Pe. Otacilio F. Lacerda

Artigos, textos e poesias para meditação, reflexão.

14.5.11

Caminhos novos… Por que não buscá-los?

Prezado Leitor (a)

 Há mais de três anos nos encontramos aqui partilhando reflexões, comentários…

foi muito bom, mas…

Caminhos novos por que não buscá-los?

Novo dia, novo amanhecer…

Novo endereço, nova possibilidade

Luz levar, alegria semear…

Com o blog a espiritualidade renovar…

Você poderá continuar acessando as minhas novas reflexões no endereço abaixo:

 

criado por peotacilio    19:24 — Arquivado em: Sem categoria

13.5.11

Seremos sinais do Bom Pastor!

Seremos Sinais do Bom Pastor!

Conflitos, abuso de autoridade, exercício arbitrário do poder…
Existências espezinhadas, vidas sacrificadas,

Cruelmente, devoradas…
  Contemplemos a figura do Bom Pastor – Cristo Jesus:

Vida pela vida doada, para que a dignidade humana fosse elevada.
Bom Pastor - Jesus: imagem por tantos, tão conhecida.
Contemplada em Sua profundidade inexaurível,
Levar-nos-á a questionamentos inevitáveis,
Imitando-O, a esperança de algo novo é possível.
         
 Padres serão sinais do Cristo Bom Pastor:
Quando colocarem suas mãos na Mão de Quem os consagrou.
Quando colocarem seus olhos em Quem os iluminou.
Quando colocarem seu coração no Coração que largamente os amou.
Quando tiverem pés cansados porque no caminho Deus os enviou.


Enamorados por Cristo: Homens da Palavra e do Pão.
Arautos da Páscoa: morte – ressurreição.
Ao clamor dos pequeninos procuram dar uma resposta,
Pois sabem que solidariedade vivida é caminho de salvação.

Quando carregarem no coração a Paixão pelo Reino,
Para carregarem a cruz com fidelidade e alegria.
Serão sinal para toda a comunidade, que jamais se decepciona.
Quem se nutre do Pão da Eucaristia e em Deus confia.


   Agentes de Pastoral serão sinais do Cristo Bom Pastor:
Quando não deixarem o medo do coração tomar conta,
E a chama do primeiro amor for renovada.
Coragem, confiança, alegria, esperança, fidelidade…
No mais profundo da alma, entranhadas…


Quando da pastoral não se apropriarem.
Fizerem dela serviço humilde e silencioso,
A exemplo de Maria: serva alegre e disponível.
Fragilidade humana na mão do Todo Poderoso.

Pais e Mães serão sinais do Cristo Bom Pastor:
Quando na alegre acolhida, no diálogo e educação,
Ao lado de seus filhos com ternura se colocarem,
Assegurando crescimento em tamanho, graça e sabedoria,
Para além de todo resultado, sem jamais se cansarem…

Quando não adiarem a oração com seus filhos,
Palavra de Deus na mão, lida, meditada, partilhada…
Família na fé solidificada, espaço do aprendizado do amor;
Intimidade divina por todos vivenciada.

 

Autoridades e políticos serão sinais do Cristo Bom Pastor:

Quando fizerem da política um gesto sublime de amor:
Promoção do bem comum será princípio de ação.
Vocacionados para a política à corrupção não se curvarão,
Pois não haverá espaço para mazelas, privilégios e corrupção.

 

Quando para além de credos religiosos e ideológicos,
Reconhecerem a dignidade humana em cada existência.
Quando ao elaborarem Leis e projetos, decretos e medidas,
Não sejam olvidadas a ética, justiça e coerência.

O “canto da sereia não nos seduzirá”
Seremos ovelhas do rebanho do Senhor.
Pois uma só voz em nossos ouvidos ressoará…

Para que sejamos todos, sinais do Cristo Bom Pastor!

 

PS: Reeditado e repostado para celebrarmos o “Domingo do Bom Pastor” quando somos, especialmente, convidados a participar do Rebanho do Senhor.

