Pe. Otacilio F. Lacerda

Artigos, textos e poesias para meditação, reflexão.

14.5.11

Caminhos novos… Por que não buscá-los?

Prezado Leitor (a)

 Há mais de três anos nos encontramos aqui partilhando reflexões, comentários…

foi muito bom, mas…

Caminhos novos por que não buscá-los?

Novo dia, novo amanhecer…

Novo endereço, nova possibilidade

Luz levar, alegria semear…

Com o blog a espiritualidade renovar…

Você poderá continuar acessando as minhas novas reflexões no endereço abaixo:

 

criado por peotacilio    19:24 — Arquivado em: Sem categoria

6.5.11

Richard… Não sei o teu sobrenome, mas o que importa?

Richard…

Não sei o teu sobrenome,

mas o que importa?

Não sei bem onde moravas,

mas agora sei onde moras.

Moras com os Anjos,

porque és semelhante a eles.

Estás nos céus com eles, porque

aqui também, com eles, estavas

Richard…

Não sei o teu sobrenome,

mas o que importa?

Sei que tinhas tão apenas um ano e meio;

sei que deixou o coração dos pais partido ao meio…

Mas sei também que não nos deixou,

pois para quem crê apenas fez breve despedida…

Vi teus pais chorando sobre ti.

Lágrimas da despedida momentânea;

lágrimas da ausência já sentida;

lágrimas para aliviar e curar a dor;

lágrimas de quem, por ti, tinha muito amor.

Rezei com todos que ali estavam…

As palavras não saíram com facilidade,

mas cada palavra foi como um pequeno raio

que invocava dos céus para iluminar aquela “escuridão”.

Perguntávamos por quê? Como?

Tão pequeno, tão puro, tão criança…

Partindo e levando consigo sonhos e esperanças.

Imobilizado, deitado, dormindo, sem respiro…

Teu coração já não mais batia,

teus pulsos certamente tão intensos, nulos.

teus gritos, choros, clamores da enfermidade,

não mais ouvimos, nada mais sentias…

Richard…

Não sei o teu sobrenome,

mas o que importa?

Não eras batizado, não tinhas recebido o Espírito.

Como encomendá-lo? Mas o que importa é que rezei,

A Deus, tua alma entreguei, pai e mãe confortei.

Com eles e com todos, lágrimas, partilhei…

Richard…

Não eras batizado,

mas o que importa?

Importa nessa hora que continuemos orando por ti.

Que dos céus onde estás com os anjos, peças por nós

que aqui ficamos em meio às dificuldades e incertezas,

até que um dia, desejo, possamos nos encontrar…

Richard…

Não eras batizado,

Mas o que importa?

Que nos empenhemos para que não morram outros “Richards”,

de pneumonia ou qualquer enfermidade, tão precocemente.

Que nos comprometamos na defesa da vida, não nos calando diante de quem também faz morrer inocentes, antes de ao mundo vir, pelo aborto, covardemente

Richard…

Agora estás nos céus,

Nós aqui na terra.

A oração nos aproxima e nos une;

a esperança dos céus nos impulsiona;

a vida continuar, caminhar, caminhar…

Um dia nos céus, contigo, encontrar.

Richard e “Richards” que se foram,

Anjos que conosco pouco viveram,

deixaram marcas tão fortes

e na glória da eternidade nos precederam.

Amém.

 

Richard, Marquinho, Maciel, Leozinho…

O meu carinho.

Cada um com sua história…

Fica conosco suave memória!

 

 

 

 

criado por peotacilio    18:52 — Arquivado em: Reflexões, atividade pastoral

23.4.11

Riquezas infinitas do Tríduo Pascal

 

Riquezas infinitas do Tríduo Pascal

 

Ficou na memória o que passou pelo coração… E por mais que eu fale, nada ainda disse… Assim é o amor de Deus!

O Tríduo Pascal consiste num momento de extrema beleza que nos envolve completamente. Se vivido intensamente algo muda substancialmente na vida de quem o celebra ativa, consciente, piedosamente, para que seja abundante em frutos de alegria, vida e paz!

Com a Missa do Crisma na manhã da Quinta-Feira agradecemos a Deus a graça da Instituição do Sacerdócio, e fomos enriquecidos com a bênção dos Santos Óleos dos Catecúmenos para o Sacramento do Batismo, o Óleo dos Enfermos e o Óleo do Santo Crisma para também ser usado nas Ordenações Presbiterais.

