal de contradição…  Não consigo imaginar o que é isto, a não ser que ele poderá ser aceito por uns, rejeitado por outros. Creio que não será algo tão simples. Às vezes me dá um frio na espinha de ficar pensando nisto…”.

 

E Maria dando um grande suspiro, olhando para José e depois para o menino que dormia serenamente no colo de José, disse:

 

Maria: “Como é bom, José, ficar pensando no que Deus espera de nós, mas ao mesmo tempo como é sempre um ato de fé, de confiança. Não podemos jamais falhar. A Salvação do mundo está em teu colo José, está em nossas mãos!”

 

José: “De fato Maria, haveremos de fazer tudo para que ele seja forte, cresça a cada dia em tamanho, sabedoria e graça diante de Deus. Creio que é isto por Deus de nós esperado. Que responsabilidade! Às vezes tenho tanto medo desta responsabilidade, mas Gabriel falou para que eu não tivesse medo”.

 

 

Maria: “Ah José, como é maravilhoso e ao mesmo tempo um grande, um enorme desafio cuidar daquele que é a Salvação da Humanidade. Às vezes acho que não somos dignos para tanto!”

 

 

Após um silêncio prolongado, José retoma a palavra:

 

José: “Desculpe-me Maria, não queria tocar no assunto, mas não consigo entender o que vem a ser aquelas palavras – ‘uma espada de trepassará a alma”. O que será que ele quis dizer de fato?”

 

Maria: “Ó José,  estas palavras me deixaram mais ainda pensativa. Aquelas palavras estão aqui dentro do meu coração, estou meditando sobre elas. Estou inquieta com aquelas palavras..Quando? De que modo? O que quis dizer aquele piedoso homem com estas palavras? Se você tem frio na espinha, minha alma fica aflita, mas sei que o anjo Gabriel também me assegurou para não ter medo. Deus não pode falhar em suas promessas. Falou para que meu coração não ficasse perturbado, desde aquele dia que eu disse sim”.

 

José – “Sim Maria, sei disto. Creio nisto. Temos que continuar nossa missão. Vamos voltar e nos colocar nas mãos de Deus como sempre o fizemos e como sempre o faremos”.

 

Maria – “É tudo que temos que fazer, assim como eu disse “Eis aqui a serva do Senhor, faça-se em mim segundo a tua Palavra” não vou voltar atrás. Importa a vontade de Deus realizar. Se Ele quis contar comigo, jamais vou desapontá-Lo”.

 

 

 

De fato, a espada trespassada terá um nome, cruz. Será a morte do Salvador na Cruz. Ela ali, aos pés da Cruz, acolhendo as últimas palavras do Seu Filho Crucificado:

 

Jesus – “Mulher, eis aí teu filho. Filho, eis aí a tu mãe!”.

 

 

 

Maria e José caminham com o menino Jesus no colo, e depois de algum tempo de silêncio, José retoma a palavra e diz:

 

José – “Ah, Maria, como admiro sua fé, sua coragem, sua entrega. Fiquei meditando em tudo que conversávamos a pouco, e pode ter certeza, naquilo que for necessário pode contar comigo, estou ao seu lado. Também não vou fugir, o anjo me assegurou coragem e presença da força de Deus”.

 

Maria com um doce sorriso inigualável, próprio dela, diz – “Que bom José! Como é bom saber que Deus e nós, eu e o menino Jesus podemos contar contigo”.

 

José sorrindo para Maria embalando o menino que naquela hora acordara deu um pequeno soluço seguido de um curto choro disse: – “Maria, tenho vontade de ouvir aquele canto que você cantou para Isabel, tua prima. Canta para nós. O menino também quer ouvir.

 

E Maria cantou de novo:

Maria – “A minh’alma glorifica o Senhor e exulta meu espírito em Deus, meu salvador. Porque olhou para a humildade de sua serva; doravante as gerações hão de chamar-me de bendita. O Poderoso fez em mim maravilhas e Santo é o seu nome. Seu amor para sempre se estende sobre aqueles que o temem. Manifesta o poder de seu braço e dispersa os soberbos. Derruba os poderosos de seus tronos e eleva os humildes. Sacia de bens os famintos e despede os ricos sem nada. Acolhe Israel, seu servidor, fiel ao seu amor. Como havia prometido aos nossos pais em favor de Abraão e de seus filhos para sempre”

José: “Ah, Maria, como você canta tão bem as maravilhas de Deus. Verdadeiramente você é uma cantora da esperança dos pobres, canta não só com a garganta, canta com a tua vida, com teus lábios e com teu coração. Não conheço alguém que cante como você. Você é a maravilhosa musica de Deus, suave melodia que nos comunica a força do divino. Teu canto é mais que letras, porque emanam do Espírito, pelo qual nos veio o Verbo, pela suprema e infinita graça e bondade de Deus”.

 

 

E com Maria continuamos a cantar. Eis aí a Sagrada Família. Exemplo a imitar. Modelo de virtudes a se espelhar. Que esta imaginária conversa possa despertar em nós o desejo de Sagrada Família revisitar, e as mais belas lições aprender, assim asseguraremos o futuro da humanidade, que passa inevitavelmente e indiscutivelmente pela família.