 

criado por peotacilio    10:54 — Arquivado em: Homilias, Poesia, Reflexões, atividade pastoral

A madeira e o Madeiro

A madeira e o Madeiro

 

Contemplemos José e o menino Jesus…

O jovem Jesus trabalhando ao seu lado. O Filho do carpinteiro aprendendo com Seu pai adotivo o manejar das ferramentas, o labor com a madeira. A primeira casa, a primeira barca, a primeira cadeira, a primeira mesa…

Martelos, pregos, madeira na mão, algo novo nascendo das mãos do Salvador que Se fez criança, homem… assumindo nossa corporeidade, humanidade…

Na carpintaria, em sua oficina:

Pregos, madeira… Ali martelando, pregando… a criação continuando.

No calvário, lá no alto da Cruz:

Pregos, madeiro… Ali sendo crucificado e o mundo redimido.

Por feliz providência a Igreja nos oferece este texto do século IV, um dos Sermões de Santo Efrém, diácono.

Leiamos, meditemos…

É impossível não contemplar o admirável Amor de Deus por nós, testemunhado pela fidelidade de Seu Filho, na comunhão do Espírito.

Verdadeiramente a Cruz de Cristo

é salvação para todo gênero humano!

“Nosso Senhor foi calcado pela morte, mas por

Sua vez, esmagou-a como quem soca

com os pés o pó da estrada.

Sujeitou-Se à morte e aceitou-a voluntariamente, para destruir aquela morte que não queria morrer. Nosso Senhor saiu para o Calvário, carregando a Cruz, para satisfazer as exigências da morte; mas ao soltar um brado do alto da Cruz, fez sair os mortos dos sepulcros, vencendo a oposição da morte.

A divindade ocultou-se sob a humanidade e assim aproximou-se da morte, que matou, mas também foi morta.

A morte matou a vida natura e, por sua vez,

foi morta pela vida sobrenatural.

A morte não poderia devorá-Lo se não tivesse um corpo, nem o inferno traga-Lo se não tivesse carne. Foi por isso que desceu ao seio de uma Virgem para tomar um corpo que

O conduzisse à mansão dos mortos.

Com o corpo que assumira, lá entrou para destruir suas

riquezas e arruinar seus tesouros.

 

A morte foi ao encontro de Eva, a mãe de todos os viventes. Ela é como uma vinha cuja cerca foi aberta pela morte, por meio das próprias mãos de Eva, para que pudesse provar de seus frutos.

Então, Eva, mãe de todos os viventes tornou-se

fonte da morte para todos os viventes.

Floresceu, porém, Maria, a nova videira, em lugar de Eva, a antiga videira; nela habitou Cristo, a nova vida, a fim de que, ao aproximar-se a morte com sua habitual segurança para alimentar a fome devoradora, encontrasse ali escondida no seu fruto mortal, a

Vida destruidora da morte.

Quando, pois, a morte engoliu sem temor o fruto mortal,

Ele libertou a vida e com ela, multidões.

O Admirável Filho do carpinteiro, que levou Sua Cruz até os abismos da morte que tudo devoravam, também levou o gênero humano para a morada da vida. E uma vez que o gênero humano, por causa de uma árvore, tinha se precipitado

no reino das sombras,

sobre outra árvore passou para o reino da vida.

Na mesma árvore em que fora enxertado um fruto amargo,

foi enxertado um fruto doce, para que reconheçamos

O Senhor a quem criatura alguma pode resistir.

Glória a Vós, que lançastes a Cruz como uma ponte sobre a morte, para que através dela as almas possam

passar da região da morte para a vida!

Glória a Vós, que assumistes um corpo de homem mortal, para transformá-Lo em fonte de vida para todos os mortais!

Vós que viveis para sempre!

Aqueles que Vos mataram, trataram Vossa vida como os agricultores: enterraram-Na como o grão de trigo; mas Ela ressuscitou e, junto com Ela, fez ressurgir

uma multidão de seres humanos.

Vinde, ofereçamos o grande e universal

sacrifício do nosso amor.

