Pe. Otacilio F. Lacerda

Artigos, textos e poesias para meditação, reflexão.

31.10.08

Coisas de Deus…

 

Coisas de Deus… Preparamos uma Homilia e fazemos outra…

 

Por enquanto você pode ficar com os pontos que aprofundei na homilia na Missa de Encerramento do Cerco de Jericó na sede da RCC de nossa Diocese agora a pouco!

São apenas enunciados

Graça e paz
Trabalhar na obra do Senhor  é graça que recebemos desde o dia do batismo
O "pagamento", a recompensa, o prêmio é garantido sem nenhuma dúvida, sem calotes…
Escada da Santidade: Progresso no amor e Progresso no entendimento
Caridade inteligente a ser aprendida a cada instante
Amor a pessoa acima da lei
A lei a serviço da vida
A cura realizada por  Jesus ontem e hoje
Esvaziar do que não serve para preencher o coração do que serve
Viver é passar pelo mundo fazendo o bem como Jesus o fez!

Bem se faz sempre, o mal nunca!

criado por peotacilio    22:39 — Arquivado em: Sem categoria

Caridade Inteligente

A reflexão abaixo seria a homilia preparada para a Missa de Encerramento do Cerco de Jericó, à luz da Palavra de Deus do dia ( Flp. 1,1-11 e Lucas 14,1-6 - Jesus cura o  homem hidrópico em dia de sábado).

Seria!!!

Ouvindo a Palavra proclamada levou-me a fazer outra homilia. Quando possível a escrevo. Deus tem seus mistérios e nos usa quando e como bem quer… Deus seja louvado!

 

 

Ensinai-nos, Senhor, a prática da Caridade Inteligente

Deus se revela como misericórdia e compaixão para com os pequenos e pobres, excluídos de toda ordem, de toda, forma, de todo o tempo, e em todo o tempo: todo tempo é ocasião favorável para a prática do bem.

A misericórdia de Jesus com os com os poderosos se manifesta em abrir-lhes a mente e o coração para que não se prevaleçam de uma pretensa sabedoria e religiosidade que não tem compromissos sinceros e concretos com a vida humana, com a dignidade e a vida de cada pessoa que carrega em si a imagem real divina.

Religião agradável a Deus é a pratica da caridade inteligente que se manifesta na:
• Humildade,
• Procura da verdade,
• Paciência em ouvir,
• Sabedoria em dialogar,
• Fortaleza nas decisões desagradáveis,,
• Colocar a vida acima de toda lei, pelo seu valor inviolável e sagrado,
• Amor e serviço a Cristo em cada irmão e irmã…

Brotam algumas súplicas que devemos fazer a Deus:

Fazei-nos crescer, Senhor, em caridade e em sabedoria. Repletos do vosso amor saberemos nos colocar a serviço de vós em cada irmão e irmã, em todos os momentos da vida.

Dai-nos crescer em sabedoria e conhecimento, para descobrir vossos desígnios e bem realizá-los em nossas vidas e na vida de nossos irmãos.

Conceda-nos não só crescer em caridade, mas numa caridade inteligente, que promove, liberta, faz crescer, edifica, ilumina.

Permita-nos Senhor na prática da caridade inteligente que coloca a lei a serviço da vida; a pessoa acima dos próprios interesses, a sinceridade em tudo o que fizermos.

Sejamos impregnados Senhor, de vosso amor, para que multipliquemos as obras de misericórdia, e possamos ser de Ti resplandecentes luzes.

Saibamos agradecer a Deus seu amor por nós e finalmente supliquemos: “Ó Deus, dai-nos resistência na tentação; paciência na tribulação e gratidão na prosperidade. Amém!”

Como disse William Shakespeare: “A GRATIDÃO É O ÚNICO TESOURO DOS HUMILDES”. Que nosso tesouro, que a nossa riqueza seja em sermos eternamente, ao teu amor, agradecidos.

 

criado por peotacilio    22:26 — Arquivado em: Sem categoria

30.10.08

Quando tudo parece impossível

 

 

 

 

Quando tudo parece impossível

Ontem a noite na Missa da Capela Nossa Senhora do Sion, na apresentação das intenções, a Igreja ficou em grande silêncio e porque não, em pranto.

