‘HOJE O CÉU ESTÁ EM FESTA!"

Hoje à tarde fui à celebração das exéquias do Leonardo, o “Léo”. Que acompanhei por um pouco de tempo, mas o bastante para jamais esquecê-lo. Há pessoas que nos marcam, nem tanto pelo tempo que viveram, mas pela intensidade com que viveram. O “Léo”, o “Leozinho” foi um destes… Com um pouquinho mais de dois anos, nos antecipou na glória dos céus.
Leonardo foi uma criança muito especial. Fez transplante da medula óssea, mas infelizmente sua vida não foi prolongada entre nós, mas diante de Deus eternizada, porque hoje entrou na glória dos céus.
No hospital por longo tempo, todas as quimioterapias, radioterapias, mas o Léo sempre correndo de um lado para outro. Na fragilidade teimava e ousava contra a dor que se impunham os limites que carregava. A todos impressionava, pela alegria, coragem, sem se entregar, com desejo puro de viver, como carregar dentro de si toda criança, preferidos de Deus. Aquele que entrava no coração das pessoas hoje entrou na glória dos céus.
Como explicar que num velório de uma criança, quatro padres tenham passado para a oração e solidariedade ao longo do dia, considerando que isto não é tão comum? Todos nós com alguma ligação com a família e sensibilizados pela páscoa de uma criança. Presença da Igreja em momento tão difícil, tão dilacerante que é a morte, sobretudo a morte de uma criança, um inocente. Ali inerte feito anjo sem movimentos, mas no céu sua alma se movimenta, porque adentrou na alegria e na plenitude do amor da glória dos céus.
Seus pais, sua irmã, avós, avôs, padrinho e madrinha, tios e tias, familiares, amigos e amigas… E a Comunidade de Fé, ali ao redor daquele pequenino corpo, morada provisória que um dia acolheu aquele que um dia no batismo por Leonardo foi chamado. Mas hoje, não mais um casebre possui, mas desfeito o seu corpo perecível, Deus lhe concedeu uma mansão espiritual, porque adentrou na glória dos céus.
Leozinho no céu certamente sorrindo, livre de toda dor que com serenidade suportou, agora junto de Deus, dos anjos e santos, contemplando a face da Virgem Maria, talvez no colo da mesma, deve estar nos dizendo:
“Mamãe, papai, maninha, vovó, vovô eu estou bem. Agradeço por vocês um dia terem me acolhido com todo carinho. Vivi só um pouquinho entre vocês, mas um dia a gente vai se encontrar para sempre. Eu estou tão bem! Sei que vocês choram a minha partida, compreendo! Mas não fiquem tristes, estou mergulhado num mar infinito de amor. Os anjos brincam comigo, não sinto um pingo de dor, porque aqui não tem lugar para ela, reina o puro amor. Ah, Deus me deu uma morada muito linda como Ele prometeu, embora eu ainda não soubesse disso porque não tive tempo de conhecer O Evangelho, mas O Autor do Evangelho me revelou. Obrigado por tudo que me fizeram. Continuem unidos a mim em oração, eu estarei sempre unido a vocês na comunhão dos santos, como não tive tempo de aprender, se bem que gostava de ficar olhando para os santinhos, para o padre… Mamãe, eu não sabia que era apenas um grãozinho de trigo que ao morrer produziria os frutos queridos por Deus.
Espero que com a minha partida, não disse perda, pois sei onde estou, às pessoas valorizem mais, amem a vida. Lembrem-se de mim sempre, amando e defendendo a vida, sobretudo a vida de crianças e inocentes. Isto me trará muita alegria ao coração e a minha partida não terá sido em vão. Eu entrei na glória dos céus. Espero um dia acolher vocês por aqui, com um sorriso e um abraço. Tenho que parar agora, o coral dos anjos me chama para o canto, para o louvor ao Senhor da Vida… Continuem firmes na oração e até um dia! Eu amo vocês e serei sempre de vocês o Leonardo, o Léo, o Leozinho".
E ali, no final da celebração cantamos: “Mãezinha do céu, eu não sei rezar, azul é seu manto, branco é seu véu, mãezinha eu quero te ver lá no céu” O que aqui provisoriamente cantamos, o Leozinho contempla. O que nós queremos ele já alcançou!
Leonardo, Marquinhos, Maciel (dois irmãozinhos que morreram afogados em Rondônia em 2002) e tantos outros fazemos memória… Que de Deus vieram, se moveram, viveram e para Deus tão cedo voltaram. Mistérios de Deus que meditamos em nosso coração! Jamais esquecerei aquela frase da mamãe e papai dos dois acima (Marquinhos e Maciel) – “Eles foram dois presentes que Deus nos deu, brincamos por algum tempo, e que para Deus voltaram…”. Acolhamos e valorizemos a vida como “presentes de Deus”, aproveitemos cada segundo, cada dia, cada hora, cada momento…
A morte de inocentes nos leva a pensar, avaliar e valorizar a vida como dom divino que não pode ser desprezado, desvalorizado, desperdiçado. A vida tem sua beleza para além do tempo que se vive. A vida destes inocentes tem uma medida que é infinitamente maior que a soma dos dias que viveram. Quantos não valorizam a vida que tem com atitudes que se voltam contra a mesma. É tempo de amar, defender e promover a vida, como a Igreja sempre nos ensina: do princípio até o seu declínio natural, para desabrochar na eternidade.
Leonardo, o Leozinho e outros tantos desabrocharam e floresceram na eternidade, no jardim de Deus!
“Ave Maria, cheia de graça…”.