Entoemos com grande alegria cânticos e orações Àquele que Se ofereceu a Deus no sacrifício da cruz,

para nos enriquecer por meio dela com

a abundância de Seus dons”.

 

 

PS: Reeditado e repostado.

criado por peotacilio    10:45 — Arquivado em: Reflexões, atividade pastoral

9.5.11

Mãe e Toalha…

Mãe e Toalha…

 

Não fiz uma poesia para as Mães, como alguns esperavam.

Para que se há tantas e belas em tantos lugares?

Optei por outro caminho: o caminho da reflexão,

Algo que seja tão apenas singelo, vindo do coração.

 

Que o Dia das Mães não seja como tantos outros

Que se prestam a motivações tão apenas consumistas.

Presentes materiais por vezes desacompanhados

De conteúdo de amor e carinho dia a dia vivenciados.

 

Quero falar das Mães a partir de algo tão comum:

A toalha, a toalha de banho! Sim, é isto mesmo!

Contemplar uma toalha, quanto vem à mente.

Uma toalha, sim, uma toalha tão simplesmente!

 

Aquela toalha que secou os primeiros banhos…

Talvez agora, por algumas Mães, sem poder usar,

Porque tão subitamente para o alto o filho partiu,

Passou pela porta do céu que cedo se abriu.

 

A toalha das Mães da Praça de Maio…

Não, não falo das suas, mas de seus filhos

Que hoje as contemplam silenciosamente.

Por onde andam? Que dor tão presente!

 

As tolhas das crianças de Realengo,

Uma página fria, tenebrosa e cruenta,

Guardá-las como trágica memória

Que se somam a outras na história.

 

A toalha de que já não mais precisa

Para enxugar o corpo do esposo amado,

Porque muito amou, e amou até o fim,

Antecipou-se nos céus do amor, enfim!

 

Aquela toalha que pela Mãe da Mãe, bordada.

Jóia rara, relíquia para sempre guardada.

Já não borda mais com suas mãos tão hábeis,

Bordadeiras na eternidade não mais tão frágeis.

 

A toalha que secou o Corpo do Deus Menino.

A toalha que secou o Corpo do Deus Encarnado.

A toalha que secou o Corpo, por nós, doado.

A toalha que secou o Corpo do Filho Amado!

 

Maria a contemplou também

Solitária e silenciosamente…

Chorou, por que não?

Tão humana, tão coração…

 

Sabe que não mais, dela, precisa

Porque sabe onde o Filho Se encontra:

Nas alturas, porque não venceu a maldade,

Não ficou morto a Fonte de Eternidade!

 

Toalhas são mais que toalhas…

Elas falam como falam as lágrimas

Como falam todas as coisas,

Só as escuta, quem muito ama…

 

Ame, escute…

 

 

 

criado por peotacilio    23:02 — Arquivado em: Poesia, Reflexões

Muito mais que sete verbos…

Muito mais que sete verbos…

Domingo de Páscoa recentemente celebrado.

Sete verbos aprendidos para conjugação.

Nos tempos Presente, Futuro, Passado.

Para quem acredita no Mistério da Ressurreição.

 

Amar é o primeiro verbo da Palavra Proclamada.

Amar a Deus com toda alma, força e entendimento.

Amar como resposta primeira, por Ele, esperada.

Amar sempre em íntimo e estreito relacionamento.

 

Amar critério que se impõe para todo seguidor Seu.

Amor puro, sincero, fiel, confiante, verdadeiro.

Amor que do lado trespassado, Sangue e Água verteu.

Que fez e faz, como o discípulo, chegar primeiro.

 

Ver é o segundo verbo a ser conjugado.

Ver com olhos da alma, olhos do coração.

Ver como o pode fazer o discípulo amado.

Ver nas aparências da ausência, a Ressurreição.

 

Acreditar na Vitória da Vida sobre a Morte.

Acreditar que a palavra última a Deus pertence,

Ao mundo foi alcançada nova e eterna sorte.

Acreditar que Sem Ele ninguém vence.

 

Anunciar que Ele Reina, Ele Vive, porque é Senhor.

Anunciar que nEle está nossa Esperança e Salvação.

