22.7.08
Contemplemos e contemos as estrelas
Um dia Deus chamou Abraão para uma conversa, numa noite de verão em que as estrelas brilhavam nos céus. Trata-se, evidentemente de um imaginário diálogo entre Abraão e Paulo.
- Deus: “Abraão ergue os olhos para o céu e conta a estrelas, se a pode contar. Assim será tua posteridade”.
Prontamente Abraão acreditou e assim se fez: memória, fecundidade, a superação da esterilidade de Sara, terra de Canaã e descendência… E o que era impossível se realizou!
Abraão: “Senhor, sou grato por tudo que me prometeste, mas devo confessar que jamais conseguirei contar as estrelas que me pedistes”.
Deus assim respondeu: “Assim como não és capaz de contá-las, também não sois capaz de declinar as graças que tenho para ti e para o povo do qual serás pai da fé”.
Ainda hoje Abraão continua contando as estrelas como O Senhor lhe propusera. Missão impossível de ser concluída, pois as graças de Deus da mesma forma são infinitas.
E também numa imaginária viagem Abraão foi ao encontro de Paulo para que este o ajudasse na missão que Deus o propusera.
Paulo: “Abraão, eu o tenho como modelo exemplar de fé. Várias vezes falei de ti e de tua fé em minhas Cartas às Comunidades. Pelo respeito, consideração e gratidão que tenho por ti, ouso dar algumas primeiras respostas”.
Assim Paulo convidou Abraão a dar uma volta pela noite, e ainda era verão… E começou a falar das tantas estrelas que Deus faz brilhar em nossas vidas. Paulo iniciou sua resposta, que a encontramos no primeiro capítulo aos Efésios.
A primeira estrela são as bênçãos espirituais derramadas sobre nós por meio de Cristo Jesus.
Cristo é com certeza a Estrela Maior, de brilho eterno, sem começo e fim. Com brilho próprio sempre há de brilhar e com Ele todos que Nele crer, pois Nele somos filhos da luz e devemos brilhar como estrelas nos céus.
Há uma estrela que não podemos perder, a estrela da santidade a que fomos predestinados a viver e ser, como conseqüência de nossa filiação divina por meio de Jesus Cristo.
Que estrela reluzente, e mais que isto transbordante… Nós a contemplamos na Cruz em que Ele foi trespassado pela redenção de toda a humanidade – nela alcançamos a remissão de nossos pecados!
Tem também a estrela da sabedoria, da inteligência que nos permite conhecer o mistério de sua vontade.
Sem falar da herança maior que Deus nos concedeu também por meio de Seu Filho, O Ressuscitado: herança do Reino de Deus. A estrela brilhou porque tanto Abraão como Paulo são membros do Povo eleito, testemunha da realização da promessa messiânica.
Finalmente Paulo fala da outra magnânima estrela: o fato de termos sido selados pelo Espírito da promessa, O Espírito Santo, garantia de nossa herança. Espírito que vem sempre em socorro de nossas fraquezas.
Depois de algum tempo, Abraão retomou a palavra e disse:
Abraão: “Paulo, o que vislumbrei pela fé há séculos, vós podeis testemunhar e anunciar a todos os povos em todos os tempos”
Paulo assim concluiu: “Pai da fé, gostaria de enumerar outras tantas estrelas que Deus nos garantiu e há de sempre nos garantir… Mas a hora é avançada… continuemos amanhã nossa conversa…”
Segundo consta, Abraão e Paulo retomaram a conversa na noite seguinte e até hoje continuam contando as estrelas que são as manifestações amorosas de Deus em nossa vida. Quando Deus promete, cumpre…
Também nós somos convidados a contemplar as estrelas, contar as estrelas…
Também nós somos convidados a procurar nossas respostas.
Também nós, sem pressa, sem sermos levados pelas inquietações e emergências de cada dia, olhar contemplativo e atento as graças de Deus em nossas vidas…
Ponhamo-nos a contemplar estas maravilhas, ainda que não seja uma noite de verão.
Isto não importa, porque as estrelas de Deus brilham sempre e em toda parte…
Deste modo, faremos nosso ,o canto do Magnificat,
Cantando-o com a Estrela Mãe, Maria: “Minha alma glorifica o Senhor, meu espírito exulta em Deus meu Salvador…”
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