Pe. Otacilio F. Lacerda

Artigos, textos e poesias para meditação, reflexão.

31.8.08

Quando o céu se torna escuridão…

                                                                                                                                                       Hoje na Homilia (31/8/8) pude celebrar com o Povo de Deus, suas dores e alegrias, angústias e esperanças…

Impressiona-me sempre, como a realidade da cruz, do sofrimento marca a vida do Povo de Deus. Acorre-se a Deus em busca de uma Palavra, uma alento, um reacender da chama da esperança, uma luz, um impulso…

Não uma fuga, não uma evasão da realidade, mas abastecimento para poder enfrentá-la, transformá-la, renová-la, a partir do mistério da Fé, celebrado na Mesa da Eucaristia.

A Palavra de Deus proclamada como sempre, riqueza inexplorável (Jr. 20,7-9, Rm. 12,1-2; Mt. 16,21-27).

O profeta Jeremias, seduzido pelo amor de Deus levou-nos ao mesmo desejo: deixar nosso coração pelo amor de Deus ser seduzido, como fogo que queima por dentro. Vocação profética que não é vontade nossa, mas iniciativa de Deus, dom de Deus, resposta nossa…

No Evangelho Jesus fez seu primeiro anúncio da Paixão e Morte: o caminho da glória passa inevitavelmente pela cruz, para além da compreensão de Pedro, que recebeu de Jesus seriíssima advertência, por não pensar como Deus pensa – Afasta-te de mim Satanás…”. Quem quiser seguir Jesus deverá renunciar a si mesmo, tomar sua cruz e segui-Lo, com coragem, fidelidade, ousadia, confiança, perseverança…

O grande Apóstolo Paulo nos exortou pela misericórdia de Deus a nos oferecermos como sacrifício vivo santo e agradável a Deus, no autêntico culto que agrada a Deus na transformação e conversão de nossa maneira de pensar e julgar, não se moldando pela lógica do mundo, mas pela lógica do Evangelho, procurando sempre o que é agradável a Deus…

Creio que a verdadeira oração não deve ser nunca para que Deus nos tire a cruz, que a reduza, tão pouco lamento estéril, angustiante. A verdadeira oração é glorificar a Deus pela sua bondade, força, graça e ternura que nos acompanha dando possibilidade de poder carregá-la, transformando a cruz (aparente sinal de fracasso) em sinal de vitória. Cruz: loucura para os gregos, escândalo para os judeus…

De fato, Deus faz renascer a vida das cinzas (o maravilhoso ipê amarelo que neste tempo teimosamente desafia o cenário das cinzas e enfeita os campos com o esplendor de suas flores); faz nascer a imortal obra de arte de Beethoven para Elisa, nascida da experiência fracassada da mesma ao não conseguir tocar sua peça na frente de Beethoven…

Enfim “quando o céu se torna escuridão pela privação da luz do sol, Deus acende as estrelas”, e o provérbio  “no auge da noite se anuncia o nascer de um novo dia”

Sigamos em frente, tomemos livremente nossa cruz de cada dia, saciados pelo Pão Nosso de cada dia. A cada dia suas preocupações, inquietações, desafios…

criado por peotacilio    22:34 — Arquivado em: Sem categoria

26.8.08

Da síndrome de Sobna, livrai-nos Senhor!


Há uma passagem altamente inspiradora na Bíblia Sagrada, lá no Livro do Profeta Isaías 22,19-23). Trata-se da destituição de Sobna, um administrador do Palácio no tempo de Ezequias e a escolha de Eliacin por Deus para seu substituto, pelas palavras do profeta Isaías.

Sobna foi expulso do cargo porque talhou para si um sepulcro no alto e cavou para si na rocha um mausoléu (Is. 22,16). Por que o erigir do monumento funerário chamou para si a condenação de Deus? Talvez porque seja sinal do orgulho de Sobna, ou porque o mesmo utilizou o dinheiro do povo ou despendeu dinheiro em futilidades num momento difícil para a vida do povo.

Para o profeta Isaías, Sobna foi presunçoso e megalômano. Ninguém pode perpetuar-se no poder e no abuso, visto que o poder quando tem um só beneficiado é um poder iníquo.

Deus queria que o administrador fosse como que um pai para os habitantes de Jerusalém (Is. 22.21b) e não um tirado ou déspota. O exercício do poder deve ser sempre exercido em vista do bem comum. Perdendo esta característica torna-se tirânico e ilegítimo.

Sobna foi despojado do poder, foi tirado dele as chaves, que lhe conferia autoridade de administrar os bens do soberano, fixava a abertura e o fechamento das portas e definia quais os visitantes a introduzir junto do soberano.

Ano de eleições. Teremos que escolher, em breve, aqueles que vão dirigir nossos Municípios, a nossa Cidade: vereadores, Prefeito.

Reflexões não são dispensadas. Muita oração e invocação do Espírito Santo para que bem possamos discernir na hora de votar.

