Pe. Otacilio F. Lacerda

Artigos, textos e poesias para meditação, reflexão.

28.6.08

Apóstolos Pedro e Paulo - Colunas da Igreja


As palavras do Papa Bento XVI, no discurso inaugural da Conferência de Aparecida (2007), devem fazer eco no coração de cada presbítero e de todo Povo de Deus: “O discípulo, fundamentado na rocha da Palavra de Deus, sente-se impulsionado a levar a Boa Nova da Salvação a seus irmãos. Discipulado e missão são como os dois lados de uma mesma moeda: quando o discípulo está enamorado de Cristo, não pode deixar de anunciar ao mundo que só Ele Salva (Atos 4,12). Com o efeito, o discípulo sabe que sem Cristo não há luz, não há esperança, não há amor, não há futuro”.

Sem paixão não há discipulado, apostolado, missão, evangelização… Enamorar-se por Cristo é assumir compromisso irrenunciável com a Boa Nova do Reino por Ele inaugurado. Assim como a morte de Cristo foi um ato extremo de amor, seus fiéis seguidores trilharam o mesmo caminho.

Trazemos à memória a maravilhosa declaração de amor do Apóstolo Pedro ao próprio Senhor: “Simão, filho de Jonas, tu me amas mais do que estes?” - “Senhor, tu sabes tudo; tu sabes que Te amo”. Somente após a confirmação do amor é que O Senhor lhe confiou o cuidado do rebanho – “Apascenta minhas ovelhas” (João 21,4-23).

O Apóstolo Paulo nos dá inúmeras provas de amor por Cristo. Uma das mais expressivas encontramos em Gálatas –“Já não sou eu que vivo, mas é Cristo que vive em mim. Minha vida presente na carne , vivo-a pela fé no Filho de Deus que me amou e se entregou a Si mesmo por mim” (Gal. 2,20). Para o Apóstolo viver é Cristo e o morrer é lucro (Flp.1,21). Mais adiante declara: “Mas o que era para mim lucro, tive-o como perda, por amor de Cristo. Mais ainda: tudo considero perda, pela excelência do conhecimento de Cristo Jesus, meu Senhor. Por Ele, perdi tudo e tudo tenho como esterco, para ganhar a Cristo e ser achado Nele…” (Flp.3,7-16).

Sobre Pedro e Paulo assim nos falou Santo Agostinho no século V:

“O martírio dos santos apóstolos Pedro e Paulo consagrou para nós este dia (…) Estes mártires viram o que pregaram, seguiram a justiça, proclamaram a verdade, morreram pela verdade… Celebramos o dia festivo consagrado para nós pelo sangue dos apóstolos (Pedro pela cruz, Paulo pela espada / decapitado)… Amemos a fé, a vida, os trabalhos, os sofrimentos, os testemunhos e as pregações destes dois apóstolos”.

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7.6.08

“Nunca é tarde para Amar o Amado - Jesus”

Há procuras que nos possibilitam verdadeiros encontros. A mais bela e contagiante procura que possamos fazer é a procura por Deus, pois por Ele já fomos encontrados e resgatados, pelo Mistério do Verbo Encarnado, revelador da presença amorosa de Deus em nós e por nós! Amor testemunhado pelo coração trespassado, para que Nele pudéssemos nascer (Vida Nova do Batismo), Nele pudéssemos viver (Corpo e Sangue, Mistério da Eucaristia).

A procura de Deus não é para além de nós mesmos; não para além de nossa interioridade; mas na mais profunda intimidade de nosso ser, onde Ele quis fazer-se mais belo hóspede – fragilidade da morada, esplendor divino Daquele que em nós habita!

A procura e encontro de Deus se dá no exato momento que descobrimos os traços mais marcantes de seu Ser: “hesed” - misericórdia, carinho, amor, Ternura, bondade…

Seu encontro leva, inevitavelmente, a fazer da vida entrega incondicional, obediência radical e confiança ilimitada, na Paixão Pelo Reino, dando consistência, profundidade, eternidade ao nosso amor para que não seja como a nuvem da manhã que passa ou o orvalho que ao amanhecer logo se evapora, nos primeiros raios do sol;

O Amor encontrado faz romper a aurora, afastando a escuridão da noite. As trevas cedem lugar a luz, a noite cede lugar ao dia: mistério daqueles que contemplam a Verdadeira Luz!

Saboreemos esta Confissão do grande Bispo Santo Agostinho (séc V), e que ainda tarde, mas não tão tarde, entremos na mais perfeita relação com Deus: relação de Amor que nos alcança a felicidade plena…

“Tarde te amei…”
“Onde te encontrei, Senhor, para te conhecer? Não estavas certamente em minha memória antes que eu Te conhecesse…

Tarde te amei, ó beleza tão antiga e tão nova, tarde te amei! Estavas dentro e eu fora te procurava. Precipitava-me eu disforme, sobre as coisas formosas que fizeste. Estavas comigo, contigo eu não estava. As criaturas retinham-me longe de Ti, aquelas que não existiriam se não estivessem em Ti.

Chamaste e gritaste e rompeste a minha surdez. Cintilaste, resplandeceste e afugentaste minha cegueira. Exalaste perfume, aspirei-o e anseio por Ti.Provei, tenho fome e tenho sede. Tocaste-me e abrasei-me no desejo de tua paz…

Quando me uno a Ti com todo o meu ser, não há em mim dor nem fadiga. Viva será minha vida, toda repleta de Ti. Agora ergues o que de Ti está repleto. Como ainda não estou pleno de Ti, sou um peso para mim.

Lutam minhas lamentáveis alegrias com as tristezas deleitáveis. De que lado estará a vitória, não sei.

Ai de mim, Senhor! Tende piedade de mim. Lutam minhas tristezas com as boas alegrias e não sei quem vencerá. Ai de mim, Senhor! Tende piedade de mim! Ai de mim! Bem vês, que não escondo minhas chagas.
És o médico; eu o doente. És misericordioso; eu o miserável…

…Em tua imensa misericórdia ponho toda minha esperança”
Pe.Otacilio F. Lacerda

criado por peotacilio    21:31 — Arquivado em: Reflexões

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