Anunciar que da Humanidade é único Redentor,

Que não dispensa nossos compromissos e participação.

 

Testemunhar, como Pedro, com a palavra e a vida

Que a prepotência humana cedeu à divina onipotência.

Testemunhar que a humanidade decaída foi reerguida.

Testemunhar sem medo, recuos, omissão ou displicência.

 

 

Buscar as coisas do alto, por Paulo, somos exortados.

Buscar os valores do Reino, as coisas celestiais:

Verdade, Amor, Justiça, Liberdade entrelaçados.

Quem busca as coisas divinas não se cansa jamais!

 

Esperá-Lo na glória futura que há de se manifestar,

O céu é possível para quem souber esperar.

Em espera vigilante e ativa haveremos de estar,

Em espera alegre, confiante, sem desesperar!

 

São sete verbos, mas são muito mais que, apenas sete verbos.

Porque que nos fazem aprendizes do Amado Eterno Verbo.

Sete verbos: Amar, ver, acreditar, anunciar, testemunhar,

Buscar as coisas do alto, a glória esperar e alcançar.

 

Conjugá-los, em todos os momentos e circunstâncias,

Refaz nossa vida acenando o paraíso possível.

Conjugá-los e vivê-los em todas as instâncias,

Mundo novo é possível, porque por Deus crível.

 

Se na Quaresma contemplamos o Incrível Amor,

Na Páscoa podemos dizer sem hesitações e temores:

Ó Eterno e Incrível Amor! Que maravilha de Amor!

Que nos faz com Ele e nEle, mais do que Vencedores!

 

São sete verbos, mas são muito mais que sete verbos.

Porque que nos fazem aprendizes do

Amado Eterno Verbo.

 

PS: Repostado.

 

 

 

 

 

criado por peotacilio    11:18 — Arquivado em: Homilias, Poesia, Reflexões, atividade pastoral

8.5.11

“A graça não prescinde da natureza”

“A graça não prescinde da natureza”

 

É de Santo Tomás de Aquino esta preciosa afirmação:

 “A graça não prescinde da natureza, e não podemos pedir a Deus ajudas extraordinárias quando, pelos canais ordinários, Ele nos colocou nas mãos os instrumentos de que necessitamos. Uma pessoa ‘que não se esforçasse por fazer o que está ao seu alcance, esperando todas as coisas do auxílio divino, tentaria a Deus’, e a graça divina deixaria de atuar nela.”

Se há algo que Deus não faz é não permitir que caiamos em infantilismos e simbolismos estéreis, e numa dependência dEle desnecessária.

Há o possível que deve ser feito por nós, que se encontra ao nosso alcance, mas há o impossível que a Deus cabe. Viver é navegar entre o possível e o impossível: o que é próprio nosso, de nossa humanidade e o que é próprio da Divina Onipotência.

Devemos nos empenhar em tudo, como se tudo de nós dependesse, mas confiando na graça de Deus que completa e faz multiplicar o que fazemos. O milagre Deus faz, mas não prescinde de nossa participação.

Deus, que o mundo criou sem a ação humana, não quer nos salvar sem nossa colaboração.

Há os que tudo fazem como se Deus não existisse, ignorando-O plenamente. Outros agem, ou melhor, nem agem, atribuindo tudo à vontade e iniciativa divina. Nem uma postura nem outra deve ser aceita e fomentada. Devemos procurar o discernimento para fazermos o que é próprio nosso deixando espaço para o que é atributo do Divino.

Uma vez que a graça não prescinde da natureza, está em nossas mãos a abertura a ela, mas colocando-nos inteiramente nas Mãos do Criador, deixando-nos modelar, confiando nossas preciosas e indispensáveis mãos para que o Artífice da Criação tudo faça e restaure.

 

criado por peotacilio    23:22 — Arquivado em: Reflexões, atividade pastoral

6.5.11

Richard… Não sei o teu sobrenome, mas o que importa?

Richard…

Não sei o teu sobrenome,

mas o que importa?

Não sei bem onde moravas,

mas agora sei onde moras.