Por isto rezemos:

Da síndrome de Sobna, livrai-nos, Senhor!
Do vírus que contaminou Sobna, livrai-nos, Senhor!

De errarmos como Sobna, iluminai-nos, Senhor!
Para não elegermos Sobnas, iluminai-nos, Senhor!

criado por peotacilio    23:22 — Arquivado em: Sem categoria

A Teofania em nossas noites escuras!

 

 

Teofania: manifestação de Deus a suas criaturas, como expressão de seu amor, bondade, ternura, compaixão, poder… Teofania: termo teológico para indicar qualquer manifestação temporária e normalmente visível de Deus. Diferentemente, a Encarnação é a manifestação permanente.

O termo vem da língua grega, composto por dois vocábulos: Theós, "Deus" e phaneroô, "aparecer". Deste modo, Teofania é o termo utilizado para descrever alguma manifestação visível de Deus, na forma que Ele quiser: Deus pode aparecer seja em forma humana, seja através de fenômenos da natureza grandiosos e impressionantes.

Elias a teve na passagem do murmúrio da leve brisa. Deus não estava no furacão que fendia as montanhas; nem no terremoto; nem no fogo (1 Rs. 19,9-12).

Pedro também a teve naquela noite em que os discípulos viram o Senhor andando sobre as águas e ficaram cheios de medo. Naquela noite em que o Senhor foi confundido com um fantasma (o medo cria fantasmas!). Em que Pedro ouviu a voz do Senhor: “Vem”, e com medo pos se a afundar, merecendo do Senhor a advertência: “Homem fraco na fé, porque duvidaste”, até que diante da presença segura do Senhor arrancasse do profundo de seu coração uma bela profissão de fé” – “Verdadeiramente, Tu és Filho de Deus” (Mt.14,22-33).

Em nossas vidas podemos experimentar verdadeiras Teofanias. Deus sempre manifesta sua presença amorosa, confortadora sobretudo nos momentos que parecem mais adversos, como se anunciasse uma eterna noite escura. Quem não se emociona quando se canta na Missa: “… não me deixes sozinho na noite, pelas trevas e longe de ti…”?! Como costumo dizer a noite da escuridão foi iluminada com a aurora da madrugada da Ressurreição!

Viver é colocar-se sempre a caminho, captando a Teofania (manifestação de Deus) em nosso cotidiano, noite e dia! Captar o murmúrio da leve brisa de Deus que comunica sua presença e nos garante o andar sobre as águas, enfrentando o mar da vida.

Como Paulo enfrentando cada dificuldade com a força do Espírito Santo: “Nós nos gloriamos também nas tribulações; sabendo que a tribulação produz a perseverança, e a perseverança produz a virtude comprovada, a virtude comprovada a esperança. E a esperança não desaponta, porque o amor de Deus foi derramado em nossos corações pelo Espírito Santo que nos foi dado." ( Rm. 5, 3-5).

criado por peotacilio    22:13 — Arquivado em: Reflexões

25.8.08

A alegria em ser solidário/a!

As fotos abaixo retratam o Bazar da Promoção Humana de nossa

Paróquia.

Os panos de prato foram generosamente doados para a Procissão de Corpus Christi.

Trazem motivos eucarísticos. É a segunda vez que fazemos esta atividade com toda a comunidade e além de tudo torna-se grande momento de espiritualidade naquilo que vem escrito, sobretudo porque feito e doado com muito carinho…

 

Da mesma forma o Bazar: momento de amizade, fraternidade e alegria.

 

Que Deus abençôe a todos que ajudam e vão sempre ajudar.

Que Deus os abençôe!

 

 

 

 

 

 

 

 

 

criado por peotacilio    21:23 — Arquivado em: atividade pastoral

22.8.08

Maria, sempre Maria! (parte 2)

Celebrar a Festa da Assunção de Maria ao céus

Hoje revendo minhas homilias, encontrei esta que fiz em agosto de 2006, quando jamais imaginava que um mês depois estaria numa nova Paróquia.

Compartilho contigo o que disse há dois anos…

Falar de Maria nunca é demais…

 

 

Dogma definido pelo Papa Pio XII em 1950: Maria foi elevada de corpo e alma aos céus. No coração de Maria encontrava-se as maravilhas dos céus. Hoje Maria está inteiramente no céu. A Festa da Assunção aponta o nosso destino: a glorificação, ressurreição, participação na plenitude do amor de Deus. Ela foi sem dúvida a primeira. Quis Deus tê-la junto de seu Filho que reina sobre todos e sobre o universo.

Inspirados no artigo de D. Luciano Mendes de Almeida (FSP 20/08/06), faço alguns apontamentos e reflexões acrescidas:

A glorificação de Maria nos céus é a sua participação na plenitude da alegria de Deus. E também nos anuncia que fomos predestinados a santidade e a felicidade, que começa no tempo presente e se consuma na eternidade, na glória de Deus.

