31.12.08
Feliz Ano Novo: O retrovisor e o farol de milha
Feliz ano Novo:
O retrovisor e o farol de milha
Terminar bem um ano para recomeçar um outro melhor. Eis o desejo que cada um carrega dentro de si hoje, quando nos cumprimentamos e desejamos: “Feliz Ano Novo!
Mas como terminar bem um ano?
É olhar pelo retrovisor de nossa história escrita ao longo de um ano que finda.
Já poder terminar é terminar bem, quando tantos não o puderam… Terminar bem é ter a certeza de que é possível recomeçar melhor. Quando um ano finda e outro começa, mais que mudança de algarismos, deve ser mudança de atitudes.
É revisão de caminhos, projetos, reorientação dos passos…
É poder olhar pelo retrovisor e contemplar o que de bom fizemos para a santificação de nossa família, pelo bem dos filhos, pela alegria de nossos pais…
É olhar contemplar no mesmo retrovisor o crescimento da comunidade que fazemos parte, e saber que nela fomos apenas servos inúteis e fizemos o que devíamos fazer, embora ainda pudéssemos fazer muito mais. Há sempre muito mais a fazer. Os apelos da Boa Nova são intermináveis. Como pobre sempre haveremos de ter, Boa Nova sempre haveremos de anunciar, e à messe operários, discípulos missionários jamais poderão faltar…
É ver a Igreja realizando Assembléias para os apelos da modernidade responder… e quantos apelos, quantos desafios! No retrovisor contemplo pessoas que acreditam que o Verbo se fez de fato morada em nosso meio, conosco veio caminhar. Se os apelos e desafios são grandes, bem maior é o nosso Deus e sua força, sua sabedoria e sua luz…
É saber que cada dia foi dom, graça para construir verdadeiras amizades, porque afinal são elas que contam e que devem ser multiplicar em nossos retrovisores. Feliz quem puder contemplar alguns poucos e bons amigos em seus retrovisores.
É contemplar no retrovisor do mundo passos dados para a construção da democracia, ainda que se insista em perpetuar o vírus do poder que mata, viola a beleza e a sacralidade da vida.
É acreditar que os conflitos que ainda teimam aparecer em nosso retrovisor um dia serão coisas do passado. Bombas lançadas contra pessoas, atrocidades abomináveis e práticas odiáveis, serão apenas lembranças amargas de páginas viradas.
É ver que todo esforço em defesa da vida, da concepção ao seu declínio natural não foi apenas um jargão de uma campanha, mas princípio que nos acompanha e nos orienta em todo existir na luta contra toda prática conivente com o aborto e a interrupção da vida…
É ver que apesar da insanidade e nervosismo do mercado, crise mundial repetida incontáveis vezes, em páginas e telas multiplicadas não dilacerou a esperança daqueles que tem outra métrica, outro parâmetro, outros sonhos outro modo de ver a economia, o mercado… Contemplar pessoas que não se curvam ao capital e ao deus do mercado, que sobrevive a custa do sofrimento e miséria dos pobres…
É poder ver. É não ter medo de ver. É ter a ousadia de ver…
Quem não for capaz de assumir seu passado, vive um presente de instabilidade e um futuro de incertezas sepulcrais, em que serão enterrados sonhos, alegrias, esperanças e utopias…
O que você pode ver no teu retrovisor?
Recomeçar um ano melhor! É possível? Sim, é possível. É possível para quem não temeu contemplar seu retrovisor existencial. Não temeu rever seus passos. Não temeu rever seus conceitos, parâmetros, passos às vezes sem rumo, outras vezes de rumo certo.
Mas como recomeçar melhor o ano?
É acender nosso farol de milha. Apontar para os dias do novo ano e iluminar alguns sinais que nos permitirão recomeçar um ano melhor.
Permita-me falar em falar de um farol de milha existencial, que nos acompanha em toda a vida.
É preciso saber apontar o farol para acertar o caminho. Não enveredar por caminhos escuros sem a Luz necessária: Deus e seu Espírito.
É lembrar que temos origem e meta, é nunca esquecer que de Deus viemos, nos movemos e somos, e para Ele haveremos de um dia voltar… O nascimento aponta para o crescimento / morte / eternidade… para além da contagem de segundos, horas, dias, semanas, meses e anos…
É acreditar que um outro mundo é possível, não como teimosia inconseqüente, mas como sonho e paixão pelo horizonte do inédito ainda não vislumbrado.
É alargar os horizontes e nossos sonhos, projetos, para que não apenas caibam nossas ambições desmedidas, mas possam contemplar a humanidade de que somos parte, uma pequenina e necessária parte…
É saber que não somos o mar, apenas uma gota nele, mas que faz o mar se não a somatória das gotas?
É não esquecer que o grão de areia ínfimo que somos, se perde na imensidão da areia do mundo. Mas não haveria areias do mar e areias no desertos se não fosse o menor dos menores dos grãos… Consciência de nossa pequenez, não lugar para arrogância e prepotência que assola tantos corações e mentes.
É acreditar que a seiva de um pequeno ramo faz a mata, a floresta. Que a seiva do amor que em nosso sangue e coração corre, faz a grande humanidade…
É os pilares da casa da paz revigorar: verdade, justiça, amor e liberdade. E em todos os telhados esta Boa Nova anunciar…
É decretar a pobreza como mal a ser eliminado, à partir da solidariedade global, é fazer um lema de nossa vida esta grande verdade: “combater a pobreza é construir a paz”…
Não apenas a pobreza material que por si mesma já é abominável e deplorável, mas também a pobreza espiritual e mental que abate ricos e abastados. A riqueza da graça de Deus não combina com um mundo em que a pobreza material e espiritual vítimas ainda multiplicam…
É cuidar de nossa casa comum, o planeta com todo carinho. “Dominar a terra” não será destruí-la inescrupulosamente. Somos todos por esta casa responsável: terra, céu, fogo e ar…
É fazer da paz, um sonho, uma busca, uma meta, uma conquista, uma utopia: verdadeiramente a paz deve guiar o destino da humanidade: todo dia há que ser o Natal da Paz, da fonte da Paz, de Jesus, Aquele que nos Salva e a vida tece e refaz…
É manter acesa e inflamada chama da fé, com o cuidado para que os ventos das contrariedades e dificuldades, enfermidades e mortes não a apague…
É cuidar da semente da esperança que no Natal foi plantada, para que regada em nossos corações, flores e frutos saborosos o mundo possa saborear…
É a incansável subida da escada da caridade continuar - “…conjugar o verbo armar sem a letra r…”. O amor é a nossa grande arma. Não deixar de buscar a escada que Jacó contemplou, e que Jesus ao mundo apresentou.
Escada da caridade que leva para a cruz, para a morte consumar, para a vida por amor entregar. O amor que por amor até fim nos amou. Escada que aponta para o alto, para a glória dos céus, para a glória da eternidade.
É pedir ao Pai: “A escada da caridade de cada dia nos daí hoje e não nos deixeis desanimar, ainda que a cruz tenha que carregar. Que o amor possamos testemunhar, para a glória dos céus alcançar. Amém!”



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