Moras com os Anjos,

porque és semelhante a eles.

Estás nos céus com eles, porque

aqui também, com eles, estavas

Richard…

Não sei o teu sobrenome,

mas o que importa?

Sei que tinhas tão apenas um ano e meio;

sei que deixou o coração dos pais partido ao meio…

Mas sei também que não nos deixou,

pois para quem crê apenas fez breve despedida…

Vi teus pais chorando sobre ti.

Lágrimas da despedida momentânea;

lágrimas da ausência já sentida;

lágrimas para aliviar e curar a dor;

lágrimas de quem, por ti, tinha muito amor.

Rezei com todos que ali estavam…

As palavras não saíram com facilidade,

mas cada palavra foi como um pequeno raio

que invocava dos céus para iluminar aquela “escuridão”.

Perguntávamos por quê? Como?

Tão pequeno, tão puro, tão criança…

Partindo e levando consigo sonhos e esperanças.

Imobilizado, deitado, dormindo, sem respiro…

Teu coração já não mais batia,

teus pulsos certamente tão intensos, nulos.

teus gritos, choros, clamores da enfermidade,

não mais ouvimos, nada mais sentias…

Richard…

Não sei o teu sobrenome,

mas o que importa?

Não eras batizado, não tinhas recebido o Espírito.

Como encomendá-lo? Mas o que importa é que rezei,

A Deus, tua alma entreguei, pai e mãe confortei.

Com eles e com todos, lágrimas, partilhei…

Richard…

Não eras batizado,

mas o que importa?

Importa nessa hora que continuemos orando por ti.

Que dos céus onde estás com os anjos, peças por nós

que aqui ficamos em meio às dificuldades e incertezas,

até que um dia, desejo, possamos nos encontrar…

Richard…

Não eras batizado,

Mas o que importa?

Que nos empenhemos para que não morram outros “Richards”,

de pneumonia ou qualquer enfermidade, tão precocemente.

Que nos comprometamos na defesa da vida, não nos calando diante de quem também faz morrer inocentes, antes de ao mundo vir, pelo aborto, covardemente

Richard…

Agora estás nos céus,

Nós aqui na terra.

A oração nos aproxima e nos une;

a esperança dos céus nos impulsiona;

a vida continuar, caminhar, caminhar…

Um dia nos céus, contigo, encontrar.

Richard e “Richards” que se foram,

Anjos que conosco pouco viveram,

deixaram marcas tão fortes

e na glória da eternidade nos precederam.

Amém.

 

Richard, Marquinho, Maciel, Leozinho…

O meu carinho.

Cada um com sua história…

Fica conosco suave memória!

 

 

 

 

criado por peotacilio    18:52 — Arquivado em: Reflexões, atividade pastoral

4.5.11

O Ministério Presbiteral e o “Fogo Devorador”

O Ministério Presbiteral e o “Fogo Devorador”

 

 

Celebramos em abril 30 anos da criação da Diocese de Guarulhos. Tempo favorável e frutuoso para um olhar retrospectivo… Tempo de revermos quantas vidas se consagraram a Deus no realizar de sua vocação, fazendo reconhecimento àqueles que se deixaram consumir pelo Fogo Devorador que é o próprio Deus, como assim o denominou o autor da Epístola aos Hebreus: “Já que recebemos um reino inabalável, conservemos bem essa graça. Por meio dela, sirvamos a Deus de modo a agradar-lhe, isto é, com respeito e temor. Pois o nosso Deus é um Fogo Devorador.” (Hb 12, 28-29).

 

Alguns Presbíteros continuam a missão em outras Dioceses, até mesmo como epíscopos. Outros já na glória de Deus, porque combateram o bom combate da fé, se apresentaram para receber a coroa da glória aos justos reservada. Uno-me aos demais que continuam na Diocese, a seu serviço, renovando a cada dia o ardor da vocação, conservando acesa a chama do primeiro amor…

 

Propositalmente não faço menção de nomes, pois o lapso de um consistiria numa indelicadeza… Coloquemos em oração todos, quer os que ainda peregrinam na penumbra da fé, quer os já mergulhados na plenitude da luz e do amor, céu.