Quem a exemplo de Maria, luta pelo bem, pela justiça, solidariedade, concórdia tem como garantia o prêmio da eternidade.

Maria no céu para estar mais proximamente e intimamente de nós, é ajuda constante em nossa luta e caminhada.

Uma autêntica devoção a Nossa Senhora, leva-nos a experimentar a proteção divina, empenho constante de acolher e corresponder a graça divina, que não nos dispensa de compromissos concretos::
 prática do mandamento do amor
 rejeição à corrupção e toda forma de pecado
 vivenciar valores éticos, viver a verdade e conquistar a liberdade
 conduta fraterna contra toda lógica de exclusão, promovendo a inclusão e comunhão.

Esta mesma devoção nos coloca em atitudes compromissadas:
 de enfrentar a luta
 perseverar até o fim
 acreditar na esperança contra toda falta de esperança
 alegrar-se e alegrar o mundo como presença caritativa de Deus.

Como Maria sonhamos, queremos e nos comprometemos com um mundo novo: livre de toda soberba (Deus é o absoluto); poder como expressão de serviço (poderosos são derrubados); a partilha e a solidariedade são nossas marcas (o pobres são saciados).

Que o Magnificat cantado por Maria, este canto de alegria, confiança e esperança dos pobres, seja o nosso canto. Para cantá-lo, imitemos em nossa vida as virtudes de Maria: humildade, disponibilidade, serviço, alegria, confiança, esperança, solidariedade, misericordiosa…

Que na Festa da Assunção sejamos libertados de toda esterilidade devocional, para sermos mais filhos de Maria, mais Eucarísticos, portando mais fraternos, experimentadores nas alegria dos Reino inaugurado por aquele que nos abre as porta da felicidade e eternidade!

Pe. Otacilio F. Lacerda
19 de agosto de 2006.

criado por peotacilio    9:57 — Arquivado em: Sem categoria

21.8.08

Maria, sempre Maria!

Maria, sempre Maria!

 

Ainda ontem Celebrei a Missa na histórica Igreja de Bonsucesso, por ocasião da Novena em preparação a sua Festa (uma Igreja com mais de dois séculos). Adentrar nesta Igreja é ser acolhido e envolvido pela ternura de Maria que nos abraça, bem como ser contemplado pela simplicidade e abraçado pela história da mesma – história de rica memória…

Á luz da Liturgia da Palavra (Ezequiel 34, 1-11 e Mateus 20,1-16-6), foi possível acrescentar mais duas lições ao que já disse anteriormente, e partilhado na referida homilia.

A 11.ª lição:

- Mãe boa pastora - Maria é na fidelidade a Deus, acolhendo ao bom Pastor, aquela que o carregou no colo, também Mãe de todas as ovelhas pelas quais Seu Filho entregou a própria vida… Como não se sentir protegido, amado, seguro no colo de Maria?

12.ª Lição:

- Mãe do amor pelos últimos – a parábola do Evangelho nos fala do amor misericordioso de Deus pelos últimos (das 5 horas que não foram contratados), que recebem a moeda de prata (diária para um dia). Deus ama os últimos, os excluídos, os pequeninos, aqueles que a sociedade privou da vida e do pão cotidiano, do essencial para viver com dignidade… Maria no Magnificat canta o amor de Deus pelos empobrecidos, quando diz que Deus despediu os ricos de mãos vazias e saciou de bens os famintos… Tal Mãe, Tal Filho, Tal Igreja… Maria está sempre junto do Filho assegurando-nos, a moeda de prata de cada dia, O Pão Nosso de cada dia em cada Eucaristia que celebramos…

Mas num determinado momento da Missa, com problemas técnicos de microfone, invoquei a lição de Maria, a necessária lição: paciência… e tudo acabou bem!

13.ª Lição:

- Mãe da paciência: Maria é a Mãe da paciência por excelência: recordemos vários momentos em que ela revelou serenidade, confiança e sobretudo paciência. A paciência para ver o trágico momento da morte se transformar numa alegre e inovadora Madrugada da Ressurreição… Paciência para ver passar a noite da escuridão que pareceria eterna, em radiante luz da Ressurreição, aurora da alegria, do esplendor, da vitória…

Por isto podemos repetir o que disse Santo Amadeu: “Maria está assentada no mais alto cume das virtudes, repleta do oceano dos carismas divinos, do abismo das, ultrapassando a todos, derramava largas torrentes ao povo fiel e sedento” (séc.XII).

Continuemos o aprendizado de maravilhosas lições!

criado por peotacilio    14:53 — Arquivado em: Reflexões

Report abuse Close
Am I a spambot? yes definately
http://peotacilio.blog.terra.com.br
 
 
 
Thank you Close

Sua denúncia foi enviada.

Em breve estaremos processando seu chamado para tomar as providências necessárias. Esperamos que continue aproveitando o servio e siga participando do Terra Blog.