Intenções apresentadas por mim: O Leonardo com dois anos, no hospital, com quadro serissimo, pesando apenas oito quilos, ao lado sua mãe com todo sofrimento que possamos imaginar. Três nomes rezamos por estar enfrentando a Via Sacra das quimioterapias e rádio terapias. Missa pelo 4.º dia de falecimento de uma jovem que morre após vinte dias de seu casamento em trágico acidente de moto. A Sra. Jurema que seria submetida a uma pequena cirurgia de pele. E outras intenções…

Após o referido silêncio cantamos duas vezes do fundo da alma: “Eu confio em Nosso Senhor, com fé, esperança e amor”, em um só coro, uma só súplica.

A Oração do dia logo em seguida era uma suplica para que Deus aumentasse nossa fé, esperança e caridade.

A Palavra de Deus nos convidava a passar pela porta estreita da Salvação que Jesus veio trazer ao mundo, que é a nossa cruz de cada dia, a ser carregada com todo empenho, sem esmorecimento, na prática da verdade, amor, justiça e paz.

O Salmo (145,13-14), com sua beleza poética, numa grande expressão de confiança na força de Deus: “Iahweh é verdade em suas palavras todas, amor em todas as suas obras; Iahweh ampara todos os que caem e endireita todos os curvados”.

Concluindo a homilia saciamos nossa sede de Deus com as sábias palavras do Papa Clemente I, no início de nosso cristianismo (séc. I):

“Que preciosos e maravilhosos são, caríssimos,
os dons de Deus!
Vida na imortalidade,
Esplendor na justiça,
Verdade na liberdade,
Fé na confiança,
Temperança na santidade;
E tudo isto nossa inteligência concebe…”

Não estamos sós, nem na vida, sequer na morte, como nos disse o Papa Bento XVI quando de sua nomeação.

A Missa seguiu como de costume. A Oração Eucarística para as diversas circunstâncias nos ajudava a refletir sobre a Missão da Igreja a caminho da Salvação.

Cantos, silêncios, gestos, Pão Partilhado, súplica a Maria: força renovada.

É preciso seguir adiante quando tudo parece impossível, quando tudo parece sem sentido. Não desistir, caminhar e caminhar sempre com Ele. Afinal Ele está no meio de nós e conhece nossas fraquezas, dores, tormentos, lamentos… Por isto Ele perpetuou sua presença na Eucaristia e a todos que crêem se fez o verdadeiro alimento! Creio Senhor, mas aumentai minha fé!

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24.10.08

Missão: uma questão de amor!

 

Recebi apontamentos da Homilia que fiz Domingo passado por e-mail. Venho pela presente disponibilizá-la, após algumas complementações que se fizeram necessárias.

Neste dia das Missões (19/10/08), a Liturgia nos leva a refletir o quanto Deus nos ama! Refletir sobre a nossa Missão recebida desde o dia de nosso Batismo, para que de fato a Missão seja sempre uma questão de amor…

Na primeira Leitura ( Isaías 45,1.4-6) vemos como Deus nos ama! Ele vem ao nosso encontro, pois não sabe fazer outra coisa a não ser nos amar. Vem ao nosso encontro para nos libertar de toda e qualquer opressão e escolhe quem ele quiser para salvar seu povo, como é o caso da escolha de Ciro, rei dos persas.

Diferente, muitas vezes, é a ida do povo até Deus. Ele vem ao nosso encontro por amor. E muitas vezes a humanidade vai até deus com ódio, interesses, hipocrisia e gerando o medo, conflitos e violências.

Nem sempre se acorre até Deus de coração puro, sincero e por amor… Muitos interesses ficam submersos, camuflados revelando a falta da gratuidade e verdadeira intimidade.

Às vezes procuramos a Deus, para pedir sem nada a oferecer, outras procuram a Deus sem enraizar-se no amor. O nosso encontro com Deus deve ser sempre por amor. A Ele que é Amor, dirigir-se sempre com e por amor!

No Evangelho (Mt. 22,15-21) os fariseus e herodianos armam uma armadilha muito séria para apanhar Jesus em contradição – na famosa questão se é lícito pagar imposto a César.

Como que os colocando diante do espelho, faz refletir toda hipocrisia que carregam em si mesmos, dentro do coração, pois Jesus pede a moeda e eles a tinham consigo.

A resposta de Jesus alarga o horizonte: “Devolva o César o que é de César e a Deus o que é de Deus”. A tradução moderna prefere dizer: “Devolva a César o que é de César e a Deus o que é de Deus”. Que tributos sejam pagos e vida seja revertida em favor deste mesmo povo – todo poder é relativo e deve estar a serviço do povo. Absoluto somente o Reino de Deus – “Buscai primeiro o Reino de Deus e a sua justiça e tudo mais vos será acrescentado”.