À noite iniciando o Tríduo Pascal, celebrando a Missa da Ceia do Senhor, agradecemos a Deus de infinita bondade, a Instituição da Eucaristia, como memorial da Sua Nova e Eterna presença; recebemos o Mandamento Novo do Amor e aprendemos com Jesus, numa lição de humildade, a nos colocarmos sempre à serviço, quando lavou os pés dos discípulos.

Nessa Missa a Palavra de Deus nos convidou a refletir sobre a Eucaristia, que incansavelmente repetimos com a Igreja, o ponto alto e fonte da vida cristã. Eucaristia celebrada no altar para no quotidiano ser vivida. A Missa não tem fim em si mesma, continua em todo o nosso existir. Somos a presença dAquele que recebemos no mundo. Transformamo-nos nAquele que recebemos, concretizando o Novo Mandamento que nos deixou, criando laços mais humanos, belos e fraternos em atitude de servidores do Reino da Vida.

Em resumo, há um estreito vínculo indissolúvel entre a Eucaristia, a fraternidade universal, o amor e o serviço. Eucarísticos que somos, testemunhas críveis do amor também o seremos quando nossa vida for marcada por compromissos solidários em favor da vida, sobretudo dos mais empobrecidos – “Dei-vos o exemplo, para que façais a mesma coisa que Eu fiz…” (Jo 13,15).

Após a Missa a Igreja ficou em Vigília, em intensa adoração, recolhidos diante do Amor visível e tangível no Santissimo Sacramento, transladado para lugar oportuno. As portas do Sacrário estão abertas, e os mesmos vazios, assim como Ele aniquilou-Se, despojou-Se de tudo para nos enriquecer de todos bens e de toda graça, nos devolvendo a condição filial perdida, fazendo resplandecer a face sem brilho pelo pecado de nossos primeiros pais.

Quando a tarde de Sexta-Feira anuncia quinze horas, num silêncio profundamente tocante, sensíveis diante do incrível Mistério do Amor de Deus que nos amou até o fim, temos a Celebração da Paixão e Morte do Senhor. Tamanha beleza da Palavra anunciada nos leva a refletir sobre o incrível Amor de Deus que não sabe fazer outra coisa se não nos amar e nos amar até o fim, dando Sua vida em nosso favor. Aprendemos com o Servo Sofredor no que consiste o verdadeiro Amor que se concretiza na obediência filial, fidelidade incondicional e na sinceridade e transparência vivida contra todo abandono, traição, negação, ultraje, humilhação, aniquilamento, desfiguração “… – tão desfigurado Ele estava que nem parecia ser um homem ou ter aspecto humano-…” (Is 52,14).

Contemplamos Seu Coração trespassado: “… mas um soldado abriu-lhe o lado com uma lança e logo saiu Sangue e Água.” (Jo 19,34) – Água e Sangue jorram simbolizando o nascimento e o alimento, o Batismo e a Eucaristia. De onde nascemos jorra também o nosso Alimento. Deus não somente quis nos fazer renascer, mas quis Se fazer e Se dar em Alimento no Seu Corpo e Sangue: Eucaristia!

A Via Sacra completou nossa configuração com Jesus. Se com Ele vivemos, caminhamos, padecemos as múltiplas faces da Paixão, da dor, do sofrimento, do pranto, do luto, com Ele também Ressuscitaremos. A Via Sacra, com sua extrema profundidade, trouxe-nos à mente e ao coração os momentos máximos do Amor. Jesus leva-nos inevitavelmente a um clima de intensa oração, ao mergulho nas profundidades da Misericórdia Divina, às lágrimas, ao recolhimento, ao silêncio… Cada momento nos leva a pensar e rezar por tantos outros rostos que vivem verdadeiras “vias sacras”, não como algo do passado, mas memória da Verdadeira Paixão e Morte do Senhor…

Sábado Santo! Parece que as horas não passam…

Estamos aguardando a grande Vigília Pascal – a mãe de todas as vigílias, por ser a mais antiquíssima delas.

A grande Vigília tem sua beleza própria: a fogueira, o fogo novo, o Círio pascal, a proclamação da passagem, a nossa Páscoa, a riqueza da Palavra de Deus, a bênção da água e a renovação batismal de todos os fiéis, a Eucaristia…

Que chegue a noite escura tão esperada!

O Fogo novo do Círio Pascal, Palavra Proclamada, Água santificada e aspergida, Eucaristia comungada – Será a Páscoa tão desejada, após um rico e longo Itinerário Quaresmal, e o culminar de um Santo Tríduo Pascal.

Que chegue a noite escura tão esperada!

