
A madeira e o Madeiro
Contemplemos José e o menino Jesus…
O jovem Jesus trabalhando ao seu lado. O Filho do carpinteiro aprendendo com Seu pai adotivo o manejar das ferramentas, o labor com a madeira. A primeira casa, a primeira barca, a primeira cadeira, a primeira mesa…
Martelos, pregos, madeira na mão, algo novo nascendo das mãos do Salvador que Se fez criança, homem… assumindo nossa corporeidade, humanidade…
Na carpintaria, em sua oficina:
Pregos, madeira… Ali martelando, pregando… a criação continuando.
No calvário, lá no alto da Cruz:
Pregos, madeiro… Ali sendo crucificado e o mundo redimido.
Por feliz providência a Igreja nos oferece este texto do século IV, um dos Sermões de Santo Efrém, diácono.
Leiamos, meditemos…
É impossível não contemplar o admirável Amor de Deus por nós, testemunhado pela fidelidade de Seu Filho, na comunhão do Espírito.
Verdadeiramente a Cruz de Cristo
é salvação para todo gênero humano!
“Nosso Senhor foi calcado pela morte, mas por
Sua vez, esmagou-a como quem soca
com os pés o pó da estrada.
Sujeitou-Se à morte e aceitou-a voluntariamente, para destruir aquela morte que não queria morrer. Nosso Senhor saiu para o Calvário, carregando a Cruz, para satisfazer as exigências da morte; mas ao soltar um brado do alto da Cruz, fez sair os mortos dos sepulcros, vencendo a oposição da morte.
A divindade ocultou-se sob a humanidade e assim aproximou-se da morte, que matou, mas também foi morta.
A morte matou a vida natura e, por sua vez,
foi morta pela vida sobrenatural.
A morte não poderia devorá-Lo se não tivesse um corpo, nem o inferno traga-Lo se não tivesse carne. Foi por isso que desceu ao seio de uma Virgem para tomar um corpo que
O conduzisse à mansão dos mortos.
Com o corpo que assumira, lá entrou para destruir suas
riquezas e arruinar seus tesouros.
A morte foi ao encontro de Eva, a mãe de todos os viventes. Ela é como uma vinha cuja cerca foi aberta pela morte, por meio das próprias mãos de Eva, para que pudesse provar de seus frutos.
Então, Eva, mãe de todos os viventes tornou-se
fonte da morte para todos os viventes.
Floresceu, porém, Maria, a nova videira, em lugar de Eva, a antiga videira; nela habitou Cristo, a nova vida, a fim de que, ao aproximar-se a morte com sua habitual segurança para alimentar a fome devoradora, encontrasse ali escondida no seu fruto mortal, a
Vida destruidora da morte.
Quando, pois, a morte engoliu sem temor o fruto mortal,
Ele libertou a vida e com ela, multidões.
O Admirável Filho do carpinteiro, que levou Sua Cruz até os abismos da morte que tudo devoravam, também levou o gênero humano para a morada da vida. E uma vez que o gênero humano, por causa de uma árvore, tinha se precipitado
no reino das sombras,
sobre outra árvore passou para o reino da vida.
Na mesma árvore em que fora enxertado um fruto amargo,
foi enxertado um fruto doce, para que reconheçamos
O Senhor a quem criatura alguma pode resistir.
Glória a Vós, que lançastes a Cruz como uma ponte sobre a morte, para que através dela as almas possam
passar da região da morte para a vida!
Glória a Vós, que assumistes um corpo de homem mortal, para transformá-Lo em fonte de vida para todos os mortais!
Vós que viveis para sempre!
Aqueles que Vos mataram, trataram Vossa vida como os agricultores: enterraram-Na como o grão de trigo; mas Ela ressuscitou e, junto com Ela, fez ressurgir
uma multidão de seres humanos.
Vinde, ofereçamos o grande e universal
sacrifício do nosso amor.
Entoemos com grande alegria cânticos e orações Àquele que Se ofereceu a Deus no sacrifício da cruz,
para nos enriquecer por meio dela com
a abundância de Seus dons”.
PS: Reeditado e repostado.