A adoração leva o compromisso com amor e dignidade, acima de todo o poder está Deus, pois seu poder é eterno. Devolva a Deus o povo cheio de vida, feliz, alimentado, com cultura e dignidade… Não podemos devolver a Deus um povo faminto, abandonado, sofrido, sem vida, desmotivado, sem abrigo, sem perspectivas, sem alegria…

Devolver a Deus o que é de Deus é multiplicar momentos de oração, dar o dízimo com amor, participar das Missas com alegria, solidarizar-se, com a sacralidade da vida e sua dignidade comprometer-se…

Quem não fizer o bem deixa de devolver a Deus o que é de Deus e muitas vezes até podemos estar roubando de Deus o que lhe pertence, pois tudo é Dele. Sem Deus nada somos, nada podemos, porque Dele viemos, Nele e por Ele somos, existimos, nos movemos, e para Ele haveremos de voltar.  Ele é o princípio e fim de nossa vida, alfa e ômega!

Domingo é dia do Senhor e devemos cumprir o preceito essencial da vida, não fazendo da Missa um passa tempo. Participar dela não é falta de opção… é preciso colocar as coisas de Deus em primeiro lugar, do contrário nada faremos de bom…

Devolver a Deus o que é de Deus, iluminados pela Primeira Carta de São Paulo aos Tessalonicenses (1,1-1-5b) é construir a vida sobre três pilares: fé, esperança e caridade (amor) que não se destroem jamais.

Fé:
- deve ser atuante, pascal, viva, sincera, comprometida, verdadeira e adubada, regada todos os dias de nossa vida para que possa produzir frutos agradáveis ao Senhor…

Esperança:
- deve ser firme, pois do contrário as coisas vão de água abaixo…Não ser derrotista, pessimista, arrasado… Crer contra toda humana esperança…

Amor:
- que não é sentimento passageiro, mas mandamento e exercício constante – pede empenho, dedicação, esforço, vigilância… Não existe “amei e ponto final”, pois a cada dia se ama mais, ele é eterno é o esforço da eternidade e indefinível, indeterminado, como o próprio Paulo disse em Romanos, não fiqueis devendo nada ao outro a não ser o amor mútuo…Amar sempre, verdadeiramente, entre amigos e esposos, pais e filhos (o que está faltando em muitas famílias)…

É preciso ir ao encontro de Deus é cultivar seu amor em nosso coração. Deixar que Ele abrase nosso coração com o fogo do Espírito Santo, nos ilumine com sua luz.
É sempre tempo de devolver a Deus o que é de Deus: fé atuante, caridade esforçada e firme esperança…O mundo precisa de pessoas assim.

Ontem esteve em nosso meio (na Diocese de Guarulhos) alguém que é a expressão viva de uma vida edificada sobre estes três pilares, e que procura devolver a Deus o que é Deus: crianças e mães com vida, saúde, dignidade – falo da grande mulher Dra. Zilda Arns…

Estamos devolvendo a César o que é de César e a Deus o que é de Deus?

Como vai nossa fé, esperança e caridade?

Acendei ó Pai a chama do amor eterno que nasce do Eterno Amor (Espírito Santo), revelado e testemunhado pelo Seu Filho e Nosso Senhor Jesus Cristo. Amém!

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22.10.08

Reflexão sobre o perdão - n.º 5

Somos Eternos aprendizes do perdão!

Quaresma, muito mais do que um tempo com começo e fim, prolonga-se em todo tempo, como  tempo favorável de conversão, com forte apelo à oração, jejum e esmola (partilha).

A quaresma é nos apresentado como tempo de reconciliações, principalmente celebradas e revigoradas na graça do Sacramento da Penitência, que tem seus fundamentos bíblicos nas próprias Palavras do Senhor (Mt 16,19; João 20,21; 2Cor. 5,18).

Deste modo o sacerdote é chamado, neste tempo, a exercer de modo mais intenso um dos mais belos ministérios a ele confiado, em virtude do Sacramento da Ordem: O Ministério da Reconciliação.