A Sagrada Família nos trouxe a Salvação, a consolação, a redenção. O que nossas famílias trazem ao mundo? De que boas novas nossas famílias hoje são portadoras?  Dois milênios passados, e reafirmamos o valor sagrado e inviolável da família no plano de Deus.

Famílias Santas, mundo santo, humanidade santa!

É de famílias assim que o mundo precisa.

A propósito, como vai a tua família?

 

 

“Pelas estradas da vida nunca sozinho estamos… por mais que pareça.

Deus é presença na aparente ausência…

 

                                                                     

 

Ainda que tenhamos que suportar a alma trespassada, ainda que o peso da cruz nos pese…”.

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27.12.08

SAGRADA FAMÍLIA: lições inesgotáveis

 

       

SAGRADA FAMÍLIA: LIÇÕES INESGOTÁVEIS

 

Em Nazaré, há dois mil anos existiu uma família, que para todo o tempo, para além da cultura, foi, é e será modelo para toda família: trata-se da Sagrada Família de Nazaré.

 

Incansavelmente, os Papas nos exortam a permanecer na escola de Maria que ao lado José e Jesus, constituem modelo inigualável e insuperável desejável de toda família. Lugar que possibilitou o crescimento de Jesus em tamanho, sabedoria e graça diante de Deus.

 

Quem de nós pode prescindir de uma família? Quem dela não precisa? Quem não deseja ter na família um porto seguro diante das incertezas e ruídos que nos cercam quotidianamente. A família há que ser o espaço da intimidade, do recolhimento. O que há de novo para substituir a família? Creio que absolutamente nada!

 

Já em 1964, o querido Papa Paulo VI exortava numa locução estas palavras, fortalecendo e iluminando todas as famílias que são indiscutivelmente patrimônio da humanidade, espaço privilegiado de formação, crescimento e amadurecimento.

 

Fiquemos com estas palavras que tenho certeza, trará luz a tantos quantos precisar. São três pequenas grandes lições indispensáveis: a lição do silêncio, da convivência, do trabalho.

 

 

 

“Na família de Nazaré se aprende a olhar, a escutar, a meditar e penetrar o significado, tão profundo e tão misterioso, dessa manifestação tão simples, tão humilde e tão bela, do Filho de Deus. Talvez se aprenda até, insensivelmente, a imitá-lo.

 

Aqui se aprende o método que nos permitirá compreender quem é o Cristo. Aqui se descobre a necessidade de observar o quadro de sua permanência entre nós: os lugares, os tempos, os costumes, a linguagem, as práticas religiosas, tudo de que Jesus se serviu para revelar-se ao mundo. Aqui tudo fala, tudo tem um sentido.

 

Aqui,a nesta escola, compreende-se a necessidade de uma disciplina espiritual para quem quer seguir o ensinamento do Evangelho e ser discípulo do Cristo.

 

Ó como gostaríamos de voltar à infância e seguir essa humilde e sublime escola de Nazaré! Como gostaríamos, junto a Maria, de recomeçar a adquirir a verdadeira ciência e a elevada sabedoria das verdades divinas.

 

Mas estamos apenas de passagem. Temos de abandonar  este desejo de continuar aqui o estudo, nunca terminado do conhecimento do Evangelho. Não partiremos, porém, antes de colher ás pressas e quase furtivamente algumas breves lições de Nazaré.

 

Primeiro, uma lição de silêncio. Que renasça em nós a estima pelo silêncio, essa admirável e indispensável condição do espírito, em nós, assediados por tantos clamores, ruídos e gritos em nossa vida moderna barulhenta e hipersensibilizada. Ó silêncio de Nazaré ensina-nos o recolhimento, a interioridade, a disposição para escutar as boas inspirações e as palavras dos verdadeiros mestres. Ensina-nos a necessidade e o valor das preparações, do estudo, da meditação, da vida pessoal e interior, da oração que só Deus vê no segredo.

 

Uma lição de vida familiar.  Que Nazaré nos ensine o  que é a família, sua comunhão de amor, sua beleza simples e austera, seu caráter sagrado e inviolável; aprendamos de Nazaré o quanto a formação que recebemos é doce e insubstituível: aprendamos qual é sua função primária no plano social..

 

Uma lição de trabalho. Ó Nazaré, ó casa do filho do carpinteiro! É aqui que gostaríamos de compreender e celebrar a lei, severa e redentora, do trabalho humano; aqui restabelecer a consciência da nobreza do trabalho, aqui lembrar que o trabalho não pode ser um fim em si mesmo, mas que sua liberdade e nobreza resultam, mais que de seu valor econômico, dos valores que constituem o seu fim.

 

Finalmente, como gostaríamos de saudar aqui todos os trabalhadores do mundo inteiro e mostrar-lhes seu grande modelo, seu divino irmão, o profeta de todas as causas justas, o Cristo Nosso Senhor.”