Pois quando o sol se puser e a luz da lua vier iluminar a noite, estaremos celebrando a Verdade que ilumina todas as noites escuras de nossa existência. Pouco a pouco a alegria da Boa Nova da Ressurreição vai aparecendo em nossos olhos e lábios, porque, de fato, Ele Ressuscitou! Aleluia!

 

criado por peotacilio    18:01 — Arquivado em: Reflexões, atividade pastoral

18.4.11

Itinerário Quaresmal percorrido, Alegria Pascal transbordante!

                                               

Itinerário Quaresmal percorrido, Alegria Pascal transbordante!

É oportuno refletirmos sobre o Itinerário Quaresmal imprescindível que corajosamente assumimos e percorremos… Afinal, para chegarmos onde queremos, precisamos saber por onde caminhamos…

 

Empenhamo-nos na prática do jejum, da esmola e da oração, multiplicando esforços para a necessária e permanente conversão, renovando a graça do Batismo um dia recebido.

 

1º Domingo - Com Jesus no Deserto aprendemos a fidelidade incondicional ao Pai, vencendo as tentações satânicas do ter, ser e poder (egoísmo, sucesso e domínio).

 

 

2º Domingo - Contemplamos o Filho Amado que se Transfigurou no alto da Montanha, e todos fomos convidados a ouvi-lo e testemunhá-lo na planície, carregando com coragem e fidelidade nossa cruz quotidiana.

A cruz somente pode ser suportada se soubermos imergir diante da presença do Senhor, acolhendo Sua Palavra, no silêncio orante, para ouvir o que Ele tem a nos dizer. Imergir diante de Sua presença, mergulhar em Sua misericórdia para emergir vidas que clamam na planície à beira do caminho – os empobrecidos, desfigurados…

 

3º Domingo - Redescobrimos com a Samaritana que a sede de amor, vida e paz somente pode ser saciada na Fonte das Delícias Divinas, Jesus.

Somente nEle e com Ele, por Sua Palavra e pelo Pão que é o Seu corpo, somos saciados e nutridos, para que renovemos compromissos com as múltiplas e incontáveis sedes da humanidade de vida e eternidade.

 

4º Domingo - Como o cego de nascença fomos curados de toda cegueira e, mais do que nunca, nossos olhos se abriram porque fomos agraciados com o colírio da fé que nos permite enxergar caminhos  inauguradores do Reino. Curados por Deus somos iluminados e iluminadores de um  mundo que sem Ele seria condenado à escuridão, ao enregelamento insuportável, fazendo-nos ciganos pelo mundo sem rumo e sem sentido.

 

5º Domingo - Quando Lázaro, por seu amigo Jesus, foi ressuscitado, professamos nossa fé nAquele que tem poder sobre a vida e a morte, porque Jesus é o Senhor, é a Ressurreição e a Vida.

Ele é homem e Deus que quer vida para todos, tirando-nos das sepulturas tristes e sombrias da morte, quando com olhos amabilíssimos chorou e o Seu amigo ressuscitou.

 

 

Com a Ressurreição do Senhor, vida nova se inaugurará.

Ele fará novas todas as coisas.

Percorrido o Itinerário Quaresmal, será Páscoa,

o Sol Divino nos iluminará!

criado por peotacilio    20:19 — Arquivado em: Reflexões, atividade pastoral, oração

17.4.11

Imitar Jesus na vida e na morte…

                                                   

Imitar Jesus na vida e na morte:

Eis o grande convite da Semana Santa!

 

Inspirados em texto de beleza inexprimível “Do Livro sobre o Espírito Santo”, de São Basílio Magno, bispo (Séc. IV), coloquemo-nos mais intensamente em oração nesta Grande Semana que costumo chamar “Santa Semana Santa”!

Através da reflexão seremos convidados a imitar Cristo na mansidão, humildade e paciência que são atitudes que marcaram Sua vida.

Mas, também seremos convidados a imitá-Lo na Sua morte, assumindo o mistério da Paixão e Cruz.

Morrer com Ele para que também ressuscitemos com Ele e assim possamos celebrar a verdadeira Páscoa do Senhor em nossa vida.

Se com Ele morrermos com Ele também ressuscitaremos:

Eis a Boa Nova do Batismo que um dia recebemos:

A semente de imortalidade!

Urge que o imitemos, num amor incondicional, numa fidelidade expressa da mesma forma!

“O desígnio de nosso Deus e Salvador em relação ao homem consiste em levantá-lo de sua queda e fazê-lo voltar, do estado de inimizade ocasionado por sua desobediência, à intimidade divina.