 

Como pastores zelosos do rebanho do Senhor, impulsionados e inflamados pelo Fogo Devorador do Amor de Deus, cada um a seu modo, empenhou-se na evangelização na realidade urbana ou periférica, que hoje quase se confunde. Muitas vezes sem recursos, ou com recursos vindos de fora, fez-se a aquisição de terrenos, a construção de capelas, de casas paroquiais e aquisição de veículos, necessários para o trabalho pastoral. 

 

Inflamados pelo Fogo Devorador do Amor de Deus asseguraram o Sacramento dos Sacramentos, a Eucaristia, o Pão Celestial, e todos os demais imprescindíveis Sacramentos. E, assim nutridos, organizaram e animaram a presença solidária e organização do povo na luta por direitos sociais, conquistas tantas (escolas, postos de saúde, água, segurança, iluminação, asfalto, áreas de lazer etc.)

 

Foi o mesmo Fogo Devorador que impulsionou a organização da Pastoral de Conjunto, procurando superar qualquer forma de isolamento e individualismo, fortalecendo a comunhão diocesana (num espírito de diocesaneidade).

 

Fogo Devorador que levou muitos a se dedicarem à formação dos futuros Presbíteros da Igreja (muitos já ordenados). Não basta cuidar do rebanho, é preciso assegurar vocações sacerdotais para que o rebanho não pereça por falta de pastores, pois a messe é grande e poucos são os operários.

 

Olhemos para trás e imperativamente para o futuro, sem repetir os erros, avançando nas águas mais profundas dos acertos. Escrever o futuro depende das opções que fazemos no presente. Se inflamados pela chama devoradora do Amor de Deus muito maior a probabilidade de acertarmos e fazermos a Igreja verdadeiramente servidora do Reino.

 

Vivamos a dimensão pascal de nosso ministério, num mistério ininterrupto de morte e ressurreição, para um dia contemplarmos a alegria da Jerusalém Celeste, delas partícipes, porque não nos omitimos em construí-la, solícitos e atentos aos clamores do povo que também se deixa e quer ser devorado por um fogo renovador: o Fogo Devorador do Amor de Deus!

 

                                                    

PS: Publicado no jornal Folha Diocesana - Guarulhos - Ed. nº177.

 

criado por peotacilio    18:26 — Arquivado em: Reflexões, artigos Folha Diocesana de Guarulhos, atividade pastoral

30.4.11

Como os Discípulos de Emaús suplicamos: “Fica conosco, Senhor”

Como os Discípulos de Emaús suplicamos:

“Fica conosco, Senhor”

 

Recordemos as palavras do Papa Bento XVI, quando da Realização da V Conferência Geral Latino America e do Caribe (2008):

Façamos nossa a súplica dos Discípulos de Emaús: ‘Fica conosco, Senhor’ - “Fica conosco, pois a noite vai caindo e o dia está no ocaso” (Lc 24, 29).

 

“Fica conosco, Senhor, acompanha-nos mesmo se nem sempre te soubemos reconhecer. Fica conosco, porque se vão tornando mais densas à nossa volta as sombras, e Tu és a Luz; em nossos corações insinua-se o desespero, e Tu os fazer arder com a esperança da Páscoa. Estamos cansados do caminho, mas Tu nos confortas na Fração do Pão para anunciar a nossos irmãos que na verdade Tu ressuscitaste e que nos deste a missão de ser testemunhas da Tua Ressurreição.

Fica conosco, Senhor, quando à volta da nossa fé católica surgem as nuvens da dúvida, do cansaço ou da dificuldade: Tu, que és a própria Verdade como revelador do Pai, ilumina as nossas mentes com a Tua Palavra; ajuda-nos a sentir a beleza de crer em Ti.