 

O Papa chamou de breves lições:

·       Tão breves e tão atuais!

·       Tão breves e tão vitais!

·       Tão breves e tão necessárias! 

·       Tão breves e tão iluminadoras!

·       Tão breves e às vezes tão esquecidas!

·       Tão breves e às vezes relegadas ao desprezo, ao abandono!

·       Tão breves e tão portadoras do fermento de um mundo novo!

·       Tão breves e tão enriquecedoras, porque é fonte de graça, sabedoria e luz!

·       Tão breves e tão seguras, sobretudo num mundo em que não é mais apenas uma época de mudanças mas uma mudança de época: mas lições insuperáveis, sempre inéditas, sempre portadoras da novidade de um lar feliz!

 

Quem de nós não deseja um lar feliz! Aprendamos estas breves lições. Não saiamos da escola de Maria, Mãe e mestra da Sagrada Família, na qual permitiu que Jesus crescesse em tamanho, sabedoria e graça diante de Deus!

 

SE QUISERMOS UMA FAMÍLIA FELIZ:

EIS A ESCOLA,

EIS O ESPELHO,

EIS O MODELO,

EIS A FONTE – A SAGRADA FAMÍLIA!

 

 

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25.12.08

Natal: A Divina Fonte não dispensa compromissos

 

Natal: A  Divina Fonte não dispensa compromissos

 

                                             

 

O tempo de Natal e a própria Festa do Natal há que ter sempre um tom festivo, com conotação religiosa profunda para todos os cristãos, libertos de todo tom consumista e passageiro, esvaziados do seu verdadeiro sentido.

 

Trata-se da festa do nascimento de Jesus Cristo, Deus feito homem, que ao tomar as condições e os limites da natureza humana, conferindo a nossa humanidade a divindade.

 

Natal: Deus se humaniza e  possibilita a divinização da pessoa humana. Realiza-se a profecia de Isaías, ao dizer que “de uma virgem nasceria o Emanuel” (Is 7,14).

 

Na Encarnação do Verbo, Deus mostrou que Ele mesmo se envolveu na história da humanidade, a assumindo com a disposição divina de conduzi-la ao seu destino verdadeiro, agindo dentro dela e respeitando sua dinâmica humana própria.


Mas o nascimento de Jesus não significou o esgotamento da esperança, nem o fim da promessa velada até o tempo dos profetas (AT). O Reino inaugurado pelo mais importante de todos os  nascimentos, testemunhado pelos pobres marginalizados (pastores),  ainda continua sua trajetória, e conta com a nossa participação consciente e comprometida.

 

Por isto o Natal tem três tempos: ontem, hoje e amanhã. O ontem na humilde gruta, com toda as suas vicissitudes, poesia da acolhida no despojamento; o amanhã da segunda vinda gloriosa, que vigilante esperamos, quando dizemos na Missa, ao proclamar o Mistério de nossa Fé: “Anunciamos, Senhor, a vossa morte, e proclamamos a vossa Ressurreição, vinde Senhor Jesus!”. Mas tem o hoje, o hoje do nosso sim, da nossa mencionada participação ativa, consciente e piedosa.

 

Festa do Natal não se esgota num dia, como a beleza de uma vida não se alcança em apenas de um por do sol ao outro. Nada como fazer de cada dia um verdadeiro Natal, em cada amanhecer do sol, o nascimento do Sol nascente que veio nos visitar: eterna acolhida amorosa da semente do Verbo, para que  a alegria, a bondade, a ternura, a justiça, a graça, verdade, a paz, o amor e a luz resplandeçam em nós.

 

Sementes que hão de ser regadas pela água da vida que somente o Senhor tem para dar, com a luz do Espírito que pousa sobre nós, e semente nunca há de faltar pois nosso Deus Pai criador, além de onipotente e onisciente, é infinitamente providente.

 

Natal em uma palavra é a Acolhida da Palavra, para o renascer da esperança, o fortalecer de santos compromissos para que a vida humana seja edificada, santificada, e o Reino de Deus inaugurado, em pequenos e grandes sinais, desde àquela  manjedoura contemplados.

 

 

Como acolhemos a Palavra que se fez Carne??? Como estão nossos pés como mensageiros desta Boa Nova???

 

Sim, a partir daquela manjedoura a história nunca mais foi e nem será a mesma, porque o Verbo se fez carne e habitou entre nós, o amor veio morar para sempre, entre nós. É preciso que a cada sol poente e a cada sol nascente, e no espaço dos mesmos, estejamos indo sempre de encontro à Divina Fonte, para que nossa esperança se traduza em compromissos sagrados com a vida, na mais bela paixão das paixões: a paixão pelo Reino.

 

Feliz Natal!

 

 

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24.12.08

Fragmentos e Pensamentos para um Verdadeiro Natal!

Fragmentos e pensamentos  para um  Verdadeiro Natal !