A vinda de Cristo na carne, os exemplos de Sua vida apresentados pelo Evangelho, a paixão, a cruz, o sepultamento e a ressurreição não tiveram outro fim senão salvar o homem, para que, imitando a Cristo, ele recuperasse a primitiva adoção filial.

Portanto, para atingir a perfeição, é necessário imitar a Cristo, não só nos exemplos de mansidão, humildade e paciência que Ele nos deu durante a Sua vida, mas também imitá-Lo em Sua morte, como diz São Paulo, o imitador de Cristo:

Tornando-me semelhante a Ele na Sua morte, para ver se alcanço a ressurreição dentre os mortos (Fl 3,10).

Mas como poderemos assemelhar-nos a Cristo em Sua morte?

Sepultando-nos com Ele por meio do batismo.

Em que consiste este sepultamento e qual é o fruto dessa imitação?

Em primeiro lugar, é preciso romper com a vida passada.

Mas ninguém pode conseguir isto se não nascer de novo, conforme a Palavra do Senhor, porque o renascimento, como a própria palavra indica, é o começo de uma vida nova. Por isso, antes de começar esta vida nova, é preciso por fim à antiga.

Assim como, no estádio, os que chegam ao fim da primeira parte da corrida, costumam fazer uma pequena pausa e descansar um pouco, antes de iniciar o retorno, do mesmo modo, era necessário que nesta mudança de vida interviesse a morte, pondo fim ao passado para começar um novo caminho.

E como imitar a Cristo na

Sua descida à mansão dos mortos?

Imitando no batismo o Seu sepultamento.

Porque os corpos dos batizados ficam, de certo modo, sepultados nas águas.

O batismo simboliza, pois, a deposição das obras da carne, segundo as palavras do Apóstolo:

Vós também recebestes uma circuncisão, não feita por mão humana, mas uma circuncisão que é de Cristo,

 pela qual renunciais ao corpo perecível.

Com Cristo fostes sepultados no batismo (Cl 2,11-12).

Ora, o batismo, por assim dizer, lava a alma das manchas contraídas por causa das tendências carnais, conforme está escrito:

Lavai-me e mais branco do que a neve ficarei (Sl 50,9).

Por isso, reconhecemos um só batismo de salvação, já que é uma só a morte que resgata o mundo e uma só a ressurreição dos mortos, das quais o batismo é figura”.

Para nossa reflexão quaresmal:

ü  Quais são as atitudes de Jesus que devo intensificar mais em minha vida?

ü  De que modo me configuro a Cristo no Mistério de Sua Paixão e Morte?

ü  O que significa morrer com Cristo para ressuscitar com Ele concretamente na vivência do meu batismo?

ü  O que me falta ainda para uma rica e frutuosa preparação para a Celebração da Páscoa do Senhor?

 

Pai Nosso que estais nos céus…

 

PS:  Repostado para o início da Semana Santa…

criado por peotacilio    15:53 — Arquivado em: Reflexões

10.4.11

A morte cede lugar à vida!

A morte cede lugar à vida!

 

Nosso coração está de luto! Foi escrita uma página inesquecível na última quinta-feira: a chacina na Escola do Realengo. Não entro em detalhes, mas com certeza uno-me a milhões de pessoas que ficaram extremamente chocadas e questionando o sentido da vida e da morte; da sanidade e loucura…

 

Mais de uma dezena de crianças precocemente tiveram a vida tirada, sonhos interrompidos, projetos ficaram por realizar… Dor no coração de quem ficou para sempre curar; cicatrizes que para sempre ficarão. Lembranças torturantes de quem passou ou não…

 

E, é exatamente num contexto de dor, sofrimento, lágrimas, luto como o que estamos vivendo que o profeta Ezequiel enfrentou o exílio, a deportação, a desolação, com o desafio de plantar a esperança no coração de quem em nada mais crê, nada mais espera…

 

O que são “ossos ressequidos” se não a sinalização de que já não há esperança? Mas não! Como Ezequiel, o Apóstolo Paulo na segunda leitura e o próprio Senhor no Evangelho, ressuscitando Lázaro, reacendem em nós a esperança, pois o Espírito de Deus tudo vivifica.

 

Muitas vezes em nossa existência passamos por situações de desespero em que tudo parece ruir, a vida parece perder todo o seu sentido. Pode ser a morte de alguém muito querido, o enfraquecimento de laços familiares, a indesejável e sofrível traição de um amigo ou alguém que tenhamos em alta estima, a perda de um emprego, a solidão devoradora que se prolonga com as horas, a falta de perspectivas e objetivos, o vazio da alma, o desencanto com o outro… e outras inúmeras situações com “matizes sepulcrais”…

 

Quando parece não haver mais esperança, Deus lança a mais preciosa semente da vida e tudo então se renova, floresce, frutifica. Em Deus e com Deus há esperança de que as coisas novas virão: a morte cederá lugar à vida; a violência à paz; a dor ao prazer; o luto à Ressurreição; o sacrifício, acompanhado de eternos louvores, à eternidade! É preciso sair do sepulcro e avançar, dando um decidido passo ao encontro da Vida Plena que só Jesus pode nos oferecer.