O Catecismo da Igreja diz que “os sacerdotes devem incentivar os fiéis a receber o sacramento da Penitência e devem mostrar-se disponíveis a celebrar este sacramento cada vez que os cristãos o pedirem de modo conveniente. Ao celebrar o sacramento da Penitência, o sacerdote cumpre o ministério do bom pastor, que busca a ovelha perdida; o bom samaritano, que cura as feridas; do Pai, que espera o filho pródigo e o acolhe ao voltar; do justo juiz, que não faz acepção de pessoa e cujo julgamento é justo e misericordioso ao mesmo tempo. Em suma, o sacerdote é sinal e instrumento do amor misericordioso de Deus para com o pecador” (1464/5). É antes de tudo servo do perdão de Deus e não senhor do mesmo.

Como servo deve ser também um eterno aprendiz do perdão, participante da escola do amor do Bom Pastor, que testemunhou um amor mais forte que o pecado. O sacerdote, como todo cristão deve ter no lar (seu berço histórico), a primeira escola de vida cristã, uma escola de enriquecimento humano. No berço do lar (pequena igreja doméstica), aprendem a resistência à fadiga, a alegria do trabalho, o amor fraterno, o perdão generoso, a oração e a oferenda de sua vida (CIC 1657). No sigilo sacramental, orienta aquele que pecou para uma nova caminhada, um novo horizonte, que só pode ser vislumbrado por alguém que se sentiu amado e perdoado.

O sacramento deve ser por excelência uma expressão do amor de Deus, o experimentar de seu mar de misericórdia. É o olhar de Deus que nos olha para além de nossa pequenez e envia-nos para testemunhar este encontro restaurador, vivenciando-o nos relacionamentos quotidianos. Testemunhar um Amor que ama até o extremo do amor, na prática da caridade que cobre uma multidão de pecados (1 Pd 4,8), tomando com alegria e coragem sua cruz de cada dia, caminho mais seguro de penitência.

O padre é o homem do perdão. Aquele que diante do pecador vivencia os limites impostos pelo pecado, ruptura com Deus e seu projeto de vida.

É sempre tempo de não desperdiçarmos as oportunidades, que nos são concedidas para a acolhida da graça e perdão.

É necessário que procuremos o Sacramento da Penitência, a fim de que mergulhemos neste mar de misericórdia, e descortinemos um horizonte ilimitado e iluminado pela luz e amor de Deus. Assim a paz e a alegria verdadeira e pascal reinarão em nossos corações, não de forma aparente e superficial, porque brota do Coração de Jesus, que é a expressão máxima de amor que nos reconciliou.

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Reflexão sobre o perdão n.º 4

Alegria que nasce do amor e do perdão!

 

Quem de nós não precisa receber e dar perdão? A presente reflexão é um convite a aprofundar a esta desafiadora e necessária experiência para que sintamos a alegria que procede do mesmo.
Toda experiência de ser amado e perdoado gera uma alegria com gosto de Páscoa. Assim foi com a pecadora adúltera perdoada por Jesus (João 8,1-12) A misericórdia de Deus não condena, não elimina, não julga e não mata. A lógica divina é sempre a possibilidade de uma nova vida, um novo recomeço.

Quando Cristo é a nossa riqueza, tudo é lixo (Flp 3,8). Abandona-se a vida do pecado, para um mergulho na vida da graça – “Vá e não peque mais” (Jô 8,12). O que Cristo escreve no chão de nossa história para que o descubramos como nossa riqueza, e busquemos uma nova vida.

Se formos de má índole precisamos nos corrigir. Se formos acompanhados de pessoas de má índole, devemos nos cercar de pessoas que nos retire da areia movediça de nossos pecados. Se for toda uma estrutura que gera situações de pecados, há que todos se empenharem na transformação das mesmas.

Nossa vida parece às vezes, um deserto árido. Deus que é fonte de água viva, por seu amor, faz surgir um rio de água viva em pleno deserto de nossa existência, a partir da experiência mais edificante que consiste em amar e ser amado.

A lógica de Deus não é a mesma que a lógica da sociedade. Deus reeduca, a sociedade elimina. Diante da atitude de exclusão o amor divino propõe a inclusão daquele (a) que pecou. A lógica do amor de Deus nos faz perceber nossos telhados de vidros – “Atire a primeira pedra quem não tiver pecado algum” (João 8,7).

A lógica humana é simplista: errou, pagou… A lógica de Deus é infinitamente superior e criativa e nos desafia a mesma criatividade: errou, dê conta do erro e não peque mais e entre num caminho comunitário de conversão e compromisso com o próximo.