 

                                                                                

Vamos contemplar a beleza do Natal a partir de três grandes Santos da Igreja. O primeiro é Santo Ambrósio, Bispo e Doutor da Igreja (século IV); o segundo, também Bispo do mesmo século, é Santo Agostinho e  por último o Papa São Leão Magno (séc.V).

 

O que nasce no coração daquele que contempla a beleza desta meditação de Santo Ambrósio?  

 

            “Ele (Jesus), portanto, foi pequeno, foi criança, para que possais vós, ser perfeitos adultos; ele foi envolvido em faixas, para que sejas, vós, libertados das garras da morte; ele, na manjedoura, para vos por sobre o altar; ele, na terra. Para que estejais vós entre as estrelas; não havia lugar para ele na sala comum, para que tenhais vós várias moradas na casa do Pai”.

 

 

O que se soma ao coração daquele que contempla estes questionamentos de Santo Agostinho?

 

 

            “Desperta, ó homem: por tua causa Deus se fez homem. Desperta, tu que dormes, levanta-te dentre os mortos e sobre ti Cristo resplandecerá (Ef. 5,14). Por tua causa, repito, Deus se fez homem. Estarias morto para sempre, se ele não tivesse nascido no tempo. Jamais te libertarias da carne do pecado, se ele não tivesse assumido uma carne semelhante à do pecado.

 

            Estarias condenado a uma eterna miséria, se não fosse a sua misericórdia. Não voltarias à vida, se ele não tivesse vindo ao encontro de tua morte. Teria perecido, se ele não te socorresse. Estarias perdido, se ele não viesse salvar-te.

 

            Celebremos com alegria a vinda da nossa salvação e redenção. Celebremos este dia de festa, em que o grande e eterno Dia, gerado pelo Dia grande e eterno, veio a este nosso dia temporal e tão breve… A verdade brotou da terra porque o Verbo se fez Carne (Jo. 1,14). E a justiça olhou do alto do céu porque todo o dom precioso e toda dádiva perfeita vêm do alto (Tg.1,17)…”

 

 

O que transborda no coração quando se contemplar esta terceira meditação do Papa São Leão Magno?

 

 

            “Hoje, amados, filhos, nasceu o nosso Salvador. Alegremo-nos. Não pode haver tristeza no dia em que nasce a vida; uma vida que, dissipando o temor da morte, enche-nos de alegria com a promessa de eternidade…

 

            Exulte o justo, porque se aproxima da vitória; rejubile o pecador, porque lhe é oferecido o perdão; reanime-se o pagão, porque é chamado à vida…

 

            Toma consciência, ó cristão, da tua dignidade. E já que participas da natureza divina, não voltes aos erros de antes por um comportamento indigno de tua condição…

 

            Pelo sacramento do batismo te tornaste templo do Espírito Santo. Não expulses com más ações tão grande hóspede, não recaias sob o jugo do demônio, porque o preço de tua salvação é o sangue de Cristo”.

 

 

Diante destas meditações me ocorreram várias imagens natalinas.

 

l.ª - Natal como grande acolhida de Deus numa manjedoura chamada coração humano. Cada Natal Ele vem para fazer morada em cada pessoa humana, e como a Igreja nos ensina, desde a concepção até o seu declínio natural. A vida humana é portadora de dignidade e sacralidade;

 

2.ª - Pensar o Natal à partir do Verbo que se fez Carne e veio morar entre nós. O Verbo foi um dia plantado no ventre de Maria. Hoje o Verbo quer ser acolhido e germinar no coração de toda humanidade. Há sementes que o Verbo nos concede que devem ser plantadas, cuidadas com carinho para que floresça e frutifique no tempo certo: amor, esperança, fé, alegria, fidelidade, verdade, santidade, bondade, ternura… e tantas quantas sementes possamos imaginar. Plantar e cuidar, sem pressa de colher, na oração, vivência Eucarística, sob a necessária Luz do Espírito e a Água da Vida que somente Ele tem para dar… Adubar com a caridade que veio ao mundo testemunhar…

 

 

3.ª - É refazer nossa história, as vezes reduzida a cacos, despedaçada, sofrida, rasgada, destruída. Vem nos reencantar com a beleza da vida. Vem para que uma nova história possamos escrever e viver. Deus não se envergonhou de nossa miserável condição humana, pelo contrário, a assumiu, fez-se um de nós, igual a nós, exceto no pecado,  para exatamente pela graça e entrega, por amor resgatar, redimir, salvar…

 

 

4.ª - Natal é o eterno  recomeçar. Outro dia uma salmista errou ao cantar o Salmo, e disse com simplicidade de coração: “errei, vou começar de novo”. E começou de novo, e cantou tão bem o salmo que nos levou até Deus e me inspirou a Homilia: “Natal é sempre um começar de novo… Começar cada dia nossa missão; começar cada dia nossa atividade pastoral; começar cada dia com entusiasmo nossa atividade profissional, participando da obra do Criador; começar cada dia aquilo que a noite, por um espaço de tempo, se é que isto aconteceu, conseguimos nos desligar… Começar sempre de novo. Ele veio não porque éramos perfeitos, muito pelo contrário, veio para nos aperfeiçoar, para nos recriar, para dizer que um novo tempo, um novo modo de viver é preciso começar… Natal é sempre começar de novo! Começar com entusiasmo, com alegria, com dedicação… Começar aqui para na eternidade consumar…”