 

Tão inspiradoras para nós neste momento são as palavras do Papa Bento XVI para este domingo, conforme sua Mensagem Quaresmal:

 

“Quando, no quinto domingo, nos é proclamada a ressurreição de Lázaro, somos postos diante do último mistério da nossa existência: «Eu sou a Ressurreição e a Vida… Crês tu isto?» (Jo 11, 25-26). Para a comunidade cristã é o momento de depor com sinceridade, juntamente com Marta, toda a esperança em Jesus de Nazaré: «Sim, Senhor, creio que Tu és o Cristo, o Filho de Deus, que havia de vir ao mundo» (v. 27). A comunhão com Cristo nesta vida prepara-nos para superar o limite da morte, para viver sem fim nEle. A fé na ressurreição dos mortos e a esperança da vida eterna abrem o nosso olhar para o sentido derradeiro da nossa existência: Deus criou o homem para a ressurreição e para a vida, e esta verdade doa a dimensão autêntica e definitiva à história dos homens, à sua existência pessoal e ao seu viver social, à cultura, à política, à economia. Privado da luz da fé todo o universo acaba por se fechar num sepulcro sem futuro, sem esperança”.

 

É em Jesus que esta promessa se cumpre, é nEle que somos arrancados das sepulturas da vida e da sepultura da morte; é no Seu Espírito Santo, derramado sobre nós, que o Pai nos vivifica. Jesus devolve-nos o sentido derradeiro de nossa existência. Não podemos sucumbir, curvar-nos diante da morte e muito menos nos fecharmos num sepulcro sem futuro e sem esperança, como o Papa belissimamente nos disse.

 

Bem sabemos que vivemos num mundo que procura desesperadamente a vida, a felicidade…

 

Numa época como a nossa, em que se tem sede de um sentido para a existência, Jesus se nos apresenta como a própria Vida, como a Ressurreição; e esta é uma pessoa com coração, rosto, voz e Amor sem fim!

 

 

 

criado por peotacilio    17:31 — Arquivado em: Homilias, Reflexões, atividade pastoral

A morte cede lugar à vida! (continuação…)

A morte cede lugar à vida! (continuação…)

Cristo é Ressurreição para nossa vida…

 

A Ressurreição é Jesus em pessoa: “Eu sou a Ressurreição e a Vida! Quem crê em mim, mesmo que esteja morto, viverá!” É ele quem vem nos buscar, é na força dEle que seremos erguidos da morte, é nEle que nossa vida é salva do absurdo, do nada, do vazio: “quem vive e crê em mim, não morrerá para sempre!”, como Ele próprio diz no Evangelho.

Não podemos desistir dos empenhos múltiplos em favor da vida. É precioso aos nossos ouvidos e coração o que disse Santo Agostinho sobre o choro de Jesus quando da morte de seu amigo Lázaro: “Cristo chorou: chore também o homem sobre si mesmo. Por que chorou Cristo senão para ensinar o homem a chorar?”

 

Esta semana choramos, e haveremos de chorar ainda, não somente pelos nossos pecados, para que voltemos à vida da graça pela conversão e pelo arrependimento. Não podemos e nem temos o direito de desprezar as lágrimas do Senhor que chora por nós, pecadores.

Acolhamos as calorosas e carinhosas palavras de São Josemaria Escrivá: “Jesus é teu amigo. – Amigo – Com coração de carne, como o teu. – Com olhos de olhar amabilíssimo, que choraram por Lázaro… E tanto como a Lázaro, quere-te a ti”.

 

 

Como Discípulos Missionários do Ressuscitado, crentes que somos, ardorosos e alegres arautos da esperança, porque pessoas de fé que se concretiza na caridade vivenciada de diversas formas e em todos os lugares, ajudemos os muitos Lázaros que estão no sepulcro esperando por quem grite: “Lázaro, vem para fora!”. Um filho de Deus, um cristão que não deseje evangelizar, “já cheira mal, pois há quatro dias que ele está aí…” (Jo 11,39), está na tumba em estado cadavérico. Não sejamos “coveiros” entristecidos, mas alegres Arautos da Ressurreição!

