
Recebi apontamentos da Homilia que fiz Domingo passado por e-mail. Venho pela presente disponibilizá-la, após algumas complementações que se fizeram necessárias.
Neste dia das Missões (19/10/08), a Liturgia nos leva a refletir o quanto Deus nos ama! Refletir sobre a nossa Missão recebida desde o dia de nosso Batismo, para que de fato a Missão seja sempre uma questão de amor…
Na primeira Leitura ( Isaías 45,1.4-6) vemos como Deus nos ama! Ele vem ao nosso encontro, pois não sabe fazer outra coisa a não ser nos amar. Vem ao nosso encontro para nos libertar de toda e qualquer opressão e escolhe quem ele quiser para salvar seu povo, como é o caso da escolha de Ciro, rei dos persas.
Diferente, muitas vezes, é a ida do povo até Deus. Ele vem ao nosso encontro por amor. E muitas vezes a humanidade vai até deus com ódio, interesses, hipocrisia e gerando o medo, conflitos e violências.
Nem sempre se acorre até Deus de coração puro, sincero e por amor… Muitos interesses ficam submersos, camuflados revelando a falta da gratuidade e verdadeira intimidade.
Às vezes procuramos a Deus, para pedir sem nada a oferecer, outras procuram a Deus sem enraizar-se no amor. O nosso encontro com Deus deve ser sempre por amor. A Ele que é Amor, dirigir-se sempre com e por amor!
No Evangelho (Mt. 22,15-21) os fariseus e herodianos armam uma armadilha muito séria para apanhar Jesus em contradição – na famosa questão se é lícito pagar imposto a César.
Como que os colocando diante do espelho, faz refletir toda hipocrisia que carregam em si mesmos, dentro do coração, pois Jesus pede a moeda e eles a tinham consigo.
A resposta de Jesus alarga o horizonte: “Devolva o César o que é de César e a Deus o que é de Deus”. A tradução moderna prefere dizer: “Devolva a César o que é de César e a Deus o que é de Deus”. Que tributos sejam pagos e vida seja revertida em favor deste mesmo povo – todo poder é relativo e deve estar a serviço do povo. Absoluto somente o Reino de Deus – “Buscai primeiro o Reino de Deus e a sua justiça e tudo mais vos será acrescentado”.
A adoração leva o compromisso com amor e dignidade, acima de todo o poder está Deus, pois seu poder é eterno. Devolva a Deus o povo cheio de vida, feliz, alimentado, com cultura e dignidade… Não podemos devolver a Deus um povo faminto, abandonado, sofrido, sem vida, desmotivado, sem abrigo, sem perspectivas, sem alegria…
Devolver a Deus o que é de Deus é multiplicar momentos de oração, dar o dízimo com amor, participar das Missas com alegria, solidarizar-se, com a sacralidade da vida e sua dignidade comprometer-se…
Quem não fizer o bem deixa de devolver a Deus o que é de Deus e muitas vezes até podemos estar roubando de Deus o que lhe pertence, pois tudo é Dele. Sem Deus nada somos, nada podemos, porque Dele viemos, Nele e por Ele somos, existimos, nos movemos, e para Ele haveremos de voltar. Ele é o princípio e fim de nossa vida, alfa e ômega!
Domingo é dia do Senhor e devemos cumprir o preceito essencial da vida, não fazendo da Missa um passa tempo. Participar dela não é falta de opção… é preciso colocar as coisas de Deus em primeiro lugar, do contrário nada faremos de bom…
Devolver a Deus o que é de Deus, iluminados pela Primeira Carta de São Paulo aos Tessalonicenses (1,1-1-5b) é construir a vida sobre três pilares: fé, esperança e caridade (amor) que não se destroem jamais.
Fé:
- deve ser atuante, pascal, viva, sincera, comprometida, verdadeira e adubada, regada todos os dias de nossa vida para que possa produzir frutos agradáveis ao Senhor…
Esperança:
- deve ser firme, pois do contrário as coisas vão de água abaixo…Não ser derrotista, pessimista, arrasado… Crer contra toda humana esperança…
Amor:
- que não é sentimento passageiro, mas mandamento e exercício constante – pede empenho, dedicação, esforço, vigilância… Não existe “amei e ponto final”, pois a cada dia se ama mais, ele é eterno é o esforço da eternidade e indefinível, indeterminado, como o próprio Paulo disse em Romanos, não fiqueis devendo nada ao outro a não ser o amor mútuo…Amar sempre, verdadeiramente, entre amigos e esposos, pais e filhos (o que está faltando em muitas famílias)…
É preciso ir ao encontro de Deus é cultivar seu amor em nosso coração. Deixar que Ele abrase nosso coração com o fogo do Espírito Santo, nos ilumine com sua luz.
É sempre tempo de devolver a Deus o que é de Deus: fé atuante, caridade esforçada e firme esperança…O mundo precisa de pessoas assim.
Ontem esteve em nosso meio (na Diocese de Guarulhos) alguém que é a expressão viva de uma vida edificada sobre estes três pilares, e que procura devolver a Deus o que é Deus: crianças e mães com vida, saúde, dignidade – falo da grande mulher Dra. Zilda Arns…
Estamos devolvendo a César o que é de César e a Deus o que é de Deus?
Como vai nossa fé, esperança e caridade?
Acendei ó Pai a chama do amor eterno que nasce do Eterno Amor (Espírito Santo), revelado e testemunhado pelo Seu Filho e Nosso Senhor Jesus Cristo. Amém!