 

 

5.ª - É o reaprendizado da conjugação dos verbos com o prefixo RE que já refleti em outra oportunidade… Reaprender a amar, perdoar, partilhar… Renascer a esperança e outros tantos RES…

 

 

6.ª - Nasceu o Menino Esperança, nasceu para quem quer aprender sempre Amar na esperança, amar na esperança de que o mundo pode ser melhor, que a família pode ser melhor, que nós podemos ser melhor. Sem esperança não há Natal…

 

 

7.ª - Um acontecimento que  irrompe com sua força e beleza que arranca dos anjos cantos de alegria que ecoam hoje, em mim e em todos que crêem: o eterno assumiu a temporalidade, entrou em nosso tempo, sem jamais deixar de ser eterno; Ele que era invisível tornou-se visível aos nossos olhos; a intocabilidade de Deus foi superada. Pois Ele tornou isto possível no Deus Menino, que é o mesmo da Cruz, e da glória da Ressurreição…

 

 

8.ª  - A imagem do Caminho que veio por caminhos inesperados. Deus sempre nos surpreende: como compreender Aquele que se nos apresentou como Caminho não ter vindo pelo caminho dos poderosos, das cortes, dos berços de ouro, do poder constituído, das benesses do poder, da riqueza e da fama??? Os caminhos e pensamentos de Deus verdadeiramente não são os nossos e isto é Natal, o verdadeiro Natal!

 

 

9.ª - Contemplar Jesus é contemplar um Deus conselheiro admirável, maravilhoso; Deus Forte; Pai da Eternidade; Príncipe da Paz. Mais sábio do que Salomão, mais forte do que Davi, mais líder que Moisés; portador da Verdadeira Paz, Shalon, plenitude de bens, plenitude de vida…

 

10.ª - Esta vem da Carta de Paulo a Tito (2,11-14): acolher a graça de Deus no Natal é empenhar-se na prática do bem. Procurar uma vida pautada pelo equilíbrio, justiça e piedade. Superar toda desigualdade, desequilibro que roube a beleza da vida. Viver intensa amizade com Deus como expressão de genuína piedade, com as marcas da justiça que se abraça com a paz, porque no coração o Amor e a Verdade nasceu e se encontrou: Jesus. Natal é empenhar-se corajosamente em viver com equilíbrio, justiça e piedade…

 

 

11.ª - Os três tempos do Natal, que é o ontem, o hoje e o amanhã. Natal não é festa de aniversário como normalmente comemoramos. Natal é sacramento, é acontecimento. Um acontecimento que mudou a face da terra, mudou o rumo da história. A partir de Jesus a História nunca mais foi à mesma. Ela foi redimida, reorientada, iluminada… Celebramos o ontem de Belém, com toda sua singeleza, pureza e beleza… Celebramos o amanhã de sua segunda vinda gloriosa. Mas também celebramos o hoje do seu nascimento. Será Natal verdadeiro se não deixarmos este acontecimento distante há dois mil anos, como algo apenas para ser lembrado. Muito antes o Natal é para ser celebrado, para ser vivido…

 

 

12.ª - A dimensão Pascal do Natal. Natal é a Festa por excelência do Nascimento do Menino Deus, que é o mesmo que passa pela realidade da Paixão e Morte, para alcançar o esplendor da Ressurreição. A dimensão pascal nos faz pensar em tantos sinais de mortes que devem se transformar em sinais de vida. Quantas passagens devem ocorrer em nossa vida. Quão maior deve ser nossa fidelidade Aquele que Hoje nasce, mas que nos apresenta a Cruz como caminho para a Eternidade. Natal verdadeiro carrega em si o Mistério Pascal, ou é a própria morte antecipada do verdadeiro sentido do Natal.

 

 

Reflitamos no ontem, hoje e amanhã do Natal, porque Natal é todo dia!!!

 

Feliz Natal plantando e deixando plantar o melhor de Deus em nós!

criado por peotacilio    20:10 — Arquivado em: Sem categoria

22.12.08

Natal: Aprender a conjugar os verbos com o prefixo RE…

Aprender a conjugar os verbos, com o prefixo RE… porque todo dia é Natal!

 

 

 

Esta reflexão eu a escrevi há dois anos. Mas creio que guarda sua atualidade para que possamos refletir e preparar um  Santo Natal. De lá para cá creio que aprendemos a conjugar um pouco mais este ou aquele verbo na Acolhida do Verbo.

 

Como Deus é bondade, misericórdia, compaixão e sua ternura é para sempre, mais uma vez vem para que possamos continuar o reaprendizado vital e necessário.

 

 

Re – aprender a amar, sonhar, perdoar…

Re – brotar frutos que saciem fome de vida, fraternidade…

Re – criar a obra de Deus.