O amor liberta, renova e gera uma nova vida. A pecadora adúltera somos nós a Igreja, frágeis, pequenos, que suplicamos a Deus a sua misericórdia. A Igreja deve sempre ser no mundo sinal de quem experimentou a ternura de Deus e descobriu na prática da ternura de Jesus o que existe de mais humano em Deus e o que há de divino no homem.

Jesus nos faz um forte convite: desarmar nossas pedras armar-se com a arma do cristão que é o amor. Quais são as pedras que devemos depor? Quais são as pedras que atiramos com nossas línguas, gestos no dia a dia?

Somente a partir da experiência de ser acolhido, amado e perdoado que poderemos fazer o mesmo. Prenúncio de uma nova realidade. Serão os sinais visíveis da Páscoa do Senhor em nossa vida, que se nutriram do horizonte do amor que é verdadeiramente infinito.

criado por peotacilio    13:51 — Arquivado em: Sem categoria

Reflexão sobre o perdão n.º 3

"Perdão: o amor é mais forte que o pecado"

 

 

Quem nunca se deparou com afirmações como esta: “Não consigo perdoar”; “perdôo, mas não esqueço”; “tal pessoa não existe mais para mim” e tantas outras afirmações?

Perdoar é uma das mais difíceis exigências do Evangelho, tanto que Nosso Senhor a incluiu como um pedido na oração que nos ensinou (Mt. 6,9-14; Lc. 11,2-4). Somente com uma vida fundamentada na oração, poderemos dar e receber o perdão, que nos trará consequentemente, cura e libertação tantas vezes por nós desejada, trazendo-nos paz interior e felicidade.

O Bispo São João Crisóstomo (séc.IV) nos apresenta 5 vias da penitência, da reconciliação para que curemos nossas chagas, recuperando a saúde e melhor participarmos da mesa sagrada:

a primeira é a reprovação dos pecados que cometemos;

a segunda, o perdão das faltas do próximo;

a terceira, a oração;

a quarta, a esmola = solidariedade;

a quinta, a humildade.

Colocar-se neste caminho penitencial, com certeza nos ajudará a compreender melhor quem nos ofendeu, e cumprir o ensinamento evangélico de perdoar até setenta vezes sete, isto é, sem limite (Mt.18,22); Perdoando-nos mutuamente, revestidos de sentimentos de compaixão, de bondade, humildade, mansidão, serenidade (Col. 3,12-13).

O monge beneditino Laurence Freeman apresenta seis estágios para que perdoemos de coração:

o primeiro é a aceitação dos sentimentos que temos em relação ao outro (ira, raiva, ódio);

o segundo é o desejo de mudança (não se consegue dormir direito, a alegria de viver não é mais a mesma);

o terceiro passo é imaginar porque a pessoa fez o que fez para mim;

o quarto passo é perceber o começo da mudança (o veneno está indo embora);

o quinto passo é transformar o veneno em compaixão;

finalmente o último passo é a reconciliação com o outro, não é possível se reconciliar sozinho.

É impossível ser feliz sem a prática do perdão, que é o mais maduro testemunho de que o amor é mais forte que o pecado (Catecismo da Igreja Católica 2844).

Nossa maturidade na fé está na exata medida de quanto somos capazes de perdoar. Sem a prática do perdão, jamais poderemos rezar: “Pai Nosso que estais nos céus…”.

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Reflexão sobre o perdão - n.º 2

“Sede misericordiosos”: as múltiplas faces da misericórdia…

 

Esta reflexão é parte da homilia que fiz recentemente, e creio poder ajudar crescer um pouco mais na prática da misericórdia, procurando suas múltiplicas faces, expressões e concretizações.

Jesus no Evangelho de São Luca nos convida: “Sede misericordiosos como também o vosso Pai é misericordioso” (Lc.6,36).

No coração de Jesus habita a plenitude da misericórdia, por isto quem o vê, vê O Pai, pois Ele e o Pai são um só.

Um coração pleno de misericórdia é conseqüentemente pleno de luz, sendo assim Ele pode se nos apresentar como a luz do mundo, para que todo aquele que O seguir não caminhe nas trevas, mas tenha a luz da vida (João 8,12)

Um pouco mais adiante no Evangelho acima mencionado Jesus adverte aos discípulos sobre o perigo de um cego guiar outro cego, com risco de ambos caírem num buraco e o perigo de enxergarmos com nitidez os defeitos do próximo sem dar conta dos próprios – “Hipócrita! Tira primeiro a trave do teu olho e então poderás enxergar bem para tirar o cisco do olho do teu irmão” (Lc. 6, 42).