 

Acolhamos com coragem estes questionamentos:

 

“Concretamente, nesses últimos dias: a quantas pessoas vamos fazer a proposta de que tenham uma vida cristã comprometida? A quantos dos nossos amigos convidaremos a fazer uma boa confissão? A quantos companheiros de profissão insistiremos para que participem conosco de algum meio de formação cristã? Por quantos familiares estamos fazendo penitência para que durante essas celebrações quaresmais e de Semana Santa tenham um encontro com Deus? Eu quero números. Não podemos conformar-nos com aquele ditado que reza assim: “o importante é a qualidade, não a quantidade”. Eu protesto! A quantidade também é importante! A Igreja Católica não é uma espécie de oligarquia, de gente selecionada porque seria o melhor da society, de gente chique e inteligente que forma um gueto de iluminados. Não! Na Casa de Deus cabem todos.” (Pe. Françoá)

 

E como não fazer chegar até o leitor parte da reflexão do Missal Dominical: “Enxertados em Cristo pelo Batismo, vencemos nossa morte na Sua morte; co-ressuscitamos no Cristo Ressuscitado. É a vitória de cada homem batizado sobre a morte. É a vitória de toda a história sobre a morte, história que na perspectiva cristã, não caminha para o caos final, mas para a ressurreição final. É a vitória da criatura sobre a morte; ela escapa à condenação na perspectiva dos céus novos e terra nova. Essa perspectiva dá à vida tranquilidade, serenidade interior, paz profunda, confiança e esperança. Em Cristo não há uma parcela de vida, por menor que seja, que não se destine à Ressurreição”.

 

Se mais uma palavra for necessária retomemos parte do Prefácio da Missa do Quinto Domingo, da Ressurreição de Lázaro que não somente resume o sentido do fato, mas irradia luzes para nossa existência, em que o sepulcro não tem a última palavra, mas a glória eterna, o céu:

 

   “Verdadeiro homem, Jesus chorou o amigo Lázaro; Deus e Senhor da Vida, o tirou do túmulo; hoje estende a toda a humanidade a Sua misericórdia e com os Seus Sacramentos nos faz passar da morte à Vida”

 

A Liturgia deste final de semana é um canto, uma poesia, um hino em favor da vida! A morte não pode ter a última palavra. O choro de Jesus acompanhado de Sua compaixão, ação misericordiosa, e Sua promessa de imortalidade para quem nEle crê são âncoras que nos dão segurança nesta, por vezes, triste, perigosa, misteriosa, dolorida travessia até a outra margem – a eternidade. Amém!

 

 

PS: Fontes de pesquisa: Missal Dominical, Mensagem do Papa para a Quaresma de 2011, www.presbiteros.com.br.

criado por peotacilio    17:22 — Arquivado em: Homilias, Reflexões, atividade pastoral

7.4.11

Como precisamos do colírio da fé!

Como precisamos do colírio da fé!

 

Desde domingo passado quando preparava a Homilia as palavras de Jacques Monod, prêmio Nobel de medicina, citadas no Missal Dominical me intrigaram, e mais do que isto, me inspiraram e instigaram a escrever esta breve reflexão.

 

“O homem é um cigano perdido num universo enregelado que lhe é totalmente indiferente”.

 

O que esta citação quer dizer e o que tem a ver com o Evangelho da cura do cego de nascença, em pleno Itinerário Quaresmal que estamos percorrendo rumo à Páscoa?

Para uma resposta no mínimo satisfatória recorro à breve e profunda reflexão que o Papa nos presenteou em sua Mensagem Quaresmal:

 

 

 “O domingo do cego de nascença apresenta Cristo como luz do mundo. O Evangelho interpela cada um de nós: «Tu crês no Filho do Homem?». «Creio, Senhor» (Jo 9, 35.38), afirma com alegria o cego de nascença, fazendo-se voz de todos os crentes. O milagre da cura é o sinal que Cristo, juntamente com a vista, quer abrir o nosso olhar interior, para que a nossa fé se torne cada vez mais profunda e possamos reconhecer n’Ele o nosso único Salvador. Ele ilumina todas as obscuridades da vida e leva o homem a viver como «filho da luz»”.

 

O Papa nos convida à profundidade da fé, abrindo o nosso olhar interior. Com a profundidade da fé e a cura de toda cegueira não há lugar para obscuridades em nossa vida, pois somos filhos da luz como nos falou o Apóstolo na segunda Leitura (Ef 8,14).

O Bispo Santo Agostinho assim se expressou - “Os nossos olhos, irmãos, são agora iluminados pelo colírio da fé”.