Re – dobrar os pequenos gestos de solidariedade…

Re – encantar o mundo, a vida, as pessoas…

Re – fazer nossos caminhos, projetos…

Re – gozijar sempre no Senhor!

Re – juvenecer nossos sonhos, fantasias e utopias.

Re – ler a história dos pobres e encarnar no tempo presente a Boa Nova, assegurando um futuro inédito…

Re – motivar nossas forças, coragem…

Re – nascer a esperança em cada amanhecer…

Re – orientar nossos valores…

Re – propor ao mundo os valores do Evangelho

Re – saborear a alegria dos pobres que contemplaram o maior mistério testemunhado pela história, a encarnação do Verbo…

Re – tecer a rede do amor que nos permite chegar a alma de nosso próximo

Re – universalizar os direitos a vida…

Re – viver cada momento como se fosse único, porque como disse o poeta: ontem é passado, amanhã é mistério e o hoje é uma dádiva, um presente de Deus…

 

Revisitemos a Manjedoura, façamos de nosso coração o lugar predileto de tão grande hóspede – Jesus! O mesmo ontem, hoje e sempre. Na manjedoura, na barca, na cruz, vamos sempre com Jesus!

 

Feliz Natal!

 

 

 

 

criado por peotacilio    10:45 — Arquivado em: Sem categoria

20.12.08

Apressa-te em dizer sim, ó Maria!

Apressa-te em dizer sim, ó Maria!

 

                                                                                                                                             

                                                                             

Como já disse noutra oportunidade, há Homilias que ficam e ficarão para sempre. A Homilia de São Bernardo (séc. XII) em louvor a Virgem Mãe é mais uma delas. Como  selecionar este ou aquele trecho? Se você se propuser a refletir, chegará também à esta conclusão. Comecemos, não percamos tempo:

 

“Ouviste, ó Virgem, que vais conceber e dar à luz um filho, não por obra de homem – tu ouviste – mas do Espírito Santo. O anjo espera tua resposta: já é tempo de voltar para Deus que o enviou. Também nós, Senhora, miseravelmente esmagados por uma sentença de condenação, esperamos tua palavra de misericórdia.

 

Eis que te é oferecido o preço de nossa salvação, se consentes, seremos livres. Todos fomos criados pelo Verbo eterno, mas caímos na morte; com uma breve resposta tua seremos recriados e novamente chamados à vida.

 

Ó Virgem cheia de bondade, o pobre Adão, expulso do paraíso com a sua mísera descendência, implora a tua resposta; Abraão a implora, Davi a implora. Os outros patriarcas, teus antepassados, que também habitam a região da sombra da morte, suplicam esta resposta. O mundo inteiro a espera, prostrado a teus pés.

 

E não é sem razão, pois de tua palavra depende o alívio dos infelizes, a redenção dos cativos, a liberdade dos condenados, enfim, a salvação de todos os filhos de Adão, de toda a tua raça.

 

Apressa-te, ó Virgem, em dar a tua resposta; responde sem demora ao Anjo, ou melhor, responde ao Senhor por meio do Anjo. Pronuncia uma palavra e recebe a Palavra; profere a tua palavra e  concebe a Palavra  de Deus; dize uma palavra passageira e abraça a Palavra eterna.

 

Por que demoras? Por que hesitas? Crê, consente, recebe. Que tua humildade se encha de coragem, tua modéstia de confiança. De modo algum convém que tua simplicidade virginal esqueça a prudência. Neste encontro único, porém, Virgem prudente, não temas a presunção. Pois, se tua modéstia no silêncio foi agradável a Deus, mais necessário é agora mostrar tua piedade pela palavra.

 

Abre, ó Virgem Santa, teu coração à fé, teus lábios ao consentimento, teu seio ao Criador. Eis que o Desejado de todas as nações bate à tua porta. Ah! Se tardas e ele passa, começarás novamente a procurar com lágrimas Aquele que teu coração ama! Levanta-te, corre, abre. Levanta-te pela fé, corre pela entrega a Deus, abre pelo consentimento. Eis aqui, diz a Virgem, a serva do Senhor; faça-se em mim segundo a tua Palavra ( Lc. 1,38)”.

 

 

criado por peotacilio    22:54 — Arquivado em: Sem categoria

Creiamos no Deus do Impossível!

Creiamos no Deus do impossível!

                                                                       

                                                                     

 

Há pouco celebrei na Capela São Judas Tadeu. Não era uma multidão, um grupo pequeno, mas o bastante para que pudéssemos sentir a presença de Deus, pois Ele prometeu, Ele cumpre: reunidos em seu nome Ele sempre se faz presente, porque é Deus conosco!

 

Para maior proveito, convido à retomar Juizes 13,2-25, que narra o nascimento de Sansão, e Lucas 1,5-25 que por sua vez fala do nascimento de João Batista.

 

Ambas as leituras nos apresentam nascimentos a partir de mães estéreis. Além de tudo, Isabel, mãe de João, e seu pai Zacarias eram de idades avançadas.