Fica nas nossas famílias, ilumina-as nas suas dúvidas, ampara-as nas suas dificuldades, conforta-as nos seus sofrimentos e na fadiga quotidiana, quando à sua volta se adensam sombras que ameaçam a sua unidade e a sua natureza. Tu que és a Vida, permanece nos nossos lares, para que continuem a ser berços onde nasce a vida humana abundante e generosamente, onde se acolhe, se ama, se respeite a vida desde a sua concepção até ao seu fim natural.

Permanece, Senhor, com os que nas nossas sociedades são mais vulneráveis; permanece com os pobres e humildes, com os indígenas e afro-americanos, que nem sempre encontraram espaços e apoio para expressar a riqueza da sua cultura e a sabedoria da sua identidade. Permanece, Senhor, com as nossas crianças e com os nossos jovens, que são a esperança e a riqueza do nosso Continente, protege-os das tantas insídias que atentam contra a sua inocência e contra as suas legítimas esperanças. Oh bom Pastor, permanece com os nossos idosos e com os nossos enfermos! Fortalece todos na sua fé para que sejam Teus discípulos e missionários!”

 

criado por peotacilio    12:07 — Arquivado em: Reflexões, atividade pastoral

Como os Discípulos de Emaús suplicamos:“Fica conosco, Senhor”

Como os Discípulos de Emaús suplicamos:

“Fica conosco, Senhor” 

               

Na Missa Vespertina da Páscoa tivemos a Proclamação de uma das mais belas passagens do Evangelho, os Discípulos de Emaús (Lc 24, 13-35), que também foi proclamada na Quarta-Feira da Oitava da Páscoa.

Impossível na Homilia não retomar as palavras do Papa Bento, fundamentadas nesta passagem: “Fica conosco, pois a noite vai caindo e o dia está no ocaso” (Lc 24, 29).

Quanta beleza nas palavras do Papa!

Densidade das sombras que nos acompanham; o desespero cedendo lugar para a esperança; o cansaço refeito para que se siga em frente no caminho e com o Caminho, Jesus.

Ele fica conosco para que sejamos arautos da Boa Nova da Ressurreição, alegres testemunhas do Ressuscitado.

As nuvens das dúvidas que a fé católica, como em qualquer outra profissão de fé, são passageiras; não se cristalizam em empecilhos irremovíveis que nos impeçam de a cruz carregar, com olhos voltados para o horizonte da eternidade.

As dificuldades existem e podem ser superadas, sempre com Ele, cujo fardo é leve e jugo suave, que nos conduz às verdes pastagens, porque Bom Pastor, por amor que não se conteve, em extremo ato de entrega, a vida por nós deu, o Pai novamente a concedeu, de forma nova, gloriosa, Ressuscitado!

As mentiras que nos desviam das verdades que devem iluminar nossa vida são evidenciadas e superadas com o esplendor da Verdade que é o Senhor. Por isto a súplica: Fica conosco, Senhor!

Ficai conosco, Senhor, na família, berço da vida, desde a concepção até seu declínio natural. Que ela seja espaço da acolhida, do amor, do respeito mútuo, do diálogo sincero e amadurecido e de um mundo novo inaugurador…

Ficai conosco, Senhor, com as crianças amadas e desamadas; com os jovens para que se esperança tiverem, a concretizem; se não tiverem que a ressuscitem e voltem a sonhar…

Ficai conosco, Senhor, com enfermos, pois são Vossa presença, como diz no Evangelho; com os idosos, assistidos e amados por suas famílias ou não…

Em todo e qualquer momento,

Em toda e qualquer situação:

Uma súplica, uma singela oração.

 

Como os Discípulos de Emaús suplicamos:

Ficai conosco, Senhor!

 

Presença tão divina, na Palavra, na Eucaristia,

Que Vossa Palavra continue fazendo nosso coração arder

Que no Pão partilhado, nossos olhos se abram

A Vós reconheça, e no coração uma certeza:

Não estamos sós… Conosco estais. Amém!

Aleluia, Aleluia, Aleluia!

 

PS: Outra reflexão sobre os Discípulos de Emaús, o leitor encontrará no arquivo de 28/07/2009, neste blog.

 

 

 

 

 

 

criado por peotacilio    11:11 — Arquivado em: Reflexões, atividade pastoral

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