Profundidade sim, obscuridade não! Necessitamos deste “colírio da fé”, para uma fé mais profunda, iluminada e iluminadora. As trevas cederão sempre à luz que emana da Vida Nova do Ressuscitado. Crer no Ressuscitado é certeza de que as trevas cedem lugar à luz, e a morte à vida!

Sem a fé, de fato, seríamos como ciganos, vagueando nas penumbras das incertezas, sem um destino auspicioso, sem horizontes e perspectivas, enfim, sem saídas! O mundo, a vida, a nossa história seriam enregelados, tristes, sombrios… De modo que a indiferença, o desânimo, o caos nos seriam indiferentes. Mas não!

Crendo no Ressuscitado sabemos por onde e com quem caminhar, Jesus. Temos a Verdade que embasa nosso viver, o Evangelho. Temos a vida no tempo presente que se espraia nos deleites da eternidade, o Céu!

 

 

criado por peotacilio    16:21 — Arquivado em: Reflexões, atividade pastoral

30.3.11

O abandono do “cântaro”

                                                    

O abandono do “cântaro”

 

Aquele encontro de Jesus com a Samaritana, ao meio dia, na beira do poço… (Jo 4,5). Uma cena simplesmente indescritível de beleza e que oferece inesgotáveis possibilidades de reflexão.

Por exemplo, quando o Evangelista diz que “A mulher abandonou o cântaro, foi à cidade…” (Jo 4,28) o que significa este abandono?

Um dos sentidos é o rompimento com todos os esquemas, de procura de felicidade, egoístas, para abraçar a verdadeira e única proposta de vida plena trazida por Jesus. Ele é a fonte de vida nova, e estabelece com a Samaritana um novo modo de relacionamento. Certamente ela foi amada como nunca fora antes; com um amor que faz enaltecer o esplendor da dignidade que todos possuímos, porque feitos à imagem de Deus o fomos.

Também significa e representa o abandono de tudo aquilo que nos dá acesso a propostas limitadas, falíveis, incompletas de felicidade; marca um novo começo…

Se o coração está pleno do amor de Deus, não há necessidade de “cântaros”, haja vista que o coração humano é o grande “cântaro” de Deus, onde Ele quis habitar e cumular de graças, ternura, bondade, misericórdia, sabedoria, compaixão…

O cântaro abandonado junto ao poço leva-nos a pensar que o mesmo perdera sua importância. O cântaro seria para a Samaritana um empecilho que dificultaria na ânsia de levar a boa nova acolhida aos seus amigos. Sem ele estaria livre para correr.

Sendo assim, podemos nos perguntar ainda:

ü  Estamos dispostos a abandonar o caminho da felicidade egoísta, parcial, incompleta, e a abrir o nosso coração ao Espírito que Jesus nos oferece e que exige uma vida nova?

ü  Quais são os “cântaros” que devemos abandonar para que com maior disponibilidade possamos vivenciar alegre e prontamente a missão de Discípulos Missionários do Senhor?

ü  Num mundo em que nos encontramos com pessoas procurando um sentido para vida, às vezes vazias de espiritualidade, de compromissos solidários, somos capazes de apontar Àquele que dá sentido a nossa vida?

ü  Onde e como enchemos o “cântaro” do coração para não voltarmos a procurar velhos e indesejáveis cântaros?

 

 

Concluindo, Quaresma é tempo de abandonar “o velho cântaro”; de esvaziar o coração de quaisquer ressentimentos, mágoas, indiferenças etc.; é tempo de abertura e predisposição para acolher o que de melhor Deus tem para nos conceder, por meio do Seu Filho, a Divina Fonte que nos assegura a Água Viva do Espírito.

Tenhamos a alma irrigada pela Água Cristalina do Senhor, para que em Seus prados divinos e viçosos, sombras, flores e frutos, possamos contemplar e saborear…

Que também façamos nesta Quaresma nossas passagens, nossos abandonos necessários, que são imprescindíveis para verdadeiros encontros santificantes e santificadores, pascais:
Do cântaro da vida vazia, ao deleite do encontro com a Vida plena…

Do cântaro da vida amarga vivida ao novo momento pela Misericórdia Divina concedida…

Do cântaro da mesmice, do vácuo de perspectivas à alegria da Missão de Discípulos…

Do cântaro ao cântaro do Coração… 

Do cântaro antigo ao novo cântaro, o Coração de Jesus, pleno de amor…

Não mais o cântaro, mas o coração em sintonia com o Coração Fornalha Ardente de Amor!