 

Dois nascimentos, dois tempos tão diferentes, mas o mesmo Deus: verdadeiramente Deus é o Deus do impossível, como também assim se revelará à Maria, ao conceber Seu Filho pela ação do Espírito Santo.

 

Quão precioso é para nós crermos no Deus do impossível. Não só a partir destes acontecimentos, como outros tantos que a Bíblia e a História da Humanidade nos revelam.

 

Não bastasse contemplar o Deus do impossível, também contemplamos a face de Deus que se revela como Amor a quem pesava o peso da esterilidade, da humilhação.

 

Deus também se revela como lembrança constante dos pobres quando se manifesta a Zacarias, que quer dizer “Deus se lembrou”.

 

Deus se revela como plenitude ao agraciar Isabel com a maternidade, como seu nome indica.

 

O Deus que cremos: Deus Amor, Deus do Impossível; Deus que dá plenitude à vida humana; Deus que se lembra de todos nós, de modo especial àqueles que tanto ama, os pobres de todos os tempos…

 

Advento é tempo de nos prepararmos para a acolhida do Deus que vem ao nosso encontro.

 

Jesus vem e nos revela a face de Deus. Além destas faces acima mencionadas, nos revelará a face misericordiosa de Deus, testemunhado em sua ternura; bondade; paciência; compaixão; solidariedade; Perdão; Encarnação/Vida/Morte/Vida.

 Eterna/Ressurreição!

 

Como não exultar no Natal do Senhor ao contemplar estas múltiplas e única face de Deus? Como não esperar ansiosamente a Noite em que as trevas cederão lugar à luz? A tristeza à alegria? A angústia à esperança? A fome a saciedade? A violência à paz? A maldade ao bem? A mentira à verdade? As diferenças às superações e aproximações? As brigas às reconciliações? Os rancores à acolhida e perdão?

 

Quantas coisas haverão de ceder quando o Verbo se Encarnar em cada coração humano, privilegiada manjedoura do Menino Deus, cujo nascimento em breve celebraremos!

 

Encerro convidando a refletir sobre aquele lindo canto:

 

Quero mergulhar nas profundezas do Espírito de Deus / e descobrir suas riquezas em meu coração. /É tão lindo, tão simples. / Brisa leve, tão suave doce Espírito Santo de Deus. / Tão suave, brisa leve, doce Espírito Santo de Deus”.

 


 

 

 

 

 

 

 

criado por peotacilio    22:05 — Arquivado em: Sem categoria

18.12.08

A humildade e a paz

A humildade e a paz

 

 

                                                                   

 

Advento é tempo de renascer algumas coisas em nós para que outras possam florescer e frutificar. A humildade é uma delas. Renascida e revigorada, frutos de paz nascerão em nosso coração.

 

Advento é tempo de reconhecermos que somos terra, húmus, que do pó viemos e ao pó retornamos. Que precisamos aprender usar das coisas que passam e abraçar as que não passam.

 

Advento é tempo de derrubar as montanhas do egoísmo que insistem permanecer dentro de nós.

 

Advento é tempo de elevar os vales da nossa fragilidade, para revigorar-se da força divina, para o bom combate da fé.

 

Advento é tempo de aplainar caminhos tortos e retirar todas asperezas que marcam relacionamentos próximos e mesmo distante.

 

Advento é tempo de se preparar para reter Cristo em nós, “mas não com laços de injustiça,nem com nós de corda, mas com laços da caridade, com as rédeas do Espírito e pelo afeto da alma”, como disse Santo Ambrósio no século IV. E ainda: “Se querem também reter o Cristo, tenta faze-lo e não tenhas medo dos sofrimentos. Pois, não raro, é no meio dos suplícios do corpo, nas mãos dos perseguidores, que a encontramos mais facilmente”.

 

Há um texto que pode nos ajudar, e muito, para um bom Advento, para um excelente Natal do Senhor! Trata-se de um texto do século XV: Da Imitação de Cristo, Livro 2, cap.2-3 – de Tomas Kempis.

 

Que ao terminar de meditá-lo, tenhamos alcançado alguns quês de humildade, e outros tantos quês de paz! A humildade é pressuposto para o alcance da paz!

 

 

 

“Não te preocupes muito em saber quem é por ti ou contra ti, mas deseja e procura que Deus te ajude em tudo que fizeres.

 

Tem boa consciência e Deus será tua boa defesa.

 

A quem Deus quiser ajudar, nenhum mal poderá prejudicar.

 

Se souberes calar e sofrer, verás certamente o auxílio do Senhor.

 

Ele sabe o tempo e o modo de te libertar, portanto, entrega-te a ele inteiramente.

 

A Deus pertence aliviar-nos e tirar-nos de toda confusão.

 

Às vezes é muito útil, para guardar maior humildade, que os outros conheçam e repreendam nossos defeitos.

 

Quando o homem, por causa de seus defeitos, se humilha, então facilmente acalma os outros, e desarma os que estão irados contra ele.