A prática da misericórdia, além de nos levar ao amor e oração pelos inimigos, também exige de nós coerência de vida, evitando uma vida pautada pelos “dois pesos e duas medidas”, procurando a cura do mínimo sinal de miopia espiritual para que enxergando bem, sem traves nos olhos, possamos nos ajudar mutuamente, sem desviar do caminho da prática da misericórdia, não mergulhando nos buracos que um cegueira nos levaria (cegueira como ausência da misericórdia).

Se por um lado a misericórdia se expressa na prática acima, há algo que à ofusca; a hipocrisia, a ambigüidade, o julgamento rigoroso de nossos irmãos e a impaciência de vê-lo trilhar o caminho do crescimento e aperfeiçoamento.

A ausência da misericórdia destrói toda paciência, toda caridade, conseqüentemente o outro. Somente a misericórdia vislumbrada na prática da caridade resgata, recria e possibilita o novo, muitas vezes materializada no gesto da acolhida e do perdão reintegrador… Somente a misericórdia na prática da caridade constrói, edifica, promove…

Certa vez Jesus disse que a boca fala daquilo que o coração está cheio, e também podemos concluir que nossos olhos revelarão também aquilo que se encontra em nosso íntimo, em nosso coração.

Se em nosso coração houver rancor, ódio, tristeza, indiferença, preconceitos, egoísmo, materialismo, hedonismo cultuado (busca do prazer sem medida), ídolos cultivados, o nosso olhar será a mais perfeita e triste expressão de tudo isto.

É tempo de olharmos para dentro de nós mesmos, para que como Paulo possamos dizer: “Pregar o Evangelho não é, para mim, motivo de glória. É antes uma necessidade para mim, uma imposição. Ai de mim se eu não pregar O Evangelho” (1 Cor. 9,16) e pregando, vivamos, pois ele mesmo assim diz: “Trato duramente o meu corpo e o subjugo, para não acontecer que, depois de ter proclamado a boa nova aos outros, eu mesmo seja reprovado” (1 Cor.9, 27).

Oh múltipla face da misericórdia divina, semente plantada que abundantemente germina!
Oh múltipla face da misericórdia divina que toda cegueira elimina!
Oh múltipla face da misericórdia divina que toda hipocrisia abomina!
Oh múltipla face da misericórdia divina que nossos olhos ilumina!

Oh múltipla face da misericórdia divina, que a humanidade incansavelmente ensina:
Quando a misericórdia, o amor de Deus em ação na ação dos crêem, for vivida,
Com ousadia, vigor, ardor inextinguível, e paixão por Cristo, à luz da espiritualidade paulina,
Resplandecerá os sinais do Reino: amor, verdade, justiça e paz, reencantamento da vida.

Somente guiados pela Luz Divina, seremos para o irmão e irmã, com humildade, guias luminosos!

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Reflexão sobre o perdão n.º 1

“Se quiseres encontrar misericórdia”

 

Misericórdia: expressão da ternura amor de Deus,
Abundantemente derramada no seu Sagrado Coração trespassado.

Se quiseres encontrar misericórdia, nos convida Santo Agostinho:

“Se quiseres, porém encontrar misericórdia,
Antes de sua chegada perdoa.
Se algo foi feito contra ti, dá de que tens em abundância…
Se desses do que é teu, seria liberalidade,
Quando dás do que é dele é devolução”

A misericórdia que vivenciamos é devolução,
Porque antes o amor de Deus foi derramado em nosso coração.
Em permanente tempo de Páscoa, na alegria da Ressurreição,
Eis para mim e para ti tão bela missão!

criado por peotacilio    13:38 — Arquivado em: Sem categoria

Reflexões sobre o perdão…

 

Ontem a noite, no Seminário de Vida no Espírito, fiz uma colocação sobre o Perdão. Retomei alguns artigos que escrevera anteriormente sobre o tema.

A prática do perdão talvez seja uma das maiores exigências da fé cristã, porque inclui o amor e a oração pelos inimigos.

Superação, purificação, libertação… incansável caminho a ser percorrido para que nossa oração seja sincera e agradável ao Senhor.

Você poderá acompanhar na sequência as mesmas. Creio que sejam complementares e possuidoras de uma lógica.

No final tenho certeza de algo novo brotará no coração de cada um que se propuser ao exercício espiritual aqui proposto

Abramos nosso coração ao mar de misericórdia de Deus

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