Não mais o cântaro do provisório, mas o Cântaro que nos ama e nos introduz na eternidade.

Amém!

 

 

criado por peotacilio    12:46 — Arquivado em: Reflexões, atividade pastoral

27.3.11

A Samaritana e a sede da humanidade…

A Samaritana e a sede da humanidade…

Consumismo, sexo, liberdade desenfreada, droga, poder, dinheiro, ciência sem ética nem limites, facilidades… nada disso sacia de modo definitivo o nosso coração! Há sedes e sedes: Sedes que geram vida, sedes que matam…

Dando mais um passo no Itinerário Quaresmal acolhamos as palavras do Papa Bento, em sua Mensagem para a Quaresma de 2011:

 

 

“O pedido de Jesus à Samaritana: «Dá-Me de beber» (Jo 4, 7), que é proposto na Liturgia do III Domingo, exprime a paixão de Deus por todos os homens e quer suscitar no nosso coração o desejo do dom da «água a jorrar para a vida eterna» (v. 14): é o dom do Espírito Santo, que faz dos cristãos «verdadeiros adoradores» capazes de rezar ao Pai «em espírito e verdade» (v. 23). Só esta água pode extinguir a nossa sede do bem, da verdade e da beleza! Só esta água, que nos foi doada pelo Filho, irriga os desertos da alma inquieta e insatisfeita, «enquanto não repousar em Deus», segundo as célebres palavras de Santo Agostinho”.

 

Também belas são estas palavras: “Deus está apaixonado pelo ser humano, tem sede do pobre amor dos nossos corações. Nós pedimos de beber a alguém que afirma claramente que tem sede. Essa sede de Deus por cada pessoa humana ficou claramente expressada naquele grito que somente o evangelista João conservou no Evangelho: “Tenho sede” (Jo 19,28). Deus tem sede de que nós tenhamos sede do Seu Espírito, da Sua vida, da Sua graça, da Sua glória. Ele tem água abundante, mas tem sede de que nós a bebamos… É no Coração de Deus que nós encontramos o nosso descanso, a nossa paz, os nossos prazeres, a nossa felicidade, a nossa bem-aventurança. Distanciarmo-nos dele é sair do caminho da felicidade, é correr pelos prados da insensatez, é viver uma vida que só pode levar à escuridão mais profunda e ao pior absurdo da vida humana, não ser feliz.”

 

Bem disse Santo Agostinho referindo-se a este momento tão singular do Evangelho: “Veio uma mulher. Esta mulher é a figura da Igreja, ainda não justificada, mas já a caminho da justificação… Faz parte do simbolismo da narração que esta mulher, figura da Igreja, tenha vindo de um povo estrangeiro; porque a Igreja viria dos pagãos, dos que não pertenciam à raça judaica… Pede de beber e promete dar de beber. Apresenta-Se como necessitado que espera receber, mas possui em abundância para saciar os outros. Se tu conhecesses o Dom de Deus, diz Ele. O Dom de Deus é o Espírito Santo. Jesus fala ainda veladamente à mulher, mas pouco a pouco entra em seu coração, e vai lhe ensinando. Que haverá de mais suave e bondoso que esta exortação?…”

 

Concluo dizendo que Jesus é Água que sacia nossa sede com o Dom do Espírito, em nós, derramado. Somente Deus é capaz de saciar as sedes mais profundas e autênticas de nossa existência. Sem Ele o deserto de nossa alma ficaria estarrecido, insuportável e os prados de nossa insensatez nos consumiriam sem perspectivas, com cansaços que exauririam todas as nossas forças; nada suportaríamos e nada encontraríamos a não ser o nosso nada, o vazio, a escuridão, o pecado, a secura da alma, e numa palavra, a morte!

E como não extasiar-se diante da beleza do Prefácio da Missa deste Domingo? – “Ao pedir à Samaritana que lhe desse de beber, Jesus lhe dava o Dom de crer. E saciada sua sede de fé, lhe acrescentou o fogo do amor”.

A Samaritana fez o seu itinerário e tornou-se Discípula Missionária do Senhor, abandonando o cântaro, começando uma nova etapa em sua vida. Quem o coração pleno de amor tem, de que mais precisa?

Eis a melhor súplica: Tenho sede, Senhor, sacia minha sede. Dai-me o Vosso Espírito! Fazei-me nova criatura para que seja inflamado por Teu amor, e viva com alegria a missão de Discípulo do Senhor!

 

Fonte: Liturgia da Palavra do III Domingo da Quaresma, site www.presbiteros.com.br, Santo Agostinho em seu Tratado contido no Vol. II da Liturgia das Horas…

 

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