 

O humilde, Deus protege e livra; ao humilde ama e consola. Ao homem humilde se inclina; ao humilde dá-lhe abundantes graças, e depois de seu abaixamento eleva-o a grande honra.

 

Ao humilde, revela seus segredos, e com doçura o atrai a si e convida.

 

O humilde, depois de receber uma afronta, conserva sua paz: porque confia em Deus e não no mundo.

 

Não julgues que fizeste algum progresso se não te considerar inferior a todos.

 

Primeiro conserva-te em paz; depois poderás pacificar os outros.

 

O homem pacifico é mais útil do que o letrado.

 

O homem dominado pelas paixões, até o bem converte em mal e acredita facilmente no mal.

 

O homem bom e pacifico tudo converte em bem.

 

Quem está em boa paz não suspeita mal de ninguém. Mas quem é descontente e inquieto, com diversas suspeitas se atormenta; não tem sossego nem deixa os outros sossegar.

 

Diz muitas vezes o que não devia; e deixa de fazer o que mais lhe conviria.

 

Preocupa-te com as obrigações alheias e descuida-se das próprias.

 

Zela, portanto, primeiro por ti mesmo, e depois poderás zelar devidamente por teu próximo.

 

Bem sabes desculpar e disfarçar tuas faltas, mas não queres aceitar as desculpas dos outros.

 

Seria mais justo acusares a ti e desculpares teu irmão. Se queres que te suportem, suporta também os outros”

 

 

criado por peotacilio    7:31 — Arquivado em: Sem categoria

16.12.08

O amor deseja ardentemente ver a Deus

O amor deseja ardentemente ver a Deus

 

                                                           

                                                               

 

Este Sermão pertence a São Pedro Crisólogo, Bispo do século V. É mais um daqueles textos que não pode ficar na mão de apenas alguns. Quem o conhecer, com certeza o relerá inúmeras vezes, rezará outras tantas mais, e tudo fará para que outros o conheçam…

 

                                                    

                                                     

 

“Vendo o mundo oprimido pelo temor, Deus procura continuamente chamá-lo com amor, convidá-lo com a sua graça, segurá-lo com a caridade, abraçá-lo com afeto.

 

Por isso, purifica com o castigo do dilúvio a terra que se tinha inveterado no mal; chama Noé para gerar um mundo novo; encoraja-o com palavras afetuosas, concede-lhe sua confiante amizade, o instrui com bondade acerca do presente e anima-o com sua graça a respeito do futuro. E já não se limita a dar-lhe ordens mas, tomando a parte no seu trabalho, encerra na arca toda aquela descendência que havia de perdurar por todos os tempos, para que esta aliança de amor acabasse com o temor da servidão e se conservasse na comunhão de amor o que fora salvo com a comunhão de esforços.

 

Por esse motivo chama Abraão dentre os pagãos, engrandece seu nome, torna-o pai dos crentes, acompanha-o em sua viagem, protege-o entre os estrangeiros, cumula-o de bens, exalta o com vitórias, dá-lhe garantia de suas promessas, livra-o das injúrias, torna-se seu hospede, maravilha-o com o nascimento de um filho que lê já não podia esperar. Tudo isso a fim de que, cumulado de tantos benefícios, atraído pela grande doçura da caridade divina, aprendesse a amar a Deus e não mais temê-lo, a honrá-lo com amor e não com medo.

 

Por isso também, consola em sonhos a Jacó quando fugia, desafia-o para um combate em seu regresso e na luta aperta-o nos braços, para que não temesse, porém, amasse o instigador do combate.

 

Por isso ainda, chama Moisés na própria língua e fala-lhe com afeto paterno, convidando-o a ser o libertador de seu povo.

 

Em todos esses fatos que relembramos, de tal modo a chama da caridade divina inflamou o coração dos homens e o inebriamento do amor de Deus penetrou os seus sentidos que, cheios de afeto, começaram a desejar ver a Deus com os olhos do corpo.

 

Deus, que o mundo não pode conter,como  olhar limitado do homem o abrangeria? Mas o que deve ser, o que é possível, não é a regra do amor. O amor ignora as leis, não tem regra, desconhece medida. O amor não desiste perante o impossível, não desanima diante das dificuldades.

 

O amor, se não alcança o que deseja, chega a matar o que ama; vai para onde é atraído, e não para onde deveria ir. O amor gera o desejo, cresce com ardor e pretende o impossível. E que mais?

 

O amor não pode deixar de ver o que ama. Por isso todos os santos consideravam pouca coisa toda recompensa, enquanto não vissem a Deus.

 

Por isso Moisés se atreve a dizer:  Se encontrei graça na vossa presença, mostrai-me o vosso rosto ( Ex. 33,13.18). Por isso, diz também o salmista: Não me escondais a vossa face ( Sl. 26,9). Por isso, enfim, até os próprios pagãos, no meio de seus erros, modelaram ídolos, para poderem ver com seus próprios olhos o objeto de seu culto.”  (Lit. Horas V.I p. 199/200)

 

 

 

criado por peotacilio    23:29 — Arquivado em: